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Apple afirma que iFood não burlou controle de privacidade de localização

A Apple enviou ao AppleInsider um posicionamento a respeito da suspeita de que aplicativos como o iFood poderiam ter explorado uma falha no iOS e acessado a localização do iPhone sem autorização.

A empresa negou esse cenário e deu mais detalhes da falha corrigida no iOS 16.3. Segundo a Apple, ela só podia ser explorada em aplicativos fora da “sandbox” no macOS, mas foi propagada para os outros sistemas da casa mesmo assim, ainda que “eles nunca tenham estado em risco”.

Segue abaixo o comunicado oficial (tradução minha):

Na Apple, acreditamos firmemente que os usuários devem escolher quando compartilhar seus dados e com quem. Semana passada, emitimos um alerta para uma vulnerabilidade de privacidade que só poderia ser explorada a partir de aplicações “unsandboxed” no macOS. A base de código que corrigimos é compartilhada pelo iOS e iPadOS, tvOS e watchOS, portanto a correção e o alerta foram propagados para esses sistemas operacionais também, apesar do fato de que eles nunca estiveram em risco.

A sugestão de que esta vulnerabilidade poderia ter permitido que aplicativos burlassem os controles do usuário no iPhone é falsa.

Um relato também sugeriu incorretamente que um aplicativo iOS estava explorando esta ou outra vulnerabilidade para burlar o controle do usuário sobre os dados de localização. Nossa investigação concluiu que o aplicativo não estava burlando os controles do usuário através de nenhum mecanismo.

Só fica a dúvida do que aconteceu no iPhone do Guilherme. Terá sido um “glitch” (uma falha na interface do iOS)?

Via AppleInsider (em inglês).

Breve introdução ao Nostr

Print de um post do Jack Dorsey no Twitter, em que se lê (em inglês): “a milestone for open protocols... #nostr is now officially on the Apple App Store with @damusapp”. Ao lado, um emoji “🤔”, grande, com um texto sobre a testa escrito “nostr…?”

“Um marco para protocolos abertos”. Foi assim que Jack Dorsey, co-fundador e ex-CEO do Twitter, anunciou a chegada do aplicativo Damus, um cliente do protocolo Nostr, à App Store/iOS.

O Nostr tem gerado burburinho em grupos de desenvolvedores, bitcoineros e uma galera super desconfiada de plataformas digitais. Motivo: o Nostr traz uma proposta alternativa às redes sociais comerciais que, nas palavras de quem o criou, seria “à prova de censura”.

(mais…)

Transmission 4

Após três betas, o ótimo Transmission 4 chegou à versão final na madrugada desta quarta (8). O aplicativo está bem moderno, mais eficiente e traz suporte a torrents v2 e híbridos. O único “porém” é que ele ainda não tem tradução para o português brasileiro — em nossas máquinas, a interface aparece em português lusitano. Gratuito, de código aberto, para Linux, macOS e Windows.

O iFood estava burlando a privacidade de localização do iPhone?

Atualização (11/2): A Apple emitiu um posicionamento ao AppleInsider negando que a falha mencionada abaixo tenha sido explorada e que o iFood tenha burlado os controles de privacidade do iOS.

O leitor Guilherme Teixeira notou algo estranho em seu iPhone no início de janeiro: o aplicativo do iFood estava acessando a localização do aparelho sem ter permissão para tal.

Quando Guilherme compartilhou essa curiosidade no nosso grupo do Telegram (para apoiadores), ficamos intrigados. Outro leitor respondeu: “iFood passando a perna na Apple.” Parece loucura. Mas… será?

Dois prints do iOS mostrando o aplicativo do iFood acessando a localização do aparelho mesmo sem permissão para tal.
Imagens: Guilherme Teixeira/Reprodução.

É uma hipótese reforçada pelas notas de lançamento do iOS 16.3, liberado pela Apple no dia 23 de janeiro. Entre outras, ela lista a falha CVE-2023-23503, submetida por um pesquisador anônimo, que permitia que um aplicativo conseguisse “ignorar as preferências de privacidade [do Maps]”.

A falha está em modo “reservado” no banco de dados do sistema CVE, ou seja, os detalhes ainda não foram publicados.

Guilherme disse que, depois que reiniciou o iPhone, o aplicativo do iFood voltou ao normal, ou seja, antes do iOS 16.3 ser disponibilizado.

Pode ter sido outra coisa? Uma falha pontual? Um erro de exibição do iOS? Pode. Mas que é uma estranha coincidência, isso é.

O Manual do Usuário entrou em contato com a assessoria de imprensa do iFood pedindo um posicionamento. Eles receberam a demanda, pediram mais detalhes e mais prazo, que foi concedido, mas o posicionamento ainda não havia chegado até a publicação desta nota. O post será atualizado assim que ele chegar.

Atualização (1/2, às 17h30): Segue o posicionamento do iFood na íntegra:

O iFood reforça que a segurança de dados é prioridade em seu negócio e na relação com os consumidores, entregadores e restaurantes. Os dados coletados são utilizados apenas para as finalidades previstas em nossa Declaração de Privacidade.

Neste caso, após análise minuciosa pela equipe de tecnologia, não foi identificado nenhum código no aplicativo iFood que permite o acesso a localização do usuário sem autorização, mas ainda assim, a empresa permanece à disposição para esclarecer qualquer dúvida referente ao assunto ou qualquer suposta falha, de modo a contribuir para trazer mais segurança à plataforma.

Presente em mais de 1700 cidades no Brasil e referência em delivery online, o iFood realiza investimentos constantes em segurança, tecnologia e monitoramento para identificação e correção de possíveis falhas e melhoria contínua do aplicativo.

“TikTok de textos”: O novo aplicativo dos fundadores do Instagram

O novo aplicativo de Kevin Systrom e Mike Krieger, fundadores do Instagram, se chama Artifact e é uma espécie de “TikTok de textos”.

A dupla está fascinada com recomendações por aprendizagem de máquina, e acham que há uma oportunidade de usar a tecnologia em textos.

Lembra muito o Flipboard, na real. (Alguém aí usa? O Manual tem um perfil/revista lá.) Eles prometem componentes sociais, como recomendações de artigos e comentários, mas… né, não é como se faltassem lugares para fazer essas coisas.

O Artifact ainda está fechado. Você pode deixar o telefone no site oficial e esperar por um convite. Via Platformer (em inglês).

Elk, um aplicativo web para Mastodon

Print de um perfil de Mastodon no Elk em uma janela do Safari para macOS.
Meu perfil pessoal do Mastodon no Elk. Imagem: Elk/Manual do Usuário.

O Elk é um cliente/aplicativo web para Mastodon. Em vez de logar e interagir no endereço da sua instância, você se loga no Elk e interage por lá. Por quê? É bem levinha, mais ágil e melhor organizada que a interface padrão do Mastodon.

O código do projeto é aberto, ou seja, você pode baixá-lo e instalar em seu próprio servidor, ou usar (de graça) a instância oficial em elk.zone. Ainda está em estágio alpha, mas já funciona bem.

Mudanças no 99Food, falência da Sis Express e regulamentação no governo Lula

Alguns eventos importantes no setor de aplicativos de entregas/caronas das últimas semanas:

  • A 99 encerrou o serviço de delivery com entregadores parceiros. Agora, o 99Food funciona apenas como marketplace, ou seja, os entregadores são todos vinculados a restaurantes ou terceiros. Via Mobile Time.
  • A Sis Express, maior operador logístico (terceirizada/intermediária) do iFood no Brasil, faliu. Em novembro de 2022, o The Intercept denunciou as investidas abusivas da Sis Express e do iFood contra um entregador youtuber. Via iFood.
  • O governo Lula conseguiu um feito: agradar empresários do setor e representantes dos entregadores/motoristas. O desafio agora é convergir as promessas feitas aos dos lados da mesa. Via Folha de S.Paulo.

NetNewsWire tem apenas 15 mil usuários no mobile

Do nada, o blog do NetNewsWire, um ótimo aplicativo de RSS para iOS e macOS, compartilhou o número de usuários ativos nos últimos 30 dias. São 9 mil no iOS, 4,6 mil no iPadOS e 1 no iPod (?).

Fiquei chocado por um app tão legal, tão bem feito e, ainda por cima, gratuito, ter só isso de usuários.

Quase dois bilhões de dispositivos da Apple estão em uso no mundo, a maior parte deles de iPhones, e só 15 mil pessoas usam esse aplicativo? (Provável que menos gente que isso, considerando aqueles que, como eu, usam o NNW no celular e no iPad.) O mundo é um lugar injusto. Via NetNewsWire (em inglês).

A Netflix criou um “ciclo de cancelamento auto-sustentável”

O serviço de streaming da Netflix completou 16 anos nesta segunda (16). (A empresa é mais antiga e começou com o aluguel de DVDs pelos Correios.)

Coincidência ou não, a Netflix atualizou seu aplicativo para iOS, trazendo novos efeitos visuais bem bacanas. (Veja um vídeo.)

Ok, legal, mas não é para ficar vendo pôster que alguém assina a Netflix — em tese, ao menos. Na Forbes, Paul Tassi argumenta que a Netflix criou um “ciclo de cancelamento auto-sustentável” a partir das várias séries canceladas do nada e sem conclusão, como os casos recentes de 1899 e The midnight club.

Paul explica:

A ideia é que já que você sabe que a Netflix cancela várias séries depois de uma ou duas temporadas, encerrando elas com pontas soltas ou deixando suas histórias abertas/sem final, quase não vale a pena investir tempo em uma série antes dela ter acabado e você tenha certeza de que ela tem um final coerente e um arco fechado.

Por isso, você evita assistir a novas séries, mesmo aquelas que lhe interessam, pois tem medo de que a Netflix as cancele. Um tanto de gente faz isso e, surpresa, a audiência [de novas séries] é baixa! E aí ela acaba sendo cancelada. O ciclo é fechado, e reforçado, porque agora há mais um exemplo, fazendo com que ainda mais pessoas tenham cautela da próxima vez. E agora chegamos a um cenário em que, a menos que uma série seja uma espécie de febre por acaso (Wandinha) ou uma super franquia estabelecida (Stranger Things), a chance de haver uma segunda ou terceira temporada não é nem meio a meio, mas sim algo como 10–20% na melhor das hipóteses.

Via Forbes (em inglês).

Twitter quebra acesso de apps alternativos como Tweetbot e Twitterrific

Atualização (16/1, 8h50): O site The Information (paywall) obteve acesso a mensagens internas do Slack do Twitter que confirmam que a quebra dos aplicativos alternativos é intencional. No Mastodon, Paul Haddad fez um testes: ele trocou as chaves da API usadas pelo Tweetbot, o que restabeleceu o aplicativo. Em poucas horas, porém, as chaves foram invalidadas.

Clientes alternativos do Twitter populares, como Tweetbot e Twitterrific, foram cortados da API da rede na noite desta quinta-feira (12).

Até agora, ninguém sabe se o corte foi motivado por uma falha ou se foi intencional. O Twitter, quase 24 horas depois, ainda não se manifestou, o que é por si só um grande indicativo do que pode estar acontecendo.

Para alguns, os poucos usuários de Twitter que confiam nesses apps, foi a gota d’água.

Teria sido para mim se já não tivesse abandonado o Twitter. Há anos só usava clientes/aplicativos alternativos, um refúgio contra o “conteúdo recomendado” inflamável que o Twitter injeta na linha do tempo do aplicativo oficial.

Aplicativo oficial que, a propósito, acabou de ficar um pouco pior no iOS, com a visualização algorítmica como padrão, sem opção de trocá-la pela cronológica. A mesma que, meses antes de adquirir o Twitter, Elon Musk classificou como “manipuladora”. Via Iconfactory, @paul@tapbots.social (ambos em inglês), Núcleo.

Lembrando que o Manual está no fediverso — e gostando bastante! Se você usa Mastodon, siga @ghedin@social.manualdousuario.net para receber links, notícias e curiosidades do site na sua linha do tempo.

Aplicativo que registra a passagem do tempo a partir de uma data

É fácil encontrar aplicativos de contagem regressiva, mas um que conte os dias passados a partir de uma data… menos fácil. Topei com o Days Since no MacMagazine (para iOS, gratuito por tempo limitado via compra dentro do app) e é ótimo.

Quis um aplicativo do tipo quando experimentei esses xampus em barra. Eles costumam ser mais caros que os líquidos, mas afirmam que duram mais. Será? Não que a duração fosse o único critério para adotá-los ou não, mas queria um jeito fácil de tirar a prova.

E, sim, não é um tipo de aplicativo essencial; uma anotação no calendário ou mesmo num bloquinho de notas já cumpre o objetivo. Talvez isso explique a escassez de aplicativos do tipo. Ainda assim, fiquei contente com o achado. O Days Since é ótimo. Via MacMagazine.