Enquanto isso, no Twitter de Elon Musk, mais de 30 mil perfis banidos já tiveram o acesso restaurado.

Alguns casos são tragicômicos, como o do neonazista Nick Fuentes, banido novamente nesta semana, menos de 24 horas depois de retornar à plataforma. Motivo? Enalteceu Hitler numa conversa em um Spaces. Via Twitter is Going Great (em inglês).

Atualização (16/1, 8h50): O site The Information (paywall) obteve acesso a mensagens internas do Slack do Twitter que confirmam que a quebra dos aplicativos alternativos é intencional. No Mastodon, Paul Haddad fez um testes: ele trocou as chaves da API usadas pelo Tweetbot, o que restabeleceu o aplicativo. Em poucas horas, porém, as chaves foram invalidadas.

Clientes alternativos do Twitter populares, como Tweetbot e Twitterrific, foram cortados da API da rede na noite desta quinta-feira (12).

Até agora, ninguém sabe se o corte foi motivado por uma falha ou se foi intencional. O Twitter, quase 24 horas depois, ainda não se manifestou, o que é por si só um grande indicativo do que pode estar acontecendo.

Para alguns, os poucos usuários de Twitter que confiam nesses apps, foi a gota d’água.

Teria sido para mim se já não tivesse abandonado o Twitter. Há anos só usava clientes/aplicativos alternativos, um refúgio contra o “conteúdo recomendado” inflamável que o Twitter injeta na linha do tempo do aplicativo oficial.

Aplicativo oficial que, a propósito, acabou de ficar um pouco pior no iOS, com a visualização algorítmica como padrão, sem opção de trocá-la pela cronológica. A mesma que, meses antes de adquirir o Twitter, Elon Musk classificou como “manipuladora”. Via Iconfactory, @paul@tapbots.social (ambos em inglês), Núcleo.

Lembrando que o Manual está no fediverso — e gostando bastante! Se você usa Mastodon, siga @ghedin@social.manualdousuario.net para receber links, notícias e curiosidades do site na sua linha do tempo.

Extensão Privacy Redirect para Safari

“Sair do Twitter” não significa ignorá-lo por completo. Na cobertura do Manual e até mesmo em trocas de mensagens com amigos e familiares, vez ou outra aparece um link para lá.

Foi numa dessas situações que lembrei da extensão Privacy Redirect, que redireciona links de redes sociais comerciais para front-ends alternativos focados em privacidade. No caso do Twitter, o Nitter.

Se você usa Chrome ou Firefox, ótimo: a extensão é gratuita, só instalar e apontar quais serviços deseja que sejam redirecionados.

No caso do Safari, desconhecia alternativa. Aí fiz uma pesquisa e descobri que, em agosto de 2021, alguém lançou uma versão da Privacy Redirect para o navegador da Apple. Custa R$ 10,90, mas… né, o que não custa alguns reais nas plataformas da Apple?

Durante o fim de semana, pelo visto sem coisa mais importante para fazer, Elon Musk proibiu os usuários do Twitter de publicarem links para outras redes sociais e agregadores de links e continuou banindo pessoas influentes de modo arbitrário.

No domingo à noite, subiu uma enquete perguntando se deveria abdicar do cargo de CEO. O resultado da enquete, encerrada na manhã desta segunda (19), foi “Sim”. Não que fosse fazer muita diferença um novo CEO enquanto Musk for dono do negócio, mas enfim.

Fora do Twitter, acompanhando o caos, voltei a me pegar pensando em como cobrir essa história no Manual. Quando o caos vira o padrão, tudo parece urgente, só que na real… talvez não seja?

A condução alucinada de Musk aspira todo o oxigênio do ambiente e nos faz mais amargos, porque ele é um imbecil e faz questão de nos lembrar disso a todo momento — agora ainda mais, com uma plataforma de comunicação gigante nas suas mãos.

O objetivo, de Musk e do Twitter, é chamar a atenção. Acho que no longo prazo essas medidas arbitrárias cobrarão seu preço, mas, agora, elas alcançam o que Musk parece querer: a nossa atenção.

Há coisas melhores que os dramas internos, fabricados do Twitter acontecendo no mundo. Por isso, a partir de agora cobrirei o Twitter da mesma forma que cubro outras redes comandadas por extremistas, como Parler e Truth Social: sem entrar nas polêmicas internas ou nos caprichos dos seus donos, focando, em vez disso, nas implicações externas quando houver.

Seguimos.

O patético Elon Musk suspendeu do Twitter ao menos oito jornalistas norte-americanos, de publicações como New York Times, CNN e The Intercept, que reportaram ou criticaram outra medida covarde do bilionário — o banimento do perfil @ElonJet, que monitorava em tempo real os deslocamentos do avião privado de Musk.

Para dar ares de legitimidade à sua arbitrariedade, o Twitter ganhou uma regra que proíbe usuários de compartilharem a localização em tempo real de pessoas.

Rotas de aviões, incluindo aviões privados, são públicas. A rusga de Musk com o perfil @ElonJet vem de longe — ele chegou a tentar comprá-la/silenciá-la com uma oferta de algumas milhares de dólares, que foi recusada.

Após o banimento no Twitter, o perfil @ElonJet apareceu no Mastodon. Alguns jornalistas suspensos haviam postado o novo endereço em seus perfis no Twitter. Além deles, o próprio Mastodon perdeu sua conta no Twitter e links de diversas instâncias do Mastodon estão sendo sinalizados como “inseguros” pelo Twitter.

Musk tentou se explicar em um Spaces (conversa em áudio ao vivo no Twitter). Curiosamente, os jornalistas suspensos e o perfil @ElonJet conseguiram acessar e participar da conversa.

Quando questionado se sua atitude não seria a mesma da antiga gestão do Twitter acerca da história de Hunter Biden, que Musk tem alardeado como prova de um suposto viés progressista nos chamados “Twitter Files”, o bilionário respondeu que quem vaza dados pessoais (o que não é caso) é banido e saiu abruptamente do Spaces. Típico de gente da laia dele, fugir de perguntas difíceis.

A propósito, os jornalistas suspensos do Twitter têm perfis no Mastodon. Via The Verge (em inglês), Núcleo.

A história do Revue, serviço de newsletters do Twitter, em três atos:

É em situações como essa que o poder/a soberania sobre os dados e a interoperabilidade do e-mail, bandeiras muito caras a este Manual do Usuário, se mostram mais relevantes: aos afetados, basta exportar a lista de inscritos e o acervo (nesta página) e migrar para outra ferramenta. Via Revue (em inglês).

Chegou a hora de sair do Twitter

Dava para prever que o Twitter de Elon Musk se tornaria um ambiente insalubre, mas surpreendeu a velocidade com que aquilo se deteriorou. Isso, somado às ideias desprezíveis, por vezes criminosas do novo dono, nos leva ao único desfecho possível: chegou a hora de pular do barco, de sair do Twitter.

(mais…)

Por que alguns CEOs de tecnologia estão torcendo por Elon Musk?

Por que alguns CEOs de tecnologia estão torcendo por Elon Musk? (em inglês), por Casey Newton e Zoë Schiffer, na newsletter Platformer:

Se você é um executivo cada vez mais frustrado com a cultura do [ambiente de] trabalho da última meia-década — e do tom em geral cético do jornalismo que tem acompanhado a indústria de tecnologia nesse período —, as táticas agressivas de Musk devem soar como um alívio. Esses líderes só fantasiavam demitir seus críticos internos mais vocais; Musk foi lá e o fez. Muitas vezes sem mesmo saber que funções esses trabalhadores desempenhavam!

A maioria dos CEOs não adota as táticas de Musk de forma explícita. Mas alguns, como David Heinemeier Hansson [da 37Signals/Basecamp], implementarão variações em menor escala. De maneiras importantes, Musk ampliou a sensação do que pode ser feito.

A deterioração do Twitter segue a olhos vistos, impulsionada por atitudes intempestivas, inexplicáveis e/ou apenas estúpidas de Elon Musk.

Metade dos 100 maiores anunciantes do Twitter interrompeu a compra de anúncios na plataforma.

Pipocam casos de falhas crassas no sistema de moderação — passa 99% dos posts racistas da Copa, vídeos de um atentado na Nova Zelândia, campanhas de desinformação patrocinadas pela China.

Musk, quando não está exibindo fotos constrangedoras do seu criado-mudo no Twitter, tem feito ameaças à Apple devido à taxa que a empresa cobra de aplicativos distribuídos na App Store.

Parece um movimento preparatório. A proliferação no Twitter de discursos de ódio e outros mal vistos pela Apple, como pornografia, somada ao enfraquecimento da marca Twitter, pode culminar com a remoção do aplicativo da rede social da App Store. Essa possibilidade parece já ter sido aventada pela Apple, de acordo com este post de Musk.

A maioria das pessoas acessa o Twitter por celulares, e usando o aplicativo oficial.

Isso seria desastroso, mas não sem precedentes. Em 2018, a Apple removeu o aplicativo do Tumblr devido à presença de imagens de abusos sexuais infantis.

Para Musk, a solução caso isso aconteça é simples: criar um celular próprio. O ego do homem mais rico do mundo é proporcional à sua fortuna. Boa sorte com isso.

Os banimentos perpétuos de Donald Trump, Jordan Peterson e Kanye West no Twitter foram revertidos por Elon Musk. Trump, o caso mais notório, como resultado de uma enquete feita por Musk na própria plataforma — a mesma que meses atrás ele acusava de estar repleta de robôs e perfis automatizados. A promessa de só tomar decisões de moderação depois de instituir um conselho? Quem se importa? O Twitter de Musk é uma grande e cara piada de mau gosto. Via @elonmusk/Twitter, Semafor (ambos em inglês).

O que já se sabe da Koo, rede social indiana aonde usuários do Twitter estão indo

O caos crescente no Twitter e a dificuldade em ingressar no Mastodon estão levando as pessoas a procurarem por alternativas. Nesta sexta (18), um movimento de migração para a rede social Koo (é… pois é) surgiu forte no Twitter.

(mais…)

Elon Musk deu um ultimato aos funcionários que sobraram no Twitter: comprometa-se com jornadas extenuantes de trabalho ou caiam fora. Mais gente que o esperado optou por cair fora.

O Twitter está na UTI e seus sistemas podem quebrar a qualquer momento, em grande parte porque falta gente para manter as coisas funcionando.

Musk é tão tóxico que, por comparação, conseguiu a proeza de fazer Mark Zuckerberg/Meta e a Amazon ganharem confete por demitirem dezenas de milhares de pessoas de forma ~humanizada — leia-se com o mínimo de dignidade. (Foram 11 mil demissões na Meta e 10 mil na Amazon.) Via The Verge (2) (em inglês).

A “dificuldade” em usar o Mastodon não é por acaso

O êxodo do Twitter, arruinado por Elon Musk, seria mais intenso se a principal alternativa surgida nesse período turbulento, o Mastodon, fosse mais simples. Não que seja uma ciência complexa, mas o atrito para usar a rede do momento, em especial o cadastro, tem desanimado alguns.

(mais…)

Tem sido difícil cobrir o Twitter sob o comando de Elon Musk. Num mesmo dia o serviço lança um recurso, a coisa sai do controle e, horas depois, o recurso é desativado.

Algumas coisas valem o registro, porém. Das últimas notícias, destaco a primeira reunião geral da empresa convocada por Musk, nesta quinta (10). Ele avisou que o Twitter pode sangrar bilhões de dólares em 2023 e que corre até o risco de ir à falência. A solução, diz, são as assinaturas pagas, que ele espera respondam por metade do faturamento do Twitter.

Momentos depois de terminada a reunião, mandou um e-mail aos funcionários dizendo que a “prioridade máxima” no momento é livrar a plataforma de robôs, spammers e trolls. Boa sorte com isso: executivos que lideravam áreas relacionadas a esse tema pediram demissão esta semana.

Há quem diga, a sério, que Musk está ativamente tentando destruir o Twitter por dentro. É uma hipótese meio descabida porque implica em torrar US$ 44 bilhões e comprometer as ações das duas outras empresas do magnata, Tesla e SpaceX. Apesar disso, é difícil imaginar uma gestão pior — e considere que o Twitter não tinha, nunca teve, na real, gestores exemplares. Via Platformer (em inglês).

Surpreendendo absolutamente ninguém, os selos azuis de verificação do Twitter postos à venda por Elon Musk desencadearam um festival de paródias e situações esdrúxulas, do Mario da Nintendo fazendo um gesto obsceno a ex-presidentes norte-americanos postando barbaridades.

Nesta quarta (9), Musk disse que “o Twitter fará um monte de coisas estúpidas nos próximos meses”. Percebe-se. Fica a dúvida, porém: é necessário? Desejável, até? Via @elonmusk/Twitter (em inglês).