Conexões Globais: debates e oficinas no RS sobre cidadania digital

por Manual do Usuário

Começa hoje em Porto Alegre a terceira edição do Conexões Globais, evento de cultural digital promovido pelo Governo do Rio Grande do Sul que contempla debates (presenciais e via Skype), diversas oficinas e atrações culturais.

(mais…)

IrfanView, o melhor app para ver imagens no Windows

Minha barra de tarefas no notebook tem três ícones fixos: Windows Explorer, navegador padrão e um que, reza a lenda, é um gato vermelho atropelado na estrada. Esse último é o indefectível ícone do IrfanView, um simpático visualizador de imagens para Windows.

Não lembro quando exatamente descobri o IrfanView, só me recordo vivamente de ter simpatizado com o app logo de cara. Sua função, pelo menos superficialmente, é simples e limitada: abrir imagens. Fosse só isso ele já seria sensacional: é difícil surgir um formato que o IrfanView seja incapaz de lidar e, mesmo nesses casos, geralmente um plugin resolve a incompatibilidade.

Só que ele faz muito mais que isso.

(mais…)

Moto G, o melhor smartphone barato que você pode comprar

Foi um longo hiato do anúncio da aquisição pelo Google até o primeiro fruto, o Moto X. A Motorola Mobility enquanto “uma empresa Google” ainda dá seus primeiros passos, mas passos confiantes e acertados. O Moto G, segundo smartphone dessa nova fase, foi anunciado no Brasil em novembro e, agora, passa pelo crivo do Manual do Usuário. Com a combinação de boas especificações e preços agressivos, o aparelho faz sucesso no varejo. Sucesso justificável? É o que descobriremos juntos.

Procurando pelo novo Moto G (2014)? Leia aqui o review completo dele.

Moto G: um Moto X mais rústico

Moto G com um boneco verde do Android, vistos de cima.
Foto: Rodrigo Ghedin/Manual do Usuário.

(mais…)

7 dicas para iOS / iPhone que você talvez não conheça

Faz algumas semanas que passei a usar um iPhone 5 como celular principal e nesse meio tempo conheci alguns truques legais do iOS. Nada que mude o mundo, mas coisas que agilizam ou fazem os outros esboçarem um risinho quando veem.

(mais…)

Um apelo: pare de filmar com o smartphone em modo retrato

Não é de hoje que todo smartphone é, também, uma câmera bem decente. A fotografia foi uma das primeiras áreas absorvidas pela convergência dos smartphones. Por estarem presentes neles há tanto tempo, já temos câmeras em celulares que rivalizam em qualidade com as compactas.

(mais…)

Novo Kindle Paperwhite, ou como melhorar o melhor e-reader

Não foi a Amazon quem começou essa história de e-readers com tela de e-ink, mas foi graças a ela que este nicho ganhou a popularidade que tem hoje. Os dispositivos Kindle são referência no segmento e versão após versão redefinem o que se deve esperar de um bom e-reader.

Tablets e smartphones, embora continuem funcionando após anos de serviços prestados se bem cuidados, parecem sofrer de obsolescência percebida, ou seja, mesmo funcionando bem a mera existência de modelos mais avançados atiça o nosso espírito consumista. Não precisamos de um celular novo, mas queremos um.

(mais…)

Leituras da semana #9

Na seção Leituras da semana a ideia é trazer até cinco posts de outros sites publicados no decorrer da semana que merecem ser lidos. São artigos primariamente sobre tecnologia, mas que, seguindo a linha editorial do Manual, podem também flertar com comunicação, psicologia e outras áreas desde que tenham uma abordagem relacionada a gadgets ou bits.

(mais…)

CES 2014: os principais anúncios, as maiores apostas e Michael Bay

A CES (Consumer Electronics Show) é o primeiro grande evento de tecnologia do ano. Em janeiro, emendado com as festas de fim de ano, expositores, profissionais de TI e jornalistas se reúnem em Las Vegas, EUA, para darem ao mundo um vislumbre do que provavelmente será o tom da tecnologia de consumo nos meses seguintes.

É um negócio enorme. Nesta edição, mais de 3200 empresas disputaram a atenção 150 mil pessoas que passaram por lá. E mesmo assim, ao longo dos últimos anos o evento tem perdido um pouco da sua força. Empresas maiores, como MIcrosoft, Apple, Samsung e Google, não aparecem, preferem anunciar novos produtos em eventos próprios ou mais focados. Faz sentido, dado que o volume de notícias numa CES é capaz de soterrar mesmo novidades que em outro contexto seriam o centro das atenções.

(mais…)

Permissões de apps: como elas funcionam no Android, iOS e Windows Phone

Um smartphone moderno é composto por um punhado de sensores, módulos e recursos. É esse arsenal que faz com que ele seja tão versátil, tão útil no dia a dia. Os desenvolvedores podem utilizar essa gama de poderes para facilitar ou mesmo viabilizar o funcionamento dos seus apps. Só que é como dizia o tio de um super-herói: com grandes poderes vêm grandes responsabilidades. Você presta atenção nas permissões que os apps exigem antes de instalá-los?

A Tatiana contou, na Galileu, os motivos que a levaram a desinstalar o app do Facebook em seu smartphone Android: o excesso de permissões que o app pede para ser instalado. Como ela nota, algumas fazem sentido, outras soam estranhas mesmo sob a bandeira da comodidade.

Todo smartphone vendido atualmente conta com um sistema de permissão destinado aos apps. Como eles funcionam em sandboxes, ou seja, isolados entre eles e do sistema, as permissões funcionam como um contraponto de flexibilidade nessa estrutura orientada à segurança, como pontes seguras entre os apps e os recursos que o smartphone tem.

Por padrão o sistema operacional bloqueia acesso a esses recursos em prol da segurança. Um app, para usufruir desses recursos, precisa declarar explicitamente quais são necessários e apenas com a anuência do usuário as portas virtuais que os guardam são abertas.

Nós temos a chave, mas somos proprietários displicentes. Raramente atentamos para as permissões que um app pede e, nessa, acabamos abrindo a porta de casa para qualquer um. Um jogo gratuito precisa mesmo saber a minha localização? Por que uma rede social quer saber meu histórico de ligações, ou ficar aberta o tempo todo em segundo plano? E esse app de piadas, quer minha lista de contatos para quê?

Abaixo, faço um passeio pelos sistemas de permissões das três principais plataformas móveis: Android, Windows Phone e iOS.

No Android, é tudo ou nada

Ao instalar um app no Android, o Google Play exige confirmação para as permissões que ele pede. Surge uma lista delas na tela com um botão de confirmação embaixo. Clique nele e o app é instalado; discorde e você volta para a Play Store, sem o app.

Permissões que o Path pede no Android.
Ou você aceita tudo e recebe o app, ou cancela a instalação.

Essa abordagem é oito ou oitenta, não há meio termo do tipo “ok, app, você pode saber a minha localização e acessar as fotos do celular, mas nada de ler meus contatos”. Alguns apps até permitem configurações granulares de permissões após a instalação — no Facebook, talvez o exemplo-mor de app que extrapola nesse ponto, dá para deixar a localização desativada por padrão, por exemplo. No geral, porém, é aquela abordagem rígida do aceite total que vale.

Abordagem que, claro, não é a ideal, mas que tem sua validade. Dependendo do app e do que ele pede, é melhor deixá-lo de lado — em muitos casos é de se pensar se o risco vale a pena. Existem aqueles chatos, mas mais amenos, em que você verá propagandas assustadoramente precisas, de anunciantes próximos, graças à concessão da sua localização via GPS. Outros são mais graves; você pode acabar vítima de um golpe, como o do Balloon Pop 2 que sequestrava conversas no WhatsApp para revendê-las depois.

O Android carece, ainda, de uma central de privacidade. O recurso fez uma rápida aparição na versão 4.3: o App Ops abria todas as permissões de cada app instalado e permitia revogá-las individualmente. Era preciso usar algum programa que criava a interface para o App Ops, como o da Color Tiger1.

App Ops em funcionamento no Android 4.3.
Screenshots: EFF/Reprodução.

Ele não durou muito. Na versão 4.4.2 o App Ops sumiu com a justificativa, do Google, de que sua aparição recente fora um descuido e que na prática trata-se de um recurso usado apenas internamente para testes. Triste, mas compreensível: muitos apps simplesmente “quebram” quando permissões vitais são revogadas.

O melhor a se fazer, por ora, é ficar atento às permissões na hora de instalar um app — e desistir ao menor sinal de desconfiança.

As permissões de apps são ainda piores no Windows Phone

Requisitos do Hisptamatic Oggl, para Windows Phone.
No Windows Phone, requisitos dos apps são apresentados discretamente na Loja de Aplicativos.

No Windows Phone a situação é similar à do Android, com uma agravante: as permissões são listadas na Loja de Aplicativos, só que essa não pede confirmação do usuário na hora de instalar algum — com apenas uma exceção, a do acesso à localização.

A lista de permissões de um app fica soterrada na página “Detalhes” dele na loja de apps. Em texto puro, logo depois da descrição e entre links legais que recebem ainda menos atenção, o posicionamento ruim de informações tão importantes é preocupante. Elas deveriam estar em local mais acessível e ter mais destaque ali.

A Microsoft lista, na ajuda do Windows Phone, todas as permissões possíveis a um app.

O mais triste é que nas configurações do sistema existe uma aba “Aplicativos” que, em vez de contemplar todos, fica restrita a alguns nativos, pré-instalados do sistema. A exceção é o item “Tarefas em segundo plano”, que lista apps capazes de rodar em segundo plano e permite revogar esse privilégio.

iOS: demorou, mas é assim que se faz

O iOS é o sistema que melhor lida com permissões de apps.

Não foi sempre assim. Antes do iOS 6, essa parte do sistema era um desastre. Foi preciso um escândalo envolvendo o app Path para que a Apple tomasse providências e desse a devida atenção às permissões dos apps.

Exemplo de app requisitando permissão especial no iOS.
No iOS, as permissões são concedidas durante o uso do app.

No começo de 2012 o app do Path foi flagrado enviando listas de contatos dos usuários para seus servidores sem notificá-los disso. Até então o iOS só informava e pedia autorização do usuário para o uso do sistema de notificações push e dos serviços de localização que um app porventura precisasse; todo o resto era concedido de pronto, sem aviso algum.

Com o estouro do caso Path, que repercutiu até no Congresso dos EUA, mudanças foram feitas no iOS 6. Além de notificações e localização, o sistema passou a regular outras permissões nos apps, a saber:

  • Contatos
  • Calendários
  • Lembretes
  • Fotos
  • Compartilhamento Bluetooth
  • Microfone

A App Store continua sem listas de permissões para os apps por lidar com elas de maneira diferente. Ao instalar um app de lá, ele não ganha acesso imediato às permissões de que precisa. É durante o uso que o usuário concede (ou não) as necessárias. O app vai perguntando na medida em que uma função que dependa de certa permissão é acionada e aí cabe ao usuário concedê-la ou não.

Não existe o risco de “quebrar” apps porque as diretrizes da App Store exigem que o desenvolvedor preveja comportamentos alternativos para quando certas permissões forem negadas. As notas de lançamento do iOS 6 para desenvolvedores esclarecem isso:

“Além dos dados de localização, o sistema agora pede permissão do usuário antes de liberar o acesso a apps terceiros a certos dados do usuário.

(…)

Para dados de contatos, calendários e lembretes, seu app precisa estar preparado para ter o acesso negado a esses itens e ajustar o comportamento de acordo. Se o usuário ainda não foi questionado sobre a liberação do acesso, a estrutura retornada é válida, mas não contém registros. Se o usuário negou o acesso, o app recebe um valor nulo ou nenhum dado. Se o usuário garantir permissão ao app, o sistema consequentemente notifica o app de que ele precisa ser reiniciado ou reveter os dados.”

Área Privacidade, nas configurações do iOS, e app Foursquare sem acesso à localização do usuário.
No iOS, permissões são concedidas durante o uso dos apps e podem ser revogadas a qualquer momento.

Nas configurações do sistema existe, ainda, uma área chamada Privacidade. Ela concentra as permissões que o sistema oferece e dá ao usuário o poder de vetá-las, para qualquer app, a qualquer momento.

Permissões de apps são importantes

As permissões de apps são meio como a EULA do Windows, ou os termos de uso das redes sociais: a maioria aceita sem ler. Nem o fato de serem compostas por poucas linhas anima o usuário médio a prestar atenção nos privilégios que ele concede sempre que instala um app. O que é um perigo.

Este é um assunto importante. Ler aquelas poucas linhas e tentar entender por que um app pede certas permissões é um esforço válido. Na próxima vez que fizer uma parada no Google Play ou na Loja de Apps do Windows Phone, ou que um app no iOS começar a pedir muita coisa, abra de olho, questione.

Foto do topo: Vit Brunner/Flickr.

  1. A Color Tiger oferece, agora, o App Ops X. Ele não está disponível no Google Play porque o método de instalação viola as regras do Google — a saída, pois, é fazer sideloading do app. Os desenvolvedores garantem que o app funciona mesmo no Android 4.4.2 e prometem um futuro cheio de atualizações, integração com o Tasker, pré-configuração de permissões a serem desativadas de pronto e outras vantagens. Mais informações no Lifehacker. ↩︎

One Touch Idol: por fora, bela viola; por dentro…

Do anúncio da fabricação de smartphones no Brasil até o lançamento comercial do mais poderoso deles (por aqui), passaram-se cinco meses. Em dezembro, a tempo do Natal, o One Touch Idol ganhou as prateleiras do varejo e a loja virtual da própria Alcatel, uma estratégia diferente que foge das operadoras e tenta entrar em contato direto com o consumidor. Com preço sugerido de R$ 899, o que esperar do Idol?

(mais…)

Leituras da semana #8

Na seção Leituras da semana a ideia é trazer até cinco posts de outros sites publicados no decorrer da semana que merecem ser lidos. São artigos primariamente sobre tecnologia, mas que, seguindo a linha editorial do Manual, podem também flertar com comunicação, psicologia e outras áreas desde que tenham uma abordagem relacionada a gadgets ou bits.

(mais…)

Ultra HD, OLED, tela curva e apps: as tecnologias que estarão na sua próxima TV

Apesar de não formarem uma categoria que instiga substituições recorrentes pelos consumidores, as TVs têm sido palco de muitas experimentações, novidades e promessas nos últimos anos. Da alta definição ao Ultra HD, algumas características se consolidam e ajudam a vender mais, outras são solenemente ignoradas pelo público.

A CES, que acontece todo mês de janeiro em Las Vegas, EUA, costuma antecipar tendências. Em 2014 não será diferente. A feira começa daqui a alguns dias e fabricantes grandes e pequenas prometem trazer novas telas de altíssima resolução e recheadas de novos recursos.

(mais…)

Deixei as outras novidades do Manual do Usuário para fevereiro a fim de colocar logo no ar o novo layout do blog. E aí, gostou?

Ele é responsivo, o que significa que se adapta automaticamente às telas menores de tablets e smartphones. É nas grandonas, porém, que o layout brilha — dê uma olhada no review do Moto X, já adaptado. Dá para colocar fotos enormes no meio do texto, vídeos, preencher as laterais com gráficos e imagens menores… Fica lindo.

Alguns detalhes precisam ser arrumados, como o “Responses”/“Comments” não traduzido, mas o grosso está pronto. Se flagrar alguma coisa fora do lugar, deixe um comentário aí embaixo.

E não ache que isso é tudo. Tem mais coisa boa a caminho. 2014 será divertido.

Os equipamentos e apps que uso, 2014

Por mais simples que seja uma operação, ela demanda instrumentos, padrões e um workflow minimamente estruturado. É assim com o Manual do Usuário: um blog de um homem só, um homem preparado para ler, escrever, fotografar e filmar.

É bem comum usarmos momentos de ócio no fim do ano para reavaliarmos partes da vida, refletir onde erramos e onde acertamos e, nessa, fazer pequenos (ou grandes) ajustes. Resolvi usar parte desse tempo para contar a vocês o que uso (ou pretendo usar em 2014) no trabalho que desempenho aqui. Além de útil, quero também trocar figurinhas nos comentários, descobrir apps, equipamentos etc. É um post com segundas intenções :-)

(mais…)

O que esperar da tecnologia (e do Manual do Usuário) em 2014

Embora não tenha colocado nenhum rótulo ou outro indicador aqui, o Manual do Usuário ainda está se encontrando. Achar esse norte não é fácil, acredite. O ano prestes a acabar poderá ser visto, no futuro, como o ponto de transição na forma com que encaramos a Internet e o oceano de informação que despejamos nela diariamente. O Manual é um pequeno exercício nesse sentido.

O stream de informações atingiu seu ápice em 2013. O agora, o eternamente em construção, o falar de tudo e o não querer perder nada. Na bela coluna em que observa e discute esse fenômeno, Alexis Madrigal diz acreditar que em breve as pessoas cairão na real e pedirão a volta de conteúdo estruturado, atemporal, duradouro.

Será? As manchetes forçadas do Upworthy e as infinitas listas de temas óbvios do Buzzfeed lotando linhas do tempo e feeds de notícias permeadas por reclamações e reclamações de reclamações colocam essa esperança contra a parede. O que a salva é que a Internet é um lugar bem grande. Da mesma forma que o conteúdo apagável começa a ser seriamente considerado, o duradouro também pode fazer seu retorno triunfal. Já vem fazendo, na realidade, com features, longform e o Slow Web em alta. Em 2014 haverá mais diversidade no que passa pelo stream — e mais vida fora dele.

Previsões, ou desejos para 2014

Em seu livro A Estrada do Futuro, Bill Gates resume a sinuca de bico que é fazer previsões:

“(…) Este livro pretende ser um livro sério, embora daqui a dez anos possa não parecê-lo. Tudo aquilo que eu tiver dito de certo será considerado óbvio. O que estiver errado será considerado cômico.”

Encare o que vem a seguir mais como desejos do que previsões — assim ganho o direito de errar sem ter dedos apontados lá na frente :-)

Nunca me agradou esse clima de torcida na tecnologia, ver o “seu” sistema ganhar dos outros, dar risada e se sentir genuinamente feliz com o tropeço de uma empresa. Menos disso ano que vem, por favor. Não dou bola para picuinhas do tipo aqui e fico feliz em ver que vocês, leitores, também não entram nessa pilha.

A passos incrementais, mas evoluindo sempre, a tecnologia segue firme como ditadora e distração da vida moderna. Se até ontem queríamos smartphones mais potentes e telas mais densas, o próximo passo é a computação contextual: sistemas que se antecipem às nossas vontades usando sinais secundários. Coisas que eram de ficção científica alguns anos atrás já fazem manchetes surpreendentes, como a do drone da Amazon, e o que era excitante até então se transforma em commodity. Nada de errado, porém, em ver o iPhone e o Galaxy S virarem lugar comum; os preços caem, o smartphone se populariza e mais gente ganha acesso a essas telinhas legais.

O afogamento na tecnologia me parece um caminho sem volta. A computação vestível e a Internet das coisas conectará tudo e todos. Não sei quando, mas acredito que em breve. Na mesma proporção virão as críticas sobre o excesso de tecnologia e sobre o excesso de produção de conteúdo. Encontrar o meio termo disso tudo será um dos grandes desafios nessa segunda metade da década.

Talvez um bom parâmetro para o momento seja o garotinho do comercial da Apple. Registrar bons momentos é legal, vê-los todos através de um celular, privando-se deles com a justificativa do relato, não. Já disse aqui que bom senso é relativo. Com as mudanças comportamentais que a tecnologia estimula, saber quando deixar o celular de lado será, mais do que um traço de bom senso (seja lá qual for a sua medida disso), uma habilidade valiosa e apreciável.

E quando estivermos com o celular na mão, vamos… pensar melhor no que publicar, no que opinar. Embora o Facebook nos pergunte incessantemente o que estamos pensando, não é preciso dizê-lo a todo momento, sobre todo e qualquer assunto. Lá, no Twitter, em qualquer lugar que nos incite a opinar usando um gadget, que pensemos (mesmo!) duas, três, várias vezes antes. Se vale a pena mesmo discutir e se a discussão é, no fim das contas, salutar.

Michel Laub clama por um guia que nos ensine como não falar sobre as amenidades da vida e as notícias do cotidiano:

“Algumas coisas são inegociáveis, claro, mas nem toda ponderação é sinônimo de relativismo covarde. Assim como nem toda omissão. Pierre Bayard escreveu um ensaio divertido chamado ‘Como Falar dos Livros que Não Lemos’ (Objetiva).

Gostaria que alguém escrevesse um com a tese oposta: como resistir em falar dos livros que lemos, dos filmes que vimos, do que aparece na TV ou do que comemos no almoço, e do trânsito e da poluição e da péssima qualidade dos serviços na cidade e assim por diante.”

Parece brincadeira. Se for, é uma amargamente verdadeira. Faz falta um guia desses.

Planos para o futuro

A premissa do Manual do Usuário, este pequeno espaço na Internet que gerencio, é abordar tecnologia e comportamento derivado dela com os dois pés no chão e uma boa dose de crítica. Não falar de tudo é parte do serviço que presto: a privação do ruído faz um bem enorme, permite que você se alimente mais com o que importa e deixe o banal de lado.

Essa curadoria às avessas será cada vez mais importante. Se antes o trabalho era garimpar conteúdo nas escassas pedreiras da Internet, hoje ele abunda de todos os lados e a maior dificuldade é peneirá-lo em busca do que faz a diferença. Daí a excepcional resposta de quem se aventura com newsletters: conteúdo com começo, meio e fim, ponto. As pessoas sentem falta disso e quando encontram essas pequenas pepitas de ouro em meio a tanto pedregulho, apreciam-nas.

Ainda estou em busca do ponto de equilíbrio para o Manual do Usuário. Fazendo uma análise de fim de ano, acho que nesses dois meses de vida do blog fui bastante rígido com a linha editorial do blog. Em 2014 devo publicar mais posts. Nem todos serão enormes como os que já foram ao ar, mas cada um deles será importante. Considere isso uma resolução de ano novo.

Encerro hoje os trabalhos no Manual do Usuário em 2013. Para o ano que vem, além desse refinamento na linha editorial o blog ganhará um novo layout (está ficando lindão!) e tentarei torná-lo sustentável de maneiras não muito… convencionais. Vocês participarão mais também, e acho que essa será a parte mais bacana.

Boas festas e nos vemos em 2014!

Imagem do topo: SpectralDesign/Flickr.