Revise agora os apps que têm permissão de se conectar ao seu perfil no Facebook

O escândalo mais recente do Facebook envolveu um aplicativo que usa a rede social como autenticação. Desenvolvedores de aplicativos podem coletar dados do perfil de alguém com uma autorização do usuário. Facilita a vida, mas o usuário entrega de bandeja informações que nem sempre ele sabe ou, se soubesse, gostaria de compartilhar. (mais…)

#DeleteFacebook? Excluir sua conta no Facebook não é tão fácil quanto parece

Na internet, vez ou outra topamos com o relato de alguém que largou o Facebook. Mesmo assim, com mais de dois bilhões de usuários, encontrar essas pessoas não chega a ser algo corriqueiro. O total de usuários dilui o poder de presença dos excluídos. Por essas e outras, o barulho que esses relatos de desertores causam é compreensível: eles repercutem pois raros e são raros porque não é fácil virar as costas a uma rede tão pervasiva como é o caso do Facebook.

Você acha que é fácil sair do Facebook? Você está enganado. (mais…)

Na noite desta sexta-feira (16), o Facebook anunciou o banimento de sua plataforma da Strategic Communication Laboratories, empresa-mãe da Cambridge Analytica (CA). A CA ganhou notoriedade por ter sido contratada para trabalhar na campanha à presidência de Donald Trump, em junho de 2016, e é acusada de ter manipulado parte do eleitorado norte-americano com anúncios direcionados a partir de análises de perfis. Aqui um bom material a esse respeito.

O horário escolhido para dar essa notícia é típico de empresas que querem diminuir o impacto de notícias que pegam mal. E, de fato, pegou mal — a decisão veio tarde e já tem gente falando se tratar de um vazamento.

Por outro lado, chama a atenção o conceito de “proteção de dados” que o anúncio do Facebook apresenta. Ele pode ser interpretado como um festival de contradições chocantes. Logo no início, por exemplo, Paul Grewal, vice-presidente do Facebook escreve:

Proteger as informações das pessoas está no centro de tudo o que fazemos e exigimos o mesmo das pessoas que operam apps no Facebook.

No parágrafo seguinte, o texto explica qual foi o que ocorreu:

Como todos os desenvolvedores de apps, [o professor de psicologia vinculado à Cambridge Analytica, Dr. Aleksandr] Kogan requisitou e ganhou acesso às informações de pessoas após elas escolherem baixar seu app. Seu app, “thisisyourdigitallige”, oferecia uma predição de personalidade e se vendia no Facebook como “um app de pesquisa usado por psicólogos”. Cerca de 270 mil pessoas baixaram o app. Ao fazerem isso, eles consentiram que Kogan acessasse informações como a cidade onde configuraram seus perfis ou o conteúdo que elas curtiram, bem como a mais informações limitadas sobre seus amigos que tinham configurações de privacidade que permitiam isso.

O problema foi o uso feito dos dados dessas 270 mil pessoas (a cessão/venda a um terceiro), não a obtenção deles. O Facebook diz expressamente que “Kogan teve acesso a essas informações de maneira legítima e através dos canais adequados que governavam todos os desenvolvedores na época”. O problema foi ter repassado esses dados a terceiros.

E nem entramos na questão dos anúncios direcionados e no retargeting a partir da plataforma de de publicidade do Facebook. À luz desse ocorrido, fica a impressão de que ela detém ou quer deter uma espécie de monopólio da exploração e da comercialização dos dados pessoais de seus usuários. O que, convenhamos, está longe do ideal e abre margem para todo tipo de manipulação (in)imaginável, de testes de personalidade/”como você seria se fosse de outro sexo” a campanhas com dark posts e outras coisas menos explícitas, mas bastante destrutivas.

Não faça o teste “Qual Seria A Sua Aparência Se Você Fosse Do Gênero Oposto?”

Importante lembrete da Tatiana Dias, no Twitter:

não custa lembrar: toda vez que você faz um desses testes obscuros no facebook você concorda em ceder pra sempre suas infos pessoais, lista de amigos, contatos, TODAS as suas fotos, etc etc pra uma empresa sobre a qual você nunca ouviu falar.

podem estar fazendo um grande banco de imagens com fins de vigilância digno das piores distopias, podem estar só criando um enorme mailing pra encher o nosso saco de spam depois. em qualquer um dos cenários: melhor não.

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Um voto de confiança ao Facebook

Existe uma teoria que diz que o Facebook só se transformou em uma força na distribuição de conteúdo para conter o crescimento do Twitter. No início da década, a rede social de Mark Zuckerberg entrou em choque direto com o microblog dos (então) 140 caracteres, que era (e ainda é) bastante popular entre jornalistas e gente que costuma ser notícia.

O Facebook ganhou. Os jornalistas e as pessoas que são notícia continuam usando o Twitter (e somente eles, ou é a impressão que se tem), mas a repercussão, a viralização das notícias e o tráfego que toda publicação busca estão no Facebook1.

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Desde 2009, Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, se propõe um desafio anual. Ele já aprendeu mandarim, leu 25 livros, correu 365 milhas, criou um assistente virtual e comeu apenas os animais que ele próprio abateu. Em 2018, corre o risco de, pela primeira vez, não cumprir o objetivo estabelecido, pois dificílimo. Do seu anúncio:

O mundo parece ansioso e dividido e o Facebook tem muito trabalho a fazer — seja protegendo a nossa comunidade de abusos e do ódio, defendendo-a contra interferências de países ou garantindo que o tempo gasto no Facebook seja um tempo bem gasto.

Meu desafio pessoal para 2018 é focar em corrigir essas importantes questões.

Boa sorte.

Mais abaixo, ele diz:

Com a ascensão de um pequeno número de grandes empresas de tecnologia — e governos usando tecnologia para vigiar seus cidadãos —, muitas pessoas acreditam que a tecnologia apenas centraliza o poder em vez de descentralizá-lo.

“Muitas pessoas acreditam”. Ele não?

5 dias longe do Facebook: o que a rede social faz para trazê-lo de volta?

No primeiro dia do recesso que tive no jornal, abri o bloqueador de conteúdo que uso1 e coloquei esta regra:

https?://+([^:/]+.)?facebook.com[:/]

Traduzindo, ela bloqueia o acesso a qualquer site que tenha “facebook.com” na URL. Como o aplicativo sincroniza as regras entre todos os meus dispositivos, na prática o que fiz foi me trancar para fora do Facebook por cinco dias.

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“Acho que criamos ferramentas que estão rasgando o tecido social de como a sociedade funciona. (…) Nada de discurso cívico, nada de cooperação; desinformação, desconfiança. E não se trata de um problema norte-americano — não é sobre os anúncios russos [que interferiram nas eleições presidenciais de 2016]. Este é o um problema global.”

Chamath Palihapitiya, ex-vice-presidente de crescimento de usuários do Facebook, contratado pela empresa em 2007, em fala a estudantes da Escola de Negócios da Universidade de Stanford. Veja o vídeo aqui.

Todas as redes sociais convergirão até que se tornem idênticas

Nesta semana, o Snapchat anunciou mudanças em seu app. Ele vai separar amigos de mídia (publicações profissionais e influenciadores) e organizá-los com o uso de algoritmos, deixando de lado a organização cronológica a que recorria até então. Igual à criticada mudança que o Instagram fez em 2016. (mais…)

O maior problema do Snapchat foi ter escolhido mal os seus rivais

Quando o Snapchat se tornou uma febre no Brasil, eu estava no lugar e na hora certos. O ano era 2013 e o lugar, uma universidade pública repleta de gente jovem que descobre e antecipa tendências. Aderi ao Snapchat e tive bons momentos lá. Era difícil explicar, mas tentei. Se a explicação for insuficiente, confie em mim: era divertido. Nesta semana, o anúncio das reformulações no app do Snapchat confirmou que aquele app ingênuo, esquisito e intimista jamais voltará. Todos os indícios apontam para uma “facebookzação” do Snapchat. (mais…)

O novo app do Facebook é ótimo para quem detesta o Facebook

Muita gente está no Facebook por não ter outra opção. São profissionais liberais, sites de conteúdo, pequenos estabelecimentos comerciais e pessoas que têm ali um importante, ou até o único canal de comunicação com gente que importa. Manter um perfil lá dentro sem se perder nas muitas distrações e/ou ser subjugado pela vigilância pesada que a rede social faz não é fácil, mas às vezes o próprio Facebook facilita. Um novo app oficial, chamado Creator, ajuda nesse sentido. (mais…)

Não, o Facebook não boicotou a Greve Geral

por Emily Canto Nunes

Na tarde de quinta-feira (27), véspera da Greve Geral, surgiram rumores de que o Facebook estava excluindo o botão Compartilhar de postagens relativas a Greve Geral. Em posts de alguns amigos compartilhados apenas com amigos (os dois bonequinhos que aparecem ao lado da foto do usuário indicam essa configuração de privacidade) por vezes aparecia o botão de Compartilhar, por vezes não. Hum, estranho. Conversei com alguns amigos que repararam no mesmo problema, fiz testes com o Facebook de outras pessoas, mas a inconsistência persistia, especialmente na versão desktop. O que aqueles posts sem botão Compartilhar tinham que outros não tinham? No app para Android, não encontrei o mesmo problema: todos os posts só para amigos já não tinham o tal botão de Compartilhar.

Nessa sexta-feira (28), após verificar a mesma inconsistência que eu, a assessoria do Facebook retornou meu pedido de ajuda e disse que se trata de um aperfeiçoamento na plataforma que vem sendo feito desde o início de abril para que os posts compartilhados apenas com os seus amigos não possam ser compartilhados. Ou seja, se você quiser que as pessoas compartilhem seus posts terá que deixar ele público sim ou sim (o mundinho que aparece ao lado da foto indica que o post é público). Antes, até dava para compartilhar, alguns amigos em comuns viam, mas era muito comum aparecer aquele aviso de “anexo indisponível” quando ia para terceiros. Ou seja, praticamente um bug. A assessoria do Facebook garantiu que essa mudança vem sendo feita há quase um mês, em todo o mundo e para todo o mundo, e que deve ser concluída muito em breve. E que não tem relação com greve alguma, não.

Aqui está o posicionamento oficial do Facebook sobre a mudança no botão Compartilhar: “Nós respeitamos a privacidade das publicações das pessoas e estamos sempre procurando melhorar sua experiência no Facebook. Quando alguém faz uma publicação restrita a seus amigos, esses amigos não podem compartilhar esse conteúdo com outras pessoas. Por isso, lançamos uma experiência que deixa isso mais claro para todas as pessoas que estão usando o Facebook”.

Tribunal do júri

por Adam Kotsko

Nota do editor: Adam Kotsko é professor assistente do Shimer College, em Chicago, e autor de livros sendo o mais recente The Prince of This World (sem tradução no Brasil).


A maioria de nós provavelmente assistiu ao filme A Rede Social, ou ao menos ouviu falar sobre como ele retrata os primeiros momentos do Facebook. Uma noite, um entediado Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg) programa — dramatizado no estilo holywoodiano como digitar muito rápido — um site que permite aos visitantes julgar o quão gostosas são as mulheres de Harvard. Ele se prova tão popular que ameaça derrubar toda a rede de computadores da universidade. Essa foi a semente do Facebook, um gostinho do que viria a ser um sucesso mundial. (mais…)

Os vídeos do Facebook agora têm som ativado por padrão

Uma das grandes falácias contemporâneas é a que diz que redes sociais, apps e outros tipos de software que dependem da nossa atenção são “ferramentas”. Que podemos, por pura força de vontade, usá-las como bem entendermos. Não podemos. A última novidade do Facebook expõe com uma clareza rara essa ilusão de controle. (mais…)

Mais um trimestre se passou e, outra vez, o Facebook bateu recordes de receita. O lucro da empresa foi de US$ 3,5 bilhões, aumento de 177% em relação ao mesmo período do ano passado. Embora num ritmo menor, a base de usuários da rede continua crescendo; hoje, está em 1,86 bilhão de pessoas.

Em paralelo, nos últimos dias o Facebook anunciou diversas iniciativas em todos os seus apps para impulsionar o uso delas pelas pessoas: (mais…)