Mark Zuckerberg admite problema com notícias falsas no Facebook e anuncia medidas para contê-las

O resultado das eleições para a presidência norte-americana expôs um problema fundamental do Facebook: a falha em conter a disseminação de notícias flagrantemente falsas na plataforma. Após um breve período de negação, Mark Zuckerberg admitiu que algo precisa ser consertado e apresentou algumas medidas nesse sentido.

A admissão não veio facilmente. Antes, ele tentou relativizar o problema das notícias falsas no Facebook algumas vezes. Em 13 de novembro, escreveu em seu perfil:

De todo o conteúdo no Facebook, mais de 99% do que as pessoas veem é autêntico. Apenas uma pequena quantidade é de notícias falsas e boatos. Os boatos que existem não são limitados a visões partidárias ou mesmo à política. No geral, isso torna extremamente improvável que boatos tenham alterado o resultado dessas eleições em uma direção ou outra.

Mas evidências apontam o contrário. O conteúdo desse tipo pode até ser pouco, mas faz barulho e se espalha incrivelmente bem.

É de bom tom esclarecer que a crítica não é no sentido de que o Facebook determinou o resultado da eleição, mas sim que envenenou o debate ao reforçar posicionamentos com base em notícias flagrantemente falsas. Em alguns casos, deliberadamente falsas, notícias fabricadas apenas pelo potencial de viralização e lucratividade. E, independentemente das eleições, o sucesso dessa abordagem aponta que há um problema endêmico ali.

Em uma publicação na noite de ontem (18/11), Zuckerberg reconheceu o problema:

Esses problemas aqui são complexos, tanto técnica como filosoficamente. Acreditamos em dar voz às pessoas, o que significa errar para o lado de deixar as pessoas compartilharem o que elas quiserem sempre que possível. Precisamos ser cuidadosos para não desencorajar o compartilhamento de opiniões ou, equivocadamente, restringir conteúdo preciso. Não queremos ser árbitros da verdade, mas em vez disso, confiar em nossa comunidade e em terceiros confiáveis.

Embora a porcentagem de desinformação seja relativamente pequena, temos muito trabalho pela frente em nosso cronograma. Normalmente, não compartilhamos especificidades sobre os nossos projetos em curso, mas dada a importância dessas questões e o tanto de interesse [que há] no assunto, quero delinear alguns dos projetos que já começamos:

  • Detecção mais forte. A coisa mais importante que podemos fazer é melhorar a nossa habilidade de classificar a desinformação. Isso significa melhores sistemas técnicos para detectar o que a pessoas sinalizam como falso antes mesmo que elas façam isso.
  • Facilitar denúncias. Tornar muito mais fácil para as pessoas denunciarem histórias como falsas nos ajudará a capturar desinformações mais rapidamente.
  • Verificação por terceiros. Existem muitas organizações respeitáveis de fact checking e, embora nós já tenhamos entrado em contato com algumas, planejamos aprender com muitas outras mais.
  • Alertas. Estamos explorando [a ideia de] etiquetas em histórias que foram sinalizadas como falsas por terceiros ou pela nossa comunidade e exibir alertas quando as pessoas leem ou compartilham elas.
  • Artigos relacionados de qualidade. Estamos elevando o nível das histórias que aparecem nos artigos relacionados abaixo dos links do feed.
  • Acabar com a economia das notícias falsas. Muito da desinformação é direcionado pelo spam financeiramente motivado. Estamos tentando acabar com essa economia com políticas de anúncios como a anunciada no início da semana e melhorando a detecção de fazendas de anúncios.
  • Ouvir. Continuaremos trabalhando com jornalistas e outros da imprensa para receber suas opniões, em especial para entender melhor seus sistemas de checagem de fatos e aprender com eles.

São ações promissoras que se somam à exclusão de sites de notícias falsas do programa de publicidade do Facebook, medida anunciada segunda-feira (14/11) e que foi adotada também pelo Google.

Twitter implementa novas ferramentas para conter abusos

Das redes sociais mainstream, o Twitter é uma das mais tóxicas. Embora a política de uso proíba conteúdo ofensivo, a rede é repleta dele — e pouco faz no sentido de inibir esse tipo de comportamento. O problema é tão grave que atrapalhou as negociações de compra do Twitter pela Disney.

Antes tarde do que mais tarde, medidas começaram a ser tomadas. O Twitter anunciou melhorias nas opções de silenciar, permitindo agora ignorar termos nas notificações e conversas inteiras com poucos cliques. Outra boa medida foi incluir no formulário de denúncias a opção “Direciona o ódio contra uma raça, religião, gênero ou orientação sexual”, adição combinada com, segundo a empresa, treinamentos da equipe para lidar com esse tipo de situação:

(…) treinamos novamente todas as nossas equipes de suporte em nossas políticas, incluindo sessões especiais de contextualização histórica e cultural de condutas de ódio, e implementamos um programa de atualização continuada. Também melhoramos nossas ferramentas e sistemas internos a fim de lidar com mais eficiência com essa conduta quando ela nos é relatada. Nosso objetivo é [ter] um processo mais rápido e transparente.

Mais importante que as novidades técnicas, é o reconhecimento de que há um problema fundamental ali que precisa ser sanado.

O que tem na sua mochila, Alexandre Yamada?

O que tem na mochila do Alexandre Yamada.
Foto do Alexandre Yamada.

Executivo com mais de 18 anos de experiência nas áreas de Estratégia, CRM e Inteligência Competitiva, atuou em posições estratégias em grandes empresas como PwC e Itaú-Unibanco. Graduado em Administração pela PUC-SP, tem MBA em Gestão Atuarial e Financeira pela USP, além de especializações em Produto e Inteligência de Mercado (ambas na FGV), Estratégias em Marketing pela Universidade de Chicago e pós-graduação em Liderança pela FIA/USP. Hoje, é head de CRM & Business Intelligence do Grupo Netshoes. Na fotografia, Alexandre Yamada começou em 2009 com uma câmera comprada de um amigo que ia se casar e precisava de recursos. Tem formação em renomadas instituições brasileiras (SENAC, MAM e IIF – Instituto Internacional da Fotografia) e no exterior (University de Artes de Londres). Atualmente, fotografa casamentos e editoriais de moda, além de ser o fotógrafo oficial dos eventos da empresa.

(mais…)

“O homem tem um sonho acerca da máquina”

Dedos de um humano e de um robô se tocando.

O podcast sobre Black Mirror deixou várias pontas soltas. Tentarei amarrar algumas delas através de posts aqui no Manual, começando pela origem das ações que nos afetam, tema que surgiu ali pelo meio da conversa. Quem tem o poder, ou o dever, de decidir por nós? Tirar o ser humano da equação garante justiça nas decisões mais complexas? (mais…)

O papel do Facebook na eleição de Donald Trump

Donald Trump em campanha pela presidência dos EUA.

Quase todas as pesquisas eleitorais apontavam a vitória da democrata Hillary Clinton na corrida pela presidência dos Estados Unidos. Assim, o triunfo do candidato republicano Donald Trump, eleito presidente nesta madrugada, foi uma surpresa. Analistas estão revendo suas previsões e muita reflexão terá que ser feita daqui em diante. Não tenho bagagem para entrar no debate político, mas creio que alguns dados sobre o papel do Facebook no pleito podem ajudar a entender o fenômeno. (mais…)

Pela primeira vez na história, um iPhone brasileiro é mais barato que seu antecessor

Detalhe da câmera do iPhone 7 Plus.

Já é uma tradição aqui no Manual do Usuário: todo ano, conferimos o preço do novo iPhone comparando com indicadores econômicos, dólar e quanto custavam seus antecessores. Foi assim com os iPhone 5s, iPhone 6 e iPhone 6s. Em 2016, o tom é outro: o iPhone 7 está relativamente mais barato. (mais…)

O novo MacBook Pro e o caso de pensar no futuro sem esquecer o presente

Desde que a Apple anunciou o novo MacBook Pro, um grande debate surgiu no âmago da comunidade mais fervorosa de usuários do produto. Desenvolvedores e outros profissionais que esperavam uma máquina mais poderosa e versátil se decepcionaram com o que foi apresentado. O futuro do computador profissional da Apple é menos “pro” que os disponíveis até então.

As principais queixas são em relação ao desempenho (limitado a 16 GB de RAM) e, principalmente, às portas e conexões — ou a falta delas. A versão de entrada, carente da nova Touch Bar, tem duas portas USB-C/Thunderbolt 3 e uma saída de áudio analógica (de 3,5 mm, a mesma removida do iPhone 7). As mais caras elevam o número de USB-C/Thunderbolt 3 para quatro.

Não há dúvida de que essa conexão é futuro, mas ainda não chegamos nele. Quem compra um MacBook Pro desses novos hoje, precisa necessariamente de um ou alguns adaptadores. É inevitável em qualquer período de adaptação, e nem é o ponto a se discutir. A questão é se essa investida não foi prematura. Manter uma porta USB tradicional ou o slot de cartões SD não tiraria o aspecto “forward thinking” do novo MacBook Pro e seria um facilitador de quem ainda depende deles — e é difícil imaginar alguém que já não dependa de nenhuma das conexões sacrificadas. Seria pensar no futuro sem esquecer do presente.

Não falemos da remoção do MagSafe ou do novo teclado. Soam como retrocessos.

Para fechar, dois links:

  • Um compilado de várias reações de desenvolvedores e jornalistas sobre o novo MacBook Pro. Não me lembro de uma revolta tão grande entre os usuários mais emotivos da marca.
  • Maciej Cegłowski invoca o espírito de Benjamin Button e escreve sobre o velho MacBook Pro como se ele fosse sucessor do novo. O pior? Faz sentido.

Signal, o app de bate-papo que prioriza a privacidade

Imagem de divulgação do Signal em um iPhone.

Se no começo só tínhamos o limitado e instável SMS para nos comunicarmos por mensagens de texto no celular, hoje o cenário é bem diferente. Sobram opções, funcionais nos aspectos básicos e recheadas de funções extras. A dificuldade mudou de figura; agora está em eleger um app ou lidar com vários que servem a um mesmo fim. Qual escolher? Depende do que você prioriza.

Com as necessidades básicas supridas por praticamente todos os apps do tipo, podemos nos concentrar em características mais nobres — fora, obviamente, aquele grande fator determinístico, que é qual a maioria dos seus contatos usa. Mas digamos que você tenha surgido no mundo agora e se disponha a escolher um app que todos com quem você conversará usarão. Entre tantos disponíveis, qual você escolheria?

(mais…)