Mastodon não é web3 e não tem a ver com criptomoedas
“Os perigos ocultos da web descentralizada”, diz o título de um artigo de opinião na Wired.
A autora, Jessica Maddox, professora assistente de tecnologia de mídia digital na Universidade do Alabama, coloca redes baseadas no protocolo ActivityPub, como o Mastodon, no mesmo balaio de picaretagens como criptomoedas e web3.
É um equívoco. E, se formos nos ater às especificidades, até mesmo “web descentralizada” é algo impreciso, visto que a web (uma rede) é, por definição, descentralizada. Os movimentos que levantam a bandeira da descentralização o fazem como reação a forças de mercado que subverteram essa característica. (E, apesar de se referirem a “web”, em alguns casos nem rodam na web.)
Podemos, e devemos, sempre nos esforçar para construir uma tecnologia melhor, mais acessível e mais inclusiva. Mas a descentralização da web em silos murados parece improvável que atinja esse objetivo.
Por incrível que pareça, o trecho acima não se refere às plataformas da Meta e do Google, mas sim às da “web3” e do Mastodon.
Não acho que Jessica seja ignorante, o que me deixa intrigado com os motivos que levariam alguém entendido a publicar essa desinformação.
Pra quem sonha com liberdade e meios livres de comunicação, estes dias estão contados. Não vai sobra nada além da verdade do governo e controle estatal da comunicação. Os ataques são para formar base pra um processo de bloqueio assim como fazem com o telegram hoje. Sem base, sem causa, só argumentos e muita, mas muita sede de censura e controle .
Votos: 0“Não vai sobra nada além da verdade do governo e controle estatal da comunicação.”
Esse medo do Estado malvadão é muito engraçado porque não existe nada próximo disso, muito pelo contrário, os Estados estão apanhando pra conseguirem regular a atuação das Big Techs, imagina controlar a comunicação.
Votos: 0Partindo da premissa de que você está falando isso a sério, não é um robô, nem mau caráter, que indícios ou subsídios te levaram a construir esse raciocínio de que estamos sob o risco de um “controle estatal da comunicação”? É uma pergunta genuína, porque me parece um argumento tão maluco que não tenho ideia de como alguém consegue chegar a essa conclusão.
Votos: 0mas Ghedin, o governo está tentando aprovar leis para punir fake news, correto? controle das big techs, parece um meio nobre mas, quem vai decidir o que é ou não fake news? o governo. agora, sabemos que politico praticamente tem “imunidade” politica, interesse próprio sempre vem em primeiro lugar, e com o poder de decidir o que é fake ou não, o que impede dele remover o que vc escrever sobre ele mesmo sendo verdade (mas contra ele) já que ele é que decide o que é verdade? é só pegar o que está acontecendo com o Léo Lins e ajustar pra a PL das fake news, vc não só tem controle da população como também do que é publicado, não?
eu como cidadão, fui atropelado por um politico, publico o que ele fez por ter fugido, o que impede dele não só remover, aplicar uma multa a mim e me processar por danos morais e mais um monte de coisa?
Votos: 0concordo com vc a respeito de rede sociais descentralizadas, mas defender PL das fake news é a mesma coisa que o que a Jessica Maddox está defendendo, só que muito pior, que é dar o poder a um único grupo de pessoas, mas nesse caso, de definir o que é verdade sendo que, esse grupo de pessoas não é diferente de qualquer outra pessoa, o interesse próprio/beneficio próprio sempre estará em primeiro lugar.
vão ter casos que a população vai se beneficiar? sim, vários, não tenho dúvidas, mas o maior beneficiado serão os políticos que estarão respaldados em fazer qualquer merda e se alguém ir contra é só f*@#r a vida dele, remover qualquer indicio do que foi falado e pronto, reeleição por melhor politico do ano garantida kk
Votos: 0Daniel, acho que você não leu ou não entendeu o PL 2630/20.
O governo não vai decidir o que é fake news ou não. Os casos de interferência estão previstos na seção IV, que trata do protocolo de segurança, que versa sobre temas previstos no artigo 7º e terá os detalhes definidos pelo Comitê Gestor da Internet (CGI.br).
O grande mérito desse projeto de lei é responsabilizar as big techs por casos de omissão em situações que já são crimes no Brasil ou em momentos de estresse institucional, como o 8 de janeiro.
“PL da censura” é uma fake news que a oposição (com muitos políticos notórios por espalhar e se beneficiar de fake news) espalhou para melar o debate.
Tudo é interpretação, por isso fico aberto a ser corrigido, de modo fundamentado, à interpretação que faço do PL 2630/20. Se puder me apontar em que parte do texto está prevista essa “censura” do governo, sou todo ouvidos.
Votos: 0O principal ponto que causou discussões sobre liberdade de expressão (moderação de conteúdo com a participação direta do Governo) foi reescrito.
ANTES – 03/07/2020:
CAPÍTULO IV – DO CONSELHO DE TRANSPARÊNCIA E RESPONSABILIDADE NA INTERNET
O Art. 25 citava as principais atribuições do conselho, dentre elas:
VIII – avaliar os procedimentos de moderação adotados pelos provedores de redes sociais, bem como sugerir diretrizes para sua implementação;
XI – estabelecer diretrizes e fornecer subsídios para a autorregulação e para as políticas de uso dos provedores de redes sociais e de serviços de mensageria privada.
E no Art. 26. versa sobre a participação deste conselho que seria composto por 21 membros indicados direta ou indiretamente pelo governo.
ATUAL – 27/04/2023 (Retirado o cap. IV e incluído o cap. XV):
CAPÍTULO XV – DA REGULAÇÃO DOS PROVEDORES
O Art. 51 cita as principais atribuições do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), dentre elas:
I – realizar estudos, pareceres e propor diretrizes estratégicas sobre liberdade, responsabilidade e transparência na internet
V – realizar estudos sobre os procedimentos de moderação de contas e de conteúdos adotados pelos provedores de redes sociais, bem como sugerir diretrizes para sua implementação
A PL não cita como é composta a formação do CGI, para isso precisamos ir até o decreto 4.829 que dispõe sobre a criação do CGIbr, no seu Art. 2 entendemos que o CGI é formado também por 21 membros indicados direta ou ou indiretamente pelo governo.
E lembrando que quem melou as discussões foi o próprio governo, utilizando o artifício da urgência na votação (sem passar por discussões nas comissões) e voltando atrás nessa urgência pq não teria votos suficientes para aprovar o PL.
Votos: 0@ AT~InDaHause
Sim, a autoridade de fiscalização independente foi retirada devido à grita da oposição, que por ignorância ou má-fé colou esse discurso de que seria controlada pelo governo.
Seu comentário está repleto de imprecisões e/ou mentiras. Só o deixei no ar para rebater os argumentos.
O que você diz a respeito do antigo artigo 26 do PL 2630/20, por exemplo, está incorreto. A autoridade seria multisetorial e independente do governo, com os representantes dos setores escolhidos entre os seus e todos aprovados pelo Congresso. A quem duvida, basta ler o referido artigo e seus parágrafos aqui.
Os membros do CGI.br também não são apontados pelo governo, com exceção dos representantes do… governo. Os demais, dos outros setores, são eleitos para mandatos trienais.
Votos: 0Também não acho que o Mastodon seja realmente decentralizado. Eu levo mais fé no NOSTR que é uma rede social P2P e na rede Tor. O resto não alcançou um nível de decentralização aceitavel e poderia facilmente ceder ou ser derrubado por agentes externos.
Votos: 0O Nostr se alinha aos ideais da galera da web3/criptomoedas: um negócio caótico, sem qualquer possibilidade de moderação, liderado por pessoas paranóicas que acreditam genuinamente que existe uma conspiração global contra elas, por mais insignificantes que sejam.
Votos: 0Acho a comparação válida, a origem desses conceitos vem de motivações similares: uma alternativa a instituições centralizadoras, sejam os bancos centrais ou as big techs. Além das motivações, compartilham as dores da complexidade para o usuário.
Mais importante: acho os riscos similares também.
É plausível, provável inclusive, que o ActivityPub se popularize a partir de uma (ou algumas) instância ou serviço com grandes investimentos. Acontecendo o que aconteceu com o e-mail, mas com efeitos práticos mais graves, já que provavelmente exacerbaria os problemas atuais das redes centralizadas e diminuiria as responsabilidades.
Criptomoedas também foram uma reação contra o mercado, mas isso não impediu que fosse cooptado porque tem recursos para isso. Não vejo nada impedindo que o mesmo aconteça com ActivityPub, se tiver relevância suficiente.
Votos: 0Eu queria mais é que cada um, que quisesse, tivesse seu blogzinho e todos,que quisessem, acompanhasse via RSS.
Votos: 0Eu também.
Votos: 0Mesmo que tenhamos poucas discordâncias nessa concordo 100% contigo Ghedin.
Votos: 0