A Justiça determinou, liminarmente, que o Mercado Livre suspenda anúncios de bancos de dados pessoais e cadastrais por não haver indícios de que os titulares concordem com a comercialização dos seus dados. O pedido foi do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e a decisão, amparada pela LGPD. Via Convergência Digital.
Privacidade
Três dos cinco indicados pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para compor a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), órgão responsável por fazer valer a LGPD, são militares. Levantamento do Data Privacy indica que somente em dois outros países entre as 20 maiores economias do mundo há militares em órgãos do tipo: China e Rússia. Não são exatamente referências em respeito à privacidade dos cidadãos. Via Folha.
O Zoom começará a oferecer criptografia de ponta a ponta na semana que vem, em contas pagas e gratuitas, ainda em caráter de “prévia técnica”. Durante 30 dias, a empresa coletará impressões e relatos de bugs. As videochamadas criptografadas de ponta a ponta poderão ter até 200 participantes e não terão recursos que dependem de processamento em um servidor central, como gravação na nuvem e transcrição em tempo real.
Para saber se você está em uma videochamada do tipo, fique de olho no ícone do escudo verde: em vez de uma marca de verificado (✔️), as criptografadas exibem um cadeado. Via Zoom (em inglês).
A cabine de home office da Stefanini
A pandemia da COVID-19 levou milhões de brasileiros ao famigerado regime “home office”. Não demorou muito para que esse contingente descobrisse que, apesar das óbvias vantagens de trabalhar em casa, o modelo também tem desvantagens. Com o mercado aquecido e essas desvantagens aparecendo, a indústria começou a atacá-las. Primeiro, focou nos problemas mais imediatos, como a falta de equipamentos que resultou em picos de vendas de notebooks, webcams esgotadas e uma alta generalizada de preços. Agora, na segunda onda, estão aparecendo remédios mais sofisticados que prometem curar dores específicas de empregados e de empregadores. Em alguns casos — e sem muita surpresa —, mais as do empregador que as do empregado.
Raspberry Pi: O que aprendi e criei com um computador que cabe na palma da mão
Enquanto escrevo isto, em outro cômodo do apartamento um computador do tamanho de um cartão de crédito funciona, ininterruptamente. Sem monitor, teclado ou qualquer acessório conectado, ele fornece alguns serviços para toda a rede e a TV a seu lado. É um Raspberry Pi.
O algoritmo anti-reconhecimento facial
Peguei dois retratos meus, lado a lado, e os enviei a uma pessoa que me conhece muito bem. Perguntei: “vê diferenças nessas fotos?” Ela viu. Disse-me que a da esquerda parecia estar editada, porque minha pele estava mais bonita. É verdade que a minha aparência estava melhor na foto da esquerda, porém ela era a original, sem edição. A da direita havia sido tratada por um algoritmo de privacidade, que sutilmente descaracteriza retratos para neutralizar sistemas de reconhecimento facial — sem afetar (muito) o reconhecimento por outros seres humanos.
Como a In Loco consegue saber por onde você anda sem infringir a LGPD
Muitos brasileiros descobriram a existência da In Loco, uma startup de Recife (PE), no final de março. Especializada em geolocalização e atuante no segmento B2B, a In Loco usou os dados de localização dos mais de 60 milhões de celulares que monitora para criar o Índice de Isolamento Social (IIS), um mapa dinâmico que mostra quais estados estão mais ou menos comprometidos com o distanciamento social na luta contra a COVID-19.
O mapa é impressionante. Ele demonstra precisamente quando o Brasil passou a levar a sério a pandemia (20/3) e como o pico daquele fim de semana (69,6% no dia 22), que teve na sexta-feira discurso do presidente Jair Bolsonaro se referindo à COVID-19 como “uma gripezinha” e uma entrevista sua no Programa do Ratinho, do SBT, jamais se repetiu. O mapa também é um pouco inquietante e, não bastasse isso, a In Loco firmou acordos com pelo menos 20 estados para repassar dados anonimizados e agregados para ajudar no combate à COVID-19. Em meio a tudo isso, a pergunta que fica é: como uma empresa relativamente desconhecida acumulou tantos dados de tantos celulares no país sem chamar a atenção do grande público?
O que um app de rastreamento de contatos para combater a COVID-19 precisa ter para não comprometer nossa privacidade
Por Andrew Crocker, Kurt Opsahl e Bennett Cyphers
Em todo o mundo, um eco diverso e crescente tem exigido o uso da tecnologia de proximidade dos celulares para combater a COVID-19. Especialistas em saúde pública e outros argumentam que os celulares poderiam oferecer uma solução a uma necessidade urgente de deteção rápida e generalizada de contatos, ou seja, monitorar pessoas com quem infectados têm contato na medida em que se deslocam por aí. Os proponentes desta abordagem apontam que muitas pessoas já têm celulares, que são frequentemente usados para rastrear a movimentação e as interacções dos usuários no mundo físico.
A falta de privacidade — planejada e acidental — do Zoom
É um tanto difícil falar em vencedores durante uma pandemia, mas, se nos permitirmos esse exercício, o Zoom, empresa norte-americana que oferece um serviço de videochamadas via internet, entraria fácil nessa seleção.
O sucesso estrondoso do Zoom se funda em dois aspectos: a facilidade de uso — basta ter um link para entrar em uma conversa — e a qualidade da imagem e som, que decorre diretamente da obsessão em manter a latência abaixo de 150 ms, aquele “atraso” do áudio em relação ao vídeo, mesmo em salas lotadas — o sistema suporta até 100 participantes em uma chamada, e até 1 mil no modo webinar, em ambos com recursos avançados como compartilhamento de tela, enquetes e espelhamento em plataformas de streaming (YouTube, Facebook).
Suas newsletters favoritas têm um problema de privacidade
Entra ano, sai ano, as newsletter “retornam” como a nova-velha ferramenta de comunicação por excelência na internet1. Nessas movimentações sazonais, um detalhe importante jamais é mencionado: há uma falha de privacidade comum à maioria das newsletters. É preciso falar dela.
O e-mail, espaço onde as newsletters são recebidas e lidas, é tecnologicamente rudimentar se comparado à web e aos aplicativos de celulares. As mensagens podem ser criadas em texto puro, como os textos salvos no Bloco de notas, ou em HTML, mesma linguagem das páginas web, só que com limitações severas: elas não executam as chamadas linguagens dinâmicas, como JavaScript e PHP, que na web viabilizam páginas ricas, elementos interativos e a dose cavalar de scripts de monitoramento e vigilância que se tornaram lugar comum na última década.
Pixels de rastreamento: Como o Facebook e outras empresas sabem quais sites você visita
Passei algum tempo explicando a um repórter como anunciantes rastreiam as pessoas na internet. Nós nos divertimos muito olhando juntos as ferramentas de desenvolvimento do Firefox (não sou especialista em privacidade na internet, mas sei como usar a aba de rede nas ferramentas de desenvolvimento!) e aprendi algumas coisas sobre como o rastreamento de pixels funciona na prática!
4 dicas para ter mais privacidade no WhatsApp
De um simples app de mensagens via internet que substitui o SMS, o WhatsApp transformou-se, em lugares como o Brasil, na principal ferramenta de comunicação de muita gente. A popularidade trouxe de carona excessos e abusos, situações que, segundo esta reportagem da Folha, podem gerar ansiedade nos mais jovens e pressão em funcionários abordados por seus chefes fora do horário de trabalho.
Não existe fórmula mágica, mas algumas medidas podem amenizar os estragos do WhatsApp para quem o aplicativo se tornou uma fonte de problemas. Abaixo, algumas dicas para reforçar a privacidade no app e recuperar o controle no seu uso.
Se a vigilância é o novo normal, deveríamos ter o controle dos nossos dados
No fim da década de 1980, o Partido Democrata dos Estados Unidos já tinha decidido quem seria seu candidato à Casa Branca para a eleição de 1988. Tudo indicava que, após oito anos de governo do republicano Ronald Reagan, era hora dos democratas voltarem à presidência. Não era só o momento que era favorável. Vencedor das primárias do partido, o senador Gary Hart personificava a figura perfeita. Se um marqueteiro lapidasse um candidato ideal, ele seria Hart, a começar pelo visual: com 51 anos, sorriso fácil e um cabelo raro para a idade, Hart era aquele jovem senhor que desfila charme por aí. Alguns democratas viam nele uma nova encarnação da mística de John Kennedy, presidente assassinado 25 anos antes.
VPN como fator de segurança: Para que serve e quando usá-la
Estar seguro na internet, hoje, não depende mais apenas do indivíduo, mas ainda assim existem medidas que cada um de nós pode tomar para mitigar os riscos. Uma muito alardeada nos últimos anos é o uso de uma VPN, sigla em inglês para “rede privada virtual”, mas você sabe o que é e para que serve uma?
“Especialistas costumam falar: ‘use VPN para sua segurança’, e muitas vezes a gente não explica ou não entra nos detalhes técnicos que nos levaram a concluir que uma VPN é uma forma segura de você se comunicar”, reconhece Fabio Assolini, pesquisador de segurança sênior da empresa de segurança Kaspersky. Pois bem, vamos falar de VPN, então.
O governo deveria proteger seus dados, mas é excelente em expô-los
Toda profissão depende de informação, mas algumas dependem mais do que outras. Um cirurgião, por exemplo, precisa conhecer os novos métodos e equipamentos na sua área, mas a maneira como ele vai operar se mantém mais ou menos a mesma. A informação é importante, mas não é o eixo ao redor do qual a profissão gira.
Existem profissões onde o principal capital é a informação. Jornalismo, por exemplo. Você vive para buscar, contextualizar e reportar informações. Não é a única atividade que segue a regra. Investidores também precisam consumir vorazmente informações para tomar decisões sobre o que fazer com aquela ação — vender por que a perspectiva é uma merda ou comprar mais já que o futuro tende a ser brilhante. Quer outra? Vigaristas, estelionatários e bandidos.