A Volkswagen lançou um comercial estrelado por Maria Rita e Elis Regina, essa uma “deepfake” ressuscitada com inteligência artificial. É a IA ressuscitando pessoas para vender carro. O futuro é agora e ele é uma distopia. Que sacanagem com a Elis… Via G1.

Em 2013, cometeram o mesmo sacrilégio com Audrey Hepburn. No caso, para vender chocolate.

Não me surpreenderia saber que os eventos desastrosos do Twitter no fim de semana precipitaram o lançamento do Threads. Se sim ou não, não importa: ele vem aí. O novo app da Meta já aparece agendado para a próxima quinta (6) na App Store e na Play Store de alguns países, como a da Itália. Traz “Instagram” no nome e zero menção a ActivityPub ou Mastodon, como era de se esperar.

Ao rolar um pouco a página do Threads para iOS, chama a atenção o tanto de “dados vinculados a você” listados, bem como o tamanho do app (254 MB). É um contraste chocante com outros apps “first party” do mesmo tipo, como Bluesky (3 tipos de dados, 24,8 MB) e Mastodon (nenhum dado coletado, 57,9 MB).

Desde outubro de 2022, os fiascos do Twitter beneficiaram sobremaneira o Mastodon/fediverso. O último — limitação de posts nos feeds dos usuários — está ajudando o Bluesky a bombar. A rede teve que fechar para novos cadastros no domingo (2) e, ao reabrir, nesta segunda (3), a demanda por convites parece ter aumentado um bocado. Via @bsky.app/Bluesky (2) (em inglês).

Temos uma conversa no Órbita para distribuir convites. (Não é para pedir; é para distribuir.) Se você tem um sobrando aí, considere compartilhá-lo lá.

Manual em um universo alternativo

Em meados de 2019, publiquei algumas matérias em uma série que batizei de “Universo alternativo”. Eram histórias de aplicativos e ambientes digitais populares no Brasil, até então ignorados pela imprensa.

Em julho, farei um experimento no Manual do Usuário que me remete a algo de um universo alternativo: ao longo do mês, usarei todas as redes sociais, até as mais tóxicas, como Twitter, Facebook e Instagram, para espalhar os textos, vídeos e tudo mais que produzir aqui.

(mais…)

Elon Musk limitou a quantidade de posts que alguém pode ver no Twitter para combater a raspagem de dados da plataforma. Usuários não verificados (leia-se: não pagam a assinatura) podem ver 800 posts por dia. (Antes, o limite era 600.) Do ponto de vista do Twitter, é uma das decisões mais estúpidas que a direção poderia tomar — ver posts é a base de todo o negócio. Para os usuários, é uma boa notícia, meio que um tratamento de choque para reduzir o vício em um ambiente tóxico. Via @elonmusk/Twitter (2) (ambos em inglês).

O Twitter bloqueou o acesso a perfis e posts sem estar logado. Não houve comunicado algum da mudança, o que pode significar uma de duas coisas: é um erro/problema no site, ou apenas Elon Musk sendo covarde outra vez. (Em janeiro, o Twitter quebrou apps de terceiros sem aviso prévio.) Considerando que dia desses ele estava reclamando da Microsoft supostamente usar dados do Twitter para treinar IAs, talvez seja a segunda opção.

Com essa “mudança”, nossa instância do Nitter, no PC do Manual, quebrou. Vamos acompanhar a situação para ver o que fazer com ela.

Atualização (1º/7, às 8h46): De acordo com Musk, o bloqueio é uma medida temporária devido a “várias centenas de startups” coletando dados do Twitter para treinar inteligências artificiais.

Dez anos do fim do Google Reader

Neste sábado (1º/7), completa-se dez anos do encerramento do Google Reader, o querido agregador de feeds RSS do Google.

Ainda hoje, não é difícil ouvir lamentações saudosas do Reader, quase como se, com ele, o Google tivesse acabado com o RSS e não houvesse serviços similares, na época e depois, capazes de suprir sua ausência.

Eu usava o Reader, lamentei seu fim, mas nunca entendi a dimensão da comoção.

O The Verge publicou uma boa matéria (em inglês) com falas dos criadores do Reader. Tem alguns dados suculentos ali, como o máximo de usuários que o serviço alcançou (30 milhões) e o desprezo que a direção da empresa manifestava pelo Reader.

O texto também me ajudou a entender melhor a saudade que ainda persiste, uma década depois. A parte social do Google Reader, parece, era muito importante. Eu seguia muitas pessoas e sempre conferia as recomendações delas. Era legal, mas não era o meu principal uso. Acho que, por isso, consegui me adaptar a alternativas que não tinham (e não têm) um componente social.

Na época, o Google ainda estava comprado no Google+, sua ambiciosa aposta para fazer frente ao Facebook. Foi um fracasso monumental. O Google Reader faleceu nessa época, de causas naturais. Quando puxaram o fio da tomada, ele já estava moribundo, em modo manutenção.

Os criadores do Reader acham, ainda hoje, que o serviço poderia ter tido um futuro brilhante com investimento e apoio da direção do Google. Talvez. Ou talvez essa parte social não estivesse mesmo no DNA da empresa e o domínio do Facebook, naquelas circunstâncias, era inevitável.

Ah, em tempo: quem assina o Manual tem direito a uma conta no Miniflux, um agregador de feeds RSS de código aberto e super elegante. Detalhes da assinatura aqui.

Clientes do Ame, a carteira digital da Americanas, receberam um e-mail (veja) informando que a partir de 5/7, contas com saldo de cashback e sem transação há mais de 90 dias terão uma tarifa de manutenção de R$ 2,99, debitada apenas do saldo de cashback.

Não dá para dizer que a Americanas não está inovando para sair da “crise”: é a primeira vez que vejo cobrança de taxa sobre cashback. É tipo pedir um presente de volta. Feio.

É hoje, 30 de junho: último dia dos aplicativos de terceiros do Reddit mais populares, como Apollo e RIF. A partir de amanhã, só com o (terrível) oficial. Minha conta lá precede o uso do Apollo, mas só passei a frequentar o Reddit pelo e por causa do Apollo, que descobri em meados de 2018. Foi bom enquanto durou.

Primeiro a Meta e, agora, o Google, anunciaram que removerão links de publicações jornalísticas canadenses de seus produtos em resposta a uma lei recém-aprovada no país (inteiro teor) que exige que plataformas digitais paguem por links. Ainda que a demanda de fundo (garantir a sustentabilidade do jornalismo) seja legítima, o remédio é um veneno que vai matar o paciente. Ninguém deveria taxar links. É um dos elementos básicos da web. Via CBC, Google (ambos em inglês).

Estava lendo o perfil de @Fiatjaf, o misterioso criador do protocolo Nostr, quando descobri que ele é brasileiro, nasceu na região Sudeste e tem ~30 anos. Tem outras curiosidades no perfil escrito por Michael del Castillo, como a influência neoliberal (sem surpresa) na formação do programador e… números muito estranhos do Nostr, em especial o de usuários: 18 milhões. Tenho dificuldade em crer que um negócio que depende de pares de chaves criptográficas para ser usado tenha quase o dobro de usuários do Mastodon (que não é fácil, eu sei, mas achei mais fácil que o Nostr). Via Forbes (em inglês).

Muitos de vocês podem estar se perguntando como temos uma equipe no buscador que está iterando e construindo todas essas coisas novas e, de alguma forma, os usuários ainda não estão muito contentes.

— Prabhakar Raghavan, vice-presidente sênior do Google.

A CNBC obteve o áudio de uma reunião interna do Google em que a empresa debateu o impacto da crise do Reddit na satisfação dos seus usuários. Raghavan lidera o buscador do Google.

Faz algum tempo que uma galera acrescenta “reddit” aos termos da pesquisa para ir direto às comunidades do Reddit, onde pessoas reais escrevem, evitando o oceano de chorume escrito para SEO que polui o Google. Agora imagine o estrago que IAs gerativas tipo ChatGPT causarão… Via CNBC (em inglês).

O mundo Linux está em polvorosa com o anúncio da Red Hat de que passará a distribuir o código-fonte do Red Hat Enterprise Linux (RHEL) apenas para clientes, pondo em risco a continuidade de projetos que prometem compatibilidade com o RHEL, como Rocky Linux, AlmaLinux e a distro da Oracle.

Essa é uma história mais corporativa e jurídica que técnica, com implicações profundas para o ecossistema — profundas demais para o escopo deste Manual. A nós, o que importa é: e o Fedora, a distro para usuários finais patrocinada pela Red Hat? Aparentemente, ele está a salvo, pois deriva do CentOS Stream (a mesma “fonte” do RHEL), que continuará sendo distribuído abertamente. Turbulências na Red Hat, porém, podem ter algum impacto a longo prazo, visto que a empresa é a principal financiadora do Fedora e de vários projetos importantes para o Linux. Via The Register (em inglês).

Shein leva influenciadoras dos EUA à China e posts delas geram questionamentos

por Shūmiàn 书面

A Shein convidou seis influenciadores de moda e beleza estadunidenses para visitar seu centro de inovação em Guangzhou e um centro de distribuição em Zhaoqing. Até aí, normal.

O que causou alvoroço foram as afirmações que as jovens fizeram em seus posts: de que as condições de trabalho nas fábricas da marca seriam ótimas (“eles nem suam!”), que só ouviram depoimentos elogiosos dos funcionários e que dizer o contrário seria uma narrativa usada nos EUA contra a marca.

Muito rapidamente, seguidores começaram a encontrar indícios de que os cenários e pessoas escolhidas para a visita talvez não fossem tão autênticos quanto as jovens afirmavam e que elas estavam fazendo um trabalho de limpeza de imagem para a empresa — algo de que a Anitta também vem sendo acusada.

Talvez não tenha valido o investimento do time de marketing: algumas influenciadoras acabaram apagando as postagens ou mesmo se retratando, e as redes sociais receberam uma onda de comentários negativos sobre a empresa, relembrando notícias negativas sobre as condições trabalhistas associadas a seus produtos.