O WebKit, motor de renderização do Safari, tem o código aberto, mas o único navegador relevante usando ele é o da Apple. O Gnome Web está prestes a se tornar o segundo.

O navegador oficial do Gnome (antes conhecido como Epiphany) já usa o WebKit, mas até agora sofria de problemas graves de lentidão em ações triviais, como ao rolar páginas pesadas ou exibir vídeo.

Um vídeo publicado no subreddit do Gnome indica que esses problemas serão superados no vindouro Gnome Web 44. Um dos desenvolvedores resumiu as novidades da versão:

“O Gnome Web 44 entregará o maior salto em desempenho na rolagem [da tela] da história recente, junto a execução de vídeo eficiente, uma nova interface moderna e melhorias gerais.”

O Gnome 44 está previsto para 22 de março. Via r/gnome (em inglês).

Em “As neurofiandeiras de Val”, Rodrigo Pontes imagina tecnologias fictícias para debater problemas bem reais

por Manual do Usuário

Val é uma costureira da periferia de São Paulo que busca por Caio Matheus, seu filho desaparecido. Ele sumiu após ser voluntário em um estudo médico sobre o sono. Sem ajuda da polícia e contando apenas com seus vizinhos, ela finalmente encontra a clínica onde seu filho desapareceu e resolve seguir o mesmo caminho, na esperança de encontrar Caio. Ao passar pelo mesmo estudo, ela é colocada para dormir sem saber onde ou como vai acordar.

Esta é a sinopse de As neurofiandeiras de Val, livro de estreia do paulistano Rodrigo Pontes. Ele é desenvolvedor de software e, agora, aposta na carreira de escritor pela via da autopublicação.

(mais…)

Levou apenas 40 anos para o Word, da Microsoft, ganhar um atalho para colar texto simples, sem formatação. Anote aí: Ctrl + Shift + V no Windows, Cmd + Shift + V no macOS.

No anúncio, a gerente de produtos da Microsoft, Ali Forelli, questiona:

Não seria ótimo se você pudesse copiar e colar texto de um site no seu documento e ele ficasse legal? Imagine não ter que remover manualmente a formatação do original, como tamanho, fonte ou cor de fundo.

Sabe o que seria ótimo? Se a opção de copiar sem formatação fosse padrão. (Sei que dá para mudar nas configurações, mas o padrão é o que importa.) Não consigo me lembrar de uma situação sequer em que eu quisesse colar um texto copiado da web com a formatação original.

Em tempo: no macOS, o atalho universal Cmd + Option + Shift + V faz esse colar sem formatação. (Aparentemente, não funciona no Word/aplicativos da Microsoft.) No Windows, navegadores como Firefox e Chrome têm o atalho que chega agora ao Word. Se quiser algo abrangente, porém, um pequeno utilitário gratuito, o PureText, permite criar um atalho universal. Via Microsoft 365 Insider (em inglês).

E eu achando que o anúncio do Notion, no ano da graça de 2022, de que agora era possível selecionar trechos parciais de dois parágrafos era o ápice do “progresso”. Via Microsoft (em inglês).

O Vale do Silício passou o fim de semana insone, ansioso pelo salvamento do Banco do Vale do Silício (SVB, na sigla em inglês), que quebrou espetacularmente na sexta-feira (10) após uma boa e velha corrida ao banco.

(Não vou me arriscar a tenta explicar o que aconteceu, pois complexo e vários já tentaram por aí — é só procurar.)

Com +90% do dinheiro depositado sem cobertura do equivalente deles ao nosso Fundo Garantidor de Crédito (FGC), havia o temor de que a quebra impedisse startups de pagar funcionários e credores. Na noite deste domingo (12), porém, autoridades do governo norte-americano garantiram que os correntistas terão o seu dinheiro de volta.

Outros temores persistem, como o risco sistêmico, de uma quebra generalizada do setor bancário norte-americano. Antes e depois do SVB, o também californiano Silvergate (especializado em criptomoedas) e o novaiorquino Signature (de alta renda, também exposto a criptomoedas) quebraram.

Durante o que a Bloomberg resumiu em “67 horas caóticas”, investidores de risco e startuperos se uniram em coro pedindo ajuda ao governo para salvar setor. Irônico. Via Departamento do Tesouro dos EUA (em inglês).

A cabine acústica da Meta, arte no aplicativo Notas do iPhone e outros links legais

O Medium abriu sua instância ao público, me.dm. O ingresso é um benefício da assinatura do próprio Medium, de US$ 5/mês.

Dias atrás, o Flipboard abraçou o Mastodon: deu suporte à integração com a rede descentralizada em seu aplicativo e lançou uma instância própria.

O Manual tem uma revista no Flipboard.

Antes deles, o navegador Vivaldi havia lançado uma instância própria, aberta a todos os usuários cadastrados.

Nesta quinta (9), a Meta, do Facebook, Instagram e WhatsApp, confirmou estar trabalhando em uma nova rede social baseada em posts de texto, codinome P92, e compatível com o ActivityPub — o protocolo por trás do Mastodon.

E ainda tem o Bluesky, gestado dentro do Twitter, que usa outro protocolo, mas a mesma abordagem do ActivityPub/Mastodon. E Flickr e Tumblr, que prometeram compatibilidade com o ActivityPub em algum momento futuro. A Mozilla, do Firefox, também vai lançar sua instância própria.

O cenário é promissor para redes sociais descentralizadas. Só é preciso cuidado para que nenhuma dessas empresas, em especial a Meta, se torne dominante num espaço que é, por definição, plural. Via Medium, Flipboard, Platformer (todos em inglês).

Como manter um diário de humor

Você talvez tenha visto a história da norte-americana que só tomou 37 banhos em 2022.

Ela me chamou a atenção por outro motivo além do óbvio: pela primeira vez, vi o aplicativo Daylio ser citado por aí.

(mais…)

A newsletter do Manual. Gratuita. Cancele quando quiser:

Quais edições extras deseja receber?


Siga no Bluesky, Mastodon e Telegram. Inscreva-se nas notificações push e no Feed RSS.

Em vez de colocar um chatbot sabe-tudo na frente dos resultados da busca, como os rivais Bing e Google estão fazendo, o DDG está usando os poderes da OpenAI e Anthropic para resumir textos da Wikipédia e devolver em consultas/perguntas mais objetivas, que comportem respostas diretas.

Por ora, só funciona em consultas em inglês e usando o navegador ou extensão do DDG. Se tudo correr bem, o chamado DuckAssist será “promovido” ao buscador, independente do navegador/extensão próprio da empresa.

Fora a utilidade, que ainda precisa se provar, a iniciativa do DuckDuckGo é, no mínimo, interessante, por mostrar que outros usos de IAs gerativas são possíveis. Estou curioso com o que virá a seguir — no comunicado, a empresa disse que o DuckAssist é o primeiro de vários produtos previstos que usam essa tecnologia. Via DuckDuckGo (em inglês).

Enquanto o Spotify coloca a música em segundo plano para promover podcasts e outros produtos de áudio, a Apple segue na direção contrária, reforçando o foco em música do seu streaming… de música. (Parece óbvio, né?)

Nesta quinta (9), a Apple anunciou o Apple Music Classical, um aplicativo à parte dedicado a música clássica.

O Apple Music Classical é baseado no Primephonic, um serviço de streaming que a Apple adquiriu em agosto de 2021.

Pode parecer meio estranho dedicar um aplicativo a um estilo (? gênero? Como se define isso?) musical, mas a dor não só existe como é objeto de vários aplicativos específicos para este fim.

A classificação/organização de música clássica é bem diferente das canções contemporâneas, começando pelo fato de que os compositores têm maior peso e são mais conhecidos do que os intérpretes. (No mínimo, é impossível ouvir os maiores, como Mozart ou Beethoven, tocando suas próprias composições; ambos morreram antes da invenção da música gravada.)

Esta boa reportagem do New York Times (em inglês), de 2019, explica um pouco o drama dos ouvintes de música clássica na era do streaming.

O Apple Music Classical será lançado no dia 28 de março como um extra, sem custo adicional, na assinatura do Apple Music. Já dá para “pré-baixar” o aplicativo na App Store. Via @AppleClassical/Twitter (em inglês).

Se o TikTok for banido dos Estados Unidos — uma hipótese longínqua, mas não descartada —, seu fantasma continuará pairando sobre os usuários norte-americanos. E não digo isso apenas pela “tiktokzação” do Instagram.

Nesta semana, o Reddit anunciou um novo feed de vídeos no estilo TikTok e o Spotify reformulou a interface do seu aplicativo, que agora incluí um feed vertical infinito que… lembra o TikTok.

A outra frente em que o TikTok se destaca, a recomendação de conteúdo por inteligência artificial, está bem representada no Artifact, o novo aplicativo dos criadores do Instagram — que nem disfarçam a inspiração e definem o app como o “TikTok de textos”.

O último fenômeno do tipo foi quando todos os gerentes de produtos decidiram que stories com bolinhas no topo da tela, a grande sacada do Snapchat, eram algo imprescindível em seus aplicativos. Sobrou quem? Só o Instagram, se não me falhe a memória.

Em tempo: o Spotify ainda não oferece músicas em alta qualidade (hi-fi), um ano após prometer o recurso. É o único dos grandes apps de streaming de música que ainda não o tem. Via Spotify, Reddit (ambos em inglês).

Uma das maiores estranhezas de quem se aventurava no Linux até alguns anos atrás era o conceito de repositórios e, num nível mais amplo, “onde/como baixar aplicativos”.

Alguns esforços paralelos têm tentado resolver essa situação. Como? Com gerenciadores de “pacotes” modernos, que tratam os aplicativos de maneira independente, em vez de dependentes de códigos do sistema. Coisas como Flatpak, Snap e AppImages.

Vendo de fora, parece que o Flathub, principal repositório baseado em pacotes Flatpak, se descolou do grupo e caminha para tornar-se a loja de aplicativos de fato do universo Linux.

Em um post publicado nesta terça (7), Rob McQueen, CEO da distro Endless e presidente do conselho do Gnome, delineou os próximos passos do Flathub em 2023 (resumo do OMG! Ubuntu!):

  • Adicionar uploads diretos, aplicativos verificados e suporte a pagamentos no site do Flathub.
  • Estabelecer uma entidade legal independente para controlar e operar o Flathub.
  • Levantar US$ 250 mil em financiamento/patrocínios.
  • Estabelecer a governança para supervisionar o projeto.
  • Iniciar grupos de foco no Flathub para receber feedback dos desenvolvedores.

Parecem-me todas boas iniciativas, ainda que algumas possam ser controversas no meio, como o suporte a pagamentos.

O Flathub já tem 2 mil aplicativos em seu catálogo e a média de downloads diários supera os 700 mil.

Via Robotic Tendencies, OMG! Ubuntu! (ambos em inglês).

Meta só garante privacidade de usuários europeus do WhatsApp

Nesta segunda (6), a Meta chegou a um acordo com a União Europeia (UE) acerca da política de privacidade do WhatsApp.

A confusão começou em janeiro de 2021, quando o WhatsApp atualizou a sua política de privacidade para abrir uma brecha na criptografia de ponta a ponta em conversas entre usuários pessoas físicas e empresas.

Na Europa, a Meta se comprometeu a permitir que os usuários do WhatsApp declinem da nova política (e de futuras atualizações) sem serem importunados “ad infinitum”. (Até hoje, mais de dois anos depois, tenho que descartar o popup pedindo para aceitar aquela política de privacidade todo santo dia.)

A Meta também garantiu à UE que não compartilha dados pessoais de cidadãos europeus que usam o WhatsApp com empresas de fora nem com as suas (Facebook e Instagram) para fins de publicidade.

Tudo muito bonito, ainda que tardio, mas e o resto do mundo?

(mais…)

A Microsoft tornou gratuito o Outlook para macOS (baixe na App Store), o aplicativo de e-mail que, até então, era parte do Microsoft 365, o serviço de assinatura da empresa.

Apesar de homônimo do serviço de e-mail da Microsoft, o aplicativo Outlook lida com outros serviços, como Gmail, Yahoo e qualquer um compatível com o protocolo IMAP.

A julgar por um comentário de Jeremy Perdue, funcionário da Microsoft que assina o post de anúncio do novo Outlook, a versão gratuita traz de “brinde” anúncios. Assinantes pagantes do Office 365 se livram da publicidade.

Outra esquisitice: o aplicativo para macOS é nativo, ou seja, feito especialmente para o sistema da Apple. No lado Windows, há quase um ano a Microsoft está testando em público uma nova versão do tipo PWA — em outras palavras, um site maquiado para se parecer com um aplicativo. Via Microsoft (em inglês)

Redes sociais são um micro-cosmo da humanidade. É curioso ver, em tempo real, ainda que tardiamente, elas se darem conta disso.

No final de fevereiro, a Meta “aperfeiçoou” seu sistema de punições/moderação. Em vez de aplicar penas restritivas (bloqueios e proibições de interagir) na primeira violação no Facebook e Instagram, a empresa será menos rígida e apostará em conscientização, dando mais chances aos “réus primários” e transparência às suas decisões.

Nossa análise revelou que quase 80% dos usuários com baixo número de advertências não voltam a violar as nossas políticas nos 60 dias subsequentes. Isso significa que a maioria das pessoas reage bem a um aviso e explicação, uma vez que não querem violar as nossas políticas.

Agora, segundo a Meta, penalidades restritivas serão a exceção, usadas apenas em violações graves ou reiteradas.

Da mesma forma que prender ladrões de galinha não ajuda a ressocializá-los, só gera incentivos para uma piora, punir de maneira desmedida quem comete um deslize “culposo” no Facebook só contribui para aumentar o sentimento de injustiça e uma percepção por vezes equivocada de que a plataforma “censura” as pessoas. Via Meta (em inglês).

A newsletter do Manual. Gratuita. Cancele quando quiser:

Quais edições extras deseja receber?


Siga no Bluesky, Mastodon e Telegram. Inscreva-se nas notificações push e no Feed RSS.

A Anatel começou a bloquear os aparelhos de IPTV piratas, chamados “gatonet”.

Em entrevista ao Uol Tilt, o superintendente de fiscalização da Anatel, Hermano Tercius, explicou o “modus operandi” da agência para lidar com o problema.

Destaque para o recebimento de denúncias, que dá início ao processo de bloqueio:

“É importante ressaltar que a denúncia não é ‘olha, meu vizinho está usando equipamento pirata’. A gente não quer pessoas em específico, mas uma rede de aparelhos. As denúncias costumam detalhar, por exemplo, fabricante, modelos e os servidores que eles acessam.”

Segundo Tercius, alguns consumidores fizeram reclamações à Anatel após seus aparelhos pararem de funcionar. O equívoco talvez se explique pelo fato de que muitas dessas caixinhas cobram mensalidade, o que pode dar um ar de legalidade. Via Uol Tilt.