“Ponte” permite usar aplicativos do Mastodon com o Bluesky

Falando em Bluesky, criaram uma ponte para permitir o uso de aplicativos feitos para Mastodon na outra rede social descentralizada. (Dá até para usar o Ivory, que acabou de ser lançado no macOS.) O projeto, chamado Sky Bridge, tem o código-fonte aberto. Use por sua conta e risco e, se for usar mesmo, crie uma senha de aplicativo no Bluesky em vez de usar a senha principal.

Bluesky teve fim de semana tenso por suposta ameaça de morte e impasses na moderação

O fim de semana foi agitado na instância/servidor oficial do Bluesky. Uma decisão da moderação acerca de uma possível ameaça de morte causou revolta em muitos usuários e mudanças nas diretrizes da comunidade.

A moderação decidiu remover o post, mas não banir a pessoa que o postou. Muitas horas depois, a pessoa foi banida.

O problema, como explicou a CEO do Bluesky, Jay Graber, é distinguir uma ameaça de violência de uma metáfora infeliz em um debate acalorado. Dito isso, a diretriz atualizada opta por não fazer distinção alguma:

Qualquer post ou imagem que ameace violência ou dano físico, independentemente de a declaração ser metafórica ou literal, resultará em pelo menos uma suspensão temporária da conta e, para várias violações, removeremos a conta de ser hospedada em nosso servidor.

Muitos usuários do Bluesky não ficaram satisfeitos com a decisão, com a demora na tomada da decisão ou com ambos, como se nota nas respostas ao fio publicado por Jay.

Trata-se de mais uma dor do crescimento que o Bluesky enfrenta, exacerbada pela centralidade ainda presente lá. (Até agora, a opção de múltiplos servidores que conversam entre si ainda não foi ativada e só existe uma instância/servidor de Bluesky, a oficial/dos desenvolvedores.)

Em qualquer etapa da jornada, porém, decisões do tipo jamais serão unânimes. De questões mais mundanas, como assediar usuários incautos para descreverem imagens, até as que parecem óbvias, como uma possível ameaça de morte, há nuances suficientes no discurso para gerar debates acalorados. Atritos são e sempre serão inevitáveis.

(Se o inglês estiver em dia, o joguinho de navegador Moderation Mayhen, do pessoal do TechDirt, é muito didático nesse sentido.)

Loja de apps do Google tinha gravador que vazava áudios dos usuários e jogo de escravidão

Não foi uma boa semana para a Play Store, loja de aplicativos para Android do Google.

Na terça (23), o pesquisador Lukas Stefanko, da ESET, revelou que um aplicativo a princípio legítimo, chamado iRecorder Screen Recorder, foi atualizado no segundo semestre de 2022 e passou a gravar e enviar áudios a servidores externos, sem o conhecimento do usuário, a cada 15 minutos.

O iRecorder Screen Recorder tinha mais de 50 mil downloads. O Google removeu o aplicativo da loja.

Caso mais grave ganhou destaque no Brasil. Um jogo chamado Simulador de Escravidão estava sendo distribuído na Play Store. O título descreve bem o conteúdo do jogo, que, após a repercussão, também foi removido pelo Google.

O mais bizarro (e triste) nesse caso é que Simulador de Escravidão tinha nota 4,0 (de 5,0 possível), resultado de 66 avaliações na Play Store. Via ESET (em inglês) e O Globo.

WordPress, 20 anos

Ilustração de um trompetista, com um filtro azul, sobreposta pela frase “code is poetry”. À direita, fundo azul chapado com o logo de 20 anos do WordPress.

Nos primórdios, a web teve muitas fases bonitas, românticas, em que as coisas eram mais simples e as pessoas online, menos propensas à agressividade, mais inocentes e/ou propensas às coisas boas da vida.

No início dos anos 2000, o aspecto técnico da web também passava por uma fase interessante. De repente, sites deixavam de ser estáticos para se tornarem dinâmicos.

Entre os muitos sistemas daquele período, surgiu, no dia 27 de maio de 2003, um pequeno CMS para blogs chamado WordPress. Era o início de — acho seguro dizer — uma revolução.

(mais…)

Sobre newsletters, Substack e fazer bagunça na internet

Neste episódio do Guia Prático, recebo a Aline Valek para uma conversa animada sobre newsletters, Substack e fazer bagunça na internet. Recentemente, ela escreveu uma newsletter relatando seu desconforto com o Substack. O desconforto vai além — Aline diz que preferia não ter redes sociais —, mas tudo isso acaba sendo meio que necessário para quem, a exemplo dela, vive de fazer coisas legais no ambiente digital.

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Na última semana, o Manual do Usuário ganhou um novo apoiador: Christian Sousa. Obrigado!

Gosta do podcast? Se puder, assine o Manual e ajude a mantê-lo no ar. A assinatura custa apenas R$ 9 por mês, ou menos de R$ 0,30 por dia. Se preferir, assine com desconto no plano anual por Pix, a partir de R$ 99.

Música de abertura: Free Jazz, de Steve Combs.

O jeitinho chinês para driblar as sanções dos EUA para a importação de chips

por Shūmiàn 书面

As sanções sofridas pela China estão impulsionando um jeitinho para resolver problemas. A matéria de Karen Hao e Raffaelle Huang para o The Wall Street Journal conta como as empresas chinesas estão mitigando o efeito das sanções impostas pelo governo dos EUA na exportação de semicondutores para o país.

Desde o segundo semestre de 2022, diversas companhias, como Huawei e Alibaba, não podem importar os chips de ponta produzidos nos Estados Unidos e usados principalmente para o desenvolvimento de inteligência artificial.

Hao explica que a solução tem sido treinar a IA com diferentes chips (chamada de computação heterogênea) e testar outras técnicas para obter resultados similares. Não vai ser fácil, mas o Alibaba já tem experiência nessa lógica na construção do seu sistema de nuvem, como apontou Zac Haluza.

A questão dos chips também foi discutida pela pesquisadora Megha Shrivastava em texto para o The Diplomat. Ela analisa a estratégia chinesa nessa nova circunstância de disputa com os EUA e as possíveis medidas retaliatórias — algumas já implementadas, como a recém-anunciada proibição do uso de chips da empresa estadunidense Micron por parte de operadores de infraestrutura crítica.

A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.

Governo dos EUA alerta dos riscos do uso de redes sociais por crianças e adolescentes

Vivek Murthy, cirurgião-geral dos Estados Unidos — uma espécie de porta-voz de saúde pública do governo federal —, publicou na terça (23) um documento alertando dos perigos do uso de redes sociais por menores de idade. Leia na íntegra (PDF, em inglês).

O texto analisa as evidências científicas já disponíveis acerca do uso de redes sociais por crianças e adolescentes, e é bem transparente ao afirmar que essas evidências ainda são insuficientes e que mais pesquisa se faz necessária. De qualquer forma, não dá para esperar evidências mais robustas para agir.

“Nossos filhos se tornaram participantes sem saberem de um experimento de décadas”, diz o cirurgião-geral em um dos trechos mais duros.

O documento reconhece alguns benefícios no uso por menores de idade, em especial para crianças de grupos minorizados. “[As redes sociais] podem fornecer acesso a informações importantes e criar um espaço para autoexpressão. A capacidade de criar e manter amizades online e desenvolver conexões sociais está entre os efeitos positivos do uso das mídias sociais para os jovens.”

Por outro lado, há farta evidência de que o uso dessas mesmas redes pode afetar o desenvolvimento cognitivo de menores de idade e ocasionar ou potencializar o desenvolvimento de condições psicológicas, em especial depressão e ansiedade.

“O uso frequente de redes sociais pode estar associado a mudanças distintas no cérebro em desenvolvimento na amígdala (importante para a aprendizagem e o comportamento emocional) e no córtex pré-frontal (importante para o controle de impulsos, regulação emocional e moderação do comportamento social), e pode aumentar a sensibilidade às recompensas e punições sociais.”

No geral, o alerta é bastante equilibrado e duro com as empresas de tecnologia. Logo no começo, chama à atenção o fato de que, mesmo proibidas para menores de 13 anos nos Estados Unidos, quase 40% das crianças de 8 a 12 anos dizem usar redes sociais.

Apesar das distinções entre as realidades norte-americana e brasileira, os achados talvez sejam universais e as recomendações a pais, legisladores e às próprias crianças e adolescentes, no final do documento, são valiosas. Via Platformer, New York Times (ambos em inglês).

Novas maneiras de organizar conteúdo para “ler/ouvir depois”

Atualizações recentes dos aplicativos AntennaPod e Pocket me chamaram a atenção por redesenharem a tela inicial. No lugar da antiga lista comprida de coisas salvas (podcasts e artigos da web), apareceu uma tela dinâmica, com vários filtros e até sugestões de conteúdos.

Lembrei-me da máxima de que todo índice cresce até que seja necessária um mecanismo de pesquisa para encontrar o que se deseja, e toda pesquisa cresce até que seja necessária uma curadoria para encontrar o que se deseja.

Não sei ao certo onde as novas telas iniciais do AntennaPod e Pocket se encaixam. Parecem ser respostas a uma espécie de fadiga de conteúdo, um remédio para evitar que os usuários declarem falência das suas listas intermináveis e crescentes de coisas para ouvir/ler “um dia”.

Ainda que eu prefira uma lista ordenada por padrão (gosto dos filtros como opções), artifícios do tipo devem funcionar com muita gente. Afinal, há uma década a maioria trocou o controle absoluto dos feeds RSS pelo caos e incerteza das redes sociais para acompanhar o noticiário. (A expectativa de que chatbots substituirão os buscadores web reforça essa impressão.) Via AntennaPod, Pocket (ambos em inglês).

Netflix começa o combate ao compartilhamento de senhas no Brasil

A Netflix vai começar a cortar o compartilhamento de senhas no Brasil nesta terça, segundo comunicado à imprensa.

As pessoas afetadas receberão um e-mail para “para assinantes que compartilham a conta Netflix fora da própria residência no Brasil”.

O custo do assinante extra, ou seja, para continuar o compartilhamento com pessoas que não residam no mesmo endereço, será de R$ 12,90 por mês, por assinante extra. Via Netflix.

Windows 11 ganha suporte a RAR, 7-Zip e outros formatos de compactação

Enterrado no anúncio do Bing Chat (ChatGPT) dentro do Windows 11, a Microsoft revelou que seu sistema operacional ganhará suporte nativo a outros formatos de compactação além do *.zip, como *.7z, *.rar e *.gz — todos os suportados pela biblioteca libarchive. Será que as pessoas continuarão instalando (ou comprando) o WinRAR e similares? Via Microsoft (em inglês).

ChatGPT no Windows, Bing no ChatGPT: As novidades em IA da Microsoft

A Microsoft anunciou (mais) um punhado de coisas envolvendo inteligência artificial, em parceria com a OpenAI, na abertura do evento Build nesta terça (23):

  • O Windows Copilot (vídeo) lembra muito as promessas da Cortana, porém sem uma interface de áudio, tudo por texto escrito/bate-papo. O lance de resumir PDFs e interagir com aplicativos de terceiros (Spotify, no exemplo) são bem legais.
  • A Loja da Microsoft ganhou uma central de inteligência artificial (vídeo) destacando aplicativos do tipo.
  • Já o Dev Home (vídeo) conecta o Windows 11 ao GitHub e reaproveita alguns recursos já existentes para facilitar e acelerar a criação de um ambiente de desenvolvimento.
  • O mais interessante, do ponto de vista dos negócios, é que a parceria com a OpenAI virou uma relação de mão dupla com a chegada do Bing ao ChatGPT.

Impressiona o volume e a rapidez com que a Microsoft tem explorado a parceria com a OpenAI e colocado na praça produtos baseadas em IA. Via Microsoft (2) (3) (em inglês).

Mastodon não é web3 e não tem a ver com criptomoedas

“Os perigos ocultos da web descentralizada”, diz o título de um artigo de opinião na Wired.

A autora, Jessica Maddox, professora assistente de tecnologia de mídia digital na Universidade do Alabama, coloca redes baseadas no protocolo ActivityPub, como o Mastodon, no mesmo balaio de picaretagens como criptomoedas e web3.

É um equívoco. E, se formos nos ater às especificidades, até mesmo “web descentralizada” é algo impreciso, visto que a web (uma rede) é, por definição, descentralizada. Os movimentos que levantam a bandeira da descentralização o fazem como reação a forças de mercado que subverteram essa característica. (E, apesar de se referirem a “web”, em alguns casos nem rodam na web.)

Podemos, e devemos, sempre nos esforçar para construir uma tecnologia melhor, mais acessível e mais inclusiva. Mas a descentralização da web em silos murados parece improvável que atinja esse objetivo.

Por incrível que pareça, o trecho acima não se refere às plataformas da Meta e do Google, mas sim às da “web3” e do Mastodon.

Não acho que Jessica seja ignorante, o que me deixa intrigado com os motivos que levariam alguém entendido a publicar essa desinformação.

WhatsApp ganha edição de mensagens; Signal deve ser o próximo

O WhatsApp começou a liberar a edição de mensagens. As regras são as seguintes:

  • Mensagens podem ser editadas até 15 minutos depois de enviadas;
  • Mensagens editadas exibirão um rótulo informativo; e
  • Não há histórico ou maneira de ver a versão original de uma mensagem editada.

Funciona de maneira muito parecida com a edição do Telegram, que existe desde 2016, com a diferença de que lá não existe prazo para a edição (o que pode ser problema por inúmeras razões).

Atualização (24/5, às 9h40): Ao contrário do que foi informado, o Telegram tem, sim, prazo para a edição de mensagens, de 48 horas. O que não tem prazo lá é a exclusão de mensagens, ou “desfazer” o envio. Obrigado pelo toque, fulalas!

O Signal vinha debatendo o mesmo recurso de desde abril de 2017. As notícias de que o WhatsApp estaria prestes a lançá-lo parecem ter acelerado o desenvolvimento: há vários commits (1, 2, 3, 4) no código do aplicativo para iOS nas últimas semanas. (Deve ter nos outros apps, mas não verifiquei.)

A edição de mensagens no WhatsApp será liberada de forma gradual e deve chegar a todos os usuários “nas próximas semanas”. Via WhatsApp.