Toda quinta, na newsletter do Manual (cadastre-se gratuitamente), indico leituras longas/de fôlego (artigos, reportagens, ensaios) publicadas em outros sites.

Seria o máximo se esse trabalho fosse colaborativo, feito com a sua ajuda.

Indique nos comentários uma leitura longa da última semana, relacionada aos temas que costumam aparecer aqui no site, que você acha que deveria ser lida por mais gente. Vale em português ou inglês.

Para gravar o último vídeo do site, sobre organização de newsletters, criei uma conta descartável no Gmail. Fazia alguns anos que não usava o serviço, e assustei-me com a lentidão. Mesmo atividades triviais, como listar mensagens de um marcador ou mover uma mensagem de lugar, demoram — literalmente — mais de dez segundos.

O Google Docs, que usamos para editar o Tecnocracia, também me impressiona pela lerdeza. Estava editando o episódio desta semana e lembrei-me do Gmail. Minha digitação é normal (~80 ppm), mas nem se fosse duas vezes mais rápido que isso justificaria ver palavras se formando segundos depois de digitá-las em um editor de texto.

O YouTube é outra lerdeza, em tudo — de renderizar as páginas de vídeos a listar comentários e estatísticas no Studio, o painel de controle dos canais.

Uso um notebook de 2015 equipado com um Core i5 e 8 GB de RAM — nada super rápido, mas longe de ser lento —, e o navegador Safari. Talvez seja algo dessa combinação, mas suspeito que os serviços do Google sejam realmente lentos e quem os use assiduamente acabe não percebendo, como naquela história dos caranguejos que não notam a fervura gradual da água em que são cozidos.

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O Yahoo Respostas sairá do ar no dia 4 de maio. O serviço, lançado em 2005, era uma rede social… peculiar, e ao longo desses pouco mais de 15 anos gerou alguns incidentes antológicos. Não dá para dizer que fará falta, mas… né?, é mais uma parte da velha web que desaparecerá sem deixar rastros.

Caso queira preservar suas contribuições, o prazo é um pouco maior, até 30 de junho. Via Yahoo, The Verge (em inglês).

E-mails para o mundo

por Rafael Slonik

Acompanho o Basecamp, em idas e vindas, já tem mais de 10 anos. O Jason Fried e o DHH são vozes distoantes da maioria das de tecnologia dos Estados Unidos e, por isso, me chamam muito a atenção. Desde que iniciei minha empresa de e-commerce em 2018, com um time de cinco pessoas todo remoto, usamos o Basecamp como ferramenta para comunicação e organização do trabalho.

Aí, quando eles anunciaram um novo serviço de email chamado Hey, fiquei curioso. Recebi o convite e decidi assinar para testar (em troca de dinheiro ao invés da minha privacidade). Depois de uma semana, já estava mais que convencido a redirecionar meu Gmail para o Hey e só usar ele como email pessoal.

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Em 2020, 64,82% das buscas feitas no Google terminaram no próprio Google, ou seja, não levaram o usuário a outro site. É o que, no jargão, se chama “zero-click searches”, ou pesquisas sem clique. Em celulares, o percentual foi ainda maior: 77,22%. Via Sparktoro (em inglês)

Por que isso importa? O Google é uma espécie de HUB da web, o ponto de partida para que negócios, publicações (como o Manual) e toda a sorte de sites sejam descobertos pelos usuários. O Google é, afinal, um buscador. Ao moldar a experiência para que o usuário permaneça em seus domínios, o Google consegue exibir anúncios mais rentáveis, sem ter que dividir receita com parceiros.

Levantamentos do tipo pegam mal para o Google, tanto que esse motivou uma resposta direta da empresa questionando dados e conclusões. Como diria o Tino, “sentiu”. Via Google (em inglês).

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Google, privacidade e mais do mesmo

por Rob Horning

“A publicidade é essencial para manter a web aberta para todos, mas o ecossistema web corre riscos se as práticas de privacidade não acompanharem as mudanças de expectativas”. Esta é a frase inicial de uma atualização recente do Google do seu projeto de substituir os cookies de terceiros nos navegadores — que nos rastreiam individualmente — por algo que a empresa chama de FLoCs: grupos de interesse ad hoc aos quais indivíduos seriam designados com base em seus históricos de navegação. Como Shoshana Wodinsky explica no Gizmodo, “Qualquer dado gerado individualmente seria mantido no navegador e a única coisa que os anunciantes poderiam rastrear e segmentar seria um ‘rebanho’1 contendo um grupo agregado de pessoas semi-anonimizadas”.

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Com as novas variantes do coronavírus e as descobertas da ciência, hoje a recomendação dos especialistas é para que usemos máscaras PFF2/N95. O site PFF para Todos, criado coletivamente por dois perfis no Twitter sobre o assunto, reúne muitas informações. Vale a pena conferi-lo para tirar dúvidas, saber onde comprar máscaras no seu estado e pegar este infográfico para compartilhar em grupos de WhatsApp.

O navegador Brave anunciou a aquisição do buscador Tailcat, desenvolvido pela Cliqz, uma empresa que tinha seu próprio navegador focado em privacidade e que fechou as portas em abril de 2020. O objetivo do Brave é oferecer uma alternativa privada ao Google. Além dos “anúncios éticos”, que já são veiculados no navegador, o Brave quer oferecer uma versão paga do futuro buscador que não exibiria anúncios. Via The Register (em inglês).

Com 20 anos de atraso, o Google reconheceu que monitorar os usuários por toda a web é uma prática abusiva e anunciou, com um texto pra lá de confuso, que a abandonará. Ou algo parecido com isso.

A parte que importa do comunicado é esta:

Hoje deixamos claro que, com a desativação gradual dos cookies de terceiros, não vamos criar identificadores alternativos para rastrear pessoas que navegam pela internet — e tampouco usaremos esse tipo de identificador em nossos produtos.

Cookies de terceiros são uma maneira antiga e muito difundida de rastrear usuários em sites diversos. O Firefox da Mozilla e o Safari da Apple bloqueiam essa prática desde setembro de 2019. O Chrome do Google ainda vai bani-lo até o início do ano que vem. A novidade é que, ao contrário de outras empresas de publicidade, o Google não pretende criar um substituto para os cookies de terceiros.

Note que o anúncio só se refere a sites da web. O Wall Street Journal pontua que ele não contempla as ferramentas de anúncios e identificadores únicos usados em apps de celulares. E, talvez mais importante, que a medida não atinge os “first-party data”, ou seja, dados coletados pelo Google em suas propriedades. Não deve ser coincidência que, desde o ano passado, mais da metade das pesquisas do Google terminam na página de resultados.

Talvez o Google não precise mais disso pela hegemonia que alcançou em duas décadas de abusos? Ou consiga os dados de outras maneiras que não via sites de terceiros? Afinal, além do buscador mais usado do planeta, o Google também tem o navegador mais popular de todos.

“Ninguém deve ser obrigado a aceitar ser rastreado enquanto navega em troca do benefício de ver anúncios relevantes para o seu perfil”, diz o comunicado em outro trecho. Só rindo.

Ainda quero ler mais opiniões e análises desta mudança. Há quem diga que ela é paradigmática, que pode afetar todo o ecossistema de publicidade digital, em especial as empresas menores. A conferir. Via Google, Wall Street Journal (em inglês, com paywall).

Novidades legais de dois serviços usados por este Manual do Usuário.

O Buttondown, ferramenta de disparo de newsletters, tornou o monitoramento via pixel espião desativado por padrão para novas newsletters. (Entenda a questão.) No anúncio, Justin Duke, criador e mantenedor do serviço, diz que pretende fazer algumas mudanças para oferecer informações da newsletter sem que o dono dela precise recorrer ao pixel espião. No aguardo!

(O Manual já optava por não usar pixel espião nem monitorar de qualquer modo os assinantes da newsletter.)

O FeedLetter, serviço de feedback para newsletters (aquelas “notas” que aparecerem no final da mensagem), encerrou o período de apoio inicial, em que Jens Boje, criador e mantenedor do serviço, concedia um desconto especial. A mudança veio acompanhada de algumas novidades e de um mapa dos próximos recursos que serão implementados, e fortalece o compromisso de manter o serviço de pé, funcionando e recebendo manutenção.

Uma coisa muito legal que o Jens faz é o “desconto de paridade”. Em lugares onde o dólar é muito caro, ele concede um desconto para adequar o custo do FeedLetter à realidade local. No momento, três usuários se beneficiam da paridade — eu sou um deles.

Sempre procuro trabalhar com parceiros e fornecedores alinhados aos princípios que norteiam o Manual do Usuário, como o Buttondown e o FeedLetter.

O pessoal do Basecamp está testando uma novidade: o Hey World, um sistema de blogs baseado no Hey, o serviço de e-mail pago que eles lançaram em 2020. Basta escrever o post dentro do Hey e enviá-lo para um endereço de e-mail especial e pronto, o texto será publicado em um site simples e leve. No momento, funcionários do Basecamp estão testando o recurso; se tudo correr bem, ele será liberado a todos os usuários do Hey. Via @jason/Hey World.

O Hey World lembra muito o Posterous, vendido ao Twitter em 2012 e fechado logo em seguida, e o Posthaven, seu sucessor espiritual. Escreva um e-mail, publique na web. Tomara que isso cole.

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