Na ação em que a Justiça estadunidense decide qual “remédio” aplicar à Alphabet pela condenação por monopólio do mercado de buscadores, Eddy Cue, vice-presidente de serviços da Apple, disse que, em abril, o volume de pesquisas feitas via Safari encolheu pela primeira vez em na história, ou seja, em quase duas décadas.

Eddy atribui a queda à ascensão de assistentes de IA generativa que entregam resultados de busca mastigados, como Perplexity (com quem a Apple estaria conversando), ChatGPT e Claude.

As ações da Alphabet (Google) tomaram um tombo de 7,5% após a declaração do executivo da Apple, reportada pela Bloomberg. A empresa soltou uma nota contestando a informação, em que diz que “continuamos a ver o crescimento geral de consultas à Pesquisa [do Google]. Isso inclui um aumento no total de consultas provenientes de dispositivos e plataformas da Apple”.

Em quem acreditar? Não sei, mas se havia dúvidas de que uma mudança sísmica está curso, dados como esse ajudam a dissipá-las.

Eddy Cue disse também que a Apple cogita alterar o Safari para que o navegador receba assistentes de IA e que a perspectiva de perder os US$ 20 bilhões anuais, que o Google paga de “caixinha” para ser o buscador padrão do Safari, está lhe tirando o sono. Que pena.

Estou longe de ser o primeiro ou único a apontar a ironia — até porque, explícita — da OpenAI acusar a DeepSeek de infringir sua propriedade intelectual no treinamento dos seus grandes modelos de linguagem (LLMs). A OpenAI alega que os chineses usaram um método chamado “destilação”, que consiste em usar as respostas de um LLM para treinar um novo. Estão dizendo por aí que o ChatGPT é mais um mandado à fila do desemprego pela IA. / ft.com (em inglês)

Nesta sexta (17), a plataforma Read.cv anunciou que foi adquirida pela Perplexity, uma startup de inteligência artificial, e que, com isso, encerrará as atividades. / read.cv, @andy@posts.cv (ambos em inglês)

A Read.cv tinha uma rede social focada em design, a Posts. Em junho de 2024, escrevi a respeito dela. Chamei-a de “a última rede social ‘good vibes’”. Por essa lógica, acabaram-se as redes sociais “good vibes”. / manualdousuario.net

Coincidência ou mau agouro, o anúncio coincidiu com a manifestação da minha opinião de que a única maneira de blindar uma plataforma social (qualquer empreendimento, na real) de bilionários excêntricos e mega-corporações é impossibilitar a sua venda. / manualdousuario.net, youtube.com/@mdu

Nesse contexto, o Mastodon e outras aplicações baseadas no protocolo ActivityPub é a única solução viável que temos hoje.

O fato das plataformas criadas em cima do ActivityPub, como o Mastodon, não terem fins lucrativos é visto como problema para uns, virtude para outros. Eu sou do time que considera virtude.

Caso em tela: o aplicativo Mammoth, que tinha um servidor próprio (moth.social) e havia lançado não faz muito tempo um serviço de assinatura paga para o fediverso, o sub.club, anunciou que está fechando as portas. O app será removido da App Store e o servidor e o sub.club serão encerrados no final de janeiro, a menos que alguém assuma o rojão. / @mammoth@moth.social (em inglês)

Decisão do Cade equipara App Store brasileira à da União Europeia

O Cade, em decisão preliminar de um processo movido pelo Mercado Livre contra a Apple, em 2022, determinou uma série de medidas que quebram os monopólios da distribuição e das compras dentro de apps da Apple no iOS e iPadOS. / gov.br

A notícia veiculada primeiro pela agência Reuters cita apenas que a Apple está obrigada a, em até 20 dias, permitir a compra de serviços ou produtos fora de apps (ou seja, publicizar links para seus próprios sites) e a permitir o uso de opções alternativas de pagamentos dentro de apps. / reuters.com

A pena pelo não cumprimento das determinações é de multa de R$ 250 mil por dia.

A notificação do Cade lista uma medida mais profundas: a distribuição de apps por lojas alternativas e via download direto (“sideloading”) (cláusula 5, I, d), equiparando o cenário brasileiro ao europeu. / sei.cade.gov.br

O TechCrunch lembra que decisões similares já foram ou serão impostas na Europa, Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos. Em cada um desses casos, a Apple instituiu regras específicas restritas às jurisdições. / techcrunch.com (em inglês)

Quantos países mais precisarão obrigar a Apple a ajustar as regras da App Store para que a empresa as mude no mundo inteiro?

Os números do Nintendo Switch são surpreendentes: as vendas cumulativas das três variantes do video game somam 146 milhões de unidades em 7,5 anos, com 127 milhões de jogadores ativos. O Venture Beat reuniu esses e outros números divulgados pela empresa. / venturebeat.com (em inglês)

A propósito, a Nintendo confirmou que o sucessor do Switch será compatível com toda a biblioteca de jogos dele. / videogameschronicle.com (em inglês)

O lucro trimestral somado das cinco big techs estadunidenses (Alphabet, Amazon, Apple, Meta e Microsoft), que divulgaram seus relatórios nesta semana, chegou a US$ 96,7 bilhões. O faturamento no período foi de US$ 448,1 bilhões. / businesswire.com (Amazon), abc.xyz, businesswire.com (Apple), investor.fb.com, microsoft.com (todos em inglês)

Embora o grosso da receita venha de negócios tradicionais, essas empresas estão apostando alto na inteligência artificial generativa.

Levantamento da Bloomberg apontou que quatro delas (Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft) caminham para um “capex” recorde de US$ 200 bilhões em 2024, puxadas pela corrida da IA. / bloomberg.com (em inglês)

Omnivore é vendido à startup de IA ElevenLabs

O Omnivore, popular aplicativo gratuito de leitura, foi adquirido pela ElevenLabs, uma startup de inteligência artificial focada em áudio.

Em um novo e-mail, Jackson avisou que o app do Omnivore será encerrado no dia 15 de novembro e, após esse dia, todos os dados dos usuários serão excluídos. / blog.omnivore.app (em inglês)

O anúncio ainda não foi oficializado. Jackson Harper, criador do Omnivore, adiantou a notícia aos usuários do Omnivore via newsletter. (Print do e-mail.)

Na mensagem, Jackson diz que o foco agora está em expandir o ElevenReader, um app que lê em voz alta, com vozes sintéticas de IA “ultra-realistas”, mas garante que “o código do Omnivore continuará 100% aberto para todos os desenvolvedores”, e que a ElevenLabs garante que a comunidade poderá continuar criando em cima da fundação do Omnivore.

Isso significa que Jackson se afastará do projeto e que o Omnivore agora está à deriva?

O CEO do Duolingo, Luis von Ahn, quer te viciar em aprender

É sempre bom ouvir um executivo que abre números. É o caso desta entrevista com Luis von Ahn, fundador e CEO do Duolingo, a Nilay Patel no podcast Decoder.

Separei alguns destaques da conversa, começando pelos referidos números que chamaram a minha atenção:

  • Os anúncios chatos da versão gratuita do Duolingo respondem por menos de 10% do faturamento. São as assinaturas, que ~10% dos usuários ativos pagam, que sustentam o negócio com ~80% do faturamento. Para Luis, os anúncios “são um bom motivo para as pessoas assinarem”.
  • Apenas 20% dos usuários são estadunidenses. (O Duolingo é uma empresa sediada nos EUA.)
  • O inglês é o idioma mais estudado, por 45% da base de usuários, seguido pelo espanhol e o francês.

Outras curiosidades:

  • O app para iOS é priorizado. O do Android costuma estar entre 6 meses e 1 ano atrás em recursos. Luis diz que há mais desenvolvedores especializados em iOS e é mais fácil desenvolver para a plataforma da Apple, mas que dinheiro também é um fator: o faturamento “per capita” no iOS é quatro vezes maior que o do Android.
  • Apesar disso, a base de usuários Android é maior (60% contra 40% do iOS), em especial no resto do mundo (leia-se: fora dos EUA).
  • Luis pontua, porém, que a principal correlação com usuários pagantes está no país onde moram. “Uma pessoa com um emprego bom e estável em um país rico […] é quem paga pelo Duolingo.” Esse pequeno público (~10%) meio que subsidia o serviço para o resto do mundo.
  • Vencer a alta tolerância de países subdesenvolvidos a anúncios é um desafio para o Duolingo aumentar a receita além dos países ricos. Luis cita a Netflix como um exemplo nessa frente.

A conversa também passou pelo uso de IA generativa no ensino de idiomas. Luis diz que, embora as pessoas manifestem o desejo de treinar o idioma com outros seres humanos, na prática poucos querem isso por vergonha/timidez.

É aí que entram os grandes modelos de linguagem (LLMs), recurso do Duolingo Max, uma assinatura mais cara do serviço.

Os principais problemas dos LLMs, como a tendência a inventar coisas — que arruina sua aplicação em cenários onde precisão é imprescindível —, são ignoráveis na prática da conversação. Se uma personagem do Duolingo inventar alguma coisa durante uma conversa, não há prejuízo ao estudante porque o assunto é só uma desculpa para praticar o idioma.

Há outros bons momentos na conversa, como o foco quase obsessivo do Duolingo com design, a mensuração (meio furada) que atesta que a metodologia funciona e as motivações por trás da gamificação e dos apelos do mascote para que os usuários mantenham a sequência. Se o seu inglês estiver em dia, vale a audição. / theverge.com (em inglês)

Mozilla e a publicidade digital

Dois posts da Mozilla — da CEO da Mozilla Corporation, Laura Chambers, e do presidente da Fundação Mozilla, Mark Surman — fincaram a bandeira do grupo no campo da publicidade digital. / blog.mozilla.org, blog.mozilla.org (ambos em inglês)

Ambos parecem ser reações às críticas recebidas pelo grupo por uma alteração recente no Firefox, que inseriu — em caráter de testes e com alcance limitado — uma opção ativada por padrão para testar a tecnologia chamada “atribuição com preservação de privacidade” (PPA, na sigla em inglês). / blog.mozilla.org (em inglês)

A instrumentalização do Firefox para a utopia da publicidade digital em larga escala que respeita a privacidade é uma de duas partes da estratégia da Mozilla nesse setor. No caso, a do produto. A outra, de infraestrutura, baseia-se na aquisição da Anonym, formada por dois ex-executivos da Meta, em junho. / blog.mozilla.org (em inglês)

Verdade seja dita, embora esses eventos tenham dado maior proeminência à iniciativa, o flerte da Mozilla com a publicidade não é novo, como nos lembrou Mark ao resgatar um post de maio de 2021 intitulado “Construindo um ecossistema baseado em anúncios com mais respeito à privacidade”. / blog.mozilla.org (em inglês)

Laura admite que a ideia não agrada a todos:

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Talvez o boicote não seja a melhor forma de protesto

Em junho de 2023, o Reddit parecia estar prestes a implodir. Protestos motivados por uma rasteira que a empresa passou em desenvolvedores de aplicativos alternativos levaram a um “apagão” de comunidades — convertidas para “privadas” por moderadores voluntários, elas ficaram inacessíveis ao público.

Apesar da pressão, o Reddit resistiu. Sem apps de terceiros, consolidou a experiência do usuário nos canais oficiais e, em março, fez a sua esperada abertura de capital na Bolsa de Nova York.

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Sam Altman criou um blog com um texto intitulado “a era da inteligência” que, imagino, não foi revisado pelos marqueteiros da OpenAI. Não tanto por estar publicado em um domínio com o nome de Altman, mas mais porque é um texto medíocre, tão ruim e repleto de promessas grandiosas, vazias e/ou não verificáveis que acho que nem o ChatGPT seria capaz de gerar.

“É possível que tenhamos superinteligência em alguns milhares de dias (!)”, escreve Altman. “Alguns milhares de dias” significa uns bons anos em que ele poderá continuar engambelando meio mundo com uma IA que está longe de fazer qualquer coisa que promete. “Pode demorar mais, mas estou confiante de que chegaremos lá.” Opa, talvez demore um pouco mais, mas espere aí sentado que chegaremos lá. Um dia. Talvez. A gente vai se falando.

Vou te poupar de ler aquilo porque as +1 mil palavras podem ser resumidas em uma linha: “IA será revolucionária em breve, quero mais dinheiro.”

Como é possível tanta gente esperta não perceber que a maior “alucinação” expelida pela IA foi esse Sam Altman? / ia.samaltman.com (em inglês)

Em notas relacionadas:

  • OpenAI está se preparando para se livrar da parte sem fins lucrativos e assumir-se a empresa comum que é, sedenta por dinheiro e poder, e, no processo, dar a Altman um quinhão das ações. / reuters.com (em inglês)
  • Duas lideranças da OpenAI, Mira Murati (CTO) e Bob McGrew (CRO), e Barret Zoph (VP de pesquisa), anunciaram suas saídas da OpenAI. / cnbc.com, techcrunch.com (ambos em inglês)

Números enormes

Números que ajudam a colocar em perspectiva o tamanho do setor de tecnologia — em vários sentidos.

Pesquisa do Datafolha e Fórum Brasileiro de Segurança Pública constatou que os brasileiros enfrentam mais de 4.600 tentativas de golpes financeiros por hora. / folha.uol.com.br

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Levantamento da AppMagic colocou o Google One como o aplicativo mais rentável dentro das lojas de aplicativos para celulares (App Store e Play Store), com faturamento de US$ 35 milhões entre janeiro e julho. O segundo lugar também é do Google, com o YouTube (US$ 21,8 milhões). / mobiletime.com.br

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O valor da ação da Americanas desabou 57,6% no pregão desta quinta (15), batendo em R$ 0,14, após a divulgação do balanço do primeiro semestre vir recheado de más notícias. / valor.globo.com

77%

Um estudo da Upwork, plataforma estadunidense de ofertas de emprego, descobriu que 77% dos trabalhadores de empresas que adotaram soluções de inteligência artificial disseram que a tecnologia diminuiu a produtividade e aumentou a carga de trabalho. Ao mesmo tempo, 96% dos executivos entrevistados acreditam que a IA vai aumentar a produtividade. Vários dados reveladores nesse estudo. / upwork.com (em inglês)

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US$ 1,4 bilhão

A Meta concordou em pagar uma multa de US$ 1,4 bilhão ao estado do Texas, nos Estados Unidos, por coletar e usar dados biométricos de milhões de cidadãos sem autorização. / folha.uol.com.br

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US$ 25 bilhões

Entre 2017 e 2021, a Amazon amargou prejuízo de US$ 25 bilhões com sua divisão de dispositivos, como as caixas de som Echo e outros cacarecos com a assistente de voz Alexa. A reportagem do Wall Street Journal não conseguiu dados de antes e depois. / wsj.com (em inglês)

Notícias da semana

Curadoria das principais notícias de tecnologia da semana.

Segunda, 29/7

A Apple liberou a Apple Intelligence, seu conjunto de ferramentas de IA, nas versões de testes do iOS 18.1 e macOS 15.1. Deve chegar em outubro, mas só para quem usa o sistema em inglês. / 9to5mac.com (em inglês)

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Terça, 30/7

Foi disponibilizado o primeiro Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, com previsão de investimentos de R$ 23 bilhões até 2028. O texto prevê um supercomputador e um LLM brasileiro. / agenciabrasil.ebc.com.br

O Google começou a integrar o Pix em sua carteira digital, via parcerias com C6 e PicPay. A disponibilização será gradual. / mobiletime.com.br

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Quarta, 31/7

A Senacon publicou uma nota técnica com quase 100 exigências para plataformas sociais relacionadas à transparência da publicidade que veiculam. Elas têm até dezembro para se adequarem. / nucleo.jor.br

A Bending Spoons, empresa italiana que adquiriu o Evernote uns anos atrás, abriu a carteira outra vez e comprou o WeTransfer. O valor do negócio não foi divulgado. / techcrunch.com (em inglês)

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Quinta, 1º/8

A Intel vai demitir 15 mil funcionários como parte de um plano de corte de custos. / g1.globo.com

A Anthropic lançou o Claude, seu assistente de IA, no Brasil. A assinatura custa R$ 110/mês. / anthropic.com (em inglês)