IrfanView, o melhor app para ver imagens no Windows


23/1/14 às 18h55

IrfanView.

Minha barra de tarefas no notebook tem três ícones fixos: Windows Explorer, navegador padrão e um que, reza a lenda, é um gato vermelho atropelado na estrada. Esse último é o indefectível ícone do IrfanView, um simpático visualizador de imagens para Windows.

Não lembro quando exatamente descobri o IrfanView, só me recordo vivamente de ter simpatizado com o app logo de cara. Sua função, pelo menos superficialmente, é simples e limitada: abrir imagens. Fosse só isso ele já seria sensacional: é difícil surgir um formato que o IrfanView seja incapaz de lidar e, mesmo nesses casos, geralmente um plugin resolve a incompatibilidade.

Só que ele faz muito mais que isso.

Fruto do trabalho de um homem só, o bósnio Irfan Skiljan, o IrfanView (daí o nome) expandiu sua área de atuação ao longo de quase duas décadas de desenvolvimento ativo. Hoje, em meio a interfaces animadas e softwares cada vez mais pesados, segue fiel às premissas iniciais. É um app rápido, confiável e que faz muito mais além de abrir imagens. Um exemplo que, com este post, homenageio e agradeço os anos de companhia e bons serviços prestados. E aproveito para apresentá-lo a quem, por acaso, ainda não o conheça.

Quem precisa de Photoshop quando se tem o IrfanView?

Um monte de ícones do IrfanView.

Ainda que não tenha a pretensão de ser um editor de imagens completo, o IrfanView oferece, através de menus e dezenas de teclas de atalho no teclado, recursos simples do tipo.

Para quem apenas arranha a superfície do Photoshop, talvez esses recursos limitados do IrfanView bastem. Para mim, em grande parte das situações, eles são suficientes.

Mesmo usando-o há anos, eu ainda não me aventurei por todos os cantos do IrfanView. Alguns comandos, porém, são sempre usados por aqui e já foram incorporados no meu dia a dia.

Os favoritos da casa:

  • Com um Shift + G abro uma caixa de diálogo para fazer ajustes no brilho, contraste, saturação e correção gama.
  • Uma foto levemente borrada pode ser salva com um Shift + S (sharpen).
  • Rotacionar imagens é bem simples, basta usar as teclas R (à direita) e L (à esquerda).
  • O mesmo vale para o redimensionamento, acessível via Ctrl + R.
  • Com o mouse, posso selecionar partes da imagem e fazer recortes simples.
  • As teclas “mais” e “menos” dão/tiram zoom e com um Shift + O volto ela à proporção 1:1.
  • A tecla S salva uma nova imagem; Ctrl + S salva a mesma imagem com o mesmo nome.

Existem outros comandos, outras funções que dependendo do seu estilo de trabalho podem ser úteis — inserção de marca d’água, espelhamento, correção de cores, filtros de imagem e até ferramentas de desenho (F12). Atalhos comuns a aplicativos Windows, como Ctrl + Z/Y para desfazer/refazer e Ctrl + X/C/V para recortar/copiar/colar também funcionam. Os menus são bem organizamos e quase toda ação que afeta a imagem tem uma combinação de teclas correspondente. Dominá-las significa trabalhar com mais agilidade.

Em paralelo ao app principal, o IrfanView vem com um editor de imagens em lote. Selecione a pasta ou as imagens, aperte B para abrir a tela de configurações, defina os parâmetros que quer alterar em massa (tamanho, formato, nome dos arquivos), selecione as imagens e deixe o computador trabalhando. Economiza muito tempo.

Apreço pela eficiência

Irfan Skiljan.
Foto: Arquivo pessoal.

O monte de coisas que o IrfanView faz, e não é pouco, consome poucos recursos do computador e mesmo em configurações modestas não toma tanto tempo. Irfan, o criador e mantenedor do IrfanView, é um aficionado por eficiência.

Em um papo que tivemos por email, perguntei a ele como o IrfanView consegue ser tão ágil e, ao mesmo tempo, ganhar novos recursos versão após versão. Sua resposta:

“Tenho a minha própria filosofia sobre como um software deve ser… Também gosto de programas pequenos e estáveis. A ideia é não adicionar todos os recursos possíveis. (…) E quando novos recursos são acrescentados, eles devem ser compactos e o código, otimizado. A maioria dos desenvolvedores e empresas não se preocupa mais com coisas do tipo, é triste.”

Irfan trabalha exclusivamente no IrfanView, eventualmente dividindo sua atenção com alguns projetos em outras empresas. Ele vive na Áustria desde 1992, para onde foi refugiado da Guerra da Bósnia, e estudou computação na Universidade de Tecnologia de Viena.

Foi durante a graduação, três anos depois de mudar de país, que a necessidade de um pequeno visualizador de imagens em JPG o levou a criar o embrião do IrfanView. Seus colegas gostaram e deles veio o incentivo para aperfeiçoá-lo. Dali em diante o app cresceu — apenas em fartura de recursos, já que até hoje ele continua enxuto, com um instalador de menos de 2 MB.

Janela de 'Sobre' do IrfanView.

Mesmo após todos esses anos, o IrfanView continua recebendo atualizações regulares. Durante a trajetória do seu app, Irfan teve que lidar com copiadores, um grande problema nos primeiros anos — segundo ele, o IrfanView e o ACDSee eram “inspirações” para muitos clones pagos que lucravam às custas do seu trabalho — e acompanhar a evolução do Windows. Era uma época diferente, em que o sistema da Microsoft era a coisa mais popular da tecnologia de consumo. Com o tempo os clones sumiram.

Nesse ponto perguntei a ele se um IrfanView moderno, para o Windows 8, estava nos planos:

“Um novo design? Talvez algum dia, nunca fui muito fã de hypes ou interfaces ‘descoladas’… Um programa precisa ser pequeno, rápido, confiável e fácil de usar, ‘visual legal’ não é importante para mim. O que conta mais é o que está dentro, da mesma forma que para pessoas.”

Ele prefere a usabilidade do Windows XP e não acha o “visual m(r)etro” (rá!) do Windows 8 muito moderno.

O IrfanView é gratuito e uma prova de que a negligenciada arte da otimização é capaz de produzir bons frutos — disputar as primeiras posições de listas de apps mais baixados da semana, como a da CNET, e figurar a de apps para Windows imprescindíveis em 2013 no The Verge são alguns reconhecimentos desse empenho.

Hoje vemos apps para celular, antes focados e otimizados por limitações das plataformas móveis, crescerem não no melhor sentido da palavra, virando bloatwares. Fazendo um contraponto a essa cultura quase cíclica, este pequeno visualizador de imagens, feio e com um ícone esquisito, segue pequeno e ágil. Acho que dá para tirar algumas boas lições disso.

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14 comentários

  1. De aplicativos que eram leves e viraram bloatwares o que mais lembro é o Nero, até a versão 8 tinha uma versão bem levinha.

    Até hoje ainda uso o Nero 8, é de 2007. Não tem melhor … impressionante isso.

  2. Tornou-se indispensável a partir do Vista, quando o visualizador de imagens padrão do sistema deixou de exibir as animações dos gifs.

    No entanto, estava aqui a fazer comparações entre ele e outro bom concorrente, o XnView. Ambos são idênticos e compartilham da grande maioria de facilidades e funcionalidades. Só não me lembro exatamente o fator que desempatou a disputa e me fez escolher o XnView.

    Acho que foi algo mínimo, como o fato de poder customizar os atalhos de teclas e botões do mouse de maneira mais prática e parecida com o antigo visualizador de fax do XP.

    Mas ainda tenho o Irfan portable presente.

  3. Eu já substitui inúmeros programas mas o Irfan continua sendo o intocável. Conheci através de um amigo há anos e anos atrás e foi paixão a primeira vista.

  4. O ACDSee em suas primeiras versões era excelente, o IrfanView eu cheguei a usar na época em que você (Ghedin) indicou no Winajuda, mas não gostei dele e continuei usando o ACDSee até ele ficar pesadão. Depois do Vista eu passei a usar o visualizador de imagens padrão do Windows e realmente tenho notado a lerdeza na abertura de algumas imagens apesar dos 8Gb de RAM e dos quad-cores…

    1. Antes tinha o Picaview. Acho que o ACDSee comprou ele, mas não tenho bem certeza. Também era um simples e ótimo software.

  5. Já usei por um bom tempo o IrfanView, mas hoje eu gosto e uso o Picasa.
    Igualmente rápido, porém bem bonito e conta com opções legais de edição de imagens.
    Apesar o instalador de uns 30 megas, ele é muito rápido.

    1. Engraçado, eu estou fazendo o contrário, venho usando o Picasa tem um bom tempo como visualizado, mas sempre me falta umas opções de edição (rotacionar imagens, diminuir tamanho, coisa simples)… se tem eu nunca achei.

      Eu já conhecia o IrfanView, mas nunca o usei a fundo, estou instalando e testando para ver se deixo o Picasa de lado.

      Mas vou dizer o IrfanView é meio complicado comparado a usabilidade do Picasa viu, principalmente na questão de configurações.

      Sério, mudei duas coisas irritantes que eu já estava acostumado em outros programas.

      1) botão direito ele não mostra o menu de opções (contexto) tem que ser configurado para
      2) scroll do mouse não da zoom, tem que ser ctrl + scroll, chato isso

      Vamos ver se me acostumo.

      1. Deve ser questão de costume sim, Saulo. Para você ter ideia: eu nem sabia que o botão direito não funcionava! Sobre o zoom, prefiro selecionar uma área com o mouse e clicar em cima dela, ou quando quero dar zoom na imagem inteira, usar o teclado — Ctrl + “Mais” (+) ou “Menos” (-).

        Recomendo fortemente aprender as teclas de atalho. Elas economizam um tempo precioso depois de incorporadas.

  6. Em defesa aos programadores mobile, é necessário utilizar muitos códigos de terceiros e APIs que dificultam otimizações. Acredito que, por isso mesmo, aplicações como o IrfanView serão cada vez mais raras senão impossíveis de construir. Fora isso, admiro essa premissa do Irfan que anda em baixa devido a avanço do hardware.

    Só discordo sobre interfaces, acredito que elas fazem parte de uma boa experiência de uso.

  7. Nossa secretária chama ele carinhosamente de “O programa do gato esmagado”.
    O IrfanView é excepcional. É um daqueles softwares simples, leve, grátis e prático que faz o que tem que fazer e ainda faz melhor do que aquele que vem com o sistema operacional. Por exemplo, no Visualizador de Imagens do Windows às vezes demora quase 10 segundos pra abrir uma imagem e o IrfanView abre em 0.5 segundos! Tem outros softwares com a mesma filosofia que vale a pena conhecer.