Muito pensamento.

Tribunal do júri


8/3/17 às 9h08

Nota do editor: Adam Kotsko é professor assistente do Shimer College, em Chicago, e autor de livros sendo o mais recente The Prince of This World (sem tradução no Brasil).


A maioria de nós provavelmente assistiu ao filme A Rede Social, ou ao menos ouviu falar sobre como ele retrata os primeiros momentos do Facebook. Uma noite, um entediado Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg) programa — dramatizado no estilo holywoodiano como digitar muito rápido — um site que permite aos visitantes julgar o quão gostosas são as mulheres de Harvard. Ele se prova tão popular que ameaça derrubar toda a rede de computadores da universidade. Essa foi a semente do Facebook, um gostinho do que viria a ser um sucesso mundial.

O roteiro de Aaron Sorkin enquadra espertamente essa mini-narrativa dentro de uma história mais ampla sobre ansiedades sociais. Em sua versão ficcional, conhecemos Zuckerberg enquanto ele arruína um promissor primeiro encontro ao reclamar constantemente sobre a sua questionável posição social em Harvard. E no final, após derrotar os gêmeos Winklevoss, fotogênicos e cheios de si (além de um de seus amigos mais ingênuos) na briga judicial pelos direitos ao conceito do Facebook, nós o vemos clicando no botão de atualizar a página repetidamente enquanto aguarda pela resposta do pedido de amizade daquele primeiro encontro há muito perdido. Sorkin nos convida a concluir que Zuckerberg criou a máquina de “hot or not” com o plano de longo prazo de receber ele próprio votos de “hot” — ou, talvez mais ironicamente, que ele foi tomado pelas mesmas ansiedades sociais manufaturadas a partir das quais hoje ele lucra.

Embora não seja uma versão estritamente factual da origem do Facebook, A Rede Social capta corretamente a ideologia de sua criação. Ainda que tenha evoluído para algo muito mais complexo do que suas raízes do “hot or not”, o Facebook continua sendo uma tecnologia para julgar. Ele pode não oferecer, como o Reddit faz, um modo explícito de expressar reprovação, mas cada atualização de status e cada comentário é feito como uma mini-competição de “hot or not”: ou você aperta o “Curtir” ou segue adiante em silêncio.

Reconhecendo que o “Curtir” não é sempre uma reação apropriada, o Facebook diversificou a função para disponibilizar aos usuários uma série de julgamentos correspondentes à gama de emoções que aprendemos a nomear no jardim de infância (amor, risadas, surpresa, tristeza e raiva, ao lado do clássico “Curtir”). Mas a essência do gesto permanece a mesma. Até mesmo as respostas emocionais negativas são feitas para ecoar e, portanto, expressar aprovação das ideias negativas expressas pelo próprio post. O julgamento é levemente mais variado, mas no fundo ainda é uma questão de “hot or not.”

As seis reações do Facebook.

Acontece que transformar o Facebook em qualquer coisa que não o “hot or not” é difícil. Por exemplo, algumas pessoas tentam transformá-lo em uma plataforma para compartilhar links interessantes. Na prática, esse esforço retorna à atividade de julgamento desses links — e, mais importante, convida os outros a fazerem o mesmo julgamento e assim expressar sua aprovação por nós. E, de fato, é impossível escapar desse sistema de julgamento porque o Facebook não permite desligar os comentários ou o contador de “curtidas” e outras reações. O Facebook nos transforma a todos naquele Zuckerberg ficcional, esperando um julgamento positivo daquela série de julgamentos que fizemos — ou, mais precisamente, uma avaliação positiva na forma dessa série de julgamentos. Aquilo que é mais “hot” acaba por se tornar o mais viral. Medimos nosso status em quão longe nossas condições transmitidas pela Internet se propagaram por si mesmas.

Isso leva ao tão falado fenômeno de passar para frente links sem lê-los ou verificar suas fontes. Para os usuários do Facebook, o importante geralmente não é espalhar informações precisas — afinal de contas, pessoas em um dado círculo social frequentemente compartilham os mesmos links todos os dias — mas sim provocar um reflexo de nossa própria retidão, expresso por rostos sorridentes ou tristonhos. Percebemos que estamos certos pelo fato de que todos nos aprovam, o que é o mesmo que dizer que todos pegaram o mesmo vírus. Autoexpressão e conformidade estranhamente se confundem enquanto competimos para ver quem consegue ser o mais parecido, aquele que consegue ser o primeiro a dizer “aquilo que estamos todos pensando.”

Tentar usar o Facebook como um fórum de discussão pode parecer uma melhor aposta. Junto à infraestrutura do “curtir”, inicialmente nos parece não haver nada além de uma caixa vazia — um meio de discussão de formato livre — que, quando preenchido, dá à luz a uma série de comentários não muito diferentes daqueles encontrados em praticamente qualquer ferramenta de discussão online desde a Usenet. Aqui, também, o empuxo inercial do julgamento é forte. Discussões produtivas requerem pelo menos uma módica distância crítica, uma intenção de abrigar posições estranhas ou mesmo opostas apenas pelo bem da discussão. Mas a interface do Facebook cria obstáculos pra isso. Inscrito na própria caixa está uma pequena foto sua, tornando cada comentário pessoal — tão sobre você quanto sobre o que está sendo dito. De fato, se você rola a página mais para baixo, você vê a sua própria foto de novo e de novo, te convidando a propagar sua imagem para cada vez mais longe. E quando outros aparecem nos comentários do seu post, a mesma dinâmica dos links compartilhados se aplica — eles são uma oportunidade de acumulá-los, tanto com elogios como insultos, reforçando a apreciação mútua do “hot”.

O Twitter não tem as raízes genealógicas do Facebook num concurso literal de “hot or not”, mas ele também é uma tecnologia para julgamento. Os usuários buscam seguidores, retweets e (como um tipo de prêmio de consolação, já que eles não se apresentam assim tão forçadamente) curtidas. De muitas formas, as dinâmicas são as mesmas do Facebook, só que mais rápidas, por causa da natureza veloz desse formato mais curto e da estrutura sem filtros que, ao contrário do Facebook, te permite ver tudo que seus amigos postam imediatamente. Isso torna o Twitter bastante pior também.

Como usuário de longa data do Twitter, frequentemente acessava o serviço mesmo tendo após uma curta ausência para encontrar minha timeline inteira consumida pela indignação com um assunto que ninguém estava discutindo momentos antes. Uma ortodoxia instantânea surge, como quando no começo de janeiro todo mundo da esquerda liberal no Twitter norte-americano pareceu decidir espontaneamente que a reimportação de medicamentos era uma prioridade não-negociável e que Cory Booker era um demônio virtual por ter votado contra. Isso não significa atacar a política ou defender Booker, mas sim apontar a estranheza que um ponto relativamente obscuro da política, um que foi abraçado ora por democratas, ora por republicanos e que apareceu na plataforma de Trump, se tornar repentinamente um slogan da esquerda.

Esse tipo de pensamento coletivo instantâneo é muito facilitado pelo design do Twitter. Se meu parágrafo anterior fosse traduzido em tweets, meus disclaimers poderiam ter sido desligados da minha expressão de ceticismo acerca da importância da reimportação dos medicamentos — me levando a ser atacado como um neoliberal Bookerita marqueteiro, de quem a própria existência é o Motivo da Vitória do Trump. Embora o agrupamento de tweets possa mitigar essa tendência, na minha experiência, as pessoas tendem a ler o agrupamento inteiro apenas um pouco mais frequentemente do que leem para além da manchete de um artigo longo. O hábito inconsistente de enumerar os tweets em uma reclamação faz muito pouco para prevenir contra a inércia da reação instantânea descontextualizada.

O verdadeiro perigo no Twitter, todavia, aparece quando uma afirmação irônica é deliberadamente descontextualizada e circula em públicos para além do círculo mais próximo de alguém, onde estão todos informados sobre a piada. Isso pode expor alguém a uma onda quase inimaginável de ataques ferozes, como quando uma professora universitária negra foi apontada por comentadores de direita ao sugerir que homens brancos às vezes causam problemas em sua sala de aula. Essa observação foi pega como um julgamento generalizado para todos os homens brancos, um caso de racismo anti-brancos, etc., etc., e milhares vieram responder ao seu tweet (e na sua caixa de email e também no e-mail do seu chefe).

Em casos como esse, o Twitter deixa de ser uma disputa de popularidade para virar um reality show no qual usuários desfavorecidos são “colocados num paredão” através de abusos sistemáticos que essencialmente tornam a plataforma impossível de se usar. Os abusadores estão de certa forma manipulando o sistema, mas o sistema já era um esquema de acúmulo de aprovação e expansão da sua rede. Esses mesmos elementos de design que demandam que continuemos aumentando a nossa “exposição” (no sentido positivo contemporâneo) também nos deixa expostos no sentido mais convencional de estarmos vulneráveis e desprotegidos. E mesmo se os designers desse site não tivessem essa intenção em mente, já está implícito no formato que seus sistemas exploram nossa vulnerabilidade à ansiedade social, nossa exposição à aprovação social — e também à reprovação.

Quaisquer que sejam as outras características da Internet, então, a hegemonia dessas formas de mídias sociais a transformou em uma máquina cada vez mais eficiente de julgamento — seja de alguém só de passagem, seja solicitado ou suscitado. E quanto mais atenção você recebe, maior é a probabilidade de encarar uma reação esmagadora de julgamento negativo. Andy Warhol disse que no futuro todos seríamos famosos por 15 minutos, mas ele não especificou que tipo de fama seria. Se ainda estivesse vivo, ele diria que, no futuro, todos seríamos odiados por milhares de estranhos por 15 minutos.

Por que estamos tão viciados nesse julgamento, tanto para exercê-lo como para recebê-lo? Talvez essa pergunta possa ser respondida se a reformularmos: por que nós fugimos — ou, muitas vezes, preventivamente rejeitamos — do diálogo? De certa forma, essa pode parecer uma falsa dicotomia. Afinal, o que é concordância ou discordância, ou ainda uma simples ponderação de argumentos, se não um julgamento? De fato, Kant vai mais longe e caracteriza cada ato mental como um julgamento. O que é novo e característico dos julgamentos nas redes sociais é que, primeiro, eles trazem para o plano central e explicitam aquilo que estava anteriormente implícito — acima de tudo por quantificar a aprovação. Segundo, e um ponto mais traiçoeiro, eles tiram a força do julgamento do “conteúdo” da discussão e direcionam para os participantes.

Como meios dessa amplificação e redirecionamento da nossa faculdade de julgar, as formas de mídias sociais apoiadas nas métricas tendem a produzir convencimento e desprezo em vez da distância crítica das próprias opiniões e uma disposição em considerar as opiniões alheias que um diálogo requer. Mas não é só uma questão de termos desenvolvido os maus hábitos das mídias sociais. A verdade é que dialogar é arriscado, porque seus esforços podem não ser recompensados com novas visões a respeito da questão. Na verdade, você pode ser tachado de idiota por um interlocutor agindo de má-fé que esteja propositalmente tentando desperdiçar o seu tempo ou até mesmo extrair afirmações condenáveis de você.

As mídias sociais podem ser o pior de dois mundos nesse sentido. Somos trazidos mais e mais para o contato com totais estranhos, muitos deles completamente anônimos, o que significa que o elemento da confiança está completamente ausente, e, ao mesmo tempo, a natureza arquivada e facilmente rastreável da maior parte do discurso online significa que qualquer um de nós pode estar sentado em uma bomba-relógio, apenas esperando que um troll dedicado o bastante a ative, propagando seu conteúdo na arena pública do julgamento.

E o que os motiva a fazer isso é que o julgamento, ao contrário do diálogo, tem uma recompensa imediata e garantida. Você pega o troféu da auto-satisfação toda vez que aciona a alavanca. Não apenas esse julgamento nos permite usufruir uma sensação de força e de justeza individual, mas frequentemente fazemos esse julgamento como parte de um grupo maior — assim conseguimos experimentar a aprovação e a solidariedade tal como uma licença para ser cruel. Pelo menos por um momento, o sentimento de pertencimento e a experiência catártica de descarregar as frustrações e o ressentimento podem ajudar a distrair das duras realidades de um mundo no qual a precariedade econômica deixa as pessoas se sentindo cada vez menos no controle das suas próprias vidas.

Nesse ponto, seria fácil escorregar no expediente familiar de repreender a preguiça dos usuários da Internet contemporânea — cá estamos julgando novamente! Acho que seria um erro, no entanto. O problema não é somente que muitas pessoas são preguiçosas demais para ler atenciosamente, embora elas certamente sejam, pelo menos de vez em quando. Tampouco é que as pessoas são impacientes demais para se engajar em diálogos genuínos, embora, de novo, elas frequentemente sejam. Eu iria ainda mais longe dizendo que o problema não é simplesmente, ou pelo menos não diretamente, que as pessoas são incultas ou educadas intencionalmente. Todos esses fatores são reais, mas eles são sintomas, não causas.

Poderíamos pensar no julgamento como fast food da Internet e as mídias sociais movidas a julgamento como restaurantes de fast food. O problema não é que uma massa crítica de indivíduos está escolhendo comer fast food em vez de ir à feira e separar um tempo para cozinhar em casa. O mercado da Internet não está simplesmente respondendo a algum tipo de desejo intrínseco por fast food online por parte dos consumidores individuais. Em vez disso, é esse modelo de negócio gamificado, movido a anúncios e cliques que move a economia do julgamento e torna o fast food a única opção economicamente viável. Em suma, esse modelo econômico está transformando a Internet em um deserto alimentício.

A Internet como conhecemos hoje é um empreendimento massivamente movido a anúncios e isso significa que ela é movida a cliques. Onde os anunciantes do impresso e de TV tinham que se contentar apenas com evidências indiretas de que sua mensagem estava chegando aos consumidores, a Internet fornece a oportunidade de medir o engajamento dos usuários diretamente. Quando as plataformas podem gerar engajamento mensurável dos usuários através de conteúdo que os próprios usuários criam e espalham eles mesmos, por que elas investiriam em qualquer coisa além disso? Por que pagar escritores quando um usuário do Twitter alcança milhares? E que jeito mais eficiente de lucrar com propaganda do que “premiar” os usuários de acordo com métricas que diretamente se correlacionam com engajamento e, consequentemente, a visibilidade do anúncio? Ao transformar os usuários em auto-promotores insaciáveis, você necessariamente os transforma em promotores do site que permite a sua auto-promoção.

Esses incentivos materiais se alinham para formar os aspectos mais tóxicos da cultura da Internet contemporânea — coisas como bolhas ideológicas ou notícias falsas ou campanhas de assédio — impossíveis de se consertar sob o modelo de negócios de mídia predominante. Da perspectiva de aumentar o engajamento dos usuários, esses comportamentos são considerados recursos. É por isso que os jornais permitem que os leitores vandalizem artigos com comentários racistas e de ódio — engajamento é engajamento! Um leitor de boa-fé vale um clique, mas um devotado troll racista pode valer dezenas.

O Twitter reluta em banir os trolls por motivos similares — eles aumentam o engajamento tanto de amigos quanto de inimigos, criando uma solidariedade de grupo através da inimizade compartilhada. É também o motivo pelo qual campanhas de assédio são provavelmente um recurso permanente das mídias sociais abertas ao público. Para cada usuário que é “colocado no paredão” (por exemplo, expulso pela esfera pública organizada pela plataforma), centenas e talvez milhares aproveitam a injeção de adrenalina da violência em turba.

Não tenho certeza sobre como resolver esse problema, mas estou certo de que a resposta não está em suscitar ainda mais indignação. Repreender amigos que compartilham as tão chamadas “fake news” pode ter seu espaço, mas quando as pessoas em um deserto alimentício “escolhem” fast food, o problema não é a falta de força de vontade delas. É, antes disso, a escassez de opções. Tal qual em um deserto alimentício de verdade, seria um erro tratar as mídias sociais como um lugar onde melhores opções apenas são menos lucrativas. O anti-intelectualismo ativo da Internet é parte de um esvaziamento maior das instituições da educação e da informação, que antecede o momento em que a Internet se tornou um fenômeno de massa, mas que a Internet movida a cliques ajudou a acelerar. Assim como o fenômeno das mídias sociais é movido por um modelo de negócios, também é o desinvestimento mais amplo na educação parte do modelo econômico neoliberal que privilegia o lucro a curto prazo em detrimento do investimento de longo prazo, ou, mais amplamente, a acumulação de riqueza acima de qualquer outro objetivo social.

Existem alguns caminhos possíveis. Sinto-me encorajado, por exemplo, pelo desenvolvimento de mídias sociais sem fins lucrativos, de software livre como o Mastodon, embora me preocupe que sua estrutura completamente descentralizada tornaria difícil iniciativas orquestradas para prevenir abusos sistemáticos de acontecerem. Um retorno a modelos mais antigos como os blogs também pode ajudar a cultivar espaços para o diálogo em vez do julgamento. Embora a blogosfera não fosse uma utopia do discurso esclarecido, ela pelo menos abriu a possibilidade de construir uma comunidade de longo prazo centrada em ideias e discussões, enquanto o Facebook tende a sempre transformar mesmo a discussão mais esclarecida e informada em um concurso de popularidade por tabela. Ainda assim, reviver a discussão baseada em blogs pode ser uma batalha penosa. Na minha experiência com blogs, descobri que é praticamente impossível convencer uma massa crítica de leitores a comentar no próprio post do blog em vez de compartilhar o link no Facebook e discutir por lá.

Mas o problema é maior do que a Internet, então a solução precisa ser também. Devemos restaurar as instituições da educação e da informação e reconstruir a decadente solidariedade social pela qual a cultura de julgamento das mídias sociais serve como substituto vazio. Isso significa dizer que o problema não é, em última instância, de natureza técnica, mas sim política. Melhores ferramentas online podem nos ajudar a fazer esse trabalho, mas elas não podem fazê-lo por nós.


Publicado originalmente na Real Life Magazine em 31 de janeiro de 2017.

Tradução por Leon Cavalcanti Rocha.
Ilustração do topo: Chrome Destroyer.

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13 comentários

  1. Tristemente, pessoas são o que se mostram na rede. E educação não as redime.
    Corrigir é dúvida. Mas é o que resta.

  2. O verdadeiro perigo no Twitter, todavia, aparece quando uma afirmação irônica é deliberadamente descontextualizada e circula em públicos para além do círculo mais próximo de alguém, onde estão todos informados sobre a piada.

    Já vi muita coisa do gênero no Twitter, inclusive contas especializadas em subir hashtags de piadas que, conforme se espalham, se tornam brigas desnecessárias e incontroláveis. Um exemplo notável é # “Facebook manda no Twitter”. No calor do momento, muitos usuários – inclusive eu – entram na discussão, não observam com calma e saem postando e alimentando os trolls. Mas quando eu tive curiosidade de descer até o início, percebi que caí numa armadilha – e tentei avisar, em vão, outros. Felizmente, entenderam que uma de diversas tags do tipo era muito ofensiva (à primeira vista) e denunciaram a conta até derrubar.
    Depois disso, nunca mais voltei a ver isso.

  3. “Isso significa dizer que o problema não é, em última instância, de natureza técnica, mas sim política.”

    Esse foi o ponto chave na minha opinião.

  4. O maior problema é a inércia das “pessoas normais” (eu ia dizer normie heh), as pessoas que mais usam as redes sociais mais populares. Quem gosta do Telegram já deve ter tentado mandar quem usa o WhatsApp pro Telegram pelo menos duas vezes, aqui no Brasil, durante os bloqueios dos juízes. Mas o pessoal tem preguiça, e olha que o Telegram é bem simples de fazer cadastro.

    Acredito que exista essa necessidade autopromoção sim, que “vicia” as pessoas. Mas como o Facebook, Twitter, Snapchat, etc. Atendem ao povão – olha eu julgando! – não há nenhuma motivação das pessoas de, por exemplo, usar uma rede social federada. Há um esforço inicial não só para aprender o novo site, mas de trazer todos os amigos para a nova rede social.

  5. Perfeito! Caiu como uma luva para eventos recentes que incomodaram pra caramba… Alguns trechos me chamaram a atenção:

    “A verdade é que dialogar é arriscado, porque seus esforços podem não ser recompensados com novas visões a respeito da questão. Na verdade, você pode ser tachado de idiota por um interlocutor agindo de má-fé que esteja propositalmente tentando desperdiçar o seu tempo ou até mesmo extrair afirmações condenáveis de você.”

    “O anti-intelectualismo ativo da Internet é parte de um esvaziamento maior das instituições da educação e da informação, que antecede o momento em que a Internet se tornou um fenômeno de massa, mas que a Internet movida a cliques ajudou a acelerar. Assim como o fenômeno das
    mídias sociais é movido por um modelo de negócios, também é o desinvestimento mais amplo na educação parte do modelo econômico neoliberal que privilegia o lucro a curto prazo em detrimento do investimento de longo prazo, ou, mais amplamente, a acumulação de riqueza acima de qualquer outro objetivo social.”

    E acho q o Ghedin, na medida do possível, conseguiu o impossível do qual o autor fala:

    “Embora a blogosfera não fosse uma utopia do discurso esclarecido, ela pelo menos abriu a possibilidade de construir uma comunidade de longo prazo centrada em ideias e discussões, enquanto o Facebook tende a sempre transformar mesmo a discussão mais esclarecida e informada em um concurso de popularidade por tabela. Ainda assim, reviver a discussão baseada em blogs pode ser uma batalha penosa. Na minha experiência com blogs, descobri que é praticamente impossível convencer uma massa crítica de leitores a comentar no próprio post do blog em vez de compartilhar o link no Facebook e discutir por lá.”

  6. Esplêndido. Isso se aplica a grande maioria das “Redes Sociais”. Em um Ep de Black Mirror do qual não me recordo no momento, isso foi a vida real: Os julgamentos eram o que limitavam todas as suas ações, enquanto mais notas, mais oportunidades você tinha. e com nota baixa, claro, você vai a miséria. Instagran, Snap e etc, todods com o mesmo intuito: O julgamento. Se é belo, feio, e assim por diante. Artigo maravilhoso, e bem arquitetado… Comecei a ver teu site hoje, e aparentemente irei amar, vou ler as outras matérias agora…

  7. Muito bom! Me chamou atenção a passagem: “Andy Warhol disse que no futuro todos seríamos famosos por 15 minutos, mas ele não especificou que tipo de fama seria. Se ainda estivesse vivo, ele diria que, no futuro, todos seríamos odiados por milhares de estranhos por 15 minutos.”

  8. falem sobre o novo vazamento do wikileaks e o que podemos fazer para se proteger da invasão governamental a privacidade

    1. Faça todos os empréstimos possíveis, esvazie sua conta bancária, vá pro meio do mato, não assine nenhum serviço, luz, água, internet, etc., e queime seus documentos. Profit!

    2. O mais importante é que, até onde vi, boa parte das ferramentas exigem acesso físico ao dispositivo. A criptografia do WhatsApp e do Signal, por exemplo, não são quebradas por nada ali; o que acontece é que as mensagens são interceptadas antes de serem enviadas, graças a algo instalado no dispositivo. Isso é uma regra básica. Se você permite o acesso físico ao dispositivo que está usando, já era.

      Então, o grande “gap” aí é proteger seu dispositivo. Coloque senha, ative a verificação em duas etapas onde for possível e habilite a criptografia do dispositivo (padrão no iOS, varia no Android). É meio caminho andado.

      Editado: lembrei de outra coisa, manter os apps e sistemas atualizados. Não vi todas, mas é provável que algumas falhas desse arquivo da CIA sejam executaras remotamente, explorando brechas em sistemas desatualizados.