Alguns eventos importantes no setor de aplicativos de entregas/caronas das últimas semanas:

  • A 99 encerrou o serviço de delivery com entregadores parceiros. Agora, o 99Food funciona apenas como marketplace, ou seja, os entregadores são todos vinculados a restaurantes ou terceiros. Via Mobile Time.
  • A Sis Express, maior operador logístico (terceirizada/intermediária) do iFood no Brasil, faliu. Em novembro de 2022, o The Intercept denunciou as investidas abusivas da Sis Express e do iFood contra um entregador youtuber. Via iFood.
  • O governo Lula conseguiu um feito: agradar empresários do setor e representantes dos entregadores/motoristas. O desafio agora é convergir as promessas feitas aos dos lados da mesa. Via Folha de S.Paulo.

Do nada, o blog do NetNewsWire, um ótimo aplicativo de RSS para iOS e macOS, compartilhou o número de usuários ativos nos últimos 30 dias. São 9 mil no iOS, 4,6 mil no iPadOS e 1 no iPod (?).

Fiquei chocado por um app tão legal, tão bem feito e, ainda por cima, gratuito, ter só isso de usuários.

Quase dois bilhões de dispositivos da Apple estão em uso no mundo, a maior parte deles de iPhones, e só 15 mil pessoas usam esse aplicativo? (Provável que menos gente que isso, considerando aqueles que, como eu, usam o NNW no celular e no iPad.) O mundo é um lugar injusto. Via NetNewsWire (em inglês).

O serviço de streaming da Netflix completou 16 anos nesta segunda (16). (A empresa é mais antiga e começou com o aluguel de DVDs pelos Correios.)

Coincidência ou não, a Netflix atualizou seu aplicativo para iOS, trazendo novos efeitos visuais bem bacanas. (Veja um vídeo.)

Ok, legal, mas não é para ficar vendo pôster que alguém assina a Netflix — em tese, ao menos. Na Forbes, Paul Tassi argumenta que a Netflix criou um “ciclo de cancelamento auto-sustentável” a partir das várias séries canceladas do nada e sem conclusão, como os casos recentes de 1899 e The midnight club.

Paul explica:

A ideia é que já que você sabe que a Netflix cancela várias séries depois de uma ou duas temporadas, encerrando elas com pontas soltas ou deixando suas histórias abertas/sem final, quase não vale a pena investir tempo em uma série antes dela ter acabado e você tenha certeza de que ela tem um final coerente e um arco fechado.

Por isso, você evita assistir a novas séries, mesmo aquelas que lhe interessam, pois tem medo de que a Netflix as cancele. Um tanto de gente faz isso e, surpresa, a audiência [de novas séries] é baixa! E aí ela acaba sendo cancelada. O ciclo é fechado, e reforçado, porque agora há mais um exemplo, fazendo com que ainda mais pessoas tenham cautela da próxima vez. E agora chegamos a um cenário em que, a menos que uma série seja uma espécie de febre por acaso (Wandinha) ou uma super franquia estabelecida (Stranger Things), a chance de haver uma segunda ou terceira temporada não é nem meio a meio, mas sim algo como 10–20% na melhor das hipóteses.

Via Forbes (em inglês).

Uma olhada no Ivory, aplicativo de Mastodon para iOS

Dos mesmos criadores do Tweetbot, vem aí o Ivory: um aplicativo para iOS que conversa com instâncias do Mastodon.

O Ivory ainda está em fase alpha, ou seja, em testes e com arestas a serem aparadas. No último sábado (14), consegui acesso à versão de testes, que agora apresento aqui.

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Atualização (16/1, 8h50): O site The Information (paywall) obteve acesso a mensagens internas do Slack do Twitter que confirmam que a quebra dos aplicativos alternativos é intencional. No Mastodon, Paul Haddad fez um testes: ele trocou as chaves da API usadas pelo Tweetbot, o que restabeleceu o aplicativo. Em poucas horas, porém, as chaves foram invalidadas.

Clientes alternativos do Twitter populares, como Tweetbot e Twitterrific, foram cortados da API da rede na noite desta quinta-feira (12).

Até agora, ninguém sabe se o corte foi motivado por uma falha ou se foi intencional. O Twitter, quase 24 horas depois, ainda não se manifestou, o que é por si só um grande indicativo do que pode estar acontecendo.

Para alguns, os poucos usuários de Twitter que confiam nesses apps, foi a gota d’água.

Teria sido para mim se já não tivesse abandonado o Twitter. Há anos só usava clientes/aplicativos alternativos, um refúgio contra o “conteúdo recomendado” inflamável que o Twitter injeta na linha do tempo do aplicativo oficial.

Aplicativo oficial que, a propósito, acabou de ficar um pouco pior no iOS, com a visualização algorítmica como padrão, sem opção de trocá-la pela cronológica. A mesma que, meses antes de adquirir o Twitter, Elon Musk classificou como “manipuladora”. Via Iconfactory, @paul@tapbots.social (ambos em inglês), Núcleo.

Lembrando que o Manual está no fediverso — e gostando bastante! Se você usa Mastodon, siga @ghedin@social.manualdousuario.net para receber links, notícias e curiosidades do site na sua linha do tempo.

É fácil encontrar aplicativos de contagem regressiva, mas um que conte os dias passados a partir de uma data… menos fácil. Topei com o Days Since no MacMagazine (para iOS, gratuito por tempo limitado via compra dentro do app) e é ótimo.

Quis um aplicativo do tipo quando experimentei esses xampus em barra. Eles costumam ser mais caros que os líquidos, mas afirmam que duram mais. Será? Não que a duração fosse o único critério para adotá-los ou não, mas queria um jeito fácil de tirar a prova.

E, sim, não é um tipo de aplicativo essencial; uma anotação no calendário ou mesmo num bloquinho de notas já cumpre o objetivo. Talvez isso explique a escassez de aplicativos do tipo. Ainda assim, fiquei contente com o achado. O Days Since é ótimo. Via MacMagazine.

O Product Hunt é um fórum muito popular entre startups para lançarem produtos e serviços. Em muitas situações, ele serve de termômetro para tsunamis que ainda estão longe de arrebentar em nós.

Diariamente, o Product Hunt envia um e-mail com os serviços/produtos mais votados do dia anterior. Nos dois primeiros dias úteis do ano, chamou a minha atenção o tanto de serviços que geram conteúdo com um clique usando inteligências artificiais nesses rankings:

  • TweePT3, um gerador de posts para o Twitter. Usa o GPT-3, da OpenAI.
  • Ansy, gerador de respostas para servidores no Discord. Usa GPT-3.
  • TweetEmote, outro gerador de posts no Twitter. Não especifica qual IA usa.
  • SuperReply, gerador de respostas para e-mails. Não especifica a IA usada.
  • Rizz, teclado para iOS gerador de respostas. Não especifica a IA.
  • LinkedIn Posts Generator, autoexplicativo, gera posts a partir de outros links, como se fossem resumos. Não especifica a IA.

Por um lado, a profusão dessas soluções acelera e pode até melhorar a comunicação. Por outro, em breve corremos o risco de estarmos falando com robôs o tempo todo, e de robôs estarem falando com robôs e… bom, onde ficamos nós, humanos?

O LastPass avisou na quinta-feira (22) que na invasão sofrida em agosto, divulgada no início de dezembro, cofres criptografados que armazenam as senhas dos usuários foram levados.

Além da demora em divulgar essa informação, a forma com que fez gerou críticas. Especialistas em segurança digital e até rivais dizem que o LastPass está minimizando a gravidade da situação e que o último comunicado, dias antes do Natal, preparou o terreno para jogar a culpa de possíveis senhas comprometidas nos usuários.

O The Verge fez um bom apanhado dessas reações.

A essa altura, não é exagero dizer que o uso do LastPass é um risco. Se for o seu caso, talvez seja uma boa tirar um dia para migrar para outra solução (1Password, Bitwarden e KeePassXC são alternativas recomendáveis) e trocar as senhas pelo menos dos serviços mais sensíveis. Via LastPass.

Print do Bloco de notas do Windows 11, em modo escuro, com duas abas.
Imagem: Windows Central/Reprodução.

Interrompo o recesso do Manual para dar uma notícia de última hora: o Bloco de notas do Windows 11 ganhará suporte a abas em algum momento próximo.

Um funcionário da Microsoft postou um print do aplicativo exibindo duas abas. (A janela também apresenta uma faixa vermelha em que se lê “Confidencial: Não debata os recursos nem tire prints”. Ops!)

Aplicativos similares ao Bloco de notas de outros sistemas operacionais, como o Editor de Texto do macOS e do Linux/Gnome (apps diferentes, apesar do mesmo nome), trabalham com abas há tempos. Nunca vi muita utilidade nelas nesse contexto, mas talvez seja só o meu fluxo de trabalho. Via Windows Central (em inglês).

Foi lançada nesta quinta (15), após dois anos de trabalho, a versão final do Xfce 4.18, ambiente gráfico para sistemas Linux e *BSD. Segundo os desenvolvedores, a traz “múltiplos novos recursos legais, um zilhão de correções de falhas e várias melhorias menores”.

O Xfce é um ambiente gráfico leve e que conserva uma estética e várias metáforas hoje clássicas, familiares, até, reminiscentes do Windows 95 e Gnome 2.

Um tour no site oficial, recheado de imagens, mostra as principais novidades do Xfce 4.18. Via Xfce (em inglês).

mIRC ainda existe e está revogando licenças vitalícias dos usuários

Topei com uma história curiosa a respeito do mIRC. Isso trouxe tantas lembranças e, talvez mais surpreendente, a revelação de que o IRC vive, com uma comunidade ativa, e planos para modernizar-se.

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A App Store agora aceita centenas de novos preços, incluindo valores redondos (R$ 5,00), menores que o antigo piso (no Brasil, era de R$ 4,90) e que podem chegar a US$ 10 mil (os 100 maiores preços só serão liberados mediante solicitação).

Outra novidade importante é uma automação para manter a equivalência de preços em todas as fachadas (175) e moedas (44) com que trabalha.

A conferir como essa maior granulação afetará os preços dos aplicativos e assinaturas da App Store.

A medida, vale mencionar, é resultado de um acordo que a Apple costurou com a Justiça dos Estados Unidos em agosto de 2021. Via Apple (em inglês).

Faz tempo que aplicativos de mensagens deixaram de ser versões melhoradas do SMS. Eles evoluíram: hoje são, também, utilitários e a base de comunidades, e as empresas que os desenvolvem têm apoiado essas transformações.

Recursos como as comunidades do WhatsApp e os tópicos do Telegram reconhecem o uso dos aplicativos de mensagens para comunidades. São versões limitadas de aplicativos mais modernos que têm isso no DNA, como Slack e Discord, ainda que simplificadas para não assustar quem não tem familiaridade com o formato.

Se vai colar, é outra história. Por um lado, comunidades/tópicos prometem ajudar na organização de grupos que por vezes se tornam caóticos, mas ao mesmo tempo jogam contra a simplicidade que permitiu a esses aplicativos se tornarem onipresentes.

O Telegram lançou nesta terça (6) uma expansão dos tópicos, agora disponíveis para grupos com pelo menos 100 membros (antes, o piso era 200). A explicação no anúncio oficial é confusa; talvez na prática seja mais simples. Devo ativar isso no grupo de assinantes do Manual. (Apoie o site para participar.)

Quanto ao WhatsApp, o recurso de comunidades, que já foi liberado lá fora, só será lançado no Brasil em 2023. Culpa das eleições, ou do mau uso do WhatsApp em eleições passadas. Via Telegram.

O LastPass sofreu outra invasão — a segunda em 2022. De acordo com a empresa, os invasores usaram informações obtidas no ataque anterior, de agosto, para acessar uma nuvem de terceiros usada pela empresa e conseguirem informações dos clientes/usuários. As senhas armazenadas no serviço, que são criptografadas, não foram afetadas.

Desde 2015, somente em dois anos (2018 e 2020) o LastPass não foi alvo de ataques ou apresentou falhas de segurança. Para um serviço que gerencia senhas, é um histórico ruim, ainda que, segundo a empresa, em nenhum momento as senhas em si tenham sido afetadas. Fica difícil confiar.

Felizmente, existem alternativas melhores no mercado, como 1Password, Bitwarden e KeePassXC — os dois últimos, gratuitos e de código aberto. Se você é um dos 33 milhões de usuários que o LastPass alega ter, talvez seja boa ideia começar a planejar uma migração. Via LastPass (em inglês).

A Tapbots, pequeno estúdio que desenvolve o melhor aplicativo para Twitter, o Tweetbot, anunciou que está trabalhando em um aplicativo para Mastodon.

O vindouro aplicativo já tem nome, Ivory, e terá versões para iOS e macOS.

O Tweetbot continuará sendo desenvolvido e deve ganhar, em breve, uma nova versão para macOS.

Uma versão alpha do Ivory já está em testes, mas ainda não há data de lançamento. Via @ivory@tapbots.social (em inglês).