O PC do Manual, nosso espaço para aplicações web, ganhou mais uma: Libreddit, um front-end alternativo para o Reddit. Com ele, é possível navegar de maneira privada pelas comunidades e conversas do Reddit. Mais detalhes aqui. O PC do Manual é mantido por Jonatas “jojo” Baldin.
FOSS
O pacto anti-Meta
Não é mais segredo que a Meta prepara uma nova rede social para aproveitar o vácuo que Elon Musk criou após destruir, digo, assumir o Twitter.
O Projeto 92 — provável nome comercial Threads — já teve imagens vazadas e, ouviu-se da boca de um executivo da Meta, será compatível com o ActivityPub, o protocolo por trás do Mastodon e de outras aplicações do fediverso.
No último fim de semana, um burburinho insinuava que administradores de grandes servidores do Mastodon teriam se encontrado, em segredo, com representantes da Meta.
A suposta notícia virou uma bola de neve com centenas de administradores assinando um “pacto anti-Meta”: desde já, eles se comprometem a bloquear a nova rede social da Meta assim que ela for lançada.
Entendo essa postura. Se tem uma empresa nessa área que não é confiável, é a Meta. Há todos os motivos do mundo para desconfiar das suas intenções. Imaginar que Mark Zuckerberg ameace a existência do fediverso não é um delírio; é uma avaliação sensata de um risco real.
Só a escala com que a Meta é capaz de lidar, e que provavelmente terá no primeiro dia da sua nova rede (ela será derivada do Instagram, com +2 bilhões de usuários), já coloca em xeque a sobrevivência da maioria dos servidores no fediverso. Uma conexão abrupta com um par gigantesco pode sobrecarregar sistemas e nocauteá-los.
Lembremo-nos da migração em ondas do Twitter para o Mastodon, que, em uma escala muito menor, fez muito servidor suar para continuar de pé.
Por outro lado — e corro o risco de estar sendo ingênuo —, pesa o genuíno interesse em estabelecer contato com gente que apenas não se importa tanto a ponto de buscar alternativas às redes sociais comerciais e saber ou aprender o que é “Mastodon”, “ActivityPub” e “fediverso”.
Essa galera é maioria e continua no Instagram, no Facebook, no Twitter. A perspectiva de ficar onde estou e poder interagir, daqui, com mais gente, é empolgante.
Até onde sei, duas instâncias brasileiras, bantu.social e nuvem.lgbt, assinaram o pacto anti-Meta. O meu humilde servidor monousuário, não. Seguirei atento.
A versão estável do Debian 12 “bookworm” foi lançada neste sábado (10). Fruto de quase dois anos de trabalho, a distribuição Linux chega com várias atualizações, pacotes não-livres nas imagens oficiais e a promessa de cinco anos de suporte. Via Debian (em inglês).
Bastou que Elon Musk abrisse a porteira da mesquinharia no Twitter para que outros executivos seguissem o mau exemplo.
Depois do Reddit, agora é a vez do YouTube. A plataforma de vídeos do Google enviou um e-mail ao projeto Invidious acusando-o de violar os termos de serviço da sua API.
(O Invidious é um “front-end” alternativo para o YouTube, mais leve e sem códigos de rastreamento nem anúncios. Veja este vídeo para entendê-lo.)
A mensagem padrão ignora que o Invidious não acessa APIs do YouTube. A resposta de um dos mantenedores do projeto foi bem direta:
Eles não entendem que nunca concordamos com nenhum de seus termos de uso/políticas, eles não entendem que não usamos a API deles.
E agora?
As coisas continuarão normalmente até não dar mais.
Via @iv-org/GitHub (em inglês).
Falando em Bluesky, criaram uma ponte para permitir o uso de aplicativos feitos para Mastodon na outra rede social descentralizada. (Dá até para usar o Ivory, que acabou de ser lançado no macOS.) O projeto, chamado Sky Bridge, tem o código-fonte aberto. Use por sua conta e risco e, se for usar mesmo, crie uma senha de aplicativo no Bluesky em vez de usar a senha principal.

O Thunderbird ganhou um novo logo para refletir o momento do projeto, renascido das cinzas e muito bem, obrigado. Para o trabalho, chamaram Jon Hicks, criador do logo original do Thunderbird. Aqui dá para ver as variações de acordo em diferentes sistemas operacionais. Achei bonitão! Via Thunderbird (em inglês).
O Thunderbird abriu a contabilidade referente a 2022 e os números são muito bons:
- Receita de US$ 6,4 milhões em 2022, sendo 99% de doações;
- Despesas de US$ 3,5 milhões no mesmo período, sendo 79,8% com pessoal.
- Aumento do número de funcionários de 15 para 24;
- Anúncio de que o aplicativo para iOS deverá entrar no planejamento ainda em 2023;
- Promessa de “novas ferramentas e serviços” focados em produtividade para criar novas fontes de receita.
Para uma iniciativa que estava em modo de sobrevivência em 2018, é uma mudança e tanto. E também um contraste enorme com a Mozilla, de onde o Thunderbird se separou, que mantém uma estrutura corporativa considerável e ainda depende do dinheiro do Google — 83% do faturamento de US$ 450 milhões em 2021 veio da big tech. Via Thunderbird (em inglês).
A versão final do Fedora 38 foi disponibilizada nesta terça (18). Baixe-a no (novo) site do projeto.
O Fedora 38 traz como carro-chefe o Gnome 44 e o kernel Linux 6.2, e está disponível em dois novos “spins” (como são chamadas as variações com ambientes gráficos distintos): uma baseada no Budgie Desktop, outra no Sway. Ah, e pela primeira vez há uma imagem com o Phosh, a interface para dispositivos móveis baseada no Gnome. Via Fedora Magazine (em inglês).
O Gnome 44 “Kuala Lampur” foi lançado nesta quarta (22).
A nova versão de um dos principais ambientes gráficos para Linux traz diversas melhorias — nada muito drástico, todas bem-vindas.
Alguns destaques são recursos que, estranhamente, o Gnome não oferecia até então ou já teve e removeu, como a visualização por miniaturas no “file picker” e expansão do conteúdo de diretórios na visualização em lista, no Arquivos/Nautilus.
Para ver as mudanças, dê uma olhada no vídeo de divulgação e na página da versão no site do Gnome.
Fedora 38 e Ubuntu 23.04, ambos previstos para abril, deverão já trazer o Gnome 44. Via Fundação Gnome (em inglês).
O WebKit, motor de renderização do Safari, tem o código aberto, mas o único navegador relevante usando ele é o da Apple. O Gnome Web está prestes a se tornar o segundo.
O navegador oficial do Gnome (antes conhecido como Epiphany) já usa o WebKit, mas até agora sofria de problemas graves de lentidão em ações triviais, como ao rolar páginas pesadas ou exibir vídeo.
Um vídeo publicado no subreddit do Gnome indica que esses problemas serão superados no vindouro Gnome Web 44. Um dos desenvolvedores resumiu as novidades da versão:
“O Gnome Web 44 entregará o maior salto em desempenho na rolagem [da tela] da história recente, junto a execução de vídeo eficiente, uma nova interface moderna e melhorias gerais.”
O Gnome 44 está previsto para 22 de março. Via r/gnome (em inglês).
Uma das maiores estranhezas de quem se aventurava no Linux até alguns anos atrás era o conceito de repositórios e, num nível mais amplo, “onde/como baixar aplicativos”.
Alguns esforços paralelos têm tentado resolver essa situação. Como? Com gerenciadores de “pacotes” modernos, que tratam os aplicativos de maneira independente, em vez de dependentes de códigos do sistema. Coisas como Flatpak, Snap e AppImages.
Vendo de fora, parece que o Flathub, principal repositório baseado em pacotes Flatpak, se descolou do grupo e caminha para tornar-se a loja de aplicativos de fato do universo Linux.
Em um post publicado nesta terça (7), Rob McQueen, CEO da distro Endless e presidente do conselho do Gnome, delineou os próximos passos do Flathub em 2023 (resumo do OMG! Ubuntu!):
- Adicionar uploads diretos, aplicativos verificados e suporte a pagamentos no site do Flathub.
- Estabelecer uma entidade legal independente para controlar e operar o Flathub.
- Levantar US$ 250 mil em financiamento/patrocínios.
- Estabelecer a governança para supervisionar o projeto.
- Iniciar grupos de foco no Flathub para receber feedback dos desenvolvedores.
Parecem-me todas boas iniciativas, ainda que algumas possam ser controversas no meio, como o suporte a pagamentos.
O Flathub já tem 2 mil aplicativos em seu catálogo e a média de downloads diários supera os 700 mil.
Via Robotic Tendencies, OMG! Ubuntu! (ambos em inglês).
Criado quando Jack Dorsey era CEO do Twitter, o Bluesky é uma espécie de rede social reimaginada como um protocolo aberto, chamado AT Protocol.
Um aplicativo para iOS foi liberado esta semana, dando ao público o primeiro gostinho do que os desenvolvedores — que em algum momento do passado se emanciparam do Twitter — estão preparando.
Por ora, o acesso ao Bluesky se dá por convites limitados. Tive acesso a um e te conta como é esse céu azul alternativo ao Twitter.
O Gnome Circle chegou a 50 aplicativos dia desses.
Na última semana, três novos aplicativos foram admitidos no programa: Chess Clock, um relógio de xadrez; Komikku, um leitor de mangás; e Eyedropper, seletor e gerador de paletas de cores.
A iniciativa do projeto Gnome destaca “aplicativos e bibliotecas que estendem o ecossistema Gnome”. É uma vitrine para software de alta qualidade feito para o ambiente gráfico Gnome e que se reverte em benefícios aos desenvolvedores aceitos no programa. Via This Week in Gnome (em inglês).
O Plasma 5.27, última versão do ambiente gráfico do KDE antes da próxima grande (6), veio repleto de novidades. Destaques para o sistema de “tiling” para janelas, suporte ao Wayland e suporte a fatores de escala na resolução da tela, e à reformulação do suporte a múltiplos monitores. Todas as novidades, com vídeos, no link ao lado. Via KDE (em inglês).

O LibreOffie 7.5 (baixe aqui), lançado na última sexta (2), trouxe novidades bem visuais: grandes melhorias no modo escuro e novos ícones das aplicações e formatos de arquivos (acima). Via Document Foundation (em inglês).
Em tempo: O OnlyOffice, outra suite de aplicativos de escritório de código aberto, também ganhou a primeira grande atualização do ano (7.3) dia desses. Destaques para edição avançada de formulários e suporte à inserção de gráficos “SmartArt” nos documentos, planilhas e apresentações. Via OnlyOffice (em inglês).