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Raspberry Pi: O que aprendi e criei com um computador que cabe na palma da mão

Foto de cima do Raspberry Pi, rodeado por um cartão de crédito roxo, uma moeda de R$ 1 e uma caneta.

Enquanto escrevo isto, em outro cômodo do apartamento um computador do tamanho de um cartão de crédito funciona, ininterruptamente. Sem monitor, teclado ou qualquer acessório conectado, ele fornece alguns serviços para toda a rede e a TV a seu lado. É um Raspberry Pi.

Criado no Reino Unido em 2012 para promover o ensino da ciência da computação em escolas e países em desenvolvimento, os usos possíveis do Raspberry Pi cresceram junto com a sua fama e, hoje, vão muito além da área educacional. É um computador relativamente barato, discreto e econômico, e que pode ser útil em incontáveis cenários.

O meu, um Raspberry Pi 3 Model B, foi presente de um leitor sensibilizado com a odisseia das semanas em que meu notebook teve que ir para o conserto, em abril deste ano. Apesar do baixo poder de processamento para os padrões atuais, ele eventualmente quebraria o galho quando estivesse sem meu notebook — algo raro nos cinco anos desde que o comprei, mas, como visto, que pode acontecer. Ele veio todo equipado. Por padrão, o Raspberry Pi é só uma plaquinha exposta (veja abaixo uma foto do Raspberry Pi 4); o meu veio com um “case” muito elegante e que, além de proteger a placa contra poeira, ajuda a dissipar o calor.

Foto do Raspberry Pi 4 com setas apontando seus componentes.
Cabe muita coisa nesta plaquinha minúscula. Foto: Fundação Raspberry Pi/Divulgação.

Em vez de deixá-lo a postos para entrar em ação quando a necessidade surgisse, resolvi arregaçar as mangas, encarar o Linux e encontra utilidades para o Raspberry Pi. Afinal, é um computador que, em essência, serve para isso, para aprender. E embora eu não tenha virado um cientista da computação nem nada do tipo nesses poucos meses desde a sua chegada, fiz alguns avanços no uso de Linux à base de muita pesquisa na internet, por coisas tolas (“como tirar print?”) às avançadas (“como instalar um bloqueador de anúncios no nível da rede?”), que no final transformaram o Raspberry Pi quebra-galho em um componente importante do meu aparato digital.

Da interface gráfica à linha de comando

O Raspberry Pi do leitor veio com o RetroPie instalado, um sistema de emulação de video games antigos. Matei a saudade de alguns joguinhos antes de formatar o cartão e instalar o Raspberry Pi OS, uma distribuição Linux criada especialmente para os Raspberry Pi e que é baseada no Debian, talvez a mais estável e respeitada do mundo1.

Ilustração com uma mãozinha depositando uma moeda em uma caixa com o logo do Manual do Usuário em uma das faces, segurada por dois pares de mãos. Ao redor, moedas com um cifrão no meio flutuando. Fundo alaranjado.

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Um dos objetivos da Fundação Raspberry Pi nesse sistema é dar uma roupagem mais amigável à base do Debian, aspecto que se tornou mais relevante com a chegada do Raspberry Pi 4, em junho de 2019, o primeiro com poder de processamento suficiente para ser comercializado como solução de computação geral, ou seja, uma alternativa a computadores convencionais que rodam Windows. Não é o caso da unidade que tenho aqui, o 3 Model B, embora o Raspberry Pi OS rode nele minimamente bem. Em caso de urgência e com uma dose extra de paciência, conseguiria fazer com ele boa parte do que faço no dia a dia com meu notebook.

O meu referido aparato digital é bastante enxuto, o que significa que não tenho acessórios sobressalentes (fora aquele teclado sem fio horrível). Na falta deles, liguei o Raspberry Pi na TV e usei o teclado e mouse que costumo usar no notebook para fazer a instalação do Raspberry Pi OS e sua configuração inicial.

O processo de instalação do sistema, aliás, é extremamente simples e não fica devendo em nada no quesito facilidade aos comerciais, como Windows e macOS. Por mirar em um universo reduzido de computadores/configurações, é até mais fácil, já que tudo funciona de primeira: internet, áudio, vídeo, Bluetooth. Em pouco tempo, estava com a área de trabalho do Raspberry Pi OS sendo exibida na TV.

Foto de uma TV com a área de trabalho do Raspberry Pi OS aberta.
Não é tão difícil. Foto: Rodrigo Ghedin/Manual do Usuário.

A ideia de aproveitar os acessórios que já tinha aqui na configuração inicial do Raspberry Pi funcionou, mas a perspectiva de ficar num “leva e traz” constante não é muito convidativa. E aí, como já estava na chuva, resolvi me molhar: decidi que rodaria o Raspberry Pi OS em modo “headless”, ou seja, sem interface gráfica, acessando-o remotamente de outros dispositivos.

O Linux, que é a base do Raspberry Pi OS, é um sistema operacional de linha de comando. Existem interfaces gráficas, mas dá para fazer quase tudo somente com o teclado. Antes de mergulhar no mar de comandos em texto, desativei a abertura automática da interface gráfica ao ligar o Raspberry Pi. Como não iria usá-la, pareceu-me um desperdício de recursos deixá-la rodando para o nada.

Para controlar o computador remotamente, recorri ao SSH, um protocolo de conexão de rede criptografado. Com ele, posso usar o notebook e o celular para me conectar ao Raspberry Pi por linha de comando e, dessa forma, digitar comandos no terminal, aquela tela preta com letras brancas que todo jornal usa para fazer referência a hackers — o esquema de cores do terminal do macOS é invertido, mas você entendeu.

Print do terminal do macOS conectado ao Raspberry Pi via SSH.
Vivendo no futuro.

Fazendo um parêntese aqui, é bem legal ver um computador completo rodando e fazendo coisas úteis com apenas dois fios ligados, o da energia e o cabo de rede. (Esse último é opcional já que o modelo suporta Wi-Fi, mas como o coloquei ao lado do roteador, preferi aproveitar a estabilidade da internet cabeada.) E é isso. No dia a dia, o Raspberry Pi desempenha suas funções sem qualquer acessório ou mesmo monitor conectado.

E não é que funciona bem? Apanhei um pouco para descobrir e decorar alguns comandos, e, confesso, em boa parte do tempo sinto como se estivesse tateando no escuro, sem muita noção do que está acontecendo nos bastidores, mas a coisa funciona. Acredito que a prática e o surgimento de novos desafios tendem a amenizar essa insegurança. Hoje, por exemplo, já sei reinicializar o sistema (shutdown -r), ver o uso de recursos (top), copiar arquivos entre dispositivos, pela rede (scp), e alguns outros comandos não tão básicos e bastante úteis.

Print do app Termius, para iPhone, mostrando uma tela do terminal conectado ao Raspberry Pi via SSH.

O acesso pelo celular foi um desses desafios que exigiram novos aprendizados. Desde o iOS 13, apps de SSH não podem mais manter conexões ativas em segundo plano devido a alguma nova restrição arbitrária da Apple. Em outras palavras, quando acesso o Raspberry Pi pelo celular, se desligo a tela ou alterno para outro app, alguns segundos depois a conexão é fechada. Isso revelou-se um problema com alguns usos, como o dos emuladores (mais abaixo). A solução foi aprender a usar o tmux, um multiplexador de terminal — em bom português, um utilitário que permite abrir várias janelas do terminal e salvar sessões para recuperá-las posteriormente. Problema resolvido. No iPhone, a propósito, uso o ótimo Termius (versão gratuita) como cliente de SSH.

O que fazer?

Fazer chover com o Raspberry Pi não é possível, mas transformá-lo em uma mini-estação climática, sim. A variedade de projetos possíveis com este computador é imensa, dos mundanos como instalar um sistema operacional e usá-lo tal qual um PC convencional até ideias mirabolantes como construir robôs.

Ciente das minhas limitações, resolvi começar pela parte mundana.

Sempre tive curiosidade pelo Pi-Hole, um bloqueador de anúncios no nível da rede. Isso significa transformar o Raspberry Pi em um servidor DNS e passar todos os dispositivos — celulares, computadores, TVs — conectados ao meu Wi-Fi por um bloqueador de anúncios automático. Em vez de instalar apps e extensões em cada aparelho, o Raspberry Pi faria o papel de filtro no nível da rede, eliminando todo o lixo de anunciantes e empresas mal intencionadas um nível abaixo, o que é legal porque acaba alcançando anúncios e scripts de apps2 e dispositivos que não têm qualquer tipo de bloqueador, como a Smart TV.

A instalação, novamente, foi bem simples. Debati-me um pouco na hora de configurar o Pi-Hole como servidor DNS, papel que antes era do roteador cedido pela operadora, mas mesmo isso não foi lá um bicho de sete cabeças. Ao final do processo, todos os meus *contando* quatro dispositivos conectados à internet estavam livres da vigilância online, ou pelo menos do que o Pi-Hole consegue bloquear.

Um detalhe legal do Pi-Hole é que ele tem uma interface web acessível por qualquer navegador conectado à rede. Por ali, consigo ver quantas consultas meus dispositivos fazem à internet e quais delas são bloqueadas, com direito à listagem de domínios e filtragem por dispositivo. Sem surpresa, domínios de Google, Amazon e Samsung (marca da minha TV) dominam os primeiros lugares da lista dos mais bloqueados pelo Pi-Hole.

Print da tela de administração do Pi-Hole, com gráficos e painéis indicando o total de bloqueios feitos.
É muita coisa.

Outra parte interessante é o gráfico de atividade das últimas 24 horas. É uma radiografia do uso de dispositivos da residência. De madrugada, por exemplo, quando estou dormindo, as barras do gráfico diminuem, mas não some; os dispositivos continuam trabalhando, “ligando” para casa para manter as coisas atualizadas.

Lista de domínios permitidos e bloqueados pelo Pi-Hole.
A lista da direita são de domínios bloqueados pelo Pi-Hole. app-measurement.com é do Google; ads.mopub.com é do Twitter.

Note que o Pi-Hole permite ofuscar detalhes dos seus relatórios, o que é uma boa ideia numa residência onde more mais gente, afinal, dá para extrair informações relevantes e privadas da leitura deles.

Depois do Pi-Hole configurado e rodando, parti para outras ideias. Consegui instalar o Samba, um servidor de arquivos para a rede local. Funcionou bem, mas no fim achei mais prático usar o scp, comando nativo do Linux que copia diretórios e arquivos entre dispositivos da rede. De qualquer modo, o cartão SD em uso no Raspberry Pi tem apenas 32 GB e seu baixo poder de processamento não permite fazer muita coisa.

Também rodei o VLC por linha de comando, um aplicativo para ver vídeos3. Funciona, mas o hardware fraquinho do Raspberry Pi faz com que mesmo arquivos com resolução de 720p engasguem. Além disso, diria que é no mínimo estranho ter que abrir o terminal no celular e digitar pause para parar o vídeo e ir ao banheiro no meio de um filme. Há limites nos esforços que estou despendendo para usar Linux em linha de comando.

Lembrei-me, então, do RetroPie, o emulador de video games antigos que o ex-dono do Raspberry Pi havia instalado nele. Embora eu raramente jogue, por que não? O desafio aqui era instalá-lo como se fosse mais um app qualquer, e não na forma de uma imagem, que é a padrão e que substituiria o Raspberry Pi OS que já estava rodando com o Pi-Hole. Essa configuração padrão faz sentido se a ideia é transformar o computador em um “console de mesa”. Como eu queria só um bônus, para rodar quando eu quiser em vez de toda vez que ligar o Raspberry Pi, tive que encontrar outra saída, uma que não o deixasse rodando sempre que o computador estivesse ligado.

E, como para quase tudo de que precisei, existe também um tutorial que ensina justamente como fazer isso. Bastou copiar alguns comandos e, em poucos minutos, conseguia abrir o RetroPie escrevendo emulationstation no terminal. (É aqui que o tmux veio ao resgate; sem ele, se abro o RetroPie pelo celular e desligo a tela ou alterno a qualquer outro app, em poucos segundos o RetroPie fecha sozinho porque a conexão fechou também.)

Foto de uma TV sobre um rack, com livros espalhados e, do lado direito da TV, um roteador e o Raspberry Pi. Na tela, cena do jogo "International Super Star Soccer Deluxe", do Super Nintendo.
Matando a saudade. Foto: Rodrigo Ghedin/Manual do Usuário.

As ROMs (arquivos de jogos) são copiadas a partir do notebook, usando o já citado comando scp. Meu controle USB, um antiquíssimo da Logitech, foi reconhecido automaticamente após uma reinicialização do sistema. Testei alguns jogos e a maioria rodou bem. Os de Super Nintendo não apresentaram qualquer problema; os de Nintendo 64 são inviáveis, travam demais; e os de PlayStation são meio que loteria, uns funcionam bem, outros travam e são impossíveis de jogar. Não é preciso ir muito longe para esbarrar nas limitações de hardware do Raspberry Pi 3 Model B.

Vale a pena?

Uma mão segurando o Raspberry Pi com dois cabos saindo, contra uma parede branca.
Cabe na palma da mão, literalmente. Foto: Rodrigo Ghedin/Manual do Usuário.

No Brasil, o Raspberry Pi é encontrado em marketplaces e na loja FilipeFlop, a única autorizada pela Fundação. Os preços variam. O Raspberry Pi 4 Model B de 2 GB, modelo mais recente disponível, sai por pouco mais de R$ 400. Não é a compra por impulso de outros mercados — nos Estados Unidos, esse modelo custa US$ 35 —, mas mesmo com acessórios acaba sendo mais barato que qualquer outro computador.

Se considerarmos que o Raspberry Pi é uma plataforma de aprendizado decente e que acaba sendo útil para tarefas mais práticas, seu custo é aceitável. Lembre-se: ele roda o mesmo Linux de computadores maiores, consome pouquíssima energia e pode servir de base para muitos projetos malucos e alguns convencionais e úteis também. No meu caso, ainda que a parte de video game seja pouquíssimo usada (acho que só joguei nele umas duas vezes em meses), o Pi-Hole está lá, dia e noite, me defendendo de scripts maliciosos e anunciantes bisbilhoteiros. A manutenção é mínima, graças a comandos simples do Linux que atualizam o sistema e todos os apps de uma só vez — sudo apt-get update && dist-upgrade.

Até agora, só arranhei a superfície das possibilidades. Por exemplo, sequer expus o Raspberry Pi na internet — todas as aplicações que rodo nele estão dentro da rede local, sem acesso externo. Embora isso exija mais preparativos no lado da segurança, as possibilidades aumentam exponencialmente. Um projeto muito legal e viável é instalar o NextCloud e ter uma nuvem privada, tipo um Google Drive só seu.

Edição 20#30

  1. Até maio de 2020, o sistema operacional distribuído pela Fundação Raspberry Pi se chamava Raspbian. A chegada da versão de 64 bits marcou uma ruptura com os desenvolvedores originais do Raspbian, que mantiveram seus esforços focados apenas na de 32 bits, o que levou a Fundação a adotar uma nova nomenclatura para ambas as versões. Mais detalhes aqui.
  2. Sabe aqueles apps que exibem um anúncio maroto do Google no rodapé ou mostra aqueles anúncios em tela cheia que você precisa ver por 15 ou 30 segundos antes de prosseguir? Eles desaparecem com o Pi-Hole.
  3. O VLC tem versões (com interface gráfica) para macOS e Windows também, além de apps para Android e iOS. Se você não o conhece ou não usa, fica a indicação: é um aplicativo fantástico.

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49 comentários

  1. Recentemente adquiri a versão zero w, apenas para usar o Pi-Hole. Confesso que logo irei comprar um outro para um projeto maior. As dicas do texto e dos comentários me deram várias ideias.

  2. Excelente artigo, Rodrigo Ghedin!

    Embora ainda compartilhe dos mesmos processos sujos de manufatura industrial onde 99,9999…% que qualquer outro dispositivo eletrônico faz uso, seu impacto social e ambiental certamente é reduzido pela natureza compacta do Raspberry Pi, e a finalidade educacional desses aparelhos definitivamente cria uma balança aceitável que torna bem menos angustiante sua origem! =)

    Como infelizmente somos reféns de aparatos tecnológicos para viver nessa era moderna, é sempre um conforto alguém deixar de comprar mais um dispositivo smart ou computador por um Raspberry!

    Ah sim, eu estou experimentando erros para visualizar corretamente as notas avulsas ao longo do texto (https://imgur.com/lPiCiJf), será possível que a dependência littlefoot esteja codificada fora das especificações padrão, e abuse das implementações individuais que o Chrome (Blink) ou Firefox (Gecko) têm em seus respectivos navegadores?

    Meu navegador é o Seamonkey ;-)

    Mais uma vez, obrigado pela ótima leitura!

    1. Também sinto uma grande satisfação em ter produtos como o Raspberry Pi, Yann!

      A respeito das notas, por acaso você navega com JavaScript desabilitado? Pelo print, o CSS parece estar carregando corretamente… Ainda não tinha me deparado com esse problema. Já tentou limpar o cache?

  3. Olá Rodrigo Ghedin,
    talvez tudo isso que aflorou no Feed sobre Media Centers, Torrent Servers, Stream, Retropie, Kodi, mesmo levando-se em conta o uso pessoal, possa ser um bom gancho sobre a quase desapercebida citada pirataria, P2P, etc, não? Se é que já não há alguma coisa. Pois folheei artigos somente até a troca de editor e não foi nada exaustivo.

  4. Há 6 meses estou utilizando um Raspberry Pi 4 de 8 GB de RAM em um monitor de 21 como meu computador principal de casa e não tenho o que reclamar. Faço edição de texto, diversas abas abertas no navegador, assisto vídeos em 1440p e ele nunca engasgou comigo. O único defeito é ser bem carinho no Brasil.

      1. O de 8 GB não está disponível na loja oficial. Lá, a versão de 4 GB está custando R$ 580.

        Nos importadores, pesquisando rapidamente aqui, encontrei por R$ 800. Nesse caso, é mais comum venderem “kits”, com fonte, cartão microSD e case. Nesse caso, os preços variam de R$ 1 mil a R$ 1,2 mil.

      2. Fernando, assim como o Ghedin disse, ele não é vendido no Brasil. Comprei pela Amazon o kit completo e usei o UsCloser para receber no Brasil. Quando comprei o dólar estava bem abaixo do que está hoje, então não sei se compensa mais.

  5. Ah namoro um pi há tempos. Adorei a ideia do Pi-Hole! Pretendo trocar o PC que uso como media center, rodando o Kodi ou o OSMC. Com o transmission como cliente torrent, posso compartilhar arquivos, legais claro, e me livro do trambolho de cima da mesa. Existem alguns cases padrão VESA que você parafusa atrás do monitor/tv. Ótima pedida.

    1. Eu também ando sedento por um Pi, mas os preços andam muito caros com essas flutuações malucas do dólar. Fico de olho pra quando aparecer uma boa oportunidade. Para o Pi 4 já vi algumas interfaces pra botar um ssd nvme neles, o que com um pi4 de 8GB o transformaria num belo desktop pra quase tudo!

  6. Muito bom o teu compartilhamento de experiência!

    De alguma forma, o raspberry pi é também um estímulo para quem não é da área de tecnologia/computação ir se familiarizando com possibilidades que não as que são formatadas por grandes companhias.

  7. Ghedin, estranho esses engasgos que você teve ao ver vídeos. Eu assistia filmes e séries no meu raspberry pelo Kodi e nunca tive problemas.

    Aliás, o raspberry me trás um misto de saudade e ódio. Uma trovoada mais forte e ele pegou fogo (literalmente) e queimou as entradas Hdmi da TV e o Chromecast que estava conectado; ele estava ligado direto na tomada e não em um filtro de linha.

    Como sugestão, você podia deixar os links dos tutoriais que você seguiu aqui pro pessoal.

  8. Cara, eu tinha um RPI 1 e deixava ele na gaveta.
    Dias atras vi o Cocatech anunciando um curso de RPI e com isso comprei o RPI4 de 8gb! A plaquinha tem mais ram que meu note.
    Ainda estou sem tempo para colocar o pequeno em sua forma toda, mas o que já esta funcionando, e muito bem, é o WireGuard (Não usei este tutorial, mas aqui ensina a instalar https://www.raspberrypi.org/forums/viewtopic.php?t=277111) . Com ele você cria uma VPN e todo o trafego do seu celular ou notebook fora de casa passa pela sua casa, ou seja, aquelas redes de shopping e afins não conseguem saber o que você esta fazendo.
    No iPhone você consegue configurar o aplicativo para ser onDemand, ou seja, quando você não estiver em casa ou em outra rede confiável, ele ativar. Assim a nossa privacidade fica cada vez melhor, fora que se você quiser pode acessar as coisas da sua casa como se lá estivesse.
    Depois da uma olhada no docker, pois com ele dá para instalar mais inúmeras coisas e fazer todo o acompanhamento pelo browser.

    1. Essa ideia do WireGuard é muito boa! Darei uma olhada sim. Docker eu tenho uma vaga ideia do que é e como funciona, mas temo que esteja além das minhas capacidades, haha.

    2. está aí mais uma coisa pra fazer quando tiver um, já pensei em assinar um VPN, mas acho bem caro, ainda mais com o dólar caro

  9. Aqui em casa em vez de raspberry a gente tinha um Odroid.
    Ele é menos friendly que o Raspberry, mas tem mais opções de customização de HW. Eles tinham até uma revista com várias dicas de uso, com as experiencias que cada um fez.
    O que a gente tinha era um servidor de torrent. Tinha um programa onde os séries que a gente assistia eram cadastradas (Sick Beard), e no dia da semana certo ele procurava o torrent e baixava. Depois os arquivos eram acessados no playstation 3 pela rede e a gente assistia por lá.
    Foram uns bons 2 anos com o nosso netflix pessoal. Só paramos pq o ps4 não funciona tão bem pra isso como o ps3 e a vantagem era ver fácil na tv, com o controle remoto e td. Dava pra converter os arquivos para um formato que o videogame aceitasse, mas era um trabalho de tentativa e erro, e o processamento do odroid para converter video e lidar com vários hds conectados não tava mais dando. E pq cada atualização de SW dava mto trabalho. Mas foi bem legal de ter.

      1. Tenho um Raspberry em casa e uso servidores de Torrent a alguns anos junto com o Plex.
        Uso o conjunto Sonarr/Radarr (primeiro pra séries, segundo para filmes). A configuração é bem basica, mais o trabalho de adicionar trackers de torrent (uso rarbg pra filmes/séries e nyaa.si pra animes).

        O Plex pra Raspberry 3 fica bem ruim, pq não tem processamento pra fazer o encoding, mas o 4 promete rodar sem engasgo algum. To pensando em pegar um.

      2. Uso o meu aqui (3b tbm) como um media center. No caso ele é dedicado a essa função. O sistema operacional é o LibreELEC (um SO com “just enough” para rodar o Kodi). A versão 3b do Raspberry é capaz de rodar vídeos com resolução de até 1080p (mas nada de x265), e com o LibreELEC vc consegue rodar isso sem nenhum engasgo. Creio q o seu problema (Ghedin) de engasgo seja por causa do SO usado e do PiHole, q imagino está sempre rodando (lembre-se q essa versão só tem 1gb de RAM).
        Os programas q uso aqui para gerenciamento são o Sonarr (séries), Radarr (filmes), Jackett (para adicionar mais sites de busca para os 2 anteriores), Transmission (cliente torrent. Configurado para baixar arquivos somente durante a madrugada [horário q não estou usando o rPI para assistir]). Tbm uso o um limite de memória nesses apps, para impedir q eles consumam muita memória e congelem o sistema (usando o “MemoryMax” nos arquivos .service dos programas). E uso o cron para reiniciar ele 1 vez ao dia, automaticamente.

        Aqui um tutorial: https://medium.com/@edjalmo/media-center-com-raspberry-pi-53c596cc1f0d

  10. Muito bom relato e matéria, também tenho um PI 3 b+ e achei a experiência incrível.
    Como sugestão de uso do PI sugiro transformar em assistente digital. Consegui rodar Google Assistent e Alexa no meu, por comado de voz eu posso solicitar a previsão do tempo, as notícias do dia e até enviar vídeos pra minha TV – se estiver também conectada. Por preciosismo ainda liguei uma proto board com led e um resistor ao PI pra ver a luz piscando qdo a Alexa ou Google respondem ao meu comando.
    Usei esse tutorial como base:
    https://medium.com/@kevalpatel2106/turn-your-raspberry-pi-into-homemade-google-home-9e29ad220075

    1. Achei bem curioso e admito que tive vontade, mas me parece trabalhoso hahahha. Ja possuo dois Google Home em casa e, sinceramente, não consigo mais cogitar viver sem Home Assistant, entrou no mesmo nível viver sem Internet ou sem Eletricidade (desculpem)

      1. Acho que não há do que, ou a quem pedir desculpas. Já sentiu algum problema em usar o que lhe mais conveniente? Como dizem, tem esqueletos no armário para não se permitir? Rolam umas neuras que realmente não sei onde vão parar. : )

  11. Muito legal a matéria. Acredito que como 90% das pessoas do mundo tenho uma solução de backup “preguiçosa” baseada somente na nuvem.

    Estou pensando em pegar um rapberry para criar um servidor local de armazenamento com o Nextcloud.

  12. Ghedin, tenho duas perguntas:
    1. Você sabe dizer qual o modelo/marca da sua case (achei bem interessante)?
    2. O Pi-Hole funciona até mesmo com os anúncios do YouTube?

    1. Não, o Pi-Hole não bloqueia anúncios do YouTube. Pelo menos não na Smart TV. Até existem algumas listas alternativas que prometem isso. Ainda não testei, talvez faça isso em algum momento. (Confesso que não testei no computador e celular, embora nesses eu não veja anúncios, mas por causa do 1Blocker.)

  13. Dica: Para quem usa Android é possível acompanhar os relatórios do PiHole pelo app flutterhole (não sei se tem para iOS). Utilizo o VNC para acesso remoto a interface gráfica e para quem não quer depender da linha de comando para ações mais simples, vc pode utilizar o app RaspManager para reiniciar, acompanhar temperatura, desligar… etc.

  14. coisas para se fazer com um raspberry (pelo menos pra mim):

    pi-hole;
    retropie;
    nextcloud;
    plex/aplicativo similar (ter sua própria netflix, sem contar a questão da pirataria, claro).

      1. foi mal, mas eu fiz basicamente uma lista do que fazer pra quando comprar um, hahahah, vira e mexe eu namoro um, mas ainda não comprei

  15. Eu uso meu RP3 para streaming de música. Instalei Volumio no RP e o ligo a meu DAC via USB, e o DAC ao amplificador. Controlo tudo pelo pc ou celular via Wi-Fi.

  16. Ghedin, talvez tenha me faltado poder de interpretação de texto, mas fiquei com uma dúvida:
    As aplicações citadas (Pi-Hole, RetroPie, Samba) podem rodar ao mesmo tempo? Ou só é possível ter um deles em funcionamento por vez?

    1. Todas rodam ao mesmo tempo.
      Ele é um computador, então cada processo pode rodar ao mesmo tempo.

    2. Sim, elas podem rodar ao mesmo tempo, mas não precisam. Como o Trajano comentou, é igual a qualquer sistema comercial de uso geral, como Windows e macOS.

      Como trocar a memória é muito fácil (geralmente é um cartão microSD), alguns usuários do Raspberry Pi têm o hábito de criar imagens diferentes em vários cartões e alterná-los dependendo do uso. Alguém poderia, por exemplo, ter um cartão com o RetroPie, que aí inicia direto no emulador, como se fosse um video game, e outro com o Raspberry Pi OS para usar como um computador comum. Também dá. Mas no meu caso preferi manter tudo na mesma instalação e acionar os aplicativos sob demanda. (O único que fica rodando direto é o Pi-Hole mesmo.)

    3. Wolff,
      Elas podem rodar ao mesmo tempo, os processos rodam em paralelo assim como um PC padrão… a limitação é o memória e o processamento. Rodar o RetroPie juntamente com outros serviços pode acarretar em perca de desempenho.

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