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Google adotará padrão aberto de mensagens criptografadas de ponta a ponta

O Google vai adotar um padrão para mensagens criptografadas de ponta a ponta e interoperáveis no Google Messages e no Android. O Message Layer Security (MLS, especificação RFC 9420) foi finalizado neste mês de julho.

O Google arrisca ser visto lá na frente como um pioneiro: como não tem um app de mensagens popular, pode abraçar sem ressalvas a ideia; e com a força da União Europeia/Digital Markets Act, as chances do MLS vingar são bem maiores que as do RCS, que até hoje a Apple ignora mesmo diante de apelos públicos do Google. Via Google (em inglês).

Inteligência artificial no banco dos réus

Foto em close do site da OpenAI, destacando o logo da empresa, com um texto institucional embaixo, desfocado.

Um escritório de advocacia da Califórnia, processou a OpenAI e o Google por infringirem direitos autorais e a privacidade no treinamento dos seus chatbots, ChatGPT e Bard.

Em outra ação, a comediante e escritora Sarah Silverman e outros escritores processaram a OpenAI e a Meta pelo mesmo motivo. Aqui, a alegação é de que as empresas usaram cópias piratas de seus livros, de repositórios como Z-Library e Biblotik, para treinarem os algoritmos do ChatGPT e LLaMA.

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Google lança Bard no Brasil

Com atraso, o Google liberou o Bard, seu chatbot de IA, no Brasil e nos países da União Europeia. Esse é o “ChatGPT do Google”.

O primeiro acesso é cheio de ressalvas, incluindo um pedido em destaque para não incluir “informações que possam identificar você ou outras pessoas” na conversa, e o pedido para não usar as respostas como orientação médica, jurídica ou financeira. Fiz um teste rápido e, surpresa: o Google Bard “recomenda conferir” o Manual do Usuário. Via Google.

Dez anos do fim do Google Reader

Neste sábado (1º/7), completa-se dez anos do encerramento do Google Reader, o querido agregador de feeds RSS do Google.

Ainda hoje, não é difícil ouvir lamentações saudosas do Reader, quase como se, com ele, o Google tivesse acabado com o RSS e não houvesse serviços similares, na época e depois, capazes de suprir sua ausência.

Eu usava o Reader, lamentei seu fim, mas nunca entendi a dimensão da comoção.

O The Verge publicou uma boa matéria (em inglês) com falas dos criadores do Reader. Tem alguns dados suculentos ali, como o máximo de usuários que o serviço alcançou (30 milhões) e o desprezo que a direção da empresa manifestava pelo Reader.

O texto também me ajudou a entender melhor a saudade que ainda persiste, uma década depois. A parte social do Google Reader, parece, era muito importante. Eu seguia muitas pessoas e sempre conferia as recomendações delas. Era legal, mas não era o meu principal uso. Acho que, por isso, consegui me adaptar a alternativas que não tinham (e não têm) um componente social.

Na época, o Google ainda estava comprado no Google+, sua ambiciosa aposta para fazer frente ao Facebook. Foi um fracasso monumental. O Google Reader faleceu nessa época, de causas naturais. Quando puxaram o fio da tomada, ele já estava moribundo, em modo manutenção.

Os criadores do Reader acham, ainda hoje, que o serviço poderia ter tido um futuro brilhante com investimento e apoio da direção do Google. Talvez. Ou talvez essa parte social não estivesse mesmo no DNA da empresa e o domínio do Facebook, naquelas circunstâncias, era inevitável.

Ah, em tempo: quem assina o Manual tem direito a uma conta no Miniflux, um agregador de feeds RSS de código aberto e super elegante. Detalhes da assinatura aqui.

Google e Meta removerão links de notícias no Canadá

Primeiro a Meta e, agora, o Google, anunciaram que removerão links de publicações jornalísticas canadenses de seus produtos em resposta a uma lei recém-aprovada no país (inteiro teor) que exige que plataformas digitais paguem por links. Ainda que a demanda de fundo (garantir a sustentabilidade do jornalismo) seja legítima, o remédio é um veneno que vai matar o paciente. Ninguém deveria taxar links. É um dos elementos básicos da web. Via CBC, Google (ambos em inglês).

Muitos de vocês podem estar se perguntando como temos uma equipe no buscador que está iterando e construindo todas essas coisas novas e, de alguma forma, os usuários ainda não estão muito contentes.

— Prabhakar Raghavan, vice-presidente sênior do Google.

A CNBC obteve o áudio de uma reunião interna do Google em que a empresa debateu o impacto da crise do Reddit na satisfação dos seus usuários. Raghavan lidera o buscador do Google.

Faz algum tempo que uma galera acrescenta “reddit” aos termos da pesquisa para ir direto às comunidades do Reddit, onde pessoas reais escrevem, evitando o oceano de chorume escrito para SEO que polui o Google. Agora imagine o estrago que IAs gerativas tipo ChatGPT causarão… Via CNBC (em inglês).

O diálogo é para melhorar uma regulação, para que ela não seja aparentemente boa, mas que possa vir a ser perversa para todo mundo. Essa é a nossa ideia.

— Fabio Coelho, presidente do Google Brasil.

O comentário refere-se a iniciativas como o projeto de lei 2630/20, empacado no Congresso, em parte, por pressão de Google e Meta. O que significam “aparentemente boa” e “perversa” para o Google, porém, suspeito que Coelho não diria em público.

O executivo falou a jornalistas durante o Google for Brasil, evento anual da empresa para o mercado local, nesta terça (27). Lá, o Google anunciou um bocado de coisas, como um novo escritório para o Google Cloud em São Paulo e projetos em parceria com o governo e empresas privadas. Via Folha de S.Paulo [sem paywall], Google.

Como Google e Meta derrubaram o PL 2630/20 em 14 dias

No Estadão, Daniel Weterman e Julia Affonso relatam os bastidores da ofensiva de Google e Meta contra o PL 2630/20, o PL das fake news. Muito dinheiro (R$ 2 milhões só do Google), união com a bancada evangélica do Congresso, diretores passeando pela Câmara e fake news religiosa com ameaças de mordaça contra parlamentares, caso o projeto de lei passasse. Mais de 30 deputados mudaram de voto. O PL 2630/20, antes prioritário, acabou caindo em um limbo. Arthur Lira (PP-AL), o poderoso presidente da Câmara e favorável ao PL, culpou as big techs pelo travamento da pauta. A atuação delas, segundo Lira, “ultrapassou todos os limites do contraditório democrático”. Via Estadão [sem paywall], CartaCapital.

Comissão Europeia acusa Google de monopólio em publicidade digital

A Comissão Europeia (CE) abriu um processo antitruste contra o Google por abuso de poder no mercado de publicidade. O comunicado à imprensa explicita que o resultado almejado pelo bloco continental é separar os negócios de publicidade do Google, o mesmo desfecho que os Estados Unidos desejam no processo similar aberto contra a empresa em janeiro. O comunicado da CE é didático, com detalhes e até infográficos para demonstrar os abusos cometidos pelo Google. Via Comissão Europeia (em inglês).

YouTube pressiona Invidious por uso de APIs; Invidious responde que não usa APIs do YouTube

Bastou que Elon Musk abrisse a porteira da mesquinharia no Twitter para que outros executivos seguissem o mau exemplo.

Depois do Reddit, agora é a vez do YouTube. A plataforma de vídeos do Google enviou um e-mail ao projeto Invidious acusando-o de violar os termos de serviço da sua API.

(O Invidious é um “front-end” alternativo para o YouTube, mais leve e sem códigos de rastreamento nem anúncios. Veja este vídeo para entendê-lo.)

A mensagem padrão ignora que o Invidious não acessa APIs do YouTube. A resposta de um dos mantenedores do projeto foi bem direta:

Eles não entendem que nunca concordamos com nenhum de seus termos de uso/políticas, eles não entendem que não usamos a API deles.

E agora?

As coisas continuarão normalmente até não dar mais.

Via @iv-org/GitHub (em inglês).

Gente que usa apps tipo Calendly está perdendo compromissos por mudança no Google Calendar

Uma nova configuração padrão no Google Calendar tem causado transtornos para quem usa serviços de agendamento automatizados, como Calendly e Cal.com.

Há relatos de pessoas que perderam compromissos devido à alteração.

Recentemente, o Google Calendar passou a, por padrão, rejeitar convites de e-mails estranhos ao usuário, ou seja, com quem a pessoa não tenha interagido por e-mail previamente.

Esse recurso foi lançado em novembro de 2022, em caráter de testes e opcional. Agora, o Google está ativando a opção para todos os usuários.

(Entrei no Google Calendar e, de fato, aparece um pop-up informando a mudança.)

O objetivo do Google é conter o spam no Calendar, um problema crônico do serviço. Só que a solução encontrada afeta serviços de terceiros e chega em um momento curioso, logo após o Google lançar um produto similar ao das empresas afetadas pela mudança.

O CEO da Grain, que oferece um software que grava videochamadas, reclamou:

Esses movimentos são tão descaradamente anticompetitivos e anticonsumidor… e tudo sob o pretexto da “prevenção de spam”… que eles poderiam facilmente gerenciar para contas do Google usando software de reserva de terceiros.

Para reverter o Google Calendar ao comportamento antigo, entre nas configurações e, em Configuração de eventos, troque a opção Apenas se o remetente for conhecido para De todos. Via The Register, Cal.com (ambos em inglês).

Mitigar o risco de extinção causado pela IA deve ser uma prioridade global ao lado de outros riscos em escala social, como pandemias e guerra nuclear.

+350 executivos, pesquisadores e engenheiros envolvidos com inteligência artificial.

A carta aberta acima (inteiro teor) foi publicada pelo Centro de Segurança da IA. A brevidade é intencional, tem por objetivo reunir no mesmo coro vozes preocupadas que talvez discordem em detalhes, mas encaram a emergência da IA como uma ameaça.

Há nomes de peso ali, como os de Sam Altman (CEO da OpenAI), Demis Hassabis (CEO do Google DeepMind) e Geoffrey Hinton e Yoshua Bengio, pioneiros em redes neurais e tidos como “pais” da IA moderna. Via New York Times (em inglês).

Loja de apps do Google tinha gravador que vazava áudios dos usuários e jogo de escravidão

Não foi uma boa semana para a Play Store, loja de aplicativos para Android do Google.

Na terça (23), o pesquisador Lukas Stefanko, da ESET, revelou que um aplicativo a princípio legítimo, chamado iRecorder Screen Recorder, foi atualizado no segundo semestre de 2022 e passou a gravar e enviar áudios a servidores externos, sem o conhecimento do usuário, a cada 15 minutos.

O iRecorder Screen Recorder tinha mais de 50 mil downloads. O Google removeu o aplicativo da loja.

Caso mais grave ganhou destaque no Brasil. Um jogo chamado Simulador de Escravidão estava sendo distribuído na Play Store. O título descreve bem o conteúdo do jogo, que, após a repercussão, também foi removido pelo Google.

O mais bizarro (e triste) nesse caso é que Simulador de Escravidão tinha nota 4,0 (de 5,0 possível), resultado de 66 avaliações na Play Store. Via ESET (em inglês) e O Globo.

As estratégias distintas das startups de buscas online de olho no bolo do Google

A Neeva, startup fundada em 2019 por dois ex-executivos do Google, Sridhar Ramaswamy e Vivek Raghunathan, com a promessa de oferecer um buscador melhor, pago e sem publicidade, anunciou o encerramento do seu buscador pago e sem publicidade no sábado (20).

Depois de uma breve desvio (ou delírio) em criptomoedas, agora a Neeva vai focar em grandes modelos de linguagem (LLM, na sigla em inglês), o “coração” de inteligências artificiais como GPT-4, LLaMA e PaLM 2.

Estratégia estranha, essa de pular de tendência em tendência e, em todos os casos, bater de frente com algumas das maiores empresas do planeta — no caso, Google, Meta e Microsoft.

No Hacker News, Vladimir Prelovac, fundador de outra startup de buscas online sem publicidade, o Kagi, traçou a sua estratégia: aguentar o atual ciclo de empolgação com IAs (que ele prevê será de dois anos) e, quando as pessoas estiverem fartas dos chatbots repletos de publicidade e forem atrás de um buscador melhor, estar lá para antendê-las.

O relato de Vladimir tem muitos “ses”, ou seja, apresenta uma conjuntura impossível de prever a essa altura. Apesar disso, gosto da premissa (“sobreviver aos próximos dois anos e continuar inovando no que importa”) e há o argumento favorável de que pesquisas online são um produto consolidado, com bilhões de usuários, passando por um momento de turbulência, com a pressão multilateral que o Google enfrenta e a emergência dos chatbots como alternativa ao modelo clássico de pesquisa online. Via Neeva (em inglês).

Google excluirá contas inativas há mais de dois anos

O Google atualizou sua política de contas inativas. A partir de dezembro de 2023, contas inativas há mais de dois anos serão apagadas. Há diversas exceções, como as que tenham assinaturas pagas ativas ou vídeos no YouTube. Antes da exclusão, o usuário receberá alguns alertas. O Google justifica a medida do ponto de vista da segurança, dizendo que contas inativas são mais suscetíveis a invasões. Parece-me uma boa iniciativa. Via Google (em inglês).