[A multa de cancelamento oculta] é meio como se fosse heroína para a Adobe. […] Não tem jeito, em absoluto, de acabar com a taxa ou falar dela de um jeito mais óbvio sem causar um grande dano ao negócio.

— Executivo da Adobe.

A declaração consta na acusação da Federal Trade Comission (FTC) contra a empresa, divulgada na íntegra nesta quinta (25), por enganar e prejudicar os consumidores com a cobrança da tal multa — que também existe no Brasil. Via The Verge (em inglês).

Não graças ao Irineu, nessa semana a Nvidia tornou-se a empresa mais valiosa do mundo. Vender pás numa corrida do ouro, afinal, dá muito dinheiro. É sustentável? A Nvidia pulou do mercado de games para o de criptomoedas e, depois, para a IA generativa. Vai ter que vender muito chip para sustentar esse valor (+US$ 3,3 trilhões) a longo prazo. Via G1.

A Bloomberg publicou uma boa linha do tempo (sem paywall) da empresa de Santa Clara, EUA.

Não deu para BeReal e Koo, mas talvez dê para o Mastodon

Dinheiro de sobra, juros baixos, deslizes frequentes das big techs, a boa e velha concorrência. Esses e outros motivos culminaram, na primeira metade dos anos 2020, no lançamento de plataformas sociais que prometiam ser o que as incumbentes — em especial Instagram e X — não podiam ou estavam deixando de ser.

As promessas de BeReal e Koo não resistiram por muito tempo, porém.

(mais…)

Ouro de tolo

Foto em preto e branco de milhares de trabalhadores na Serra Pelada.

Se a inteligência artificial é a nova corrida do ouro, vale a velha máxima de que faz dinheiro de verdade quem vende pás e picaretas.

No caso, as pás e picaretas da IA (sem duplo sentido; acho) são os chips H100 e variações da Nvidia, empresa que vive tropeçando em mercado “revolucionários” que dependem de quantidades abismais de processamento computacional.

(mais…)

Buttondown: newsletter para pessoas como eu e você

Logo grande do Buttondown na cor branca, contra fundo azul.

A exemplo de muitos empreendedores digitais, o estadunidense Justin Duke achou que podia fazer um serviço de newsletters melhor que o TinyLetter, que ele usava para mandar notícias a amigos e familiares.

Em 2016, motivado pelas falhas constantes do TinyLetter, àquela altura já esquecido pelo Mailchimp — que adquirira o pequeno serviço anos antes —, Justin lançou o Buttondown.

(mais…)

Não dá mais para confiar no Google

Logo do Google no topo de um prédio, com parte do céu à mostra. Foto tratada com efeito dithering, em preto e branco.

Uma das sacadas geniais de Tim Berners-Lee, criador da World Wide Web e fundador do W3C, consórcio que define os padrões da web, foi “doar” sua criação à humanidade — sem patenteá-la nem cobrar royalties.

De pequenos empreendimentos excêntricos (eu!) à big tech, todos usufruímos da criação de Berners-Lee. É o ambiente digital mais democrático que já existiu.

(mais…)

Nubank: a rara ascensão de um mamute no rígido cenário bancário do Brasil

Mulher preta, com leve sorrindo, segurando um cartão do Nubank à frente do seu olho direito.

por Guilherme Felitti

Vamos começar o segundo episódio da sexta temporada do Tecnocracia explorando duas ideias sem um elo aparente entre elas.

A primeira saiu da cabeça de, facilmente, um dos dez seres humanos mais geniais da história. Em 1687, um polímata inglês de 45 anos lançou um livro chamado Princípios matemáticos da filosofia natural. O livro era composto de basicamente duas leis definidas pelo quarentão após décadas de observação e experimentação com matemática, astronomia e física. Você não apenas já ouviu falar delas, como o livro continua sendo fundamental em uma série de campos do pensamento humano: a lei do movimento e a lei da gravitação universal. Estamos falando de sir Isaac Newton.

(mais…)

O Artifact será vendido ao Yahoo. Em vez de agonizar como outras grandes aquisições do grupo (Delicious, Flickr, Tumblr…), o app de notícias será encerrado nos próximos meses e os dois co-fundadores, Kevin Systrom e Mike Krieger (ex-Instagram), servirão de consultores para a transição, leia-se: integrar a IA de recomendações personalizadas do Artifact ao Yahoo News. Como alguém disse por aí, o Yahoo comprou (por um valor não divulgado) um monte de código sem as pessoas que escreveram ele.

Reddit e a rede social de Trump: as próximas “meme stocks”?

Não é de todo estranho que empresas recém-listadas na bolsa percam valor de mercado após a euforia inicial. Os casos de Reddit (RDDT, na NYSE) e Truth Social (DJT, na Nasdaq), porém, parecem atípicos.

O Reddit passou 18 anos crescendo em cima do trabalho voluntário dos usuários e, ainda assim, incapaz de gerar receita significativa, mas jura de pés juntos que agora vai. Acredita quem quiser.

O caso do Trump Media & Technology Group, empresa que detém a rede social do ex-presidente estadunidense Donald Trump, Truth Social, e abriu capital via SPAC (estamos em 2021?), é ainda mais pitoresco. Criada em cima de uma versão defasada do código do Mastodon, apresenta números constrangedores e o controle acionário está nas mãos de Trump, que detém +57% das ações.

O papel chegou a valer US$ 13,5 bilhões na quinta (28/3), impulsionado por pequenos investidores de lugares como o r/WallStreetBets, um grupo de zoeira financeira do Reddit.

O Financial Times questiona se as duas ações são as novas “meme stocks” — uma piada de 2021 que, como toda piada repetida, já perdeu a graça. Via Financial Times [sem paywall] (em inglês).

Em 2023, a Adobe tentou comprar o Canva por ~US$ 20 bilhões. Pressões regulatórias melaram o negócio. Nesta terça (26), o Canva anunciou a compra da Serif, empresa dona da suíte de aplicativos Affinity, uma das melhores alternativas aos aplicativos clássicos da… Adobe. O valor do negócio não foi divulgado, mas um executivo do Canva disse à Bloomberg que foi na casa de “várias centenas de milhões de libras” (a Serif é baseada na Inglaterra), em uma mistura de dinheiro e ações.

O mundo não dá voltas, o mundo capota.

Uma das perguntas imediatas é se o modelo de negócio dos apps Affinity, que é de compra única, mudará sob a direção do Canva, que trabalha com assinaturas. Segundo uma seção de perguntas e respostas no site da Affinity, “não há mudanças planejadas no momento”. As palavras-chaves são “no momento”. Via Canva e Bloomberg/Yahoo (ambos em inglês).

Onyx BOOX prepara operação brasileira e enfrenta os desafios da importação 

A Onyx BOOX, fabricante chinesa de e-readers, está se preparando para entrar no mercado brasileiro. Já tem uma loja virtual operando em “soft launching”, com produtos à venda com valores a partir de R$ 1,3 mil, e, segundo o PublishNews, com estoque e peças de reposição em solo brasileiro.

É uma alternativa ao Kindle, que reina soberano no Brasil, embora não seja comparável ao modelo básico da Amazon. Os e-readers da Onyx BOOX miram o topo, com telas avançadas e tamanhos maiores, além de usarem Android. É bom termos mais opções, de qualquer forma. Via @pinguinsmoveis/Telegram.

Pavel Durov, do Telegram, concede primeira entrevista desde 2017

Pavel Durov, co-fundador e CEO do Telegram, concedeu sua primeira entrevista desde 2017. Foi ao Financial Times (sem paywall), e tem alguns detalhes interessantes.

O Telegram já conta com 900 milhões de usuários, está faturando “centenas de milhões de dólares” e se prepara para abrir capital até 2026 — o prazo decorre da dívida, de US$ 2 bilhões, que levantou nos últimos anos junto a investidores para se capitalizar.

Em uma das matérias publicadas pelo FT, especialistas questionam se o modelo de negócios do Telegram, baseado em publicidade, poderia funcionar no ecossistema de moderação frouxa do aplicativo, visto hoje como uma espécie de “nova dark web” (sem paywall).

A outra fonte de receita do app, a assinatura paga Telegram Premium, ganhou um novo reforço dias atrás com a conta Business, que converte uma conta pessoal em profissional. (Coisa que no WhatsApp é gratuita.)

O Telegram Premium tinha 4 milhões de usuários pagantes em dezembro de 2023, quando o dado foi divulgado pela última vez por Durov.

Lá se vão três anos que o Spotify prometeu músicas em alta qualidade e, até agora, nada. Deu tempo de todos os rivais se adiantarem. O Tidal abrirá uma nova frente no próximo dia 10/4, quando os formatos de alta qualidade (HiRes FLAC, Dolby Atmos e Sony 360 Reality Audio) serão liberados no plano básico, de R$ 21,90 no Brasil, que passa a ser o único individual.

Fica a pergunta se esse fator de diferenciação tem alguma relevância fora dos círculos de audiófilos. (Arrisco dizer que não.)

Como o Reddit pretende fazer dinheiro

Pouco antes de liberar a papelada que dá o ponta-pé inicia à abertura de capital, o Reddit anunciou uma parceria que permitirá ao Google explorar e treinar inteligências artificiais com o conteúdo dos debates em subreddits.

O valor do acordo não foi divulgado. Estima-se que seja de US$ 60 milhões por ano, um valor relativamente baixo.

O Reddit é um dos últimos lugares da web que ainda não sucumbiram à praga do SEO e da publicidade disfarçada de conteúdo, o que é o combustível do Google (e do seu negócio de publicidade). Além disso, é um conteúdo valioso para treinar IAs, se isso for mesmo o futuro.

Isso deve valer bem mais que US$ 60 milhões. A título comparativo, o Google paga à Mozilla mais de US$ 400 milhões por ano para ser o buscador padrão do Firefox, que tem uma fatia de mercado de um dígito — e um dígito baixo.

O que mais me intriga, porém, é observar esse acordo e o IPO à luz do fechamento da API pública, em 2023. Embora o documento S-1 do Reddit coloque a publicidade como a principal frente de geração de receita, a outra, de licenciamento de conteúdo, precisa de… conteúdo. Afugentar usuários e moderadores que confiavam em aplicativos de terceiros parece contraditório.

E nem seria o caso de manter as coisas como sempre foram. O Reddit poderia cobrar um valor razoável pelo acesso, ou incluir anúncios na API pública.

A centralização nos apps e site oficiais do Reddit provavelmente contribuiu para o aumento de 21% no faturamento em 2023, de US$ 804 milhões. O Reddit, um negócio fundado há 18 anos, ainda está queimando caixa e operando no vermelho para crescer um negócio em “seus primeiros estágios de esforços de geração de receita”, segundo o S-1.