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CES 2014: os principais anúncios, as maiores apostas e Michael Bay

Las Vegas.

A CES (Consumer Electronics Show) é o primeiro grande evento de tecnologia do ano. Em janeiro, emendado com as festas de fim de ano, expositores, profissionais de TI e jornalistas se reúnem em Las Vegas, EUA, para darem ao mundo um vislumbre do que provavelmente será o tom da tecnologia de consumo nos meses seguintes.

É um negócio enorme. Nesta edição, mais de 3200 empresas disputaram a atenção 150 mil pessoas que passaram por lá. E mesmo assim, ao longo dos últimos anos o evento tem perdido um pouco da sua força. Empresas maiores, como MIcrosoft, Apple, Samsung e Google, não aparecem, preferem anunciar novos produtos em eventos próprios ou mais focados. Faz sentido, dado que o volume de notícias numa CES é capaz de soterrar mesmo novidades que em outro contexto seriam o centro das atenções.

Apesar da descrença, a CES não deve ser ignorada. Mesmo quem fez questão de não ir e publicou os motivos para tal, como Paul Thurrott, não conseguiu se livrar da feira. Thurrott, por exemplo, prometeu levar a seus leitores o que de mais importante aparecer nos corredores dos centros de convenções e salas de hotéis em Las Vegas. Ele alega que dá para cobrir a feira no conforto do seu escritório, o que não deixa de ser verdade, ainda que impossibilite os hands-on e experimentações jornalísticas, como a divertida cobertura em um Tumblr, feita apenas com smartphones, da Wired, para mim a mais interessante esse ano.

No último dia da CES 2014, é hora de nos sentarmos e revermos o que, do que foi apresentado, tem potencial para impactar a indústria nos próximos meses. O texto abaixo tem uma mão carregada de futurologia, mas no futuro será um registro bacana para verificarmos se os grandes players continuam com o poder de direcionar o consumo com suas novas propostas e ideias. E, quase desnecessário dizer, é um relato que arranha a superfície das coisas que foram mostradas lá.

Dispositivos vestíveis: apesar do destaque na CES 2014, ainda é cedo

Computação vestível: ainda falta muito chão para se tornar mainstream.
Membros do Grupo de Computação Contextual do Instituto de Tecnologia da Georgia. Foto: Pam Berry/The Boston Globe.

A CES 2014 ficou marcada como a primeira em que os dispositivos vestíveis receberam uma grande fatia da atenção das fabricantes. A promessa vem do ano passado, com tentativas no máximo (e sendo generoso) frustradas de emplacar um relógio inteligente ou um óculos de realidade aumentada que ainda busca problemas a solucionar.

Ilustração com uma mãozinha depositando uma moeda em uma caixa com o logo do Manual do Usuário em uma das faces, segurada por dois pares de mãos. Ao redor, moedas com um cifrão no meio flutuando. Fundo alaranjado.

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A computação vestível enfrenta duas batalhas paralelas, e é necessário vencê-las para que o segmento aflore. Além de convergirem em dispositivos que instiguem o consumo, ou seja, em coisas úteis e prazerosas de usar, é preciso quebrar as barreiras do ceticismo e do estranhamento que gadgets mais aparentes, como telas na frente dos olhos com câmeras apontando para frente causam nas pessoas.

June: gadget vestível que protege contra o Sol.
Foto: Netatmo/Reprodução.

Como essa segunda questão é mais complexa do que a primeira, deixemos ela para um momento mais oportuno. A respeito dos gadgets apresentados na CES, dá para dizer, exagerando mas não muito, que todo mundo levou um relógio, óculos ou pulseira de exercícios físicos ou algum outro formato menos usual, como o June (acima), da Netatmo, um sensor de raios ultravioletas que mais parece uma joia. Nada, porém, capaz de fazer brilhar os olhos e gerar a demanda para que a categoria deslanche.

Seria uma reedição do fiasco da TV 3D? Creio que não. Nesses tempos em que somos todos beta testers, o que falta aos dispositivos vestíveis é encontrarem uma aplicação que gere apelo e supri-la a contento. Ora faltam recursos, ora sobram e nesses a interface, dizem todos que os testaram, é complicada e desestimulante. Falta, pois, o iPhone dos wearables e talvez ele só apareça em 2015.

Chips minúsculos

Além de convencer pessoas comuns da sua utilidade e resolverem as deficiências evidentes que apresentam hoje, ainda há o desafio de engenharia no futuro dos gadgets vestíveis: como colocar em espaços minúsculos o hardware necessário para que tudo funcione bem, sem comprometimentos? Afinal, você pode até gostar do conceito do Glass como ele é hoje, mas não acredito que alguém aprecie a autonomia de apenas cinco horas que os óculos oferecem atualmente.

Computador do tamanho de um cartão SD.
Foto: Intel/Reprodução.

A Intel, que ainda sofre para encontrar espaço nos smartphones, dessa vez não perdeu o timing e anunciou nesta CES o Edison, um computador minúsculo. Para se ter noção do seu tamanho, ele tem as mesmas dimensões de um cartão SD. Vem com um SoC Quark, roda Linux e suporta conexões Wi-Fi e Bluetooth. Seu destino, deixou claro Brian Krzanich, CEO da Intel, são os dispositivos vestíveis.

A Qualcomm, que na CES do ano passado apresentou a então nova linha Snapdragon, nesta mostrou apenas variações dos seus dois SoCs mais poderosos destinadas a carros e TVs.

Tegra K1, mas poderia ser Tegra 5.
Foto: NVIDIA.

Por fim, a NVIDIA revelou o Tegra K1, com 192 núcleos CUDA, em dois sabores: um com CPU quad-core Cortex A15 para logo e outro, prometido para o fim do ano, com a CPU Denver de 64 bits da própria NVIDIA. A empresa diz que esse chip é o elo perdido entre desktops e dispositivos móveis, mas precisa convencer na prática. Os SoCs Tegra nunca foram exatamente campeões de desempenho em relação a consumo. Será que agora vai? O Tegra K1 de 64 bits é para smartphones ou os planos são mais ambiciosos? No fim restaram mais dúvidas do que respostas.

TVs baratas e dobráveis, Ultra HD e OLED e as Smart TVs inteligentes de fato

TVs Ultra HD são demonstradas pela LG.
Foto: LG.

Junto com os dispositivos vestíveis, as TVs talvez tenham sido o outro grande fetiche da CES 2014.

TVs Ultra HD, OLED, curvas… Estava tudo lá, e a preços mais em conta do que nunca — a Vizio lançará uma Ultra HD por menos de US$ 1.000 ainda em 2014 nos EUA.

Samsung e LG mostraram TVs que se dobram ao toque de um botão. Plana ou curva, nesses modelos fica a cargo do espectador decidir a melhor forma para as telas. Pode ser apenas para mostrar que dá, mas pelo menos a Samsung já garantiu que sua TV dobrável de 77 polegadas (do vídeo acima) será comercializada.

A minha aposta de que a CES 2014 seria uma ode à qualidade da imagem foi desestabilizada pela LG: ela ressuscitou o webOS e colheu elogios da imprensa internacional com o sistema.

Dizem, todos, que o webOS deixa a Smart TV mais fácil de usar. Complicar a operação de um equipamento tido por certo como simples, caso da TV, sempre foi o erro fundamental das Smart TVs. Pelos vídeos que vi a encarnação televisiva do webOS tem potencial para revisitar esse solo árido e mudar a ideia (ruim) que temos desses equipamentos. É elegante e fluído, embora aquele cursor passeando no meio da tela e o teclado virtual para catar milho com o controle remoto assustem um pouco.

A Roku anunciou a abertura do seu sistema para fabricantes de TV. TLC e HiSense, duas fabricantes chinesas, integrarão o sistema às suas TVs e outras devem seguir o exemplo. Se os set-top boxes há anos estão na dianteira em relação às interfaces complicadas e lentas das Smart TVs, por que não remediar essas com o cérebro daqueles? É uma mistura que faz muito sentido.

Entre poucos e não muito conhecidos, um smartphone pequeno chamou a atenção

Xperia Z1 Compact é pequeno e poderoso.
Foto: Sony/Reprodução.

Faz alguns anos que a CES deixou de ser o local de grandes anúncios em smartphones. Em 2009 foi o webOS, nos anos seguintes um ou outro mais interessante apareceu. Culpa do Mobile World Congress, que acontece em Barcelona no mês de fevereiro e que por ser um evento focado em mobilidade acaba servindo de vitrine para mais lançamentos — sem falar nos eventos próprios para modelos específicos, casos dos novos iPhone e Galaxies S todo ano.

Nesta CES algumas fabricantes orientais de menos prestígio aqui no ocidente, como ZTE, HiSense (!) e Huawei mostraram novos aparelhos. A Lenovo trouxe dois, ambos aparentemente bacanas, mas não deu sinal de que eles virão ao Brasil ou mesmo EUA.

A Asus parece que enfim entrará pra valer nessa área acirrada. Não é de hoje que os taiwaneses mexem com smartphones, do incrível dois-em-um PadFone ao tablet-smartphone (ou vice-versa) FonePad.

O phablet ZenFone 6, da Asus.
Foto: Asus/Reprodução.

Os novos ZenFones, porém, são smartphones convencionais e, importante, vêm com preços agressivos, SoC Intel Atom (intermediário) e uma camada de software própria, a ZenUI. Os três modelos, com telas de 4, 5 e 6 polegadas, custam de US$ 99 a US$ 199 e podem abrir as portas para modelos mais sofisticados deles. Fica a esperança — o PadFone é muito bacana e caríssimo mesmo em mercados mais maduros.

Nessa disputa fácil para chamar a atenção, a Sony não teve dificuldade de ganhar manchetes com seu smartphone pequeno, o Xperia Z1 Compact. Ele tem tela de 4,3 polegadas e as mesmas entranhas do Xperia Z1 convencional, em vez de componentes piores como é de praxe nas estratégias de “encolhimento” de outras fabricantes — vide Galaxy S e Galaxy S mini. Em quatro cores, é a tardia resposta a um anseio de muitos: um Android high-end com tamanho equiparável ao do iPhone. Será interessante e importante observar o desempenho comercial do Z1 Compact.

Tablets enormes e Android e Windows na mesma máquina

O Galaxy NotePRO tem 12,2 polegadas.
Foto: Samsung/Reprodução.

A Samsung apareceu com… contando… enfim, um punhado de novos tablets das linhas Galaxy TabPRO e NotePRO.

Duas coisas chamam a atenção neles. Primeiro, o tamanhão do maior modelo, com 12,2 polegadas. É quase o tamanho de tela de um Ultrabook padrão (13,3 polegadas) e, com isso, há quem aposte que a Samsung esteja a fim de canibalizar suas linhas mais baratas de notebooks em prol de tablets enormes. A experiência com o Android em um hardware de ponta (e um teclado físico, por favor) é definitivamente melhor que aquela a bordo de um notebook de entrada, logo talvez esse seja mesmo o caminho.

A outra coisa é a nova interface, batizada de Magazine UI. Ela ainda carece de apps compatíveis, são uns poucos e bem obscuros com suporte a ela, como aqueles equivalentes de email e agenda que a Samsung enfia no seu Android. A ideia dessa nova skin é bacana: aproveitar o espaço da tela para exibir blocos informativos em vez uma grade com ícones.

Muita gente acusou a Samsung de ter copiado o Windows 8 e seus blocos dinâmicos. Ignorando a bobagem que é esse papo de quem-copiou-quem, pelo que pude ver a Magazine UI leva a ideia inicial da Microsoft adiante. Em vez de informações curtas, os blocos oferecem mais logo de cara, sem a necessidade de entrar no app. A Tela Inicial do Windows 8 informa por estar ali, mas não faria falta — ou, posto em outros termos, não é algo tão útil só de olhar. A da Magazine UI parece mais preocupada em alimentar o usuário, em ser uma espécie de, fazendo analogia com navegadores web, página inicial do tablet, do que meros atalhos mais informativos para apps de sempre.

E convenhamos: qualquer coisa diferente da TouchWiz é é digna da nossa atenção.

Bônus: finalmente a Samsung trocou o botão tátil de menu pelo de multitarefa, como é padrão no Android, provavelmente motivada pela persistência do menu na Action Bar instituída pelo Google. Como nem tudo são flores, ela manteve a posição invertida com o botão Voltar.

O promisso tablet com Windows 8 da Lenovo.
Foto: Lenovo/Reprodução.

Falando em Windows 8, chamou a atenção o ThinkPad 8, da Lenovo. Orientação retrato por padrão, conectividade e a qualidade que se esperaria de um ThinkPad. Nada comparado ao novo Carbon X1, mas dentro do universo capenga de apps do Windws 8, é uma das coisas mais promissoras que surgiram nos últimos meses. Talvez seja uma coisa minha, mas a preferência por um bom notebook convencional ante um tablet igualmente bacana em termos de hardware denota que o Windows ainda está bem atrás nessa seara de apps modernos e manuseio com toques na tela.

O ecossistema do Windows 8, aliás, está dando brecha para um dos seus concorrentes, o Android. AMD e Intel anunciaram na CES iniciativas para integrar os dois sistemas. A AMD uniu-se ao Bluestacks para trazer o Android para dentro do Windows; a Intel veio com o Dual OS, que não ficou muito claro, mas deve colocar os dois sistemas paralelamente em um mesmo equipamento, como o precursor Transformer Book Trio, da Asus, apresentado na Computex do ano passado.

Para a Microsoft não é um bom negócio. Se os usuários se contentarem com apps do Android rodando junto ao Windows, o apelo por apps exclusivos para esse diminui. E não é como se o Windows pudesse se dar ao luxo de dispensar apps. Falta em quantidade e, principalmente, qualidade. Dispersar o foco é, também, dispersar a atenção dos desenvolvedores para com a plataforma.

A CES ainda é relevante?

Tradicionalmente alguns sites maiores, que cobrem a feira nos mínimos detalhes, fazem uma eleição ao fim da CES para eleger os lançamentos mais bacanas. Indico duas dessas listas:

  • Wired: para coroar a cobertura bacana da Wired, um Top 10 bem diversificado e recheado de produtos legais, incluindo alguns que ficaram longe dos holofotes nos dias da feira.
  • Wirecutter: fazendo jus à fama de falar só o essencial, o Wirecutter, um site que testa produtos das mais diversas categorias para indicar o melhor em cada uma delas fez um post para indicar os produtos mais promissores que passaram pela CES.

Revelante ou não, a CES é um negócio tão grande que por si só já chama a atenção. E se zilhões de gadgets esquisitos, protótipos e produtos tão surreais que nem estão (ou estarão) à venda e apostas para o futuro próximo não forem o bastante, sempre tem o risco de alguma apresentação sair do controle e resultar em situações embaraçosas ou engraçadas, dependendo do quão sádico você é.

Com vocês, Michael Bay se enrolando na apresentação da Samsung:

https://www.youtube.com/watch?v=VsFu-Py9_OA

Foto do topo: Daniel Incandela/Flickr.

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3 comentários

  1. Gostaria que o Brasil não adotasse o termo “vestir” para aparelhos semelhantes ao Google Glas ou “smartwatches”. Eu nunca visto um óculos ou relógio, eu coloco. Também nunca vi alguém falar: Epa, esqueci de vestir meus óculos.
    Soa muito ridículo. Sobre os lançamentos, Z1 mini eu esperava quando foi lançado no Japão, mas depois que comprei o Moto X, posso dizer que agora veio tarde e atrasado. Hoje, no mundo, não existe nenhum smart melhor que o Moto X. Não falo de números de hardware, mas de uso. Banchmark são enganações, mas se vocês verem vídeos de comparações, abrindo e usando aplicativos, o Moto X não deve nada a nenhum outro e ganha muitas paradas.

  2. Gostei do lançamento da Sony, realmente é bom perceber que o caminho iniciado pela Motorola com Moto X está sendo seguido. Claro que o hardware do Z1 é superior, mas a fluidez do X impressiona e a tela menor agrada muito.

    Esse lance de dois SO no mesmo aparelho não me agrada muito e fico triste em ver essa perda de força da Microsoft já que as fabricantes não tem apostado no Windows 8como um tablet, mas como um PC que oferece o recurso de tela touch. Quando elas pensam em tablets correm para o Android, e mesmo assim os desenvolvedores não fazem aplicativos decentes para telas Android grandes (entendam tablets de 10″).

  3. Cara… Esse Z1 Compact da Sony tem tudo pra dar certo! Eu já me atrapalho com a tela de 4.7″ do Nexus 4, então qualquer coisa assima disso seria ruim pra mim. Ele também supre a lacuna de smartphones tops com telas mais sensatas, que muitos sentem falta. Além do fato da customização da Sony, dentre as que já usei, é a mais amigável.

    O ZenFone me pareceu muito bonito, principalmente a interface. Com os preços agressivos e tendo um bom marketing, também pode deslanchar.

    Sobre os “dual system” com Win 8 e Android, acho interessante o conceito. Acredito que o Win 8 é melhor para usar como notebook, enquanto o Android leva a melhor como tablet. Então não acredito que o Android tire a anteção do Windows.

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