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Gente que usa apps tipo Calendly está perdendo compromissos por mudança no Google Calendar

Uma nova configuração padrão no Google Calendar tem causado transtornos para quem usa serviços de agendamento automatizados, como Calendly e Cal.com.

Há relatos de pessoas que perderam compromissos devido à alteração.

Recentemente, o Google Calendar passou a, por padrão, rejeitar convites de e-mails estranhos ao usuário, ou seja, com quem a pessoa não tenha interagido por e-mail previamente.

Esse recurso foi lançado em novembro de 2022, em caráter de testes e opcional. Agora, o Google está ativando a opção para todos os usuários.

(Entrei no Google Calendar e, de fato, aparece um pop-up informando a mudança.)

O objetivo do Google é conter o spam no Calendar, um problema crônico do serviço. Só que a solução encontrada afeta serviços de terceiros e chega em um momento curioso, logo após o Google lançar um produto similar ao das empresas afetadas pela mudança.

O CEO da Grain, que oferece um software que grava videochamadas, reclamou:

Esses movimentos são tão descaradamente anticompetitivos e anticonsumidor… e tudo sob o pretexto da “prevenção de spam”… que eles poderiam facilmente gerenciar para contas do Google usando software de reserva de terceiros.

Para reverter o Google Calendar ao comportamento antigo, entre nas configurações e, em Configuração de eventos, troque a opção Apenas se o remetente for conhecido para De todos. Via The Register, Cal.com (ambos em inglês).

Novos preços da API do Reddit inviabiliza aplicativos alternativos, diz criador do Apollo

Toda aquela conversa de que o Reddit faria diferente e não praticaria preços abusivos pelo acesso à sua API para desenvolvedores independentes? Parece que era balela.

Os valores ainda não foram revelados oficialmente, mas Christian Selig, do ótimo Apollo, deu a notícia em primeira mão de que o Reddit cobrará US$ 12 mil por 50 milhões requisições.

É um preço inviável. No patamar atual, Christian teria que desembolsar US$ 20 milhões por ano com a API do Reddit.

O Reddit, que se prepara para abrir capital no segundo semestre, ainda dá prejuízo, mas não sei se inviabilizar aplicativos alternativos fará alguma diferença no balanço. Em tese, sim: sem esses apps, os usuários se voltariam ao app oficial, que exibe anúncios e está sob o controle do Reddit. Se todos farão essa migração, difícil dizer.

E mesmo que todos façam, quantos usuários acessam a plataforma dessa maneira? No Twitter, segundo um ex-executivo da empresa, 17% dos engajamentos, “historicamente”, acontecia por apps de terceiros. Em janeiro, o Twitter começou a quebrar o acesso de apps à sua API.

Christian ainda não sabe o que fará. Se o Apollo acabar ou ficar proibitivamente caro, eu sei o que farei: usarei bem menos o Reddit. Via r/ApolloApp (em inglês).

“Ponte” permite usar aplicativos do Mastodon com o Bluesky

Falando em Bluesky, criaram uma ponte para permitir o uso de aplicativos feitos para Mastodon na outra rede social descentralizada. (Dá até para usar o Ivory, que acabou de ser lançado no macOS.) O projeto, chamado Sky Bridge, tem o código-fonte aberto. Use por sua conta e risco e, se for usar mesmo, crie uma senha de aplicativo no Bluesky em vez de usar a senha principal.

Loja de apps do Google tinha gravador que vazava áudios dos usuários e jogo de escravidão

Não foi uma boa semana para a Play Store, loja de aplicativos para Android do Google.

Na terça (23), o pesquisador Lukas Stefanko, da ESET, revelou que um aplicativo a princípio legítimo, chamado iRecorder Screen Recorder, foi atualizado no segundo semestre de 2022 e passou a gravar e enviar áudios a servidores externos, sem o conhecimento do usuário, a cada 15 minutos.

O iRecorder Screen Recorder tinha mais de 50 mil downloads. O Google removeu o aplicativo da loja.

Caso mais grave ganhou destaque no Brasil. Um jogo chamado Simulador de Escravidão estava sendo distribuído na Play Store. O título descreve bem o conteúdo do jogo, que, após a repercussão, também foi removido pelo Google.

O mais bizarro (e triste) nesse caso é que Simulador de Escravidão tinha nota 4,0 (de 5,0 possível), resultado de 66 avaliações na Play Store. Via ESET (em inglês) e O Globo.

Novas maneiras de organizar conteúdo para “ler/ouvir depois”

Atualizações recentes dos aplicativos AntennaPod e Pocket me chamaram a atenção por redesenharem a tela inicial. No lugar da antiga lista comprida de coisas salvas (podcasts e artigos da web), apareceu uma tela dinâmica, com vários filtros e até sugestões de conteúdos.

Lembrei-me da máxima de que todo índice cresce até que seja necessária um mecanismo de pesquisa para encontrar o que se deseja, e toda pesquisa cresce até que seja necessária uma curadoria para encontrar o que se deseja.

Não sei ao certo onde as novas telas iniciais do AntennaPod e Pocket se encaixam. Parecem ser respostas a uma espécie de fadiga de conteúdo, um remédio para evitar que os usuários declarem falência das suas listas intermináveis e crescentes de coisas para ouvir/ler “um dia”.

Ainda que eu prefira uma lista ordenada por padrão (gosto dos filtros como opções), artifícios do tipo devem funcionar com muita gente. Afinal, há uma década a maioria trocou o controle absoluto dos feeds RSS pelo caos e incerteza das redes sociais para acompanhar o noticiário. (A expectativa de que chatbots substituirão os buscadores web reforça essa impressão.) Via AntennaPod, Pocket (ambos em inglês).

Windows 11 ganha suporte a RAR, 7-Zip e outros formatos de compactação

Enterrado no anúncio do Bing Chat (ChatGPT) dentro do Windows 11, a Microsoft revelou que seu sistema operacional ganhará suporte nativo a outros formatos de compactação além do *.zip, como *.7z, *.rar e *.gz — todos os suportados pela biblioteca libarchive. Será que as pessoas continuarão instalando (ou comprando) o WinRAR e similares? Via Microsoft (em inglês).

Thunderbird respira aliviado

O Thunderbird abriu a contabilidade referente a 2022 e os números são muito bons:

  • Receita de US$ 6,4 milhões em 2022, sendo 99% de doações;
  • Despesas de US$ 3,5 milhões no mesmo período, sendo 79,8% com pessoal.
  • Aumento do número de funcionários de 15 para 24;
  • Anúncio de que o aplicativo para iOS deverá entrar no planejamento ainda em 2023;
  • Promessa de “novas ferramentas e serviços” focados em produtividade para criar novas fontes de receita.

Para uma iniciativa que estava em modo de sobrevivência em 2018, é uma mudança e tanto. E também um contraste enorme com a Mozilla, de onde o Thunderbird se separou, que mantém uma estrutura corporativa considerável e ainda depende do dinheiro do Google — 83% do faturamento de US$ 450 milhões em 2021 veio da big tech. Via Thunderbird (em inglês).

Apple venderá aplicativos dela por assinatura

A Apple anunciou versões para iPad dos seus aplicativos profissionais, Final Cut Pro (para vídeo) e Logic Pro (para músicas). Eles serão lançados em 23 de maio.

O mais curioso é que, pela primeira vez, a Apple venderá um aplicativo próprio no modelo de assinatura. Ambos custarão US$ 4,99 cada por mês — na “cotação Apple”, em torno de R$ 30/mês. Via Apple (em inglês).

Mastodon mexe no app oficial para ser mais fácil a novos usuários

O Mastodon mexeu em um aspecto importante do aplicativo oficial. Agora, novos usuários são direcionados à instância dos desenvolvedores, mastodon.social, em vez de serem apresentados à infinidade de instâncias públicas. Talvez seja reflexo do calor que o Bluesky vem dando ou do #maystodon, a campanha para apresentar o Mastodon a mais gente. Embora controversa, acho a mudança boa. O conceito de instâncias/servidores pode ser confuso e sem dúvida afasta muita gente de lá. Via Mastodon (em inglês).

Google Authenticator com sincronia na nuvem pode não ser boa ideia

O Google Authenticator, aplicativo de senhas temporárias (OTP, na sigla em inglês) usado para autenticação em dois fatores (2FA), foi atualizado. Agora, os códigos temporários podem ser sincronizados via Conta Google.

Segundo Christiaan Brand, gerente de produtos do Google, era um pedido antigo dos usuários que, ignorando os códigos de backup gerados durante a configuração da 2FA, se viam sem saída quando perdiam o celular, ficando trancados para fora das suas contas digitais.

Não há dúvida de que a sincronia via Conta Google é mais conveniente. Por outro lado, essa solução fragiliza um pouco a proteção que a 2FA oferece. Alguém que invada sua Conta Google, por exemplo, teria a faca e o queijo na mão.

Piora. Aparentemente, os dados do Google Authenticator não são criptografados de ponta a ponta, o que significa que o Google ou autoridades com um mandado de busca e apreensão da Justiça poderiam apossar-se dos códigos.

O que fazer, então? O Google ainda permite o uso do Authenticator sem fazer a sincronia. É o ideal. Caso perca seu celular, existe uma saída segura que são os códigos de backup gerados durante a configuração da 2FA. É importante guardá-los em local seguro e acessível.

Quem procura conveniência pode tentar aplicativos do tipo que fazem o backup online/sincronia com criptografia de ponta a ponta, como o Authy. Via Blog de segurança do Google, @mysk@defcon.social/Mastodon (ambos em inglês).

Policiais suecos tentaram apreender dados de clientes da Mullvad VPN, que afirma não tê-los

A Mullvad VPN, da Suécia, avisou ter recebido em seu escritório “pelo menos seis policiais” do Departamento de Operações Nacional, da polícia sueca, com um mandado de busca e apreensão. O objetivo era apreender computadores com dados dos usuários.

A investida das autoridades foi frustrada, segundo a empresa. A Mullvad VPN diz não guardar dados dos seus clientes.

Argumentamos que eles não tinham motivos para esperar encontrar o que estavam procurando e, portanto, quaisquer apreensões seriam ilegais sob a lei sueca. Depois de demonstrar que é realmente assim que nosso serviço funciona e de terem consultado o promotor, eles saíram sem pegar nada e sem nenhuma informação dos clientes.

Segundo a empresa, foi a primeira vez em 14 anos que eles receberam a visita de autoridades no escritório, que fica em Gotemburgo, na costa oeste da Suécia. Via Mullvad VPN (em inglês).

Meta faz o que parecia impossível: Usuários do Instagram poderão colocar CINCO links na bio

O Instagram oficializou a expansão do número de links nos perfis, o famoso “link na bio”. De um, passamos agora para cinco. Bom ver que as mentes geniais da Meta, com muito trabalho duro e engenharia de ponta, conseguiram superar todos os desafios e colocar cinco links numa tela de um aplicativo.

Brincadeiras à parte, ficamos agora na expectativa do estrago que esse movimento causará ao mercado dos sites de “link na bio”. O Linktree, por exemplo, que há um ano era avaliado em US$ 1,3 bilhão, será afetado? (Imagina que loucura: um site que cria listas de links que vale mais ou menos o mesmo que uma BRF hoje.) Via TechCrunch (em inglês).

Microsoft corrige falha de cinco anos no Windows que fazia Firefox consumir muito processamento

A Microsoft corrigiu uma falha no Defender, o antivírus nativo do Windows — que vem ativado de fábrica —, que causava picos de processamento quando o Firefox estava em uso.

Embora seja um problema no Defender, a falha foi registrada no Bugzilla, da Mozilla, por Markus Jaritz em fevereiro de 2018:

Notei que já faz algum tempo a maior parte do tempo em que o Firefox está ativo, o [serviço] nativo do Windows 10 “Antimalware Service Executable” usa mais de 30% do meu processador e lê e escreve arquivos aleatórios em Windows/Temp, todos começando com etilqs_.

Isso tem me atrasado significativamente e faz com que o Firefox fique bem lento.

A correção finalmente chegou nesta terça, na atualização de março do Defender (plataforma 4.18.2302.x, motor 1.1.20200.4).

Yannis Juglaret, engenheiro da Mozilla, testou a correção e confirmou a melhoria:

Os números sugerem uma melhoria de ~75% no uso do processador do MsMpEng.exe ao navegar com o Firefox (o número específico se aplica a navegar no youtube.com na minha máquina).

Foi um mês cheio: na terça (11), a Microsoft liberou correções para 96 falhas, incluindo uma do tipo “dia zero” e sete classificadas como críticas. Antes disso, no dia 6/4, 17 falhas do Edge já haviam sido corrigidas. Via Neowin, Bleeping Computer (ambos em inglês)

O que aconteceu quando o CEO da Uber virou motorista de aplicativo

O Wall Street Journal publicou uma matéria meio chapa branca, mas não por isso desinteressante, contando como a Uber aperfeiçoou várias práticas em relação aos motoristas depois que executivos do alto escalão, incluindo o CEO, Dara Khosrowshahi, passaram a fazer entregas e a dar caronas a passageiros, como motoristas disfarçados.

No caminho, ele [Dara, o CEO] teve dificuldades para se cadastrar como motorista, testemunhou algo chamado de “isca da gorjeta” e foi punido pelo aplicativo por rejeitar corridas. A grosseira de alguns passageiros da Uber foi algo surpreendentemente difícil de aguentar.

A iniciativa partiu de Carrol Chang, diretora de operações de motoristas.

Esse tipo de coisa é o que se chama no meio de “dogfooding” — numa tradução literal, algo como “comer ração de cachorro”, mas que na prática significa usar o próprio produto para ter a experiência do consumidor/cliente visando melhorá-lo.

Por coincidência, logo em seguida li uma troca de e-mails fascinante, de 2003, na ótima (e sugestivamente intitulada) newsletter Internal Tech Emails.

Nela, Bill Gates, então CEO da Microsoft, gasta 5,3 mil caracteres descrevendo sua tentativa frustrada de baixar o Movie Maker para o Windows XP. Na sequência, outros executivos trocam e-mails entre si tentando estabelecer um plano de ação e definir responsabilidades para… colocar um link de download no site da Microsoft.

Não é só o salário dos executivos que parece descolado da realidade. Experimentos desse tipo — aparentemente raros — deveriam ser mais frequentes, no mínimo porque são benéficos à própria empresa: nos Estados Unidos, foco da reportagem do WSJ, a Uber ganhou mercado da sua principal concorrente (Lyft) e suas ações, derrubadas pelo contágio no setor de tecnologia, caíram muito menos que as da Lyft. Via Wall Street Journal, Internal Tech Emails (ambos em inglês).