Google anuncia que não rastreará mais usuários em sites de terceiros

Com 20 anos de atraso, o Google reconheceu que monitorar os usuários por toda a web é uma prática abusiva e anunciou, com um texto pra lá de confuso, que a abandonará. Ou algo parecido com isso.

A parte que importa do comunicado é esta:

Hoje deixamos claro que, com a desativação gradual dos cookies de terceiros, não vamos criar identificadores alternativos para rastrear pessoas que navegam pela internet — e tampouco usaremos esse tipo de identificador em nossos produtos.

Cookies de terceiros são uma maneira antiga e muito difundida de rastrear usuários em sites diversos. O Firefox da Mozilla e o Safari da Apple bloqueiam essa prática desde setembro de 2019. O Chrome do Google ainda vai bani-lo até o início do ano que vem. A novidade é que, ao contrário de outras empresas de publicidade, o Google não pretende criar um substituto para os cookies de terceiros.

Note que o anúncio só se refere a sites da web. O Wall Street Journal pontua que ele não contempla as ferramentas de anúncios e identificadores únicos usados em apps de celulares. E, talvez mais importante, que a medida não atinge os “first-party data”, ou seja, dados coletados pelo Google em suas propriedades. Não deve ser coincidência que, desde o ano passado, mais da metade das pesquisas do Google terminam na página de resultados.

Talvez o Google não precise mais disso pela hegemonia que alcançou em duas décadas de abusos? Ou consiga os dados de outras maneiras que não via sites de terceiros? Afinal, além do buscador mais usado do planeta, o Google também tem o navegador mais popular de todos.

“Ninguém deve ser obrigado a aceitar ser rastreado enquanto navega em troca do benefício de ver anúncios relevantes para o seu perfil”, diz o comunicado em outro trecho. Só rindo.

Ainda quero ler mais opiniões e análises desta mudança. Há quem diga que ela é paradigmática, que pode afetar todo o ecossistema de publicidade digital, em especial as empresas menores. A conferir. Via Google, Wall Street Journal (em inglês, com paywall).

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5 comentários

  1. isso me lembrou quando o google parou de ler os emails do gmail…eu acho que eles pararam de fazer isso pq chegou num ponto que coletam tantos dados que perder de uma fonte não afeta a vigia, além de ficar bonitinho pro público

  2. Sempre me pergunto (e de forma genuinamente sincera) para quem é usuário do Chrome, qual o(s) principal(ais) argumento(s) para não usar o Chromium (que tem a mesma interface) ou o Brave? Eu nunca consegui entender bem como e porque alguém se limita ao uso de um único software, principalmente quando tem uma série de pontos controversos como esse relativo a privacidade.

    1. Uma vantagem óbvia de se usar o Chrome é sincronizar dados entre celular e computador. E como o Chrome vem instalado e é padrão no Android, isso acaba gerando um incentivo para que as pessoas usem-no no computador também.

      Optar por outro sabor do Chromium pode amenizar a devassa à privacidade que o Google promove, mas mantém sua experiência pautada pelo Google — por mais que seja um projeto de código aberto, é um projeto do Google, que sempre tem a palavra final. Falamos disso no último Guia Prático.

      1. É sempre um pouco complicado analisar a questão para além de nossas perspectivas subjetivas, mas por exemplo essa sincronização entre mobile e PC para mim nunca foi um grande diferencial, mas não nego que para outras pessoas possa ser uma função essencial. Mas seria ela tão difícil de ser implementada em um fork?. Em relação aos efeitos de uma ausência de diversidade não discordo que em tese pode ser danoso, mas a diversidade em si (fora do motor do Chromium) implica obrigatoriamente em alguma vantagem? Digamos a possibilidade de forks do projeto como já existem não seriam também uma diversidade e não garantiriam as hipotéticas benesses advindas da diversidade? Rodrigo e novamente uma dúvida genuína, o Google não teria só a palavra final sobre o Chrome? A partir do momento em que tornou o Chromium open-source (e nem estou entrando no assunto da licença utilizada) não teria obrigatoriamente aberto mão da palavra final?

        1. A sincronia existe em outros navegadores. Edge, Firefox, Safari, todos têm esse mecanismo. O grande trunfo do Chrome é ser o padrão. O padrão é, para muita gente (a maioria, arrisco dizer), o fator determinante de escolha entre usar X ou Y. O padrão é tudo o que importa.

          Sobre a outra dúvida, todo projeto de código aberto tem um mantenedor. Qualquer um pode submeter alterações e novos recursos, mas a palavra final é do mantenedor. Quem discorda pode criar um “fork” e tomar suas próprias decisões. (O Google, aliás, usava o motor WebKit, da Apple, no Chrome; por discordâncias diversas, em 2013 o Google fez um fork do WebKit e criou o Blink, usado até hoje no Chromium.)

          Só que não é tão simples fazer um fork. Digo, é simples, mas o projeto principal costuma ter toda a atenção e os esforços da comunidade concentrados nele. Forks só costumam dar certo quando há muita insatisfação da comunidade com os mantenedores do projeto original ou há uma empresa forte bancando a divisão no trabalho. Como fazer frente ao Google? Difícil.

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