É natural que conteúdos sobre grandes acontecimentos apareçam nas redes sociais, pois é assim que as pessoas se comunicam há anos. Mas a responsabilidade pelos acontecimentos ocorridos no Brasil em 8 de janeiro é de quem infringiu a lei ao invadir e destruir prédios públicos.

— Meta, em comunicado à imprensa não assinado.

A Meta publicou alguns números de conteúdos relacionados às eleições de 2022 no Brasil removidos do Facebook e Instagram para tirar o corpo fora do caos que se instalou em Brasília no 8 de janeiro, quando golpistas bolsonaristas invadiram e depredaram as sedes dos três poderes da República.

É desejável que o Poder Público se envolva mais nessa questão, que haja uma regulação, mas a coisa não foi bem como a Meta tenta pintar com esse comunicado. Estudo recente sobre o papel das redes no episódio concluiu que elas poderiam ter feito mais. Via Meta.

O iOS 16.4, em testes no momento, trará suporte ao 5G Standalone (5G SA, ou “puro”) ao Brasil.

(O ex-ministro Fabio Faria deve estar contente por ver o resultado do seu grande esforço em prol da nação. Ou não; é mais provável que as duas coisas, a peregrinação de Faria à sede da Apple na Califórnia e o suporte ao 5G SA no iOS, não tenham uma relação de causalidade.)

Vitor Gomes publicou no Twitter telas da versão beta do sistema mostrando a opção em diferentes operadoras. Vivo e TIM já suportam o 5G SA; a Claro, ainda não.

Um detalhe que me intrigou é a necessidade, em alguns casos, de ter que trocar o SIM card para usufruir do 5G SA. Quando detecta um SIM card incompatível, o iOS diz:

A tecnologia 5G Standalone está indisponível porque não há segurança suficiente no SIM.

Via MacMagazine.

A Microsoft liberou uma atualização grande do Windows 11. (E… bem, é isso, “uma atualização”; as atualizações do Windows não têm mais nomes.)

O carro-chefe da versão é a presença do Bing Chat, a inteligência artificial baseada no ChatGPT da OpenAI, embutido na barra de tarefas do sistema. Os caras estão viciados nisso.

Há outras novidades boas, como o aplicativo Assistência Rápida redesenhado, painel de widgets ocupando a tela inteira, interface mais adaptada a tablets, gravação em vídeo da tela com o aplicativo Captura e Esboço e abas no Bloco de Notas. Veja em vídeo.

Você pode esperar o Windows Update baixar a atualização em algum momento de março, ou forçar o processo fazendo uma verificação manual por atualizações. Via Microsoft (em inglês).

A grande ideia é que além de falarmos com nossos amigos e família todos os dias, vamos falar com a inteligência artificial todos os dias.

— Evan Spiegel, cofundador e CEO da Snap.

A frase foi dita por Spiegel ao The Verge no contexto do lançamento do “My AI”, um contato baseado no ChatGPT lançado dentro do Snapchat. (Por ora, apenas para assinantes do Snapchat+.) O ChatGPT do Snapchat tem mais salvaguardas e se parece com uma pessoa, característica desaconselhada por especialistas.

Estamos vivendo o momento “coloca blockchain em tudo” das IAs gerativas, com a diferença de que, até agora, há uma empresa, a OpenAI, passando o rodo no mercado. Via The Verge, Snap (ambos em inglês).

Roupas duráveis: fazem bem para o seu bolso e para o planeta

por Manual do Usuário

Quando compramos um produto, um dos critérios mais importantes é a durabilidade. Faz bem ao bolso e ao meio-ambiente.

Num contexto de crise, com o dinheiro mais curto, comprar bem significa gastar bem, e não o mínimo possível. Afinal, do que adianta pagar barato numa camiseta de baixa qualidade e ter que comprar outra daqui a seis meses?

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O Gnome Circle chegou a 50 aplicativos dia desses.

Na última semana, três novos aplicativos foram admitidos no programa: Chess Clock, um relógio de xadrez; Komikku, um leitor de mangás; e Eyedropper, seletor e gerador de paletas de cores.

A iniciativa do projeto Gnome destaca “aplicativos e bibliotecas que estendem o ecossistema Gnome”. É uma vitrine para software de alta qualidade feito para o ambiente gráfico Gnome e que se reverte em benefícios aos desenvolvedores aceitos no programa. Via This Week in Gnome (em inglês).

O FBI, espécie de polícia federal dos Estados Unidos, emitiu uma recomendação curiosa à população no final de 2022: instalem bloqueadores de anúncios em seus dispositivos.

O alerta diz respeito a “ciber criminosos que se passam por empresas usando serviços de publicidade de buscadores web para enganar usuários”. Os criminosos publicam anúncios em buscadores como o Google a fim de instalar malwares do tipo ransomware (sequestro de dados) ou que roubam senhas e dados financeiros.

A menção aos bloqueadores é uma das três medidas de proteção individual recomendadas pelo FBI:

Usar uma extensão de bloqueio de anúncios ao fazer pesquisas na internet. A maioria dos navegadores web permite ao usuário adicionar extensões, incluindo extensões que bloqueiam anúncios publicitários. Esses bloqueadores de anúncios podem ser ligados e desligados dentro do navegador para permitir anúncios em certos sites e bloqueá-los em outros.

Siga a dica do FBI e instale um bloqueador de anúncios no seu celular e/ou computador. Via TechCrunch (em inglês).

Um ano depois da onda de assaltos das quadrilhas “limpa contas” no Brasil, o problema chegou aos Estados Unidos, como reportado pelo Wall Street Journal.

Lá, a julgar pelos relatos, os assaltantes agem mais em bares, observando e até interagindo com as vítimas de modo a forçá-las a inserirem a senha do iPhone. Depois, o mesmo roteiro daqui se segue: iPhone furtado, acessos à Conta Apple bloqueados e contas bancárias varridas.

O cerne do problema é o mesmo: a fim de facilitar a vida dos clientes, alguém precisa apenas da senha de desbloqueio do iPhone para alterar a senha da Conta Apple.

Em nota ao WSJ, a Apple disse que eventos do tipo são raros e demandam várias etapas físicas para serem bem sucedidos. “Continuamos a avançar as proteções para ajudar a manter as contas de usuários seguras”, concluiu um porta-voz.

Enquanto a Apple segue em negação, há duas medidas que ajudam a mitigar estragos — uma delas negligenciada pela reportagem do jornal norte-americano:

  • Trocar a senha do iPhone por uma alfanumérica. As de quatro ou seis dígitos são fáceis de serem observadas e memorizadas por terceiros.
  • Usar o Tempo de Uso para restringir alterações de código e da conta no iPhone (em Conteúdo e Privacidade). Isso cria uma senha alternativa, de quatro dígitos, para mexer nessas áreas sensíveis.

Via Wall Street Journal (em inglês).

Um comentário recorrente de gente que publica coisas na internet e dá uma chance ao Mastodon/fediverso é o engajamento que conseguem lá.

Mesmo com bases de seguidores muito menores que as do Twitter, por exemplo, os posts costumam ter mais curtidas, “boosts” (RTs) e cliques. Como pode?

Christopher Mims, colunista do Wall Street Journal, tem uma boa hipótese:

“O Twitter tenta agregar a maior atenção possível em torno de coisas que super viralizam. A quantidade de tempo diária é limitada. Assim, para coisas ‘explodirem’ é necessário que a maioria dos outros posts que as pessoas poderiam se interessar passe batida.”

A lógica “radical” do fediverso é entregar o conteúdo que a pessoa pediu para receber, sem um filtro opaco (o “algoritmo”) no meio.

Isso pulveriza a atenção dispensada — menos virais que chegam à TV e até sua avó fica sabendo, mais conteúdo pequeno, orgânico, se espalhando pela rede em nichos. Mais diversidade, mais inclusão, mais chances para que mais gente seja ouvida. Via @mimsical@mastodon.social (em inglês).

Uma olhada no Artifact, o “TikTok de textos” dos criadores do Instagram

O Artifact, novo aplicativo dos criadores do Instagram, Kevin Systrom e Mike Krieger, derrubou o sistema de convites e agora qualquer pessoa pode usá-lo.

Fiz isso e mostro a você o que o aplicativo, que promete uma curadoria de conteúdo em texto à moda TikTok, fortemente influenciada por um algoritmo de recomendação, tem a oferecer.

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Post livre #355

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Os comentários fecham segunda-feira ao meio-dia.

Tendo a Meta como grande expoente — a dona do Facebook e autora de práticas abusivas e continuadas de extração de dados pessoais dos usuários —, a privacidade em ambientes de realidade virtual (~metaverso) passa a ser um tema relevante.

Pesquisadores da Universidade de Stanford conseguiram identificar pessoas no mundo real a partir de dados extraídos de sessões curtas de realidade virtual, que não chegam a somar cinco minutos. Dos 511 participantes, 95% foram identificados. (Link para o paper, em inglês.)

Meta e HTC (fabricante do headset Vive) reservam a si mesmas o direito de compartilhar dados “anonimizados” com terceiros. Isso acende um alerta, pois de anônimos esses dados não têm nada, como demonstra o estudo.

Trata-se de mais um estudo que coloca em xeque as técnicas e garantias de anonimização, artifício usado de forma recorrente por empresas de tecnologia para repassarem dados dos usuários a terceiros. Via TechDirt (em inglês).

Durante anos, a Meta encheu o saco dos usuários para que eles usassem apenas uma conta e tivessem suas identidades verificadas. Os comentários desta matéria do nosso arquivo dão uma amostra desse “cuidado”.

Por isso estranha a novidade anunciada por Mark Zuckerberg neste domingo (19): uma assinatura paga para garantir a identidade de alguém e evitar a clonagem de perfis.

(Estranha também que alguém tenha achado o plano de Elon Musk no Twitter, de vender selos de verificação, tão boa ideia a ponto de copiá-la.)

A assinatura “Meta Verified” vale para Facebook e Instagram. Ela garante o selo azul e a confirmação de que sua conta foi autenticada com um documento oficial. Em outras palavras, você paga para dar mais dados — cópias do seu RG ou CNH — à Meta.

Fora o absurdo do arranjo no âmbito individual, esse arranjo abre margem para questionar os números de usuários que a Meta se gaba ter (+2 bilhões!).

Por ora, em testes na Austrália e Nova Zelândia. O custo do Meta Verified é de US$ 12 se assinado pela web, e US$ 15 por aplicativos móveis, no que parece mais um ataque da Meta esfregar na cara o “Custo Apple” que recai em produtos e serviços digitais. (Embora o valor extra também valha no Android, Zuckerberg só falou em “iOS” em seu post.) Via Meta, @zuck/Facebook (ambos em inglês).