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Empresas estão pedindo a quebra de sigilo de geolocalização de ex-funcionários na Justiça do Trabalho

Grandes empresas, como Santander, Itaú e Via (das bandeiras Casas Bahia e Ponto), têm pedido a quebra do sigilo de geolocalização de ex-funcionários na Justiça do Trabalho em processos envolvendo horas extras.

Os pedidos são endereçados a empresas de telefonia, como a Telefônica (Vivo), e plataformas digitais, como o Google. (As duas são citadas na reportagem do Jota; a Vivo entregou, o Google entra com liminares para não ter que entregar.)

Embora os tribunais (segunda instância) estejam em sua maioria indeferindo os pedidos das empresas, levantamento do Jota mostra que o tema não está pacificado entre os juízes de primeira instância, com muitos autorizando a quebra do sigilo.

Especialistas contrários à prática ouvidos pela reportagem afirmam que ela é exagerada, que faz com que o funcionário crie provas contra si mesmo e que, no fundo, trata-se de uma violação à Constituição, que garante a privacidade das comunicações telegráficas, de dados e telefônicas, salvo nas hipóteses de investigação criminal ou instrução processual penal — o que não é o caso. Via Jota.

Novidades do WhatsApp: tempo maior para apagar mensagens, ocultar status online e mais

O WhatsApp agora permite excluir mensagens para todos até 2 dias e 12 horas depois do envio. Bom!

Além disso, Mark Zuckerberg anunciou três novidades que chegarão em breve ao aplicativo, incluindo — finalmente — a opção de ocultar o status “Online”.

As outras duas são a saída de grupos “à francesa”, sem alertar todos os membros, e a proibição de prints em fotos que só podem ser visualizadas uma vez.

O prazo maior para excluir mensagens já está valendo. As três novidades anunciadas por Zuck, ainda não — e nem se sabe quando chegarão. Via @WhatsApp/Twitter, @zuck/Facebook, WABetaInfo (todos em inglês).

Talvez a Amazon esteja interessada em saber onde você colocou seu sofá

A repercussão da compra da iRobot, dos robôs aspiradores de pó, pela Amazon, por US$ 1,7 bilhão, inclui analistas e gente da indústria desmerecendo o receio de que a Amazon esteja comprando um atalho para consolidar dados das residências dos consumidores.

Na newsletter de tecnologia da Bloomberg, por exemplo, o setorista de Amazon Brad Stone disse achar “a ideia de que a Amazon quer a ajuda do Roomba para mapear o interior da sua casa absurda: à Amazon não interessa saber onde você colocou seu sofá”.

No Twitter, Benedict Evans ecoou o sentimento:

O que me deixa mais perplexo em fios como este é a ideia de que alguém queira saber detalhes aleatórios e triviais da sua vida — que isso tenha qualquer valor econômico. “A Amazon quer saber onde sua mobília está!” Não, ela não quer, mas por que ela iria querer?

Talvez o co-fundador e atual CEO da iRobot nos ajude a entender? De uma entrevista dele à Reuters de 2017:

Há todo um ecossistema de coisas e serviços que uma casa inteligente pode entregar uma vez que você tenha um mapa detalhado da casa que o usuário tenha concordado em compartilhar.

Na época, a iRobot tinha acabado de tornar seus robôs Roomba compatíveis com a Alexa, da Amazon. Na entrevista, Angle ventilou a possibilidade de compartilhar os mapas da casa com as três gigantes de tecnologia — Amazon, Apple e Google —, um serviço que seria gratuito.

A vantagem à iRobot nesses arranjos, na avaliação do executivo, seria conectar os robôs Roomba ao maior número de outras empresas para torná-los mais úteis dentro de casa.

A reação foi bem negativa, o que levou Angle a uma tour de contenção de danos. Em outra entrevista, esta ao Mashable, o executivo bateu na tecla de que dados das casas só são enviados à nuvem e só seriam compartilhados com a anuência do usuário, mas também não descartou vendê-los no futuro: “Ainda não temos qualquer plano para a venda de dados.”

Talvez, afinal, a Amazon esteja sim interessada em saber onde você coloca seu sofá?

DuckDuckGo vai bloquear domínio da Microsoft usado para rastreamento em seus navegadores e extensões

No final de maio, um pesquisador alertou que os navegadores e extensões do DuckDuckGo (DDG) deixavam de bloquear um domínio da Microsoft usado para monitorar conversões de anúncios. (A Microsoft é parceira do DuckDuckGo.)

A notícia gerou alguma revolta, em parte justificada. Por isso a atualização prometida pelo DDG na última sexta (5), de que seus navegadores e extensões serão atualizados nas próximas semanas para bloquear esse domínio da Microsoft, é bem-vinda.

Além disso, o DDG abriu sua lista de domínios usados para rastreamento que são bloqueados por padrão como uma forma de dar mais transparência ao projeto. Via DuckDuckGo (em inglês).

Empresa de publicidade diz que seu navegador que rastreia usuários suportará cookies de terceiros até 2024

O Google anunciou um novo adiamento à aposentadoria dos cookies de terceiros no Chrome. A princípio, isso aconteceria agora, em 2022. Em junho de 2021, o prazo foi estendido para 2023 e, agora, estendido de novo, para 2024.

O adiamento é uma resposta ao “pedido mais consistente” que o Google tem recebido da indústria.

Embora não tenham sido concebidos para esse fim, cookies de terceiros são usados largamente por empresas de publicidade para monitorar o comportamento do usuário e formar perfis de consumo para direcionar publicidade.

Não é de se estranhar a demora do Google em aposentar um recurso tão valioso à publicidade invasiva — área que responde pela maior fatia do seu faturamento.

Felizmente, não é preciso esperar pela boa vontade do Google: praticamente todos os rivais do Chrome — Firefox, Safari, Edge — já desativaram o suporte a cookies de terceiros por padrão há anos, garantindo mais privacidade a seus usuários, e não têm planos de incluir uma tecnologia invasiva no lugar deles, como é o caso do Google com o leque de ferramentas chamado Privacy Sandbox, ainda em testes.

Os três navegadores são gratuitos e funcionam tão bem quanto o Chrome. Via Google, 9to5Google (ambos em inglês).

Facebook altera estrutura de links dentro da rede para manter rastreamento de usuários

Alguns sites e aplicativos usam parâmetros na URL para rastrear de onde seus visitantes vêm. Em geral, é tudo o que aparece depois de uma interrogação, algo assim: manualdousuario.net?utm_source=google&utm_medium=app.

Esses parâmetros não são necessários (você pode acessar o endereço sem eles), não trazem nenhuma vantagem ao usuário e podem representar uma brecha de privacidade, motivo que levou os navegadores Brave e Firefox a removê-los por padrão. (A mudança no Firefox é recente, veio na versão 102, lançada no final de junho.)

Em um movimento reativo, o Facebook alterou a estrutura dos links compartilhados dentro da rede para dificultar a remoção dos parâmetros. Agora, parte do que antes era parâmetro está embutido na URL, o que impede a remoção do rastreamento.

O GHacks, que detectou a alteração, oferece um exemplo:

https://www.facebook.com/ghacksnet/posts/pfbid0RjTS7KpBAGt9FHp5vCNmRJsnmBudyqRsPC7ovp8sh2EWFxve1Mk2HaGTKoRSuVKpl?__cft__[0]=AZXT7WeYMEs7icO80N5ynjE2WpFuQK61pIv4kMN-dnAz27-UrYqrkv52_hQlS_TuPd8dGUNLawATILFs55sMUJvH7SFRqb_WcD6CCOX_zYdsebOW0TWyJ9gT2vxBJPZiAaEaac_zQBShE-UEJfatT-JMQT5-bvmrLz7NlgwSeL6fGKH9oY9uepTio0BHyCmoY1A&__tn__=%2CO%2CP-R

Note que, antes do parâmetro, há um punhado de letras sem sentido e uma menção explícita ao domínio (ghacksnet). Ao remover o parâmetro, o link é alterado; em vez de cair em um post específico, ele leva à capa do site GHacks.

É mais um sinal da obsessão da Meta em rastrear e monitorar tudo o que for possível a fim de coletar dados e devolver anúncios segmentados aos usuários. Via GHacks (em inglês).

Um bilhão de pessoas afetadas em possível vazamento de dados na China

por Shūmiàn 书面

Em meio ao crescimento da iniciativa chinesa de cibersegurança, no domingo (3) começou a circular o boato de que uma base de dados da polícia de Shanghai (vinculada ao Ministério da Segurança Pública) foi hackeada, segundo os supostos invasores.

O preço pedido pelos hackers no Telegram é de 10 bitcoins ou cerca de 200 mil dólares, segundo matéria da Reuters, que não conseguiu verificar a autenticidade dos dados. A base contém informações pessoais (nome completo, endereço, número de identidade, registros policiais e de saúde) de cerca de um bilhão de pessoas — quase toda a população do país, incluindo menores de idade.

O CEO da corretora de criptomoedas Binance mencionou no Twitter que seus analistas já haviam identificado dados de um bilhão de residentes de um “país asiático” sendo vendidos na dark web. Lembrando que em abril entrou em vigor a lei de proteção de dados pessoais, o que gerou comentário do analista Roger Creemers sobre o uso da lei neste caso.

As autoridades não se manifestaram, mas se confirmado, seria um dos maiores vazamentos de dados da história. Os brasileiros não estão sozinhos.


A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.

Apple força Instagram a oferecer exclusão da conta direto no app

Uma atualização do aplicativo do Instagram para iOS/iPhone lançada pela Meta acrescentou uma discreta opção para excluir a conta ali, sem que o(a) usuário(a) precise abrir o navegador, como era até esta quinta (30).

A novidade não foi desmotivada, mas sim para adequar o aplicativo às regras da App Store, a loja de aplicativos da Apple. Em maio, a dona do iPhone alertou os desenvolvedores de aplicativos do prazo, até 30 de junho, para eles incluírem a opção de excluir contas dentro dos próprios apps. Via TechCrunch, Apple (ambos em inglês).

O direito ao aborto, o perigo do TikTok e o terror norte-americano

Mulher branca, com batom e touca pretos e olhando para a câmera, segura um cartaz no meio da multidão. No cartaz, lê-se (em inglês): “Quando a injustiça vira lei, a revolta vira dever”.

Ao editar o Manual do Usuário, um ponto de atenção a que me atenho é com quem estou falando. Não é raro encontrar publicações de tecnologia brasileiras que parecem publicações norte-americanas traduzidas para o português, com a cobertura de produtos que sequer são vendidos aqui e de polêmicas que, no máximo, soam como curiosidade a nós.

(mais…)

O estado da vigilância governamental chinesa sobre cidadãos comuns

por Shūmiàn 书面

Na última terça-feira (21), o New York Times publicou um retrato do estado da vigilância governamental chinesa sobre cidadãos comuns. Com base em análises de mais de 100 mil editais públicos coletados pelo China File, os repórteres concluíram que o governo sabe mais sobre identidades, atividades e conexões sociais das pessoas do que era de conhecimento geral. Por meio de diferentes tecnologias, são realizadas coletas indiscriminadas de informações que, centralizadas, criam perfis complexos da população.

O volume de dados é impressionante: segundo um documento, a polícia da província de Fujian estima ter 2,5 bilhões de imagens em seus bancos. Esses dados podem ser cruzados com DNA, padrões para reconhecimento de íris e de voz, coletados em massa em ao menos 25 das 31 províncias chinesas desde 2014.

Também foi revelado o uso de rastreadores de sinal Wi-Fi em todas as províncias e regiões chinesas. Inicialmente, essa tecnologia foi utilizada em Guangdong para identificar usuários de um aplicativo de dicionário uigure-chinês.

O governo da China não se pronunciou sobre a reportagem.


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Países europeus estão proibindo o Google Analytics; sistema viola lei de proteção de dados da UE

A Itália proibiu o uso do Google Analytics, popular serviço de aferição e análise de audiência para sites e aplicativos, na última quinta (23).

É o terceiro país da União Europeia a barrar o serviço, junto à Áustria e França, sob o mesmo argumento: de que o Analytics viola o GDPR, a lei de proteção de dados pessoais do bloco. Segundo o governo italiano, a violação se dá porque “[o Google Analytics] transfere dados dos usuários aos Estados Unidos, um país sem um nível adequado de proteção de dados”.

O site Is Google Analytics Illegal, criado pela PostHog, alternativa ao Google Analytics de código aberto, está monitorando as proibições do Google Analytics pelo mundo. Via Autoridade de Proteção de Dados Italiana (em italiano e inglês).

Microsoft remove da prateleira produtos de reconhecimento facial

A Microsoft anunciou uma série de novos princípios de uso responsável da inteligência artificial e, junto ao documento, descontinuou suas ferramentas de detecção de gênero, idade e humor via reconhecimento facial e endureceu o fluxo para liberar as remanescentes do tipo a novos clientes — eles terão que detalhar a finalidade do uso e serem aprovados por uma equipe de revisão liderada por Natasha Crampton, responsável pelo departamento de IA da Microsoft. Via Microsoft, New York Times (ambos em inglês).

Firefox torna Proteção Total de Cookies padrão no mundo todo

A partir desta terça (14), a Proteção Total de Cookies do Firefox passa a vir ativada por padrão no mundo inteiro. O recurso, lançado de maneira limitada no Firefox 86, em fevereiro de 2021, confina cookies de terceiros ao domínio/site que o carregou, impedindo que esses dados sejam cruzados para rastrear o usuário em suas andanças pela web.

Com a Proteção Total de Cookies, diz a Mozilla, “as pessoas podem se beneficiar de mais privacidade e ter as ótimas experiências de navegação que elas esperam”. Via Mozilla (em inglês).

Facebook está criando formato de anúncio que não usa dados dos usuários, diz site

De acordo com duas agências de publicidade ouvidas pelo Insider, a Meta está desenvolvendo um formato de anúncio focado em privacidade para o Facebook. O trabalho ainda está em estágios iniciais.

Chamado internamente de “Anúncios básicos”, o novo formato não usaria o baú de dados pessoais que a Meta tem de seus usuários para determinar onde os anúncios são veiculados.

Motivo? Aliviar a pressão de reguladores (em especial na Europa) e da opinião pública e contornar as limitações impostas por recursos pró-privacidade, como a Transparência no Rastreamento em Apps (ATT, na sigla em inglês) do iOS 14.5, da Apple. Via Insider (em inglês).