OpenAI: GPT-6 é totalmente uma Inteligência Artificial Geral, caras

por David Gerard

A OpenAI anunciou a mais nova e levemente atualização de seus modelos de chatbot, o GPT-6 Astra.

Trata-se de uma tímida atualização do GPT-5. Quase chamaram de GPT-5.7, mas a Anthropic tem feito um bom marketing do seu novo modelo Fable como um “hacker de bolso”, então a OpenAI precisava fazer barulho.

Ah, e o GPT-6 Astra atingiu a inteligência artificial geral! Aparentemente.

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Preços de memórias subiram 500% no último ano — por causa da IA

por David Gerard

Empresas de IA fecharam acordos no ano passado para comprar praticamente toda a memória disponível no mundo. Nos EUA, os preços estão de 5 a 10 vezes maiores do que há apenas um ano.

A Gigabyte lançou uma nova placa-mãe para PCs que usa memórias DDR4, apenas porque as DDR5 estão impossíveis de encontrar. E com um processador de quatro anos atrás.

A Computer Base apurou que os preços na Alemanha subiram 350%. Discos rígidos e SSDs dobraram de preço.

E não é só o preço que sobe: às vezes você não encontra memória alguma. Isso prejudica mais as fabricantes de sistemas, em especial as grandes. A Apple não consegue manter o MacBook Air em estoque:

Fontes de varejistas dizem que a Apple está com dificuldades para manter o notebook em estoque, e que as remessas de novas unidades estão mais restritas do que eles conseguem se lembrar.

A Apple já tinha problemas no fornecimento do Mac Mini e do Mac Studio. Os preços dos seus celulares também devem aumentar.

As três grandes fabricantes de memória — Samsung, Micron e SK Hynix — preveem que, mesmo se a IA quebrar amanhã, a escassez continuará até 2028 ou mesmo 2030. Não se modifica uma linha de produção da noite para o dia.

A CXMT, fabricante chinesa de memória, estreou na Bolsa de Valores de Xangai fazendo barulho. A CXMT tem 9% do mercado de memória e deve chegar a 12% em 2027. A Apple pediu permissão ao governo dos EUA para usar os chips da CXMT.

A CXMT pode aliviar um pouco a pressão sobre os preços, mas não agora. Cuide bem do que você já tem.

Publicado originalmente no Pivot to AI em 19/8/2026.

A falácia do setup perfeito: por que comprar não é criar 
rizomatico.org

Gostei muito deste texto do Ricardo, sobre a falácia do setup perfeito: “a crença de que existe uma configuração de hardware e software cuja aquisição precede e garante a prática criativa.”

Lembrou-me de um conceito que ouvi na faculdade de comunicação, o consumo vicário, teorizado por Thorstein Veblen e que, acho eu, complementa o consumo conspícuo levantado ali. (Em termos simples, vicário é aspiracional; conspícuo é ostentatório.)

Pessoas que fazem muito com equipamentos supostamente limitados sempre me fascinaram. Muito mais do que o cara que entrega um trabalho bom, por vezes desalmado, usando o que há de melhor na categoria de produtos de que ele depende. Pela lógica exposta pelo Ricardo, tal preferência não é por acaso:

Tromp & Sternberg (2024) refinam: constraints [limitações] não têm efeito principal; o efeito é interativo, dependendo do tipo e do contexto. A implicação para o criador: não basta qualquer restrição — é preciso a restrição deliberada, escolhida, alinhada ao projeto. É a diferença entre ser limitado pelo hardware que se tem e escolher o limite como método.

Não tem equipamento no mundo que salve uma ideia ruim. Já um equipamento ruim pode entregar resultados maravilhosos.

Funcionários de escritório também estão gastando demais com IA

por David Gerard

A corrida pela IA funciona queimando dinheiro de capital de risco e cobrando dos usuários de chatbot bem menos do que o custo real do serviço

A ideia é que os clientes vão se viciar no valor gerado pela IA. Aí os fornecedores de IA podem sugar tudo deles. E, enquanto isso, tentam não sangrar dinheiro demais.

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IPO da SpaceX funciona como uma fraude de criptomoeda, porém com IA

por David Gerard

colaborou Amy Castor

Já vimos esse filme antes.

Antes da nossa guinada para IA, escrevemos sobre fraudes de criptomoedas. Uma oferta inicial de moedas criptográficas (ou “criptos”) começa com um white paper cheio de baboseiras impossíveis. Ninguém se importa porque toda a proposta de valor é “número que sobe”.

A cripto é lançada, o preço dispara e os insiders fazem uma puxada de tapete (“rug pull”), despejando suas participações nos otários e derrubando o preço, depois sumindo com o dinheiro. Os investidores iludidos terminam segurando a batata quente.

A SpaceX está fazendo uma fraude estilo criptos, mas no mercado de ações real. O documento S-1 é o white paper. O IPO, marcado para meados de junho, é a puxada de tapete.

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GitLab anuncia demissões por IA, ações caem 9%

por David Gerard

O repositório de código GitHub, da Microsoft, é uma dependência central para software de código aberto. Equipes de desenvolvimento corporativas também o adoram.

Mas o GitHub tem tido sérios problemas de confiabilidade ultimamente: 86% de tempo de atividade nos últimos 90 dias.

Não temos evidência direta e irrefutável de que o GitHub está morrendo por envenenamento de vibe coding, mas parece muito ser o caso. Que lástima se você trabalha para uma empresa tentando usar o GitHub para trabalho de verdade, né.

Mas o GitHub tem concorrentes. O maior deles tem sido há muito tempo o GitLab, fundado em 2011.

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Tokenmaxxing: “Quanto você gastou em tokens?”, pergunta o CEO dos tokens

Duas fotos mostrando o CEO da Nvidia, Jensen Huang, assinando o busto de uma mulher. A segunda foto mostra a assinatura.

por David Gerard

Vamos apenas admirar o jargão de IA “tokenmaxxing” — quando você programa com IA no trabalho, gaste a maior quantidade de tokens possível. Por quê? Porque é o futuro! E não apenas estúpido.

A ideia está em alta entre os entusiastas de IA há algum tempo. Mas o tokenmaxxing realmente entrou na conversa quando Jensen Huang, da Nvidia, foi ao podcast All-In em 19 de março:

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Limites de uso do Claude Code: A Anthropic aperta os clientes

por David Gerard

A Anthropic — slogan: “somos vice porque pregamos o apocalipse da IA com mais força” — tem um ótimo negócio. Todo programador ruim e aspirante a programador ruim ama o Claude Code, seu amontoado de lixo vibe-codado favorito! A receita da Anthropic está nas alturas!

Exceto pelo pequeno detalhe de que a Anthropic vende o Claude Code com um prejuízo enorme. A Anthropic gasta de US$ 8 a US$ 13,50 para cada dólar que entra.

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A empresa de calçados Allbirds, que foi vendida na semana passada por US$ 39 milhões depois que seu valor de mercado ter caído de mais de US$ 4 bilhões em 2021, diz que pretende se tornar um provedor de computação de IA; BIRD salta mais de 350%

Chamada/resumo do Techmeme para uma notícia do Financial Times.

Tudo normal na bolha de inteligência artificial.

Por que a Anthropic não usa o Claude para fazer um bom app do Claude?

O aplicativo para computadores do Claude, da Anthropic, é feito em Electron, uma tecnologia que junta um aplicativo web a uma instância do Chromium em um executável multiplataforma.

Vários apps usam essa tecnologia: Microsoft Teams, Slack, Signal, Discord, Spotify, VS Code. O Electron facilita a criação e manutenção de apps para vários sistemas usando uma linguagem comum, a mesma da versão web desses apps.

Os efeitos colaterais negativos, porém, são tão relevantes quanto. Cada app do tipo aberto consiste em um Chromium a mais rodando, o que pode saturar os recursos do computador, deixando-o lento ou travando. E, embora seja possível fazer adaptações para que o aplicativo “pareça estar em casa” em cada sistema operacional, poucos se dão a esse trabalho. Fica parecendo… um site mesmo, só que numa janela à parte da do navegador.

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Indústria da IA não aceita “não” como resposta

Há dias estou com uma frase do David Bushell na cabeça:

Mais alguém notou que a indústria de IA não aceita “não” como resposta? A IA está sendo forçada em cada canto da tecnologia. É incompreensível a eles que alguns de nós não estejam interessados.

David reclamava de ter recebido comunicados da Proton oferecendo a Lumo, sua IA generativa, mesmo tendo sinalizado expressamente que não queria receber mensagens do tipo. O pior é que a Proton, em vez de assumir o erro e desculpar-se, insistiu em justificativas absurdas para dizer que não havia erro. Só cedeu quando um executivo entrou na jogada, e só depois do post viralizar.

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Bolhas financeiras não têm data marcada para estourarem, mas sempre há sinais que precedem o evento. O mercado de inteligência artificial, sério candidato a próxima bolha, tem sido abastecido por “negócios circulares” financiados por Nvidia e OpenAI na ordem de US$ 1 trilhão, segundo a Bloomberg. O movimento lembra aquela esquete do Chaves em que ele vende todo o estoque de churros do Seu Madruga para si mesmo usando a mesma única moeda.