Twitter joga baixo contra Substack e coloca investidores em saia justa

A última treta do Twitter é hilária porque Elon Musk conseguiu irritar uma galera que costuma ficar do seu lado, como a firma de capital de risco Andreessen Horowitz (a16z) e o jornalista Matt Taibbi, um dos que participaram daquele patético #TwitterFiles.

Na última quarta (5), o Substack anunciou o Notes, um clone do Twitter. Mais um, bem-vindo à guerra, quem se importa… né? Musk sim, pelo visto. No dia seguinte, o Twitter passou a impedir interações com posts mencionando o Substack e quebrou todos os links para lá com uma tela medonha, dizendo que o domínio do Substack poderia conter malware. Chegou-se ao cúmulo de interferir na pesquisa do Twitter, de modo que buscas por “substack” passaram a ser convertidas para “newsletter”.

Após a repercussão negativa, com muitos jornalistas e escritores ficando do lado do Substack (incluindo o nosso amigo Matt Taibbi), Musk veio a público e fez uma série de acusações infundadas: que o Substack estava baixando dados ilegalmente do Twitter para lançar o Notes (!?) e, por isso, os links passaram a ser vetados, e que Matt Taibbi seria/teria sido funcionário do Substack. Todas foram desmentidas por Chris Best, cofundador do Substack, no… Notes.

A a16z ainda não se manifestou. A firma é a maior investidora do Substack (participou de duas rodadas que totalizaram ~US$ 80 milhões) e financiou US$ 400 milhões na vaquinha que Musk teve que fazer para fechar a compra do Twitter. Sobrou também algumas farpas entre Musk e Paul Graham, da Y Combinator, primeira investidora do Substack (e que já teve seu perfil no Twitter suspenso por Musk por ter mencionado o Mastodon).

Em meio a todas essas brigas, fica a nossa torcida pela briga. Via The Verge, @mtaibbi/Twitter, @paulg/Twitter (todos em inglês).

O que aconteceu quando o CEO da Uber virou motorista de aplicativo

O Wall Street Journal publicou uma matéria meio chapa branca, mas não por isso desinteressante, contando como a Uber aperfeiçoou várias práticas em relação aos motoristas depois que executivos do alto escalão, incluindo o CEO, Dara Khosrowshahi, passaram a fazer entregas e a dar caronas a passageiros, como motoristas disfarçados.

No caminho, ele [Dara, o CEO] teve dificuldades para se cadastrar como motorista, testemunhou algo chamado de “isca da gorjeta” e foi punido pelo aplicativo por rejeitar corridas. A grosseira de alguns passageiros da Uber foi algo surpreendentemente difícil de aguentar.

A iniciativa partiu de Carrol Chang, diretora de operações de motoristas.

Esse tipo de coisa é o que se chama no meio de “dogfooding” — numa tradução literal, algo como “comer ração de cachorro”, mas que na prática significa usar o próprio produto para ter a experiência do consumidor/cliente visando melhorá-lo.

Por coincidência, logo em seguida li uma troca de e-mails fascinante, de 2003, na ótima (e sugestivamente intitulada) newsletter Internal Tech Emails.

Nela, Bill Gates, então CEO da Microsoft, gasta 5,3 mil caracteres descrevendo sua tentativa frustrada de baixar o Movie Maker para o Windows XP. Na sequência, outros executivos trocam e-mails entre si tentando estabelecer um plano de ação e definir responsabilidades para… colocar um link de download no site da Microsoft.

Não é só o salário dos executivos que parece descolado da realidade. Experimentos desse tipo — aparentemente raros — deveriam ser mais frequentes, no mínimo porque são benéficos à própria empresa: nos Estados Unidos, foco da reportagem do WSJ, a Uber ganhou mercado da sua principal concorrente (Lyft) e suas ações, derrubadas pelo contágio no setor de tecnologia, caíram muito menos que as da Lyft. Via Wall Street Journal, Internal Tech Emails (ambos em inglês).

Aplicativo chinês Pinduoduo é suspeito de espionagem

por Shūmiàn 书面

Uma reportagem investigativa conduzida pela CNN com participação de pesquisadores revelou que o aplicativo Pinduoduo é capaz de monitorar as atividades de outros aplicativos, ler mensagens privadas e mudar configurações, contornando definições de segurança de celulares Android e dificultando sua desinstalação — características típicas de malwares.

O aplicativo de compras tem mais de 750 milhões de usuários mensais. De acordo com atuais e ex-funcionários, esses recursos seriam utilizados para espionar concorrentes e aumentar as vendas.

O Google Play, loja de aplicativos para aparelhos Android, removeu o Pinduoduo de seu catálogo, embora as versões contendo malware sejam disponibilizadas em outros sites.

Por enquanto, as acusações não impactam o Temu, versão internacional do Pinduoduo que se tornou o app de compras mais baixado nos Estados Unidos no final do ano passado.

A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.

Aplicativos de celular não serão o principal caminho para futuros jogos [da franquia] Mario.

— Shigeru Miyamoto, diretor e fellow da Nintendo.

A retirada da Nintendo diz muito do estado dos video games em celulares. Apesar de todos os seus defeitos, a Nintendo respeita a mídia enquanto atividade recreativa e entrevistas como essa de Miyamoto passam a impressão de que tem algo além do dinheiro em jogo.

Fora alguns redutos, como o Apple Arcade e títulos com uma pegada mais artística, o sucesso em celulares fica cada vez mais condicionado a dinâmicas exploradoras, microtransações desonestas e técnicas que estimulam o vício e a compulsão. Uma pena. Via Variety (em inglês).

Começou a quebradeira do fim da API gratuita do Twitter

A incompetência do Twitter da era Musk se manifesta de diferentes maneiras. O encerramento da API gratuita, anunciado (e adiado) há quase dois meses, é um deles.

Nesta segunda (3), alguns serviços que confiavam na API gratuita deixaram de funcionar. Às 13h33, recebi uma notificação do Mailbrew (conheça) avisando que a conexão com meu perfil no Twitter havia quebrado. Loguei a fim de tentar restabelecê-la, sem sucesso.

Mais tarde, notei que a “receita” do IFTTT usada para automatizar postagens no Twitter não estava funcionando. Ao acessar o painel, a receita envolvendo o Twitter informa que o serviço Twitter está “suspenso no momento”. No link de ajuda, o IFTTT explica que:

Quando um serviço no IFTTT enfrenta um problema que causa uma alta taxa de erros, em vez de continuar rodando o gatilho de verificações/ações que lota nossa fila [de execuções], o serviço é suspenso.

Isso significa que o perfil do Manual no Twitter não está mais ativo. Sugiro acompanhar as novidades do site por um dos outros oito canais disponíveis.

Pouco depois das 23h (horário de Brasília), Mike McCue, cofundador e CEO do Flipboard, anunciou que a conexão do serviço com o Twitter foi interrompida:

Mike descartou a hipótese de pagar pelo acesso à API:

Embora o Twitter permita pagar por algum acesso à API, a abordagem que eles adotaram é muito cara, instável e, honestamente, não confiável. Não imagino nós ou qualquer outra empresa confiando de novo na API do Twitter para qualquer coisa.

Além de impedir a visualização de posts do Twitter dentro do Flipboard, a quebra da API também impede a autenticação no Flipboard via Twitter (SSO).

Sobre isso, Mike foi duro: “É uma quebra de confiança inaceitável entre o Twitter e seus desenvolvedores e usuários. O Twitter deve ser responsabilizado.

O Manual tem uma revista no Flipboard que é atualizada diariamente.

Todo acesso à API do Twitter agora é pago. O plano básico, severamente limitado (publicação de 50 mil posts por mês em aplicativos, 3 mil em um perfil), custa US$ 100/mês. Via @mike@flipboard.social [2], @TwitterDev/Twitter (todos em inglês).

Atualização (17h35): O WordPress.com, da Automattic, também perdeu acesso à API do Twitter.

Google Drive tem limite de 5 milhões de arquivos

Desde fevereiro deste ano, o Google impõe um limite ao Drive de 5 milhões de arquivos. Ele vale para contas gratuitas e pagas, pessoais e corporativas. O novo teto foi implementado na surdina, sem qualquer aviso, e pegou alguns usuários de surpresa, que se viram impedidos de subirem novos arquivos à nuvem do Google por já estarem além do novo teto.

Ao Ars Technica, um porta-voz do Google disse que o número de usuários afetados é mínimo, como se isso não fosse um problema. Via Google, Ars Technica (ambos em inglês).

(Comentei essa notícia, de passagem, na newsletter de sábado, mas achei que valia um alerta mais amplo. )

Mullvad VPN e Projeto Tor lançam novo navegador com foco em privacidade

O pessoal da VPN Mullvad juntou forças com o do Projeto Tor para lançar um novo navegador web com foco em privacidade, o Mullvad Browser (baixe-o aqui). Ele foi “projetado para ser usado com uma VPN confiável em vez da Rede Tor” e, apesar dessa recomendação, pode ser usado sem VPN também.

O Mullvad Browser é gratuito e está disponível para Linux, macOS e Windows. Via Mullvad Blog (em inglês).

Yahoo Brasil é reduzido a um campo de busca

Print do Yahoo Brasil em 1º de abril, mostrando apenas um “Bom dia”, data e campo de busca, com um aviso embaixo sobre o fim da publicação de conteúdo.
Print: Manual do Usuário/Reprodução.

No final dos anos 1990, um site novo chamado Google revolucionou o mundo ao apresentar apenas um campo de busca como porta de entrada para a web.

Na época, a lógica vigente era a dos grandes portais, onde o campo de busca dividia espaço com manchetes, serviços e anúncios. O Yahoo era o maior expoente desse modelo.

Corta para 31 de março de 2023. Após uma demissão em massa que dizimou a subsidiária brasileira do Yahoo, o site local agora exibe apenas um campo de busca, sem qualquer conteúdo. Tal qual o Google sempre fez.

Embaixo do campo de busca, lê-se a mensagem:

A partir de 31 de março de 2023, o Yahoo Brasil não publicará mais conteúdo. Todos os outros serviços não serão afetados por essas alterações. Agradecemos a todos os leitores pelo apoio.

O mundo não dá voltas; o mundo capota.

Governo apresenta sugestões ao PL das fake news; STF faz audiência sobre artigo 19 do Marco Civil da Internet

O governo federal entregou, na quinta (30/3), suas sugestões para o projeto de lei 2.630/2020, o PL das fake news, relatado na Câmara pelo deputado Orlando Silva (PCdoB-SP). Leia a íntegra (PDF).

O texto propõe a criação de uma entidade autônoma de fiscalização, prevê a responsabilização das plataformas por infrações (o chamado “dever de cuidado”) e mexe (mas não exclui) na imunidade parlamentar nas plataformas digitais.

Inspirado na regulação europeia da matéria, o texto acabou em cima do muro no que diz respeito à constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet (MCI), que isenta as plataformas digitais de serem responsabilizadas por não removerem conteúdo salvo por decisão judicial.

Também nessa semana, o Supremo Tribunal Federal (STF) fez uma audiência pública para ouvir especialistas antes de julgar a constitucionalidade do artigo 19 do MCI. A maioria dos quase 50 expositores manifestaram apoio à legalidade do dispositivo. O ITS-Rio acompanhou os debates e montou um “placar”.

Os links ao lado trazem análises e detalhamentos desses eventos: Aos Fatos, Poder360, Núcleo (2)

Cultura maker: 5 dicas para quem quer colocar a mão na massa

Close em mãos brancas mexendo em componentes eletrônicos sobre uma bancada cheia de itens.

* Texto de responsabilidade do anunciante.

* Este é um post patrocinado.

Faça você mesmo usando programação, eletrônica, impressão 3D e criatividade para combinar essas ou outras tecnologias com diversos materiais na criação de projetos e produtos. Essa pegada mão na massa é o que move a cultura maker e uma comunidade de pessoas curiosas com diferentes formações e bagagens.

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Alarmismo e inteligência artificial

Busto de um robô, só o esqueleto (metálico), da franquia “Exterminador do futuro”.

Mais de 1 mil personalidades, de Elon Musk a Steve Wozniack, passando por Yuval Harari e Tristan Harris, publicaram uma carta aberta pedindo a suspensão de “grandes experimentos com inteligência artificial (IA)”.

A presença proeminente na lista de figuras como Harari, que tem difundido um alarmismo incompreensível em jornais de grande circulação, e de Musk, que dispensa comentários, já seria sinal de alerta.

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Papa de casacão estiloso; seu backup está em dia?

Neste episódio do Guia Prático, Rodrigo Ghedin e Jacqueline Lafloufa comentam a foto viral do Papa Francisco vestindo um casacão estiloso. Ela foi feita com inteligência artificial, não existiu, mas enganou muita gente. No segundo bloco, aproveitamos a deixa do Dia Mundial do Backup para debater boas práticas e soluções para facilitar a manutenção de backups — não dá para deixar esse assunto para quando for tarde demais.

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Na última semana, o Manual do Usuário — e, por consequência, o Guia Prático — ganhou três novos apoiadores: Daniel Pelegrini, Fabiana von Sydow e Ian Fernandez. Obrigado!

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Indicações culturais

Música de abertura: Free Jazz, de Steve Combs.