Com o mercado retraído e a necessidade súbita de entregar resultados positivos, o Spotify está mudando a estratégia do seu braço em podcasts. Segundo a Bloomberg, em vez de uma “HBO dos podcasts”, com programas caros e exclusivos, o Spotify vai apostar em um modelo YouTube, fornecendo infraestrutura para que o maior número de pessoas publiquem podcasts lá e ganhara com publicidade.

Nessa transição, aquisições caras, como os estúdios Parcast e Gimlet Media, foram dizimados e o que sobrou deles, recolhidos em uma nova marca, Spotify Studios. Via Bloomberg [sem paywall] (em inglês).

A Comissão Europeia (CE) abriu um processo antitruste contra o Google por abuso de poder no mercado de publicidade. O comunicado à imprensa explicita que o resultado almejado pelo bloco continental é separar os negócios de publicidade do Google, o mesmo desfecho que os Estados Unidos desejam no processo similar aberto contra a empresa em janeiro. O comunicado da CE é didático, com detalhes e até infográficos para demonstrar os abusos cometidos pelo Google. Via Comissão Europeia (em inglês).

O mundo das criptomoedas está em polvorosa. A SEC, equivalente norte-americano da nossa CVM, processou a Coinbase e a Binance, maiores corretoras de criptomoedas dos EUA e do mundo, respectivamente.

A acusação da SEC é de que ambas atuam como bolsas de valores sem terem permissão para tal. Contra a Binance pesam ainda outras suspeitas mais graves, mas a investida do órgão regulador não parece focar nelas.

Matt Levine, o popular colunista da Bloomberg, resumiu a questão da seguinte forma:

Uma boa regra geral é que todas as corretoras de criptomoedas estão cometendo crimes, e se você tiver sorte, a sua corretora está cometendo apenas crimes processuais.

Ele acredita que é o caso da Coinbase, ou seja, que essa corretora faz tudo certinho e seu único crime é o que a SEC está alegando. Já com a Binance, o buraco é mais embaixo.

A ex-segunda maior corretora de criptomoedas do mundo, a FTX, era falcatrua pura e implodiu no final de 2022 quando a sujeira veio à tona.

Robert Armstrong, do Financial Times, acha que a SEC erra ao processar as corretoras de criptomoedas equiparando-as a bolsas porque criptomoedas não devem ser equiparados a títulos públicos e ações de empresas:

Isso não se baseia em uma visão de que as criptos têm um valor especial e de não títulos que precisa ser preservado. Pelo contrário: as criptomoedas são uma insanidade perigosa — mas uma em que se pode confiar no mercado para matá-la em pouco tempo. Se isso não acontecer, as criptomoedas devem ser regulamentadas tal qual o tabagismo, os jogos de azar ou os esquemas de pirâmide. Em ambos os casos, essas coisas não devem ser dignas da regulamentação sob a lei de valores mobiliários.

Via Bloomberg [sem paywall], Financial Times [sem paywall] (ambos em inglês).

Em protesto à nova cobrança pelo acesso à API do Reddit, vários subreddits (como são chamadas as comunidades da plataforma) vão fechar por 48 horas ou mais na próxima segunda (12).

O maior subreddit do Brasil, o r/Brasil (1,4 milhão de usuários), aderiu ao protesto.

O protesto está sendo organizado no próprio Reddit, no r/Save3rdPartyApps.

Os novos preços da API do Reddit passam a valer em 1º de julho. Em uma postagem, o Reddit argumentou que as mudanças afetam aplicativos de “alto uso” ou que abusam da API. À Bloomberg, um porta-voz do Reddit disse que:

O Reddit precisa ser pago de forma justa para continuar suportando aplicativos de terceiros de alto uso. Nossos preços são baseados em níveis de uso que medimos para serem comparáveis aos nossos próprios custos.

O Reddit entrou em contato com esses desenvolvedores a fim de chegarem a um acordo. Foi numa dessas que Christian Selig, do aplicativo Apollo, revelou que o custo da API do Reddit — no caso dele, em torno de US$ 20 milhões por ano — inviabilizará o app.

Alguns subreddits estão comprometidos a sustentarem o apagão para além das 48 horas caso o Reddit não se sensibilize.

A medida do Reddit provavelmente tem a ver com o plano de abrir capital no segundo semestre. Além de fechar o cerco de apps de terceiros populares, o Reddit vai restringir conteúdo sexual nesses apps (a partir de 5 de julho) e, nesta terça (6), demitiu ~90 pessoas (5% da força de trabalho) e limitou novas contratações. Via Bloomberg, Wall Street Journal (ambos em inglês), Núcleo.

por Shūmiàn 书面

As sanções sofridas pela China estão impulsionando um jeitinho para resolver problemas. A matéria de Karen Hao e Raffaelle Huang para o The Wall Street Journal conta como as empresas chinesas estão mitigando o efeito das sanções impostas pelo governo dos EUA na exportação de semicondutores para o país.

Desde o segundo semestre de 2022, diversas companhias, como Huawei e Alibaba, não podem importar os chips de ponta produzidos nos Estados Unidos e usados principalmente para o desenvolvimento de inteligência artificial.

Hao explica que a solução tem sido treinar a IA com diferentes chips (chamada de computação heterogênea) e testar outras técnicas para obter resultados similares. Não vai ser fácil, mas o Alibaba já tem experiência nessa lógica na construção do seu sistema de nuvem, como apontou Zac Haluza.

A questão dos chips também foi discutida pela pesquisadora Megha Shrivastava em texto para o The Diplomat. Ela analisa a estratégia chinesa nessa nova circunstância de disputa com os EUA e as possíveis medidas retaliatórias — algumas já implementadas, como a recém-anunciada proibição do uso de chips da empresa estadunidense Micron por parte de operadores de infraestrutura crítica.

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A Neeva, startup fundada em 2019 por dois ex-executivos do Google, Sridhar Ramaswamy e Vivek Raghunathan, com a promessa de oferecer um buscador melhor, pago e sem publicidade, anunciou o encerramento do seu buscador pago e sem publicidade no sábado (20).

Depois de uma breve desvio (ou delírio) em criptomoedas, agora a Neeva vai focar em grandes modelos de linguagem (LLM, na sigla em inglês), o “coração” de inteligências artificiais como GPT-4, LLaMA e PaLM 2.

Estratégia estranha, essa de pular de tendência em tendência e, em todos os casos, bater de frente com algumas das maiores empresas do planeta — no caso, Google, Meta e Microsoft.

No Hacker News, Vladimir Prelovac, fundador de outra startup de buscas online sem publicidade, o Kagi, traçou a sua estratégia: aguentar o atual ciclo de empolgação com IAs (que ele prevê será de dois anos) e, quando as pessoas estiverem fartas dos chatbots repletos de publicidade e forem atrás de um buscador melhor, estar lá para antendê-las.

O relato de Vladimir tem muitos “ses”, ou seja, apresenta uma conjuntura impossível de prever a essa altura. Apesar disso, gosto da premissa (“sobreviver aos próximos dois anos e continuar inovando no que importa”) e há o argumento favorável de que pesquisas online são um produto consolidado, com bilhões de usuários, passando por um momento de turbulência, com a pressão multilateral que o Google enfrenta e a emergência dos chatbots como alternativa ao modelo clássico de pesquisa online. Via Neeva (em inglês).

por Shūmiàn 书面

A PDD Holdings, uma das gigantes de tecnologia chinesas, trocou a localização de sua sede de Shanghai para Dublin, capital da Irlanda.

A empresa, conhecida por possuir o Pinduoduo e o aplicativo de e-commerce Temu, notificou a mudança em documentos enviados a autoridades financeiras dos Estados Unidos.

Além de impulsionar sua internacionalização, a medida também pode ser vista como uma maneira de se proteger da pressão de parlamentares estadunidenses que vêm criticando supostos laços da PDD com violações de direitos humanos. Apesar dessa circunstância, vale notar também que a Irlanda é um destino de muitas empresas de tecnologia que buscam pagar menos impostos, como a Apple e a Meta.

O Pinduoduo, no entanto, deve continuar sediado na China, segundo o South China Morning Post.

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O Thunderbird abriu a contabilidade referente a 2022 e os números são muito bons:

  • Receita de US$ 6,4 milhões em 2022, sendo 99% de doações;
  • Despesas de US$ 3,5 milhões no mesmo período, sendo 79,8% com pessoal.
  • Aumento do número de funcionários de 15 para 24;
  • Anúncio de que o aplicativo para iOS deverá entrar no planejamento ainda em 2023;
  • Promessa de “novas ferramentas e serviços” focados em produtividade para criar novas fontes de receita.

Para uma iniciativa que estava em modo de sobrevivência em 2018, é uma mudança e tanto. E também um contraste enorme com a Mozilla, de onde o Thunderbird se separou, que mantém uma estrutura corporativa considerável e ainda depende do dinheiro do Google — 83% do faturamento de US$ 450 milhões em 2021 veio da big tech. Via Thunderbird (em inglês).

Os custos, serviços e resultados da auto-publicação de um livro de ficção no Brasil

por Rodrigo Pontes

Em fevereiro lancei meu primeiro livro, As neurofiandeiras de Val, uma ficção científica leve. Foi uma auto-publicação, em formato e-book apenas.

Acredito que, hoje, esse é o caminho mais viável para um escritor estreante. O convencional, de ficar batendo na porta de editoras e implorando para ser lido, é entediante, então nem cogitei essa opção.

Auto-publicar não é algo novo. O estigma de que quem se auto-publica é porque não conseguiu uma editora é ao mesmo tempo verdadeiro — na maioria dos casos — e irrelevante, porque a auto-publicação me parece um excelente primeiro passo para chamar a atenção de editoras, se esse for o seu objetivo.

Acho que ainda faltam referências e exemplos do caminho da auto-publicação, por isso resolvi escrever esse texto, para contar o meu caso, para compartilhar minha experiência de iniciante para que outros possam ver as escolhas que tomei, o dinheiro que gastei e os resultados alcançados.

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A sangria da tecnologia é consequência de um “novo normal” que nunca chegou

por Guilherme Felitti

Queremos conhecer quem ouve o Tecnocracia. Se puder, tire dois minutinhos para responder a primeira pesquisa demográfica do podcast. Ajuda bastante e não custa nada.

Em janeiro de 1953, estreou no Théâtre de Babylone, em Paris, a nova peça de um dramaturgo irlandês chamado Samuel Beckett. Na peça, dois mendigos passam dois atos conversando sobre a vida, interagindo com outros três personagens e esperando um sujeito que só conhecemos pelo nome. Dado que em janeiro de 2023 completaram-se 70 anos da estreia, não tem por que se preocupar com spoiler, não é mesmo? Então um leve spoiler para você: no fim, o tal Godot não aparece e os mendigos, Estragon e Vladimir, terminam a peça revoltados com a ausência, mas imóveis, incapazes de se movimentarem. Ambos, em outras palavras, se mantêm Esperando Godot, o que vem a ser o título da peça. Esperando Godot é um clássico do teatro moderno, reencenado centenas de vezes com diferentes abordagens e panos de fundo e dissecada atrás de significados políticos, psicológicos, filosóficos, sexuais…

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O poder que a Meta, com seus aplicativos sociais, tem no ambiente digital é algo difícil de dimensionar. As apostas de Zuckerberg, como os reels e o conteúdo recomendado por inteligência artificial, estão se pagando lindamente, segundo o balanço do primeiro trimestre divulgado nesta quarta (26). O trio de aplicativos sociais da empresa — Facebook, Instagram e WhatsApp — bateu a média de 3,02 bilhões de usuários ativos diários (DAUs). De alguma forma, o Facebook ganhou 37 milhões de novos usuários em relação ao mesmo período de 2022.

O metaverso, por outro lado, segue sem dar sinais de estar próximo de estancar a hemorragia de dinheiro. Nesses três meses, o prejuízo foi de US$ 3,99 bilhões. Ainda assim, Zuck disse que os rumores de que estaria desiludido com a tecnologia eram só isso, rumores. Via Meta, New York Times, CNBC (todos em inglês).

Substack é a maior ameaça às newsletters que já existiu

O Substack é para newsletters o que o Spotify está sendo para podcasts, o Medium foi para blogs e o que o Google Reader foi para o RSS: um player agressivo, que domina e subjuga todo um segmento com vantagens artificiais e insustentáveis, numa aposta arriscada. É uma espécie de bomba relógio corporativa que, quando explodir, destruirá incontáveis pequenos negócios baseados em newsletters.

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O Instagram oficializou a expansão do número de links nos perfis, o famoso “link na bio”. De um, passamos agora para cinco. Bom ver que as mentes geniais da Meta, com muito trabalho duro e engenharia de ponta, conseguiram superar todos os desafios e colocar cinco links numa tela de um aplicativo.

Brincadeiras à parte, ficamos agora na expectativa do estrago que esse movimento causará ao mercado dos sites de “link na bio”. O Linktree, por exemplo, que há um ano era avaliado em US$ 1,3 bilhão, será afetado? (Imagina que loucura: um site que cria listas de links que vale mais ou menos o mesmo que uma BRF hoje.) Via TechCrunch (em inglês).

A última treta do Twitter é hilária porque Elon Musk conseguiu irritar uma galera que costuma ficar do seu lado, como a firma de capital de risco Andreessen Horowitz (a16z) e o jornalista Matt Taibbi, um dos que participaram daquele patético #TwitterFiles.

Na última quarta (5), o Substack anunciou o Notes, um clone do Twitter. Mais um, bem-vindo à guerra, quem se importa… né? Musk sim, pelo visto. No dia seguinte, o Twitter passou a impedir interações com posts mencionando o Substack e quebrou todos os links para lá com uma tela medonha, dizendo que o domínio do Substack poderia conter malware. Chegou-se ao cúmulo de interferir na pesquisa do Twitter, de modo que buscas por “substack” passaram a ser convertidas para “newsletter”.

Após a repercussão negativa, com muitos jornalistas e escritores ficando do lado do Substack (incluindo o nosso amigo Matt Taibbi), Musk veio a público e fez uma série de acusações infundadas: que o Substack estava baixando dados ilegalmente do Twitter para lançar o Notes (!?) e, por isso, os links passaram a ser vetados, e que Matt Taibbi seria/teria sido funcionário do Substack. Todas foram desmentidas por Chris Best, cofundador do Substack, no… Notes.

A a16z ainda não se manifestou. A firma é a maior investidora do Substack (participou de duas rodadas que totalizaram ~US$ 80 milhões) e financiou US$ 400 milhões na vaquinha que Musk teve que fazer para fechar a compra do Twitter. Sobrou também algumas farpas entre Musk e Paul Graham, da Y Combinator, primeira investidora do Substack (e que já teve seu perfil no Twitter suspenso por Musk por ter mencionado o Mastodon).

Em meio a todas essas brigas, fica a nossa torcida pela briga. Via The Verge, @mtaibbi/Twitter, @paulg/Twitter (todos em inglês).

O Wall Street Journal publicou uma matéria meio chapa branca, mas não por isso desinteressante, contando como a Uber aperfeiçoou várias práticas em relação aos motoristas depois que executivos do alto escalão, incluindo o CEO, Dara Khosrowshahi, passaram a fazer entregas e a dar caronas a passageiros, como motoristas disfarçados.

No caminho, ele [Dara, o CEO] teve dificuldades para se cadastrar como motorista, testemunhou algo chamado de “isca da gorjeta” e foi punido pelo aplicativo por rejeitar corridas. A grosseira de alguns passageiros da Uber foi algo surpreendentemente difícil de aguentar.

A iniciativa partiu de Carrol Chang, diretora de operações de motoristas.

Esse tipo de coisa é o que se chama no meio de “dogfooding” — numa tradução literal, algo como “comer ração de cachorro”, mas que na prática significa usar o próprio produto para ter a experiência do consumidor/cliente visando melhorá-lo.

Por coincidência, logo em seguida li uma troca de e-mails fascinante, de 2003, na ótima (e sugestivamente intitulada) newsletter Internal Tech Emails.

Nela, Bill Gates, então CEO da Microsoft, gasta 5,3 mil caracteres descrevendo sua tentativa frustrada de baixar o Movie Maker para o Windows XP. Na sequência, outros executivos trocam e-mails entre si tentando estabelecer um plano de ação e definir responsabilidades para… colocar um link de download no site da Microsoft.

Não é só o salário dos executivos que parece descolado da realidade. Experimentos desse tipo — aparentemente raros — deveriam ser mais frequentes, no mínimo porque são benéficos à própria empresa: nos Estados Unidos, foco da reportagem do WSJ, a Uber ganhou mercado da sua principal concorrente (Lyft) e suas ações, derrubadas pelo contágio no setor de tecnologia, caíram muito menos que as da Lyft. Via Wall Street Journal, Internal Tech Emails (ambos em inglês).