Ajude-me a vencer o processo contra a Folha de S.Paulo!

Como a In Loco consegue saber por onde você anda sem infringir a LGPD

Imagem aérea de prédios e ruas com o logo da In Loco centralizado.

Muitos brasileiros descobriram a existência da In Loco, uma startup de Recife (PE), no final de março. Especializada em geolocalização e atuante no segmento B2B, a In Loco usou os dados de localização dos mais de 60 milhões de celulares que monitora para criar o Índice de Isolamento Social (IIS), um mapa dinâmico que mostra quais estados estão mais ou menos comprometidos com o distanciamento social na luta contra a COVID-19.

O mapa é impressionante. Ele demonstra precisamente quando o Brasil passou a levar a sério a pandemia (20/3) e como o pico daquele fim de semana (69,6% no dia 22), que teve na sexta-feira discurso do presidente Jair Bolsonaro se referindo à COVID-19 como “uma gripezinha” e uma entrevista sua no Programa do Ratinho, do SBT, jamais se repetiu. O mapa também é um pouco inquietante e, não bastasse isso, a In Loco firmou acordos com pelo menos 20 estados para repassar dados anonimizados e agregados para ajudar no combate à COVID-19. Em meio a tudo isso, a pergunta que fica é: como uma empresa relativamente desconhecida acumulou tantos dados de tantos celulares no país sem chamar a atenção do grande público?

(mais…)

O que um app de rastreamento de contatos para combater a COVID-19 precisa ter para não comprometer nossa privacidade

Ilustração de vários notebooks com coronavírus na tela; ao centro, um deles com um olho aberto no lugar do coronavírus.

por EFF

Por Andrew Crocker, Kurt Opsahl e Bennett Cyphers

Em todo o mundo, um eco diverso e crescente tem exigido o uso da tecnologia de proximidade dos celulares para combater a COVID-19. Especialistas em saúde pública e outros argumentam que os celulares poderiam oferecer uma solução a uma necessidade urgente de deteção rápida e generalizada de contatos, ou seja, monitorar pessoas com quem infectados têm contato na medida em que se deslocam por aí. Os proponentes desta abordagem apontam que muitas pessoas já têm celulares, que são frequentemente usados para rastrear a movimentação e as interacções dos usuários no mundo físico.

(mais…)

A falta de privacidade — planejada e acidental — do Zoom

Notebook com o aplicativo da Zoom aberto com quatro pessoas participando de uma videochamada.

É um tanto difícil falar em vencedores durante uma pandemia, mas, se nos permitirmos esse exercício, o Zoom, empresa norte-americana que oferece um serviço de videochamadas via internet, entraria fácil nessa seleção.

O sucesso estrondoso do Zoom se funda em dois aspectos: a facilidade de uso — basta ter um link para entrar em uma conversa — e a qualidade da imagem e som, que decorre diretamente da obsessão em manter a latência abaixo de 150 ms, aquele “atraso” do áudio em relação ao vídeo, mesmo em salas lotadas — o sistema suporta até 100 participantes em uma chamada, e até 1 mil no modo webinar, em ambos com recursos avançados como compartilhamento de tela, enquetes e espelhamento em plataformas de streaming (YouTube, Facebook).

(mais…)

Suas newsletters favoritas têm um problema de privacidade

Ilustração de notebook com o logo do Mailchimp na tela e, acima, caixa de correio com cartas saindo/entrando.

Entra ano, sai ano, as newsletter “retornam” como a nova-velha ferramenta de comunicação por excelência na internet1. Nessas movimentações sazonais, um detalhe importante jamais é mencionado: há uma falha de privacidade comum à maioria das newsletters. É preciso falar dela.

O e-mail, espaço onde as newsletters são recebidas e lidas, é tecnologicamente rudimentar se comparado à web e aos aplicativos de celulares. As mensagens podem ser criadas em texto puro, como os textos salvos no Bloco de notas, ou em HTML, mesma linguagem das páginas web, só que com limitações severas: elas não executam as chamadas linguagens dinâmicas, como JavaScript e PHP, que na web viabilizam páginas ricas, elementos interativos e a dose cavalar de scripts de monitoramento e vigilância que se tornaram lugar comum na última década.

(mais…)

Pixels de rastreamento: Como o Facebook e outras empresas sabem quais sites você visita

Site da Old Navy desfocado com o logo do Facebook, pequeno, em primeiro plano e um feixe de luz saindo dele.

por Julia Evans

Passei algum tempo explicando a um repórter como anunciantes rastreiam as pessoas na internet. Nós nos divertimos muito olhando juntos as ferramentas de desenvolvimento do Firefox (não sou especialista em privacidade na internet, mas sei como usar a aba de rede nas ferramentas de desenvolvimento!) e aprendi algumas coisas sobre como o rastreamento de pixels funciona na prática!

(mais…)

4 dicas para ter mais privacidade no WhatsApp

Mulher em uma calçada com parte do corpo escondida mexendo em um celular.

De um simples app de mensagens via internet que substitui o SMS, o WhatsApp transformou-se, em lugares como o Brasil, na principal ferramenta de comunicação de muita gente. A popularidade trouxe de carona excessos e abusos, situações que, segundo esta reportagem da Folha, podem gerar ansiedade nos mais jovens e pressão em funcionários abordados por seus chefes fora do horário de trabalho.

Não existe fórmula mágica, mas algumas medidas podem amenizar os estragos do WhatsApp para quem o aplicativo se tornou uma fonte de problemas. Abaixo, algumas dicas para reforçar a privacidade no app e recuperar o controle no seu uso.

(mais…)

Se a vigilância é o novo normal, deveríamos ter o controle dos nossos dados

Homem com o rosto parcialmente iluminado mexendo no celular no escuro.

por Guilherme Felitti

No fim da década de 1980, o Partido Democrata dos Estados Unidos já tinha decidido quem seria seu candidato à Casa Branca para a eleição de 1988. Tudo indicava que, após oito anos de governo do republicano Ronald Reagan, era hora dos democratas voltarem à presidência. Não era só o momento que era favorável. Vencedor das primárias do partido, o senador Gary Hart personificava a figura perfeita. Se um marqueteiro lapidasse um candidato ideal, ele seria Hart, a começar pelo visual: com 51 anos, sorriso fácil e um cabelo raro para a idade, Hart era aquele jovem senhor que desfila charme por aí. Alguns democratas viam nele uma nova encarnação da mística de John Kennedy, presidente assassinado 25 anos antes.

(mais…)

VPN como fator de segurança: Para que serve e quando usá-la

Túnel rodoviário comum com um carro próximo à saída iluminada.

Estar seguro na internet, hoje, não depende mais apenas do indivíduo, mas ainda assim existem medidas que cada um de nós pode tomar para mitigar os riscos. Uma muito alardeada nos últimos anos é o uso de uma VPN, sigla em inglês para “rede privada virtual”, mas você sabe o que é e para que serve uma?

“Especialistas costumam falar: ‘use VPN para sua segurança’, e muitas vezes a gente não explica ou não entra nos detalhes técnicos que nos levaram a concluir que uma VPN é uma forma segura de você se comunicar”, reconhece Fabio Assolini, pesquisador de segurança sênior da empresa de segurança Kaspersky. Pois bem, vamos falar de VPN, então.

(mais…)

O governo deveria proteger seus dados, mas é excelente em expô-los

Presidente Jair Bolsonaro segura uma caneta BIC antes de assinar decreto de armas, em janeiro de 2019.

por Guilherme Felitti

Toda profissão depende de informação, mas algumas dependem mais do que outras. Um cirurgião, por exemplo, precisa conhecer os novos métodos e equipamentos na sua área, mas a maneira como ele vai operar se mantém mais ou menos a mesma. A informação é importante, mas não é o eixo ao redor do qual a profissão gira.

Existem profissões onde o principal capital é a informação. Jornalismo, por exemplo. Você vive para buscar, contextualizar e reportar informações. Não é a única atividade que segue a regra. Investidores também precisam consumir vorazmente informações para tomar decisões sobre o que fazer com aquela ação — vender por que a perspectiva é uma merda ou comprar mais já que o futuro tende a ser brilhante. Quer outra? Vigaristas, estelionatários e bandidos.

(mais…)

O inferno das opções de anúncios do LinkedIn exemplifica a falência da privacidade online

Logo do LinkedIn impresso e colado em uma parede de madeira.

Quando você acessa algum site que contém scripts de rastreamento e cookies de terceiros (basicamente todos eles), consente, muitas vezes tacitamente, em compartilhar seus dados com o site acessado e os vários terceiros donos dos scripts e cookies incluídos no código-fonte. Nunca reparou? Tudo bem, o objetivo é esse mesmo. O estado das coisas é tão caótico que até situações sem lógica ocorrem. Você sabia, por exemplo, que o LinkedIn coleta dados seus mesmo quando você não está logado na plataforma e até mesmo se você não tem uma conta lá?

(mais…)

Como bloquear anúncios de sites para ter mais privacidade, bateria e dados no celular, e paz de espírito

Placa de trânsito vermelha com a inscrição "Pare" contra um céu azul.

Atualização (28/9/2026): Grande revisão do artigo para atualizar as recomendações de extensões e serviços.

Frustrado ao entrar em um site de notícias e ser afogado por anúncios e pop-ups? Não aguenta mais ver anúncios daquele tênis que pesquisou uma vez há semanas e até já comprou, mas que insistem em aparecer? Preocupado com anúncios que se parecem com golpes? Acha que seu celular está gastando muita bateria, ficando lento e/ou esquentando quando acessa sites? Se você respondeu “sim” a pelo menos uma dessas perguntas, a boa notícia é que dá para mitigar muitos dos problemas com a instalação de um bloqueador de anúncios.

↓ Pule direto para as dicas e recomendações.

Boa parte da internet gratuita se sustenta com anúncios. Você baixa apps, usa serviços e acessa sites informativos sem pagar nada e, para financiar a operação, os donos desses empreendimentos exibem anúncios que geram receita a eles e viabiliza os negócios. No papel, é uma troca justa. Na prática, a relação se tornou desigual (pior para o nosso lado) há muito tempo.

(mais…)

Cuidado, sua smart TV está te observando

Silhueta de uma cabeça em frente a uma TV ligada.

Faz alguns anos que uma política de privacidade mal escrita da Samsung gerou a suspeita de que a fabricante sul-coreana estaria, por meio de microfones em suas TVs mais modernas, captando e processando conversas dos espectadores. Nunca se provou nada, mas três novos estudos descobriram que smart TVs — não só as da Samsung — estão violando a privacidade dos espectadores de forma mais silenciosa, mas não menos preocupante.

(mais…)

O bloqueio do Mega e o futuro do DNS

Ilustração do site e app do Mega em um notebook e celular.

O site de armazenamento de arquivos Mega (mega.nz) está inacessível para clientes das operadoras Claro, Vivo, Oi e Algar Telecom por força de uma tutela de urgência deferida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. (Curiosamente, a TIM não é citada.) Não é possível saber detalhes do processo, como quem pediu o bloqueio, porque ele corre em sigilo.

A decisão foi publicada no último dia 12 de setembro, mas ganhou destaque após o braço brasileiro do Partido Pirata comentá-la no Twitter na última sexta-feira (27). Desde então, clientes das operadoras afetadas têm manifestado nas redes sociais a impossibilidade de acessarem o serviço.

(mais…)

Vivo e os dados pessoais dos seus clientes, uma relação complicada

Três prints de divulgação do Vivo Ads.

Em julho, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) protocolou uma ação civil pública contra a Telefônica, que opera no Brasil com a marca Vivo, pedindo à Justiça para determine que a empresa suspenda a comercialização do produto “mídia geolocalizada” do Vivo Ads, sua plataforma de publicidade segmentada.

A Telefônica se defende dizendo que obtém o consentimento dos clientes para o uso da sua geolocalização no contrato firmado com os consumidores, mas o MPDFT afirma na ação que não há “informação clara de como esses dados serão utilizados” nem “autorização nem conhecimento por parte dos clientes dos serviços Vivo de que seus dados serão utilizados como produto para fins comerciais da empresa”. Além disso, “especificamente quanto aos dados de geolocalização, (…) [eles] permitem extrair dezenas de outros dados sensíveis quanto àquele cliente, os quais, também, poderão ser utilizados como produto”.

No processo também foi juntado vídeo em que um representante da famigerada Cambridge Analytica, empresa de análise de dados acusada de manipular o Brexit e as eleições presidentes dos Estados Unidos em 2016, explica o funcionamento do Vivo Ads e diz considerá-lo um “escândalo”.

A coleta de dados de geolocalização da Telefônica/Vivo é um pouco pior que a do Facebook, Google e Twitter, e não apenas por ser uma operadora em vez de um serviço que roda em uma camada mais elevada da internet. Por pior que sejam, Facebook, Google e Twitter pelo menos oferecem algumas opções que limitam marginalmente a coleta e o uso de dados para fins publicitários, ainda que soterradas em telas confusas nos confins dos seus aplicativos e sites. Eles tentam disfarçar em vez de esconder a prática.

O assunto voltou à tona por esta notinha publicada no Mobile Time, informando que a Vivo adotou a plataforma britânica Engage Hub para oferecer uma nova opção de saída (opt-out) do Vivo Ads aos clientes.

(mais…)