A anatomia de um golpe: o caso do WhatsApp colorido

Com mais de um bilhão de usuários no mundo e uma base fanática no Brasil, é seguro dizer que, se não o aplicativo mais popular, o WhatsApp praticamente integrou-se à vida do brasileiro. Essa ubiquidade o transforma. Dizer que o WhatsApp é um app de mensagens é reduzir suas funções e o potencial inventivo da multidão que o usa para os mais diversos fins. Entre eles, inclusive, disseminar boatos ancorados na boa-fé (ou o contrário) dos outros e aplicar golpes. (mais…)

Gilberto Kassab diz que banda larga fixa terá limite de franquia até o fim do ano

Um dos debates mais acalorados de 2016, no Brasil, foi sobre a limitação das franquias na banda larga fixa. Historicamente, nunca se limitou o consumo de dados desse tipo de conexão. A Vivo iniciou um movimento para mudar esse cenário ano passado, baseada nos planos móveis dela mesma e de outras operadoras, mas esbarrou numa oposição fortíssima da sociedade. Como resultado, a Anatel proibiu, temporariamente, as operadoras de fazerem essa alteração. Agora, tudo indica que elas tentarão de novo. E, desta vez, com o apoio do Governo Federal.

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O resultado das eleições para a presidência norte-americana expôs um problema fundamental do Facebook: a falha em conter a disseminação de notícias flagrantemente falsas na plataforma. Após um breve período de negação, Mark Zuckerberg admitiu que algo precisa ser consertado e apresentou algumas medidas nesse sentido.

A admissão não veio facilmente. Antes, ele tentou relativizar o problema das notícias falsas no Facebook algumas vezes. Em 13 de novembro, escreveu em seu perfil:

De todo o conteúdo no Facebook, mais de 99% do que as pessoas veem é autêntico. Apenas uma pequena quantidade é de notícias falsas e boatos. Os boatos que existem não são limitados a visões partidárias ou mesmo à política. No geral, isso torna extremamente improvável que boatos tenham alterado o resultado dessas eleições em uma direção ou outra.

Mas evidências apontam o contrário. O conteúdo desse tipo pode até ser pouco, mas faz barulho e se espalha incrivelmente bem.

É de bom tom esclarecer que a crítica não é no sentido de que o Facebook determinou o resultado da eleição, mas sim que envenenou o debate ao reforçar posicionamentos com base em notícias flagrantemente falsas. Em alguns casos, deliberadamente falsas, notícias fabricadas apenas pelo potencial de viralização e lucratividade. E, independentemente das eleições, o sucesso dessa abordagem aponta que há um problema endêmico ali.

Em uma publicação na noite de ontem (18/11), Zuckerberg reconheceu o problema:

Esses problemas aqui são complexos, tanto técnica como filosoficamente. Acreditamos em dar voz às pessoas, o que significa errar para o lado de deixar as pessoas compartilharem o que elas quiserem sempre que possível. Precisamos ser cuidadosos para não desencorajar o compartilhamento de opiniões ou, equivocadamente, restringir conteúdo preciso. Não queremos ser árbitros da verdade, mas em vez disso, confiar em nossa comunidade e em terceiros confiáveis.

Embora a porcentagem de desinformação seja relativamente pequena, temos muito trabalho pela frente em nosso cronograma. Normalmente, não compartilhamos especificidades sobre os nossos projetos em curso, mas dada a importância dessas questões e o tanto de interesse [que há] no assunto, quero delinear alguns dos projetos que já começamos:

  • Detecção mais forte. A coisa mais importante que podemos fazer é melhorar a nossa habilidade de classificar a desinformação. Isso significa melhores sistemas técnicos para detectar o que a pessoas sinalizam como falso antes mesmo que elas façam isso.
  • Facilitar denúncias. Tornar muito mais fácil para as pessoas denunciarem histórias como falsas nos ajudará a capturar desinformações mais rapidamente.
  • Verificação por terceiros. Existem muitas organizações respeitáveis de fact checking e, embora nós já tenhamos entrado em contato com algumas, planejamos aprender com muitas outras mais.
  • Alertas. Estamos explorando [a ideia de] etiquetas em histórias que foram sinalizadas como falsas por terceiros ou pela nossa comunidade e exibir alertas quando as pessoas leem ou compartilham elas.
  • Artigos relacionados de qualidade. Estamos elevando o nível das histórias que aparecem nos artigos relacionados abaixo dos links do feed.
  • Acabar com a economia das notícias falsas. Muito da desinformação é direcionado pelo spam financeiramente motivado. Estamos tentando acabar com essa economia com políticas de anúncios como a anunciada no início da semana e melhorando a detecção de fazendas de anúncios.
  • Ouvir. Continuaremos trabalhando com jornalistas e outros da imprensa para receber suas opniões, em especial para entender melhor seus sistemas de checagem de fatos e aprender com eles.

São ações promissoras que se somam à exclusão de sites de notícias falsas do programa de publicidade do Facebook, medida anunciada segunda-feira (14/11) e que foi adotada também pelo Google.

O papel do Facebook na eleição de Donald Trump

Quase todas as pesquisas eleitorais apontavam a vitória da democrata Hillary Clinton na corrida pela presidência dos Estados Unidos. Assim, o triunfo do candidato republicano Donald Trump, eleito presidente nesta madrugada, foi uma surpresa. Analistas estão revendo suas previsões e muita reflexão terá que ser feita daqui em diante. Não tenho bagagem para entrar no debate político, mas creio que alguns dados sobre o papel do Facebook no pleito podem ajudar a entender o fenômeno. (mais…)

Como combater a epidemia de informações falsas ou imprecisas no Facebook?

Em grupos de WhatsApp é relativamente comum alguém publicar uma notícia falsa ou imprecisa seguida do “na dúvida, achei melhor compartilhar”. É preciso mudar esse padrão, invertê-lo. Na dúvida, não compartilhar.

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Em abril, soubemos que o Facebook estava numa investida para aumentar o conteúdo pessoal publicado pelos usuários na rede. Em paralelo, qualquer evento e, na falta desses, um “bom dia” tem aparecido no campo de atualização a fim de estimular mais publicações.

Às vezes perdemos de perspectiva que o combustível que move as conversações na rede social é produzido por nós mesmos. Logo, faz sentido essa preocupação por parte do Facebook. Notícias, o tipo de conteúdo que parece mais popular, encontra-se em outros lugares e não são personalíssimos ─ eu ou você ou qualquer outra pessoa capacitada podemos dar uma notícia sobre, sei lá, a Samsung. Atualizações pessoais, não. Dependem de cada um de nós.

Caixa de pressão social do Facebook.

Agora pouco abri o Facebook no computador e vi uma caixa com algumas fotos de amigos e a informação de que, ontem, 207 deles publicaram alguma coisa no Facebook. Considerando o total de contatos que tenho ali, esse número representa 23,4% do total deles. Nunca tinha visto isso. Achei a mensagem meio passivo-agressiva, um tipo não muito sutil de pressão social.

É muita gente? Pouca? Não dá para dizer me tomando por base, mas achei interessante ter esse dado. Primeiro por não esperar que fosse algo que o Facebook revelaria assim, sem cerimônia. E, também, por permitir a relação dele com o próprio feed. Puxando pela memória, seguramente não vi, entre ontem e hoje, mais do que 10% dessas pessoas que publicaram alguma coisa ontem no Facebook. O filtro invisível é poderoso.

O grande diferencial do Allo, um app de bate-papo que ignora as boas práticas de privacidade vigentes, é um intruso na conversa, o Google Assistant. Ele participa ativamente do diálogo, fazendo buscas a pedido dos interlocutores e, o que é mais preocupante, sugerindo respostas pré-fabricadas.

O Facebook Messenger também trabalha com robôs, mas em conversas paralelas, ou seja, não os traz para as conversas que mantemos com outros seres humanos — ainda, pelo menos. Mas é bobagem acreditar que isso se deva a um princípio humanista no âmago de Mark Zuckerberg.

É uma decisão de negócios. O Google quer se tornar uma entidade única nas nossas vidas digitais; o Facebook ainda depende de terceiros. Isso não o impede, porém, de experimentar com bizarrices. A última é sugerir tópicos de conversação com base no que seus amigos fizeram (ou confessaram ao Facebook terem feito) recentemente.

O problema disso tudo é que terceirizamos traços que nos são, até agora, exclusivos. A escolha das palavras e sobre o que falar são coisas muito humanas. Queremos terceirizar isso? Se sim, estamos cientes do custo?

Evan Selinger, professor de filosofia do Instituto Rochester de Tecnologia, e Brett Frischmann, professor da Faculdade de Direito Cardozo, estão escrevendo um livro intitulado Ser Humano no Século XXI (tradução livre). Um pequeno excerto publicado no Medium responde, de maneira limitada, mas didática, essas perguntas:

Terceirizar, então, não afeta apenas como uma tarefa é realizada. Quando decidimos ou não por terceirizar, precisamos considerar se vale a pena abdicar da ação, responsabilidade, controle, intimidade e possivelmente conhecimento e habilidade. Se não, provavelmente deveríamos realizar essa tarefa nós mesmos.

A conversa por texto já é bastante pobre. Ela normatiza o discurso de uma forma sutil, mas poderosa. Percebe como conversar com pessoas distintas pelo WhatsApp oferece menos nuances, como se todas fossem mais ou menos parecidas? Que as particularidades de cada um se revelam com mais facilidade, de modo inescapável, até, quando o contato é pessoal em vez de mediado por texto escrito em uma tela? Se nem esse fragmento de humanidade nos apps de bate-papo estamos dispostos a resguardar, aí tudo bem querer que o Allo escolha as suas frases e que o Facebook determine o assunto da conversa.

O que os planos de compartilhamento de dados entre Facebook e WhatsApp significam para a privacidade do usuário

por EFF

Logo da EFF.A Electronic Frontier Foundation é uma organização norte-americana sem fins lucrativos que defende a liberdade e os direitos civis no mundo digital. Em parceria com a EFF, o Manual do Usuário traduzirá e republicará conteúdo do blog da fundação — matérias pertinentes sobre temas importantes.

Por Gennie Gebhart


Atualização (16/9/16): Deixamos mais claro que os usuários têm 30 dias depois de verem pela primeira vez a atualização da política de privacidade do WhatsApp para concordar ou não com seus termos. Também deixamos mais claro que contas criadas após 25 de agosto ingressam no serviço sob a nova política de privacidade sem opção para negar o compartilhamento de dados que ela implica.

O WhatsApp está definindo práticas de compartilhamento de dados que sinalizam uma mudança significativa em sua atitude relacionada à privacidade — embora você talvez não adivinhasse isso com base na atualização da política de privacidade que apareceu nas telas dos usuários no final de agosto. (mais…)

O bloqueio de bloqueadores de anúncios do Facebook só é bom para o próprio Facebook

O Facebook anunciou que passará por cima dos bloqueadores de anúncios como o Adblocker Plus, ou seja, mesmo os usuários que acessam o site em navegadores desktop equipados com extensões do tipo não terão escolha a não ser ver os anúncios. Embora algumas startups como a Pagefair trabalhem nesse sentido, o peso que o Facebook tem é grande o bastante para reacender a discussão em torno do tema. Não é meu intuito entrar nela (não tenho opinião formada), mas alguns aspectos desse anúncio chamam a atenção. (mais…)

10 curiosidades sobre VOCÊS

por Luíse Bello

Nota do editor: Ninguém pediu para listarmos curiosidade alguma no Facebook, mas topamos com a lista da Luíse Bello, da Think Olga, com dez sobre nós todos e achamos tão boa e compreensiva que resolvemos compartilhá-la.


Gente, aqui vão 10 fatos sobre VOCÊS: (mais…)

Robôs já estão entre nós

É bem simples, quase rudimentar, mas é alguma coisa e é inédita por aqui — pelo menos entre os sites brasileiros que cobrem tecnologia: o Manual do Usuário agora tem um robô. Clique na imagem abaixo para conhecê-lo: (mais…)

Momento de transição

Como acontece todo ano, em 2016 o Google dominou as manchetes com os anúncios do Google I/O, sua conferência anual para desenvolvedores. Desta vez sem nada realmente novo, apenas produtos e serviços que replicam o que concorrentes já oferecem com o tempero do Google, ou seja, personalização e inteligência artificial. Vindo de quem vem, porém, é sempre bom prestar atenção — vai que, sei lá, daqui a um ano estejamos todos conversando pelo Allo ou com um “little brother” que tudo ouve e tudo envia aos servidores do Google em nossas salas? (mais…)

O que une pessoas comuns e empresas de mídia dentro do Facebook

Em uma entrevista descompromissada concedida em 2005, num escritório cheio de pinturas de mau gosto e onde os poucos funcionários bebiam cerveja em mangueiras segurados de ponta-cabeça pelos colegas, um franzino Mark Zuckerberg disse que muita gente estava preocupada em fazer a maior coisa do mundo com o maior número de usuários possível e que parte de fazer a diferença, de fazer algo legal era “focar intensamente”. O Facebook, então, tinha a missão de ser “um diretório de universidades bem legal que seja relevante aos alunos”. Algo grande, mas, posto em perspectiva, com um alcance bem delimitado.

Onze anos depois, o mesmo Mark Zuckerberg, mais desenvolto, melhor vestido e com ambições maiores que o ambiente acadêmico dos Estados Unidos, no pomposo palco de Fort Mason, em São Francisco, fez a abertura da conferência anual para desenvolvedores do Facebook como se fosse uma mistura de líder de estado e palestrante do TED. Ele mudou e, mais ainda, o Facebook. Daquela origem humilde, “focado intensamente”, a rede social se tornou ao longo dos anos a nova praça pública, o novo jornal, o centro e local de debates de muitas coisas que nos rodeiam e que importam. Quando e como isso aconteceu, e o que perdemos no processo? (mais…)

Ser o primeiro app a ter determinado recurso não importa muito

O Facebook finalmente  liberou ao mundo as “reações”, o novo botão “curtir” com variações de humor. O recurso representa uma expansão de um dos seus maiores bens, o botão com um “joinha” que move bilhões de dólares e permeia praticamente tudo que acontece nos limites da rede social — e, em menor extensão, fora dela.

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O Facebook em apps

Quando o Facebook surgiu, em 2004, smartphones como os que conhecemos hoje sequer existiam, muito menos a ideia de apps acessíveis e fáceis de serem instalados. Hoje ambos são onipresentes, embora restrições de outras ordens persistam. Temos os melhores dispositivos portáteis e uma infinidade de apps, mas nem todos esses estão ao alcance de qualquer um, por motivos que variam bastante.

Em pouco mais de dez anos o Facebook cresceu e se tornou a maior rede social do mundo, com 1,59 bilhão de usuários. Parte desse sucesso decorre da agilidade com que a empresa enxergou e aproveitou oportunidades. Entre elas, a explosão dos smartphones e, consequentemente, dos apps. Não falo apenas do app principal da rede social. Entre aquisições, soluções para públicos específicos e experimentos realizados em certos locais, são inúmeros os apps que a rede social já lançou e mantém ativos. (mais…)