Facebook tenta abocanhar — de graça — o conteúdo dos sites de notícias para treinar IAs

por David Gerard

O Facebook vem aí com novos termos de serviço para usuários corporativos! A partir de 30/10, se você for uma empresa, o Facebook poderá raspar o seu site e usar o conteúdo para tudo quanto é coisa.

A versão anterior dos termos só dizia que você licenciava o seu conteúdo para que a Meta pudesse exibi-lo nas suas publicações ou anúncios dentro das plataformas dela. Mas agora acrescentaram um parágrafo novo (cópia arquivada): se você tem uma conta que a Meta considera comercial, ela pode rastrear o seu site e usar o conteúdo como bem entender:

acessar, indexar, armazenar em cache, analisar, coletar, recuperar ou rastrear os domínios, páginas da web ou URLs (e qualquer conteúdo disponível por meio deles) associados aos seus produtos ou serviços, ou disponibilizados por meio do uso, por você ou por usuários, dos Produtos e serviços das Empresas da Meta […] a fim de fornecer, desenvolver, aprimorar, pesquisar e manter produtos de publicidade e de negócios.

Na primeira versão, a Meta deixou escrito que poderia “treinar” com o seu material. Os veículos de notícias chiaram e ela tirou a palavra “treinar”. A Meta disse à imprensa:

Ouvimos vocês e queremos esclarecer: os termos de rastreamento que consolidamos se aplicavam apenas aos nossos anúncios e produtos de negócios, e deixamos isso claro nos próprios termos. Isso não muda a forma como a Meta utiliza seus rastreadores da web. Como sempre, os proprietários de conteúdo podem usar o robots.txt para indicar suas preferências. Não se trata de fazer scraping em sites de notícias, e essas atualizações não nos dão novos direitos que se sobreponham a essas preferências.

Que beleza! Só que a Meta não colocou nos novos termos nada do que disse de bom na nota à imprensa. Continua sendo um parágrafo inteiramente novo, que reivindica novos direitos para a Meta usar o que é seu.

A imprensa especializada em jornalismo consultou advogados a respeito dos novos termos. Eles têm quase certeza de que a redação atualizada não impede a Meta de treinar IAs de graça, nem de fazer scraping:

A versão revisada dos novos termos ainda permite que a Meta use esse conteúdo coletado para desenvolver qualquer “produto de negócios”. Isso não parece ser um termo definido e, presumivelmente, a Meta está desenvolvendo produtos de negócios de IA. Acho que “desenvolver” é amplo o bastante para incluir “treinar”.

Os veículos não estão nada felizes com a Meta se apropriando de direitos na base do “li e aceito”, sem licença. (Hoje o treinamento de IA com conteúdo jornalístico costuma ser licenciado em troca de dinheiro de verdade.) E não acreditam que a empresa tenha mudado de intenção. A News Media Alliance, dos EUA, disse ao Mercury News:

Pode ser que tenham tirado o treinamento da lista de usos, mas, como ele não foi expressamente excluído, continua sendo uma possibilidade.

No Reino Unido, a News Media Association cobra do governo a regulação do comportamento da Meta, em nota à imprensa.

O European Publishers Council entrou em contato com urgência com a Comissão Europeia:

A Meta não pode simplesmente se dar permissão para pegar esse trabalho. Os veículos precisam poder decidir se, e de que forma, o seu jornalismo é usado, e negociar uma remuneração justa. Enterrar reivindicações de tão longo alcance nos termos de uma plataforma não substitui o consentimento.

Nem o pagamento aos veículos.

Publicado originalmente no Pivot to AI em 20/10/2026.

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5 comentários

  1. Nesse trecho “A imprensa especializada em jornalismo consultou advogados” tá certo? Imprensa especializada em jornalismo?

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