Nesta segunda (13), a plataforma de open delivery desenvolvida pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) começa a funcionar. A iniciativa foi proposta em novembro de 2020. Num primeiro momento, ela será aberta a empresas de software. Em outubro, bares e restaurantes poderão adotá-la. A iniciativa custou R$ 3 milhões, rateados entre as 16 apoiadoras do projeto — entre elas, AmBev, Coca-Cola, Rede, Cielo e Getnet.

O objetivo do open delivery é criar uma plataforma comum e padronizada para intermediar a relação entre bares/restaurantes e aplicativos, com o objetivo de facilitar o trabalho dos bares/restaurantes. Se a ideia vingar e todos os apps de delivery aderirem, um bar/restaurante só terá que cadastrar e manter um banco de dados atualizado (com cardápio, preços, promoções, formas de pagamento etc.). Este seria replicado a todos os apps participantes. O open delivery também tem o potencial de diminuir a barreira de entrada para novos apps, o que pode aumentar a concorrência e diminuir a hegemonia do iFood no setor — a Abrasel lidera uma reclamação de concorrência desleal contra o iFood no Cade.

Os pesos-pesados do setor, iFood, Rappi e Uber, não participam do open delivery da Abrasel neste primeiro momento. O iFood tem um assento no conselho de governança, a convite da associação. Via Valor (espelho na Abrasel), Folha de S.Paulo.

Neste excerto do livro recém-lançado Arriving today: From factory to front door (sem tradução no Brasil), Christopher Mims propõe que o modelo de trabalho nos centros de distribuição da Amazon, onde +750 mil funcionários humanos fazem tarefas repetitivas e enfadonhas, de pé, em turnos de 10 horas, com 30 minutos de almoço e dois intervalos de 15 minutos para irem ao banheiro, auxiliados por robôs e sempre vigiados e guiados pelo algoritmo, representa uma mudança tão profunda quanto as de Henry Ford e Frederick Winslow Taylor promoveram no início do século XX. Para Mims, Jeff Bezos deixará também este legado, ao lado da revolução do e-commerce e da corrida espacial na esfera privada: o Bezosismo. Via Wall Street Journal (em inglês, com paywall).

Achados e perdidos #33

Todo sábado, pego uns links que acumulei ao longo da semana e que, embora curiosos e/ou interessantes, não renderam nem notinhas, e os publico num compilado que chamo de “achados e perdidos”. É um conteúdo mais leve, curto, quase lúdico — a cara do fim de semana.

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Saiu a decisão da Justiça dos Estados Unidos no processo movido pela Epic Games contra a Apple (ouça o nosso Guia Prático desse tema). A juíza Yvonne Gonzalez Rogers, do Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Califórnia, determinou que a Apple não pode impedir que aplicativos incluam links e botões que levem os usuários a outros meios de pagamento. Pelas regras vigentes da App Store, aplicativos que têm sistemas de pagamentos próprios não podem sequer anunciá-los em seus apps para iOS — o único sistema que eles podem usar é o da própria Apple, que cobra uma taxa de até 30% do valor bruto pago pelo usuário.

Outras demandas da Epic Games, como obrigar a Apple a abrir o iOS para lojas de aplicativos alternativas, não foram acatadas. A Apple comemorou a decisão; a Epic Games disse que vai recorrer.

A implementação da alteração determinada pela Justiça ainda é uma incógnita. Ao mencionar botões e links externos que “direcionem os consumidores a mecanismos de compra em adição às compras in-app”, fica a cargo da interpretação de quem lê (ou de um esclarecimento da juíza Yvonne) se isso significa que os apps poderão processar pagamentos por meios alternativos ou se apenas poderão levar os usuários para seus sites. A conferir. Via O Globo, The Verge (em inglês)

Confusa a comunicação da Uber sobre o reajuste motivado pela alta dos combustíveis, anunciado na noite desta sexta (10). A empresa informou que o valor da tarifa seria reajustado em até 35% na modalidade UberX, mas que ele não afetaria o custo para o usuário. Segundo correções em alguns jornais (Folha de S.Paulo, G1), o repasse afeta os motoristas. O que ainda é nebuloso — quer dizer que os motoristas pagarão o pato? Não também. Segundo a correção do G1, “a informação correta é de que este aumento não será repassado ao passageiro, o que aumenta é o repasse de ganhos para os motoristas do aplicativo”. Então a Uber vai absorver o prejuízo? Pela lógica, sim, mas ainda segundo o G1, “a companhia não detalhou até a última atualização dessa reportagem como o aumento do valor repassado para os motoristas será absorvido pela empresa de forma a evitar uma alta no preço da viagem para o passageiro”.

A situação na 99 é mais simples — pelo menos por ora, ou até fazerem uma correção — e os preços serão reajustados, entre 10% a 25%, para o usuário final. Via G1, Folha de S.Paulo.

A ProPublica publicou uma longa reportagem mostrando os bastidores da moderação no WhatsApp. O assunto nunca está presente no marketing e nas manifestações públicas do Facebook, afinal, o WhatsApp é criptografado de ponta a ponta, certo? Sim, mas isso não significa que seja à prova de bisbilhoteiros. O Facebook contrata pelo menos 1 mil revisores/moderadores para analisar conteúdo do WhatsApp denunciado por usuários, além de sistemas de inteligência artificial que analisam os meta dados (que não são criptografados de ponta a ponta) em busca de comportamentos suspeitos.

A reportagem da ProPublica apanhou por, a princípio, sugerir erroneamente que o sistema de moderação do WhatsApp implicava em uma quebra da criptografia de ponta a ponta. Não é o caso. Quando se denuncia uma mensagem, ela e as quatro imediatamente anteriores (incluindo fotos e vídeos) são encaminhadas ao sistema de moderação, que atua como uma ponta, como se fosse um contato qualquer do aplicativo.

Tecnicalidades à parte, o alerta é importante. Ativistas, insurgentes, jornalistas e outros perfis sensíveis correm riscos ao confiarem irrestritamente na alardeada privacidade do aplicativo do Facebook. A reportagem da ProPublica cita o caso de uma ex-funcionária do Departamento do Tesouro norte-americano que vazou dados de transações suspeitas com a Rússia ao BuzzFeed News, pelo WhatsApp, e acabou identificada pelo FBI graças aos meta dados. Via ProPublica (em inglês).

Não é de hoje que muita gente pede ao Twitter para que identifique robôs na plataforma a fim de melhorar o nível do debate. Infelizmente, existem fortes incentivos para que o Twitter não faça isso. Explicitar que grande parte da sua base de usuários é, na realidade, formada por robôs, não cairia bem junto aos anunciantes — pelo menos enquanto robôs não puderem consumir.

Ainda assim, nesta quinta (9) o Twitter deu mais um pequeno passo nessa direção. Cumprindo uma promessa feita em dezembro de 2020, robôs identificados como tais exibirão um selo público em seus perfis. É “opt-in”, ou seja, identifica o robô e coloca o rótulo quem quiser. O Twitter alega que a medida visa identificar os “bons robôs”, seja lá o que isso signifique.

Na prática, a novidade não atinge aquele tipo de robô que realmente precisa ser exposto: o que se passa por humano para tentar legitimar pautas e pontos de vista por vezes absurdos ou impopulares entre os usuários de carne e osso. Via @TwitterSupport/Twitter (em inglês).

Há semanas, clientes da companhia aérea Gol têm enfrentado problemas sistêmicos com a empresa: sumiço de passagens, aplicativo fora do ar, checkin inacessível (o que levou alguns a terem que fazê-lo no balcão do aeroporto), atendimento fora do ar. Uma rápida consulta em redes sociais revela pessoas iradas com o caos que parece ter se instaurado na Gol.

Perguntei à empresa, via assessoria, o que está acontecendo. A resposta (íntegra abaixo) foi uma “não resposta”. Em nota, a Gol informou que “a manutenção em seu sistema de vendas e atendimento foi concluída”, que ainda enfrenta instabilidades pontuais, mas que as coisas estão voltando ao normal.

Insisti, porque o posicionamento não respondeu à dúvida inicial — qual foi, afinal, o problema. Em resposta, a assessoria disse que “por enquanto só temos este posicionamento” e que “em breve a Gol vai comunicar as mudanças”. Que mudanças?

Não sei até que ponto é interessante a uma empresa de capital aberto fazer tanto mistério em torno de um problema, aparentemente, grave. Nenhum fato relevante ou comunicado ao mercado foi publicado pela GOl nesse período. Seja lá qual for o motivo, o jeito é esperar a “comunicação das mudanças”.

A íntegra da resposta da Gol:

A GOL Linhas Aéreas informa que a manutenção em seu sistema de vendas e atendimento foi concluída. A Companhia ainda enfrenta instabilidades pontuais, que estão sendo prontamente reparadas. O processo de vendas de passagens já está 95% restabelecido em todos os canais – site GOL, aplicativo mobile e agências de viagem – e as operações de voos são realizadas dentro da normalidade. A implementação de diversas melhorias nos processos dos canais digitais e totens em aeroportos, além de uma nova versão do aplicativo mobile, vão contribuir ainda mais para a experiência do Cliente.

Uma decisão corporativa da 3M quase me fez jogar no lixo dezenas de ganchos plásticos em perfeito estado

por Jacqueline Lafloufa

Na cobertura de tecnologia, fala-se há anos sobre os desafios da melhoria do impacto social dos equipamentos que usamos. Telas, resistores, conectores e placas, além dos muitos plásticos que embalam os equipamentos, são difíceis de reciclar e boa parte deles acaba poluindo o meio ambiente. O descarte, quando precisa acontecer, deve ser cuidadoso e feito em locais específicos, que ao menos cuidam para tentar reaproveitar algumas partes ao desmontar os aparelhos.

A dificuldade em lidar com o descarte de gadgets obsoletos é um tema frequente no Guia Prático, podcast semanal que apresento com o Rodrigo Ghedin. Ele tem o hábito de usar os aparelhos até onde for possível e além, reaproveitando-os para outros fins.

Motivada por essa conscientização acerca do impacto ambiental (e, cá entre nós, financeiro também!) das coisas que compro, quando mudei de apartamento, algumas semanas atrás, decidi reaproveitar todos os ganchos plásticos removíveis que tinha no antigo lar.

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O Facebook anunciou, em parceria com a Luxxotica, dona da marca Ray-Ban (e de praticamente todas as outras de óculos), um par de óculos inteligentes chamado Ray-Ban Stories. Notou a falta de algo? Pois é, nenhuma menção a Facebook ou Instagram ou qualquer coisa do tipo. Também tiveram o cuidado de criar um app específico para receber as fotos e vídeos feitos com os óculos do Faceb… digo, Ray-Ban Stories, chamado View. Apesar disso, é preciso logar com o Facebook.

Mark Zuckerberg, homem branco de cabelo curto claro, usando óculos escuros, de frente para a câmera.
Estilera ?. Foto: Ray-Ban Films/YouTube.

Se a ideia de um óculos com câmera do Facebook já soa surreal demais a você, continue comigo. Os Ray-Ban Stories têm um indicador luminoso, próximo à câmera, para alertar as pessoas de que o esquisitão usuário está filmando. Essa luz não pode ser apagada de jeito nenhum, mas a repórter Katie Notopoulos, do BuzzFeed News, recorreu ao bom e velho dedão para tapá-la. Resolve, certo? Calma aí! Alex Himel, vice-presidente de realidade aumentada do Facebook Reality Labs, disse a ela que esconder o LED é uma violação dos termos de uso dos óculos, que proíbem adulterações.

Termos de uso dos óculos.

Óculos com câmera do Facebook.

Em que realidade paralela esse povo vive? Via BuzzFeed News (em inglês), @internetofshit/Twitter (em inglês).

Print de uma das interfaces do Simplify, com a lista de e-mails centralizada e um campo de busca no topo.
Imagem: Simplify/Divulgação.

Àqueles que realmente não simpatizam com o novo direcionamento do Gmail, mas precisam ou preferem continuar no e-mail do Google, o Simplify é uma interface mais calma, focada em e-mail, que lembra o que o Gmail já foi um dia — com algumas opções de layout à disposição.

O Simplify foi criado pelo ex-googler Michael Leggett. Ele liderou a equipe de design do Gmail de 2008 a 2012 e cofundou e liderou o design do Google Inbox, uma interface alternativa e inteligente para o Gmail, descontinuada pelo Google em 2019. São credenciais de peso. Vale dizer, o Simplify não tem qualquer ligação com o Google.

O Simplify é pago, custa US$ 2/mês (no plano anual). Uma conta comporta até 10 contas do Gmail. E é isso: não há anúncios, rastreadores, cookies ou qualquer outra interferência. É apenas uma “casca” mais agradável para acessar o Gmail. Para alguns, soa estranho pagar para acessar um serviço que é, em essência, gratuito; para mim, é a mesma lógica de pagar pelo Tweetbot ou qualquer app alternativo do Twitter: a experiência de usuário interfere muito no modo como usamos (e somos usados) por serviços digitais e, sendo assim, não me importo em pagar uns trocados para usufruir de uma mais saudável. Dica do Pedro Venturini.

Print de uma tela do Gmail/Workspace, com um “espaço” selecionado e duas colunas de conversas em destaque.
Imagem: Google/Divulgação.

O Google liberou os “espaços” no Workspace nesta quarta (8) e algumas outras novidades para a sua suíte de produtividade, como chamadas de voz a partir do app do Gmail. Não sem razão, tem muita gente dizendo por aí que o Gmail está ficando parecido com o Outlook da Microsoft.

O que chama a atenção nessa investida (por vezes confusa) do Google é que ela está sendo toda feita em cima do Gmail, talvez o (único?) produto de comunicação mais bem sucedido do Google. Há uma demanda real, motivada primeiro pela pandemia, agora e ao menos no futuro próximo por arranjos de trabalho híbrido, por soluções mais robustas de produtividade em ambiente corporativo, mas vale questionar se essa investida não alienará a fatia de usuários que só quer ver seu e-mail — e qual o tamanho dela. Via Google (em inglês).

Post livre #285

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Ele fecha no domingo à noite.

Raoni Lazaro Rocha Barbosa, 34 anos, cientista de dados da IBM, foi preso no último dia 17 acusado de ser integrante de uma milícia em Duque de Caxias (RJ). Segundo Ancelmo Góes, a prisão de Raoni foi decretada com base em reconhecimento facial, a partir de uma foto que, segundo seus advogados, não é dele. Outro detalhe que chama a atenção é que, também de acordo com os advogados, Raoni jamais morou em Duque de Caxias — ele reside em Campo Grande, a ~35 km. O caso está nas mãos da desembargadora Denise Vaccari, da 1ª Câmara Criminal do Rio. Via O Globo.

O processo de “facebookzação” do Twitter segue firme. A rede social lançou as comunidades, áreas temáticas onde apenas membros convidados podem tuitar e responder, mas que podem ser lidas por qualquer pessoa. É como se fossem grupos abertos do Facebook. Por ora, apenas usuários do iOS e da web podem interagir (postar/respoder) e somente contas em inglês podem criar comunidades. Via Twitter.