O Google voltou atrás e removeu o teto de 5 milhões de arquivos do Google Drive. Mais importante, disse que mudanças futuras do tipo serão comunicadas com antecedência. Bom ver o Google fazendo o mínimo. Via @googledrive/Twitter (em inglês).

Desde fevereiro deste ano, o Google impõe um limite ao Drive de 5 milhões de arquivos. Ele vale para contas gratuitas e pagas, pessoais e corporativas. O novo teto foi implementado na surdina, sem qualquer aviso, e pegou alguns usuários de surpresa, que se viram impedidos de subirem novos arquivos à nuvem do Google por já estarem além do novo teto.

Ao Ars Technica, um porta-voz do Google disse que o número de usuários afetados é mínimo, como se isso não fosse um problema. Via Google, Ars Technica (ambos em inglês).

(Comentei essa notícia, de passagem, na newsletter de sábado, mas achei que valia um alerta mais amplo. )

O Google anunciou que, nos próximos meses, passará a dar alertas de ondas de calor extremo em seu buscador.

Pesquisas pelo termo também retornarão dicas para se refrescarem e informações gerais a respeito do impacto na saúde das ondas de calor extremo.

A empresa cita uma pesquisa que constatou que 500 mil pessoas morrem por ano em decorrência dessas ondas de calor e o fato de que julho de 2022 registrou o recorde de interesse pelo assunto na internet. (Julho é verão no hemisfério Norte.)

Sinal (do fim?) dos tempos. Via Google (em inglês).

A “classe média” dos desenvolvedores de aplicativos

Em 2022, baixamos pouco mais de 140 bilhões de aplicativos em nossos celulares1. Em termos financeiros, gastamos US$ 129 bilhões tocando em botões virtuais na tela de aparelhos que cabem no bolso.

Nem o mais otimista executivo da Apple poderia imaginar em 2008, no lançamento da App Store do iOS, que esse negócio de aplicativo em celular poderia ser tão rentável. E tão útil. De atividades triviais dos primórdios daquela época, como ler o e-mail e abrir sites, passamos a fazer meio que tudo no celular, de pagar por coisas e investir até “invocar” carros e comida.

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O Google abriu o Bard, seu rival do ChatGPT, em caráter experimental. Por ora, apenas em inglês, com fila de espera e limitado a residentes dos Estados Unidos e Reino Unido.

Devem existir motivos para essa restrição geográfica, provavelmente de cunho jurídico, mas é frustrante para o resto do mundo. Mais ainda porque, hoje, ChatGPT e Bing Chat estão disponíveis para qualquer um, em qualquer lugar do mundo, falando português do Brasil, até mesmo “mineirês” (eu vi, haha).

No comunicado oficial, executivos do Google dizem que o Bard “será expandido a mais países e idiomas” sem especificar prazos. Esperarmos sentados.

Em nota mais ou menos relacionada, a Microsoft embutiu o DALL-E, gerador de imagens da OpenAI, no Bing Chat. Via Google, Microsoft (ambos em inglês).

Quando falamos de atualizações de segurança para sistemas operacionais modernos, em geral falamos de correções preventivas ou para falhas ainda não exploradas.

O pacote de março do Android do Google, porém, foge à regra.

A mais grave (CVE-2023-21036) é uma que atinge os celulares Pixel e permite recuperar as imagens originais de prints (“screenshots”, imagens da tela) alterados pela ferramenta nativa de edição do Android (“Markup”).

Ela afeta todos os Pixel 3 em diante, o que significa que todos os prints com informações sensíveis ocultadas pela ferramenta nativa do sistema nos últimos cinco anos estão vulneráveis.

Na prática, o Android dos celulares Pixel estava compartilhando a imagem original, editada, mas contendo o histórico de edição. Esse histórico pode ser recuperado, e é aí que mora o perigo.

Por mais que a falha tenha sido corrigida, as imagens que estão por aí não se beneficiam dessa correção.

O site acropalypse é uma prova de conceito que demonstra como a falha age. (Esta imagem do criador da ferramenta, Simon Aarons, é uma boa explicação.)

No mesmo pacote, o Google revelou uma falha (CVE-2023-24033) em modems Exynos, da Samsung, que (teoricamente) permite que atacantes tomem o controle do celular fazendo uma ligação telefônica especial.

Ainda não se sabe se essa falha pode ser explorada no mundo real. Na dúvida, a recomendação é para desativar os recursos de ligação via Wi-Fi e 4G (VoLTE) até que as correções sejam liberadas.

Problema: aparentemente, alguns celulares em certas operadoras impedem a desativação do recurso, como demonstrou este usuário do Reddit.

Via Pixel Envy, @ItsSimonTime/Twitter, ArsTechnica (todos em inglês).

Coincidência ou não, 14 de março de 2023 foi um dia marcante para o agitado setor de inteligência artificial.

A OpenAI lançou o GPT-4, nova versão da sua IA gerativa, base do ChatGPT. Alguns produtos comerciais, como Duolingo e o Bing, da Microsoft, já fazem uso da nova versão da IA. (Para usá-la no ChatGPT, por ora, só pagando.)

Em testes divulgados pela OpenAI, o GPT-4 mostrou-se ainda mais articulado e parecido com seres humanos, passando com sucesso por testes de cognição. O grande diferencial da nova versão, ainda indisponível ao público, é a capacidade de interpretar imagens. Vários exemplos no site oficial.

Do outro lado do front, o Google anunciou uma API e ferramentas para desenvolvedores “plugarem” seus sistemas aos grandes modelos de linguagem da empresa, e uma espécie de ChatGPT integrado ao Google Docs e ao Gmail.

Sobrou até espaço para a Anthropic, empresa especializada em IAs gerativas que recebeu um investimento pesado do Google em janeiro (~US$ 300 milhões), lançar o Claude, um chatbot que, promete a startup, “alucina“ menos que os rivais. Via OpenAI, Google, Anthropic (todos em inglês).

As três ameaças ao Google

A história do Google é daquelas raras em que uma boa ideia é executada de maneira brilhante na hora certa. O buscador web do Google, lançado ao público em 1997, desencadeou uma revolução.

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O JWST tirou as primeiras fotos de um planeta fora do nosso sistema solar.

— Bard, a inteligência artificial gerativa do Google.

O equívoco acima do Bard, o concorrente do Google para o ChatGPT, da OpenAI, apareceu no vídeo do anúncio do Bard, assinado por Sundar Pichai, nesta segunda (6).

A primeira foto de um exoplaneta foi feita em 2004 pelo VLT do Observatório Europeu do Sul, em Cerro Paranal, no Chile. Descobri isso clicando no primeiro link de uma pesquisa no DuckDuckGo. Via @IsabelNAngelo/Twitter (em inglês).

Seguindo a linha de que “onde há fumaça, há fogo”, Google e Mozilla estão testando versões dos seus navegadores (Chrome e Firefox) para iOS com motores de renderização próprios (Blink e Gecko).

Hoje, a Apple proíbe outros motores de renderização nos aplicativos do iOS — todos usam o dela, WebKit. Os testes podem ser um sinal de que, em breve, a Apple relaxará essa restrição, talvez já no iOS 17.

É uma situação complexa. Em outras plataformas, o Chrome domina o segmento de navegadores web. Bem ou mal, a obrigatoriedade do WebKit, embora limite a escolha dos usuários e seja uma postura nociva no geral, na prática serve como resistência contra o domínio total do Blink/Google. Via The Register (em inglês).

A resposta do Google ao ChatGPT veio mais rápido do que eu esperava. Nesta segunda (6), o CEO do Google, Sundar Pichai, anunciou uma versão de testes e acesso limitado do Bard, uma espécie de ChatGPT integrado ao buscador.

É exatamente o que alguém esperaria como resposta do Google, o que é meio decepcionante. Zero criatividade, apenas uma resposta apressada a uma ameaça incipiente, mas promissora, de uma rival muito menor, mais ágil e com nada a perder.

Em certo sentido, lembra a insanidade da Meta em enfiar conteúdo de gente que não seguimos nos feeds do Facebook e do Instagram.

Há diferenças, porém. A “inspiração” da Meta, o TikTok, é um negócio real, enorme e que já gera alguns bilhões em publicidade — uma grana que, dois ou três anos atrás, iria para a Meta.

Outra grande diferença é que o Google não está exatamente “correndo atrás” da OpenAI. Desde 2016 o Google se define como uma empresa “AI first”, ou seja, que prioriza inteligência artificial, e já havia demonstrado algo similar ao ChatGPT, o LaMDA, em maio de 2021. (O LaMDA é a base do Bard.)

O Google só não tinha colocado no mercado algo como o ChatGPT por receio do “risco à reputação” decorrente dos erros factuais que IAs gerativas do tipo cometem.

Agora que a OpenAI abriu a porteira, a concorrência será feroz. Além do Google, nesta terça (7) a Microsoft anunciou a versão de testes do Bing com a próxima geração da IA da OpenAI (“mais poderosa que o chatbot ChatGPT e desenhada para buscas”) e o Quora, o Poe, um chatbot em forma de aplicativo (iOS) que usa várias IAs gerativas para tirar dúvidas do usuário.

Existe outra discussão subjacente que é o papel que o Google tem na web aberta e a ameaça que essa mudança de foco representa para nós, aqui fora. Deixo esse papo para outra hora. Via Google (em inglês).

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ, na sigla em inglês) e oito estados norte-americanos processaram o Google nesta terça (24). A acusação? Monopólio do mercado de publicidade digital.

A ação pede para que o Google seja obrigado a se desfazer das suas áreas de publicidade, frutos de aquisições que, hoje, posicionam o Google em todas os estágios da compra e venda de anúncios digitais.

Os procuradores afirmam que o Google embolsa 30% de cada dólar gasto com anúncios digitais, o que prejudica anunciantes e consumidores.

Ações desse tipo costumam levar anos até a sentença. Esta é encarada com seriedade, pelo escopo e pelo embasamento, tido como sólido. O Google já respondeu, obviamente negando as acusações. Via CNN, Platformer, Google (todos em inglês)._

Às vezes acho que a minha preocupação com as inteligências artificiais (IA) gerativas, como o ChatGPT, são exageradas.

Aí leio que os co-fundadores do Google, Sergey Brin e Larry Page, voltaram aos escritórios da empresa após três anos longe do dia a dia da empresa para ajudarem na estratégia de resposta à tecnologia da OpenAI, e… talvez não seja o caso?

Se o Google está preocupado — o Google, com recursos quase ilimitados e dono do DeepMind desde 2015, talvez o vice-líder na corrida da IA —, imagine o resto de nós?

Em tempo: a coluna da Jacque e este artigo da The Atlantic (em inglês) ajudaram a ver o lado bom dessa revolução que se avizinha. Ainda acho que haverá um estrago grande, porque os dividendos de novas tecnologia, em vez de promoverem o bem-estar coletivo, só aumentam o fosso social, mas… né, um pouco de otimismo sempre cai bem. Via New York Times (em inglês).

  • Meta: 11 mil demissões (~13% dos funcionários).
  • Microsoft: 10 mil demissões (~5%).
  • Amazon: 18 mil demissões (~6%).
  • Google: 12 mil demissões (~6%).

O Google juntou-se às big techs que demitiram em massa nesta sexta (20). Já são mais de 50 mil empregos eliminados, em três meses, em quatro das empresas mais poderosas do mundo.

Ainda falta a Apple.

Não acho que [a API de tópicos] seja a respeito dos cookies de terceiros — é sobre vigilância na web e rastreamento. Se removermos os cookies de terceiros e substitui-los com algo que tem os mesmos problemas, então não é ok.

— Amy Guy, do Grupo de Arquitetura Técnica do W3C.

A API de tópicos é a última aposta do Google para substituir os cookies de terceiros no Chrome como aparato de vigilância para o seu negócio de publicidade segmentada. O W3C, em reunião realizada em 10 de janeiro, analisou e rejeitou a proposta. O Google se pronunciou; disse que seguirá em frente mesmo com o revés.

Quando uma empresa de publicidade desenvolve um navegador web, não surpreende que a prioridade seja usá-lo para devassar a privacidade dos usuários. Felizmente o W3C e outros navegadores (WebKit/Safari, Firefox) estão combatendo com afinco essa aberração. Via Insider (em inglês).