Post livre #313

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Os comentários fecham segunda-feira ao meio-dia.

Nesta, por conta do feriado de Tiradentes, que cai na quinta (21), antecipei em um dia a abertura do post.

QuintoAndar, Loft e Facily: Após rodadas milionárias, unicórnios brasileiros demitem em massa

Nos últimos dias, três unicórnios brasileiros demitiram em massa.

O QuintAndar, que em agosto de 2021 levantou US$ 120 milhões na mesma rodada que em maio havia injetado US$ 300 milhões na empresa, mandou embora 4% da sua força de trabalho, segundo a própria empresa em resposta a rumores de que 20% dos funcionários haviam sido demitidos.

Na segunda (18), foi a vez da Loft, que atua no mesmo setor e concorre com o QuintoAndar. A empresa, que levantou US$ 425 milhões em março de 2021 — um recorde brasileiro à época —, demitiu 159. Em nota, a empresa afirmou que as demissões foram consequência da integração com a CrediHome, adquirida pela Loft oito meses antes.

E a Facily, uma plataforma de e-commerce social que em dezembro levantou US$ 135 milhões, demitiu em massa também. O número exato ainda não é conhecido, mas já rola no LinkedIn uma planilha com informações de contato dos profissionais mandados embora que, até o momento, contém 85 nomes. Via Estadão, InfoMoney, Nicole Oliveira/LinkedIn.

Atualização (12h05): Segundo o Startups, 30% dos funcionários da Facily (260 pessoas) foram demitidos.

Receita autoriza Serpro a vender dados pessoais de cidadãos brasileiros a terceiros

A portaria 167 da Receita Federal, publicada no Diário Oficial da União nesta terça (19), autoriza o Serpro a vender dados pessoais sob a guarda da Receita para terceiros. Se nada mudar até lá, a medida passa a valer em 1º de maio.

Entre os dados possíveis de serem vendidos estão alguns considerados sensíveis e que, se frutos de vazamento, devem ser comunicados às autoridades, segundo a LGPD. Coisas como e-mail, telefone, CPF e CNPJ. A lista completa é quilométrica e está anexada à portaria.

No mesmo dia, o deputado federal André Figueiredo (PDT-CE) deu entrada em um projeto de decreto legislativo na Câmara para sustar os efeitos da portaria. Ele alega que a decisão da Receita Federal fere a LGPD e o inciso X do artigo 5º da Constituição, e que falta transparência quanto ao modo como a venda de dados pelo Serpro será feita. Via Convergência Digital, Capital Digital.

Netflix perde assinantes e explora planos com anúncios e cobrança de senhas compartilhadas

A Netflix esperava ganhar 2,5 milhões de novos assinantes no primeiro trimestre de 2022. Perdeu 200 mil. Foi a primeira retração da base de assinantes desde 2011. Não só: a previsão para o próximo trimestre é de nova retração, uma perda de 2 milhões de assinantes.

Parece, afinal, que a Netflix bateu no teto. E isso não vai sair barato para os usuários — literalmente.

Na conversa com investidores após a divulgação do balanço, Reed Hastings, CEO da empresa, sugeriu a criação de um plano mais barato sustentado por anúncios, similar ao que a HBO Max oferece nos Estados Unidos.

Reed também falou do compartilhamento de senhas, que a Netflix começou a atacar. Hoje, a empresa tem 222 milhões de assinantes pagantes e outras 100 milhões de casas usam senhas compartilhadas pelos assinantes (leia-se: sem pagar nada). A Netflix já está testando uma cobrança adicional para essa galera que não paga pelo acesso.

O compartilhamento de senhas é um dos motivos apontados pela empresa para justificar a retração. O acirramento da competição no setor de streaming nos últimos três anos e os “macro-fatores”, como a pandemia, a guerra da Ucrânia e a inflação, também são citados na carta aos investidores.

As ações da Netflix despencaram 25% nas negociações pós-pregão. Via Netflix (PDF), CNBC (ambos em inglês).

Bolsonaro e MPF querem mexer no cronograma das comunidades do WhatsApp no Brasil

Na última quinta (14), a Meta anunciou uma grande atualização do WhatsApp: as comunidades, recurso que agrega grupos em HUBs e permite disparar mensagens para até ~2,5 mil pessoas de uma só vez.

A empresa reafirmou o compromisso feito ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de não alterar o funcionamento do WhatsApp até as eleições deste ano. No Brasil, as comunidades só chegarão depois de outubro, quando ocorre o pleito.

Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição presidencial, não gostou da exceção feita ao Brasil. “É inadmissível, inaceitável, e não vai ser cumprido”, disse em uma motociata em São Paulo, na sexta (15). No dia seguinte, o presidente disse que solicitaria uma reunião com o WhatsApp.

Do outro lado, o Ministério Público Federal (MPF) quer adiar ainda mais as comunidades do WhatsApp. Em um ofício do órgão enviado ao WhatsApp e obtido pela Reuters, o MPF sugeriu a possibilidade de deixar as comunidades no Brasil para 2023.

O MPF citou expressamente os eventos de 6 de janeiro de 2021 nos Estados Unidos, quando, incitada pelo então presidente norte-americano, o republicano Donald Trump, uma turba invadiu o Capitólio, causando ferimentos e mortes.

O WhatsApp tem dez dias para responder o questionamento do MPF.

Em nota à Reuters, o WhatsApp esclareceu que a decisão de congelar novas funcionalidades antes do fim das eleições brasileiras de 2022 não é fruto de um acordo com o TSE, mas sim uma iniciativa da empresa. Via LABS News, O Globo.

China vai regular tipografias cafonas nos meios de comunicação

por Shūmiàn 书面

Ganhou uma bolada quem apostou que iria para frente aquela proposta apresentada durante as Duas Sessões sobre a regulação de tipologias cafonas.

A SixthTone chamou a atenção nesta semana para uma campanha governamental, iniciada no começo do mês, com o objetivo de promover a autorregulação no uso de caracteres chineses pelas empresas de rádio, televisão e internet. O alvo da regulação seriam fontes que apresentam caracteres despadronizados, feios ou estranhos, ou que violem as normas, significados culturais e padrões estéticos dos caracteres chineses.

Ainda segundo a SixthTone, embora especialistas ressaltem que deve haver algum espaço para a liberdade artística na tipografia, a proposta parece ter agradado netizens, especialmente aqueles que valorizam a preservação da cultura tradicional chinesa.


A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.

Aplicativo oficial do Mastodon chega ao Android

Demorou, mas enfim o aplicativo oficial do Mastodon chegou ao Android. O aplicativo é bem parecido com a versão para iOS, lançada em julho de 2021.

Feito para usuários iniciantes no fediverso, o ambiente descentralizado onde o Mastodon foi construído, o aplicativo oficial é criticado por usuários de longa data por ocultar algumas características avançadas da plataforma, como o feed da instância.

Para quem está chegando agora, porém — e parece ser bastante gente, preocupada com a possibilidade de Elon Musk adquirir o Twitter —, o app é uma introdução suave e bem feita ao universo do Mastodon.

Encontre o aplicativo aqui. (Se você usa iPhone, o link é este.) Via @Gargron@mastodon.social.

Twitter aciona “poison pill” para dificultar tentativa de aquisição hostil por Elon Musk

O Twitter optou por não ceder — ao menos, não sem lutar — à investida de Elon Musk para adquirir 100% da empresa por US$ 43 bilhões e torná-la privada outra vez.

Na sexta-feira (15), o conselho de administração do Twitter votou por unanimidade a favor do uso da “poison pill” (“pílula venenosa”, em tradução livre) para dificultar a vida de Musk.

A “poison pill” é um mecanismo de defesa contra aquisições hostis previsto no estatuto de empresas listadas na bolsa. Ao engolir a pílula envenenada, as regras acionárias mudam.

Se um indivíduo ou grupo adquirir mais de 15% das ações do Twitter no mercado aberto, ou seja, sem o aval do conselho, outros acionistas ganharão o direito de comprar ações com desconto.

Essa manobra compra tempo para o conselho negociar a aquisição com o proponente da aquisição hostil e encarece o prêmio sobre o valor das ações que ele teria que desembolsar para comprar toda a empresa.

A “poison pill” do Twitter tem validade até 14 de abril de 2023. Via Seu Dinheiro, Valor Investe.

No varejo brasileiro, vendas via internet já superam as vendas de rua

O varejo brasileiro é digital. Levantamento feito pela repórter Daniele Madureira, da Folha de S.Paulo, a partir dos balanços financeiros de grandes varejistas nacionais, constatou que elas já vendem mais pela internet do que nas lojas físicas:

  • Via (Casas Bahia e Ponto): 59% das vendas no digital;
  • Magazine Luiza: 71%; e
  • Lojas Americanas: 76%.

Apesar disso, as lojas físicas ainda são importantes pela logística, como ponto de apoio e até para emanar confiança aos consumidores. Tanto que, nesse mesmo período, as varejista continuaram abrindo novas lojas físicas.

Esse caldeirão do novo varejo brasileiro ainda tem outros ingredientes importantes, como o WhatsApp, os marketplaces e a pandemia. Via Folha de S.Paulo.

Como fazer transcrição de áudio e gerar legendas de forma rápida e 100% online

Ilustração de uma pessoa branca, cabelo ruivo curto, com os braços levantados, usando óculos escuros e uma camiseta roxa com a marca “Reshape”. Ao lado, a frase: “Conversa áudio e vídeo em texto” e, menor, embaixo: “Transcrição. Legenda. Tradução.”

* Texto de responsabilidade do anunciante.

* Este é um post patrocinado. Leia o nosso compromisso ético.

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Como assinar documentos digitalmente de graça, sem certificado digital

Assinaturas digitais de pessoas físicas nunca decolaram no Brasil devido ao custo. Para usá-las, era preciso comprar um certificado digital, que não é barato — em média, R$ 150 por ano.

Um decreto do governo federal de 2020, o 10.543, mudou essa realidade. Ele prevê, em seu artigo 6º, que contas Gov.br podem ser usadas para assinar documentos digitalmente. O Manual do Usuário testou e… não é que dá certo?

(mais…)

Sumiço de sites piratas está relacionado a falha em recurso da pesquisa, diz CEO do DuckDuckGo

O fundador e CEO do DuckDuckGo, Gabriel Weinberg, foi ao Twitter desmentir relatos — repercutidos neste Manual — de que o buscador estaria suprimindo sites de pirataria e do youtube-dl do seu índice.

Segundo Gabriel, “nosso operador site: (que quase ninguém usa) está com problemas, e estamos cuidando disso”.

O operador site: restringe os resultados da pesquisa a um domínio. Se você pesquisar por site:manualdousuario.net duckduckgo, por exemplo, verá apenas resultados relacionados ao termo “duckduckgo” no site manualdousuario.net.

No momento, a busca acima não retorna resultados, sinal de que o operador está mesmo quebrado. Via @yegg/Twitter (em inglês).

DuckDuckGo remove sites piratas e o do youtube-dl de seu índice

Atualização (17/4, às 9h15): O CEO do DuckDuckGo foi ao Twitter explicar o problema. Veja o que ele disse.

Ainda não se sabe o motivo, mas o DuckDuckGo removeu do seu índice diversos sites de pirataria e o site oficial do youtube-dl, um popular aplicativo de linha de comando para baixar conteúdo do YouTube.

O TorrentFreak, que deu a notícia em primeira mão, cogita que tais remoções possam estar relacionadas a direitos autorais — mesmo no caso do youtube-dl, que não é, em essência, uma ferramenta destinada à pirataria. Eles tentaram contato com o DuckDuckGo, mas não tiveram resposta até o momento.

Tal prática é comum em buscadores, mas costuma ser motivada. O Google, por exemplo, remove sites de seu índice a pedido da Justiça e, quase sempre, de modo regionalizado. As remoções do DuckDuckGo afetam o mundo todo e não foram justificadas até o momento. Via TorrentFreak (em inglês).