E-mails para o mundo

Acompanho o Basecamp, em idas e vindas, já tem mais de 10 anos. O Jason Fried e o DHH são vozes distoantes da maioria das de tecnologia dos Estados Unidos e, por isso, me chamam muito a atenção. Desde que iniciei minha empresa de e-commerce em 2018, com um time de cinco pessoas todo remoto, usamos o Basecamp como ferramenta para comunicação e organização do trabalho.

Aí, quando eles anunciaram um novo serviço de email chamado Hey, fiquei curioso. Recebi o convite e decidi assinar para testar (em troca de dinheiro ao invés da minha privacidade). Depois de uma semana, já estava mais que convencido a redirecionar meu Gmail para o Hey e só usar ele como email pessoal.

A partir do Hey, eles propuseram uma ideia curiosa para um cenário bem específico: quando você quer mandar um email contando alguma coisa para alguém e esse alguém é o mundo todo. Esses seus “emails para o mundo” ganham um endereço (URL) público e quem se interessa pelas suas palavras, pode recebê-las como uma newsletter ou via RSS.

Em outras palavras, o Hey World, nome da ideia acima, é um sistema de blog atrelado ao e-mail.

O que mais gosto do Hey World são as limitações. (Veja o meu.) Por exemplo: você não sabe quantas pessoas estão cadastradas na lista que recebe seus emails/posts. Ele não tem um painel de estatísticas, não tem ganhos com anúncios, não tem selos ou qualquer orientação a competição ou rankings. O foco é o que você escreve, sem que números afetem as suas palavras. Para mim, isso faz toda a diferença.

O Hey World não tem nada de revolucionário. Todas as peças dele são coisas que já existiam e estamos cansados de tanto usar. O que muda é a maneira como essas peças foram juntadas em um produto diferente. Talvez seja isso que a tecnologia tanto precisa nesse momento: uma reorganização das peças.

Rafael Slonik é um dos fundadores da Kumori, que revende no Brasil teclados Mecânicos da Keychron entre outras marcas e acessórios. 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

8 comentários

  1. A minha duvida nisso tudo é: qual a possibilidade da Hey usar os dados (que ela não te disponibiliza) e criar produtos/lucrar com isso?

    1. Aí entra a reputação da empresa. Prometem não usar, prometem respeitar a privacidade, entre outras coisas. Se tu comparar os dados coletados pelo Hey e pelo Gmail no iOS (agora que a Apple obriga o disclosure) vai perceber a diferença gigantesca.

  2. Eu gostei muito do Hey, problema é pagar quase R$600 por ano pra ter um email (bom).

    Se baixassem pra R$300 eu comprava.

    1. Tem razão, pra mim esse é o maior problema também: a falta de localização de preços do Basecamp. Com esse dólar do jeito que está é pesado demais.

  3. Não sei se entendi bem essa parada. O wordpress tem a possibilidade de publicar por e-mail também, há anos.

    1. A diferença é o conceito. O WordPress é um monstro capaz de agir em qualquer frente. Dá pra fazer um blog bem simples com ele? Com certeza, mas o tanto de plugins, de atualizações e de configurações que você pode ter que lidar pelo caminho é grande (e isso considerando que você não gerencie a hospedagem). O blog do Hey é só uma “feature” do serviço de email.

      Ferramenta e opções de tecnologia temos aos baldes. Acho que o ponto é as maneiras como todas essas opções são organizadas mesmo.

O site recebe uma comissão quando você clica nos links abaixo antes de fazer suas compras. Você não paga nada a mais por isso.

Nossas indicações literárias »

Manual do Usuário