As renderizações 3D no catálogo da Ikea

Mais uma peça do catálogo da Ikea.
Imagem: Ikea.

O site CGSociety bateu um papo com Martin Enthed, gerente de TI da agência interna da Ikea, e descobriu que 75% dos produtos no catálogo da fabricante é representado por renderizações 3D em vez de fotos tradicionais. Entre a primeira imagem do tipo, em 2006, e o número expressivo de hoje, passaram-se oito anos. Há dois, em 2012, as renderizações correspondiam a 25% do catálogo segundo apresentação do próprio Enthed na SIGGRAPH. A computação gráfica não é promessa, é realidade na publicidade — e a imagem acima, feita em computadores, prova isso.

O que parece ineditismo é, na prática, bem mais comum do que se imagina. Não é de hoje que várias indústrias recorrem ao poder dos computadores para retocar ou mesmo criar, do nada, o material publicitário dos seus produtos. Ou vai me dizer que você acreditava que esses Ashas dançando e se multiplicando na tela eram apenas aparelhos bem adestrados ou obra de alguma engenhoca? (mais…)

A grande oportunidade do NFC

No próximo dia 9 a Apple fará um evento onde, se os rumores baterem, revelará um (ou mais de um) novo iPhone e o iWatch, ou alguma coisa “vestível”.

Faz algum tempo que a esteira de rumores tem cravado com precisão o que a Apple anuncia, logo o novo iPhone com tela maior deve se confirmar. Quanto ao gadget vestível, as informações são menos concretas. John Paczkowski do Recode, que antecipou a data do evento, disse que o novo produto só estará nas lojas no começo de 2015. A distância explicaria o silêncio dos sites de rumores — sem produção, não tem o que vazar.

Talvez a única certeza seja a de que o gadget vestível da Apple não será em nada parecido com o que já se tem no mercado. Nem o “campo de distorção da realidade” é capaz de consertar produtos sem apelo como os da primeira geração do Android Wear e os vários da Samsung rodando Tizen.

Em nota relacionada, parece que a Apple finalmente suportará o NFC. É o que John Gruber sugere e, em um desses vazamentos do novo iPhone, identificaram um módulo NFC. No mínimo, ele facilitaria o pareamento com o suposto gadget vestível, mas o potencial extrapola essa aplicação e, em última instância, pode respingar (e beneficiar) fabricantes Android que há anos trazem a tecnologia que, salvo em uma ou outra aplicação aqui no ocidente, é subutilizada.

Esse assunto surgiu no grupo de discussão do site no Facebook (apenas para assinantes). Lá, desenvolvemos um bom raciocínio sobre as implicações que, se concretizada, essa nova configuração de mercado pode desencadear. O que alguns chamam de “campo de distorção da realidade” é, na prática, poder, influência — e méritos da Apple por alcançar tal patamar. Com ela suportando o NFC, as chances dele vingar e se espalhar em outras indústrias, criando o ecossistema de que algo do tipo precisa para se estabelecer, aumentam dramaticamente.

É um cenário similar ao dos smartphones pré-iPhone, ou dos tablets pré-iPad. A analogia, mais rasa, também se aplica nesse hipotético: juntas ou em investidas solitárias, Google, Samsung e outras não conseguiram difundir o NFC. Hoje o máximo que dá para fazer aqui no Brasil é trocar fotos e informações de contato tocando dois celulares e recarregar seu cartão do metrô em São Paulo.

O fato da Apple entrar na jogada não é uma certeza de que o NFC decolará. O Passbook, criado meio que como uma resposta a um dos casos de uso mais típicos do NFC, a substituição da carteira pelo smartphone, tem utilidade mas está longe de ser unânime.

E ainda que tenha a força do iPhone, a própria tecnologia precisa resolver alguns problemas graves antes de almejar a mesma difusão que outros componentes do smartphone moderno sustentam, como câmera e 3G/4G. Falta segurança, faltam aplicações originais e úteis, falta até mesmo compatibilidade (paywall) — dependendo do fornecedor da antena NFC, ele funciona ou não com uma série de acessórios e terminais.

Compartilhar um contato tocando dois smartphones é muito legal. Pagar a conta do restaurante fazendo o mesmo gesto? Por favor! A Bloomberg relata que a Apple firmou acordos com Visa, MasterCard e American Express, e se onde há fumaça, há fogo… Embora tecnologicamente viável, ainda é preciso alinhar uma série de fatores externos para tornar isso realidade. O iPhone não é a peça que falta, mas pode ser aquela que dá uma visão geral e facilita o encaixe das restantes.

As esquisitices e virtudes do Mi4, smartphone da Xiaomi

Mi4, último smartphone da Xiaomi.
Foto: Ron Amadeo/Ars Technica.

A Xiaomi ainda não vende no Brasil, apesar de já ter escritório aqui e estar preparando sua entrada no país. Quando seus produtos chegarem, se mantiverem os preços praticados na China eles têm tudo para esgotar rapidamente: pelo que tenho lido por aí, são smartphones bonitos, rápidos, bem construídos e custam pouco.

É difícil termos uma visão ocidental do que a Xiaomi vem fazendo, por isso li com bastante interesse o review do Mi4 escrito por Ron Amadeo para o Ars Technica. (Disclaimer: gosto muito dos reviews de lá.) Alguns trechos me surpreenderam, como o que Amadeo coloca o Mi4 no topo da cadeia dos Androids, à frente do One M8 e Galaxy S5:

A grande força da Xiaomi é sua execução. Muitas das coisas que a empresa produz não são únicas, mas a Xiaomi faz um trabalho fantástico em qualquer coisa em que ela foque. Então, sim, o Mi4 é basicamente um iPhone grande, mas ele também é construído como um iPhone. Uma estrutura de aço com arestas chanfradas, bordas finas e construção impecável fazem deste o melhor hardware Android que vimos esse ano.

O software, uma versão pesadamente modificada do Android que a Xiaomi batizou de MIUI (lê-se “mí iú ai”), lembra bastante o iOS no visual e, em relação a seus pares ocidentais que adotam o sistema, tem a vantagem de ser rápido, muito rápido: (mais…)

Novos relógios inteligentes: G Watch R e Gear S

Na dúvida sobre como deve ser o relógio inteligente ideal, LG e Samsung continuam despejando novos modelos no mercado, cada um com características bem específicas para se diferenciar dos demais. Se esse nicho crescerá a ponto de justificar toda essa atenção? Quem se importa?

De ontem para hoje, em aquecimento para a IFA que começa em Berlim no próximo dia 5, as duas empresas anunciaram novos relógios. Note que faz apenas dois meses que os últimos, G Watch e Gear Live, foram lançados.

G Watch R, primeiro relógio inteligente redondo.
Foto: LG.

Da LG vem o G Watch R, um relógio com tela circular e acabamento nobre, com o uso de metal na caixa e couro na pulseira. A LG chama a atenção ao fato do G Watch R ser totalmente redondo, lembrando que o Moto 360, ainda não lançado mas já responsável por suspiros entre entusiastas, tem uma pequena base preta onde ficam os componentes da tela. No novo relógio da LG, esses mesmos componentes foram alocados na borda, que também traz marcações de segundos gravadas fisicamente. Outra característica legal é o uso da tecnologia P-OLED, que promete tornar o relógio visível mesmo sob o Sol.

O Gear S usa Tizen e tem a tela curvada.
Foto: Samsung.

Já a Samsung volta a usar o Tizen no lugar do Android Wear com o Gear S. Esse tem tela AMOLED curvada, o que é bem legal, e vem com um antenas 3G e Wi-Fi, que o torna independente do smartphone. Resta saber o preço que toda essa conectividade cobrará da bateria, que tem apenas 300 mAh — o release fala em “dois dias de uso normal”, o que parece exagerado.

Características comuns a relógios inteligentes, como sensor de batimentos cardíacos e resistência à água e poeira, são itens marcados nas checklists de ambos os modelos. O G Watch R será lançado no quarto trimestre e o Gear S, em outubro. E eu, sigo na espera por algo que justifique o frisson em torno desses relógios (supostamente) inteligentes.

Microsoft fecha o cerco contra apps genéricos que se passam por oficiais

Todd Bix, em um blog oficial da Microsoft:

No começo do ano, ouvimos em alto e bom som que as pessoas estavam com dificuldades para encontrar os apps pelos quais procuravam; com frequência, tinham que se debruçar sobre listas de apps com títulos confusos ou enganosos. Recebemos esse feedback com seriedade e modificados os requisitos de certificação da Loja [de Apps do] Windows como um primeiro passo para garantir que os apps sejam nomeados e descritos de uma maneira que não deturpe seus propósitos.

Em março, Long Zheng exemplificou o problema com o Facebook. Um app genérico, com ícone e nome idênticos ao oficial, aparecia no topo da pesquisa por “facebook” na loja australiana.

As alterações no processo da Loja de Apps, tanto a do Windows, quanto a do Windows Phone, já estão valendo e resultaram, de cara, na eliminação de 1500 apps. Consumidores que compraram algum deles serão reembolsado.

O barateamento do Dropbox Pro não significa uma declaração de guerra pelo menor preço

O Dropbox consolidou seus planos pagos em apenas um e anunciou recursos exclusivos para ele. Agora, a versão Pro custa US$ 10 por mês e dá direito a 1 TB de espaço — até ontem, com o mesmo valor se alugava 100 GB no serviço. Com isso ele se equipara às ofertas de Microsoft e Google, que recentemente promoveram cortes agressivos na tabela de preços do OneDrive e Google Drive.

Nessa mesma época, aliás, Drew Houston, CEO do Dropbox, foi pressionado para acompanhar a corrida para baixo e diminuir p que cobrava. Ele rebateu a pressão dizendo que não entraria nessa guerra. Como justificativa, alegou que o foco do serviço não é preço, e que seus clientes valorizam a qualidade e os serviços agregados que outros não oferecem. Teria ele, agora, dado o braço a torcer?

Não parece ser o caso. A sacada do novo plano do Dropbox é ser único. Como nem todo cliente pagante consumirá o 1 TB a que tem direito, é de se esperar que a margem de lucro seja maior do que, digamos, a que o Google tem ao cobrar US$ 1,99 por 100 GB ou a Microsoft, US$ 3,99 por 200 GB. O plano básico, de 15 GB nesses dois e restrito a apenas 2 GB no Dropbox, também é um grande incentivo para que mais gente migre para a versão Pro.

Além da simplificação e barateamento do espaço na nuvem, o Dropbox anunciou recursos exclusivos para clientes pagantes, a saber:

  • Exclusão remota de arquivos em dispositivos roubados ou perdidos.
  • Compartilhamento apenas para visualização.
  • Prazo de validade e senha para arquivos compartilhados.

O ecossistema em torno do Dropbox, que no início do ano ganhou o (ótimo) Carrousel e a promessa do Project Harmony para levar colaboração em tempo real a aplicativos desktop, como os do Microsoft Office, enriquecem a experiência e funcionam como diferenciais. Agora que se abriu a possibilidade deles serem exclusivos a quem paga, a tendência é que a chegada dos futuros novos recursos seja limitada a tal público, fazendo os US$ 10 mensais gastos ali valerem mais.

O Dropbox se destaca pela velocidade e confiabilidade — nunca falha, é rápido e multiplataforma. Não me parece que esse anúncio seja uma declaração de guerra pelo menor preço, mas sim um contra-ataque disparado com precisão cirúrgica no que poderia ser uma ameaça à sua posição atual e uma tentação aos seus clientes menos fiéis.

[Review] L80 ou L90, qual dos dois intermediários da LG é o melhor?

Em maio a LG lançou no Brasil, de uma tacada só, nove smartphones por preços que iam de R$ 350 a R$ 950. A linha L, que abrange os modelos de entrada e intermediários, nunca foi tão populosa quanto nesta terceira geração e, com tantos membros, era inevitável que alguns se sobrepusessem em características e preços. O caso da dupla L80 e L90 talvez seja o que mais se destaque.

Coloquei os dois lado a lado para determinar qual é a melhor escolha. O L80 saiu aqui com preço sugerido de R$ 950, e o L90, por R$ 900. Hoje, três meses depois do lançamento, dependendo da loja e da promoção os preços variam, girando a casa dos R$ 650~800, mas o L80 continua custando mais ainda que por uma margem quase irrelevante. O preço tem um peso importante nos segmentos de entrada; quando ele perde peso no processo decisório e deixa às configurações essa responsabilidade, o que acontece se essas são similares? É o que você confere agora.

L80 ou L90, qual compensa mais?

Não é preciso ser um gênio da matemática para saber que 90 é maior que 80. A superioridade estampada no nome perde muito do seu efeito quando se tem ambos os smartphones, L80 e L90, nas mãos. Com muitos recursos idênticos e exclusividades equilibradas, hierarquizá-los é bem mais difícil do que apontar o número maior. (mais…)

A renderização de caracteres no Chrome do Windows está mais bonita

A API DirectWrite existe desde o Windows Vista, de 2007. O Chrome, lançado quase dois anos depois, desde sempre usava uma outra, a GDI, para renderizar fontes. Na prática isso se traduzia em caracteres serrilhados — e indigestos para quem tem contato com outras plataformas, como as da Apple e Google.

Com a chegada do Chrome 37, o navegador do Google finalmente renderiza caracteres no Windows usando a DirectWrite. Atualize o seu aí se ainda não o fez e veja a diferença: os textos estão mais suaves e, felizmente, o anti-aliasing não é tão agressivo quanto o do Internet Explorer.

Além disso, o novo Chrome também suporta nativamente telas HiDPI, o que significa que em resoluções altíssimas a interface não fica borrada. No OS X essa melhoria já existia fazia dois anos. O gerenciador de senhas também mudou, alguns recursos para desenvolvedores mudaram e as (supostas) melhorias em estabilidade e segurança estão lá.

O Chrome 37 também marca a estreia da versão 64 bits no canal estável. Ainda é opcional e apenas na versão em inglês (baixe-a aqui), mas é mais um passo rumo à padronização.

O Hyperlapse do Instagram é incrível e já pode ser baixado

O Instagram lançou hoje o Hyperlapse, seu segundo app — o primeiro, Bolt, (mais) um clone do Snapchat, ainda está restrito a uma espécie de estágio beta em alguns poucos países. O Hyperlapse é um app minimalista de gravação de vídeos que tem como única função acelerá-los e suavizá-los, criando assim timelapses magníficos.

A Wired publicou com exclusividade um perfil do app. Nele, explica a trajetória dos pais do projeto, os engenheiros Thomas Dimson e Alex Karpenko, da ideia à engenhosa implementação utilizando-se do giroscópio e, depois, como o recurso acabou se tornando um app independente em vez de ser incorporado ao Instagram. O ponto mais importante, porém, é este:

O que antes só era possível com uma Steadicam ou equipamentos de US$ 15 mil agora está disponível no seu iPhone, de graça.

A qualidade dos vídeos é de cair o queixo. Duvida? Veja alguns:

https://vimeo.com/104409950

O Hyperlapse é exclusivo do iPhone e essa história ilustra bem dois pontos fracos da Microsoft (Windows Phone) e Google (Android).

Há 15 dias a Microsoft publicou um projeto homônimo com resultados igualmente fascinantes, só que fora do alcance dos usuários. No material de divulgação, os criadores do Hyperlapse da Microsoft disseram estar trabalhando em um app para Windows. “Fiquem ligados”, pediram. Estou aqui ligado desde então e, até agora, nada. Não que eu esperasse um app pronto a partir de uma demonstração pública num intervalo de apenas duas semanas, mas a arte de insinuar coisas muito legais e demorar horrores para entregá-las lapidadas aos consumidores finais é típica da Microsoft.

Ao Google, a fragmentação do Android se revelou a vilã mais uma vez. O Hyperlapse para a plataforma não está nem em desenvolvimento porque são necessárias mudanças nas APIs do giroscópio e da câmera. E quando elas ocorrerem, toda a base se beneficiará? Será algo dependente do Google Play Services ou de uma nova versão?

O Hyperlapse é gratuito e está disponível na App Store.

Quando o Uber e outros serviços disruptivos batem de frente com a lei

Uma das buzzwords mais recorrentes no Vale do Silício é “disrupção”. Empregada naquele contexto, diz respeito a serviços que mudam paradigmas e afetam mercados e práticas estabelecidas. A Netflix, com seu serviço de streaming barato e de qualidade, é um exemplo: ainda que não exclusivamente, ela teve uma parcela de culpa pela derrocada das locadoras de filmes. O Airbnb, que permite a qualquer um alugar aquele quarto vazio por alguns dias a estranhos, abocanha uma pedaço da clientela da rede hoteleira.

Serviços mais recentes têm apresentado ambições maiores e na ânsia de criar disrupções, batido de frente com governos e legislações. O Secret, que sequer se adequa exatamente à descrição, passa por cima da vedação ao anonimato da Constituição brasileira. Outro serviço que desembarcou recentemente aqui, esse sim tendo como premissa o ingresso em uma indústria consolidada, a do transporte individual de passageiros, é o Uber.

Para quem ainda não foi apresentado, o Uber é uma espécie de táxi de luxo. Ele recruta motoristas que, para serem aceitos, precisam cumprir alguns pré-requisitos como terem determinados carros de luxo e oferecerem provas e garantias pessoais. Essa frota é contratada pelos clientes via apps de smartphones. Por eles, é possível acompanhar o trajeto do veículo, atribuir notas ao motorista e realizar pagamentos, que saem direto de um cartão de crédito previamente cadastrado. O Henrique deu um rolê por São Paulo a bordo de um carro do Uber e contou a (positiva) experiência no ZTOP. (mais…)

Primeiras impressões do Galaxy S5

O smartphone mais badalado entre as dezenas (centenas?) que a Samsung despeja no mercado todos os anos está aqui. Qual é a do Galaxy S5, que promete uma “volta às origens” sem deixar de lado o hardware de ponta que fez sua fama?

Primeiras impressões do Galaxy S5.

Gostei: ele é leve e, comparado às suas duas últimas encarnações, mais bonito. Até a textura de pontinhos agrada — na cor branca, pelo menos, que dependendo da incidência de luz fica perolada, tal qual o Xperia C. Só tive tempo de zapear por alguns apps e rodar um jogo, e tudo rodou sem quaisquer engasgos ou travadas, como era de se esperar.

Não gostei: ser mais bonito em relação a smartphones feios não é grande mérito, e perto de concorrentes contemporâneos o Galaxy S5 ainda não se destaca pela beleza. E não é só na parte física; a Touchwiz está menos feia, mas segue confusa, repleta de ícones e opções. Nesse primeiro contato me senti um pouco intimidado com o tanto de coisas que há para explorar.

Conector USB do Galaxy S5.

O que mais? O Galaxy S5 é à prova d’água e a porta USB é protegida por uma tampa. É USB 3.0, como o Galaxy Note PRO, porém o cabo que vem na caixa é um comum…

Passarei os próximos dias usando, testando, exigindo bastante do Galaxy S5. Em breve sai o review completo do smartphone — se tiver alguma dúvida, use os comentários.

[Review] Acer C710: quando o pioneirismo não sustenta o produto

Primeiro Chromebook a chegar ao Brasil, o Acer C710 está perto de completar um ano no país e dois desde que foi lançado lá fora. Com sucessores já disponíveis em outros países e cada vez mais difícil de ser encontrado nas lojas daqui, optei por fazer um review mais sucinto em vez daquele tradicional. Há algo que se destaque neste equipamento? Venha comigo para descobrir.

Não fosse pelo logo do Chrome na tampa, o C710 seria facilmente confundido com os melhores netbooks — apesar de soar contraditória essa descrição. É um projeto bem conservador, com conexões legadas, um teclado bem esquisito e visual familiar. Bem familiar mesmo: pelo menos lá fora trata-se de um sabor do Aspire One, a linha de notebooks de entrada com Windows, que passou por um processo de rebranding.

As configurações são bem básicas: processador Celeron 1007U dual-core rodando a 1,5 GHz, 2 GB de RAM e um SSD de 16 GB. Todo de plástico, o Acer C710 herda algumas virtudes e uns tantos defeitos dos antigos netbooks. (mais…)

Para coibir bullying, Secret anuncia mudanças e relembra: o anonimato não é absoluto

A liminar da justiça do Espírito Santo já teve pelo menos uma consequência: na sexta, o Secret sumiu da App Store brasileira. O app continua intacto nos iPhones onde foi instalado e acessível, mesmo no Brasil, a partir das lojas de outros países.

Em maio, o Secret perdeu a restrição aos EUA e passou a poder ser usado em qualquer lugar. Demorou um pouco para ele engrenar. O Brasil, que junto a Israel foi descrito pelo cofundador e CEO David Byttow como responsável por um “grande pico” de crescimento na ordem de 10~20 vezes, é um desses lugares onde o app pegou. E com toda a atenção ganha e as características dele, era de se esperar que críticas, cobranças e polêmicas surgissem.

Também na sexta, o Secret anunciou três mudanças, duas delas para coibir o bullying. O app, já atualizado no Android e com atualização no iPhone prevista para esta semana, perdeu a capacidade de acessar as fotos salvas no smartphone. Agora, ou se tira uma foto no ato da publicação do post, ou se busca uma imagem no acervo do Flickr. A medida acaba, ou dificulta bastante a publicação de revenge porn e fotos íntimas.

Em outra, ele agora impede a publicação de posts contendo nomes. O Whisper, outro app para compartilhamento de mensagens anônimas, tem uma política do tipo em ação e, de fato, é muito difícil encontrar lá nomes de pessoas comuns — os de famosos são permitidos. Agora o Secret passa a adotar a mesma postura.

Além disso, foram feitas melhorias no algoritmo que detecta sinais de atualizações que miram magoar ou expor alguém. Nesses casos, o sistema insere um passo extra no processo de publicação, pedindo ao usuário para que reconsidere-a. A base para essa mudança, segundo o Secret, é este estudo que constatou que “dar a alguém a oportunidade de repensar antes de publicar algo negativo reduz dramaticamente o mau comportamento.”

A outra novidade é um mecanismo de enquete, em parte para acabar com os posts do tipo “curta se você faz também/gosta daqui/detesta isso”.

Anonimato não é aval para desrespeitar a lei

As alterações amenizam o lado podre do Secret, mas chegam tarde e na forma de resposta aos danos que o app já causou, mais pela pressão pública do que por algum senso de responsabilidade — coisa que Byttow parece não ter muito.

Acima do que o app permite ou invoca nos usuários mais propensos a falar o que dá na telha e espalhar os segredos dos outros, é importante reforçar, uma vez mais, que o app não garante anonimato absoluto.

Além da via legal, ou seja, a entrega de dados pessoais de contas que publiquem conteúdo ofensivo se assim for exigido pela justiça, o próprio app está sujeito a falhas. Até agora, em seis meses de funcionamento, 42 delas foram reportadas por hackers caçadores de recompensas através de um chamado oficial no HackerOne.

Uma das técnicas mais recentes (e já corrigidas) pelo Secret foi desenvolvida pelos pesquisadores Ben Caudill e Bryan Seely, e consistia em gerar contas falsas, adicionar uma verdadeira e, assim, conseguir filtrar os segredos da vítima. Em detalhes, ela foi explicada na Wired por Kevin Poulser. A matéria conta com algumas citações de Byttow, e esta em especial chama a atenção para a franqueza:

O ponto é que tentamos ajudar as pessoas a entender que anônimo não significa indetectável. O Secret não é um lugar para atividades fora da lei, ou para fazer ameaças de bomba ou compartilhar imagens explícitas… Não dizemos que você estará completamente seguro o tempo todo e completamente anônimo.

O Secret não é, nem nunca foi anônimo. Ou melhor, ele assim o é na medida da responsabilidade pelo que se publica ali. Em última instância, o responsável pelas suas palavras continua sendo você. E há meios de descobri-lo, por mais que o app faça parecer que não.

Qual é a da obsessão com os grupos do WhatsApp?

Ultimamente tenho observado o comportamento de amigos e conhecidos no WhatsApp e, desse processo, uma dúvida emergiu: por que essa obsessão com grupos do WhatsApp?

Não é algo restrito aos meus círculos de amizades. Uma pesquisa no Google revela tutoriais e indicações de grupos. Em qualquer grupo no Facebook, não demora muito até alguém propôr a criação de um grupo do WhatsApp, tipo um grupo do grupo. No Twitter, uma pesquisa por “grupos whatsapp” revela as situações mais malucas, como o grupo de DJs que vão às apresentações uns dos outros para se apoiarem (?), e aquelas triviais, como os já tradicionais grupos familiares.

https://twitter.com/FatosDoTwiteiro/status/501505227099734017

https://twitter.com/surtossurreais/status/500828071369670657

https://twitter.com/grossa/status/500452823130447872

A prova irrefutável da penetração dos grupos do WhatsApp na nossa cultura vem do Google Trends, que mede a popularidade de termos consultados no maior buscador do mundo. É notável a supremacia dos grupos do WhatsApp:

Grupos WhatsApp, Grupos Facebook e Comunidades Orkut no Google Trends.

Os grupos do WhatsApp atropelaram os do Facebook quando esses começavam a se estabelecer. Eles estão em um patamar que nem mesmo as comunidades do Orkut, que tinham a favor a falta de concorrência e contra a quantidade menor de usuários, conseguiram alcançar. Tenho a suspeita de que rapidez e o acesso mais difundido a smartphones, dos quais o WhatsApp virou item básico no Brasil, explicam a preferência por ele e a sua recente subida meteórica no gráfico acima.

Da minha experiência, há casos onde a reunião rápida entre algumas contatos faz sentido: em trabalhos acadêmicos, eventos ou para combinar saídas, às vezes é mais fácil fazer tudo por ali. Isso rola bastante, mas parece que só conta uma parte da história. A outra é que o WhatsApp virou uma espécie de fim em si mesmo, um ponto de encontro onde as pessoas estão sempre disponíveis e dispostas a compartilhar.

Isso leva o WhatsApp a extrapolar a sua função nuclear, o bate-papo em tempo real, e se transformar em uma espécie de rede social. As fotos da festa, que já foram maciçamente compartilhadas por e-mail, depois Orkut e Facebook, hoje são trocadas pelo WhatsApp. Vídeos, então… grupos de zoeira são um mini-YouTube, e ainda temos os de pornografia. Casos recentes e de grande repercussão de revenge porn tinham em comum o WhatsApp como canal de disseminação.

Na Ásia, concorrentes como o WeChat abraçaram essa “missão” maior. Eles não oferecem apenas bate-papo; lá, os chineses compram coisas, agendam compromissos, compartilham fotos em perfis e realizam uma série de outras ações através de apps que, originalmente, serviam apenas para conversar. Nesse sentido o WhatsApp é extremamente conservador e, ainda assim, as pessoas não desgrudam dele. Há, portanto, um potencial enorme para o Facebook desenvolvê-lo e aprimorá-lo, ainda que isso o coloque em disputa direta com o seu produto principal. Canibalizar o Facebook ou manter o WhatsApp simples, sob o risco de perder terreno para concorrentes mais completos e se dar por vencido em mercados emergentes, como os asiáticos?

Questões empresariais à parte, o que mais me fascina continua sendo a motivação para criar e continuar em grupos do WhatsApp. Quando surge o assunto grupos do WhatsApp não é difícil alguém citar a função silenciar grupos, ou soltar alguma reclamação sobre um deles ou todos. Mas é raro alguém bancar a crítica e sair dos grupos. O medo de perder alguma coisa fala mais alto, só não mais do que a nossa incapacidade de ficarmos sozinhos.

Talvez, apenas talvez, a vontade de estar neles seja apenas uma forma mais fácil, sem fricção de suprir a cota de pertencimento e contato de que todos precisamos.

Vida e morte digital

Rubem Alves, que nos deixou mês passado, escreveu:

“Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: ‘Morrer, que me importa? (…) O diabo é deixar de viver.’ A vida é tão boa! Não quero ir embora…”

Alguns dias depois de ler essa frase viajei de avião para São Paulo e com tantos acidentes aéreos então recentes, o pior passou pela cabeça. (No fim, foram voos tranquilos.)

A morte traz várias implicações a um monte de gente, menos a quem morre. O que importa depois que nada mais importa? O problema é a saudade aos que ficam. Basta ir a um velório para presenciar o desespero e a agonia que o adeus definitivo causa. O velado? Nunca vi mais calmo.

Lidar com o fim é um assunto espinhoso desde que tomamos consciência da vida — por ser uma só ela nos é tão cara. Antigamente eram as fotos reveladas e as histórias contadas pelos mais próximos o que aliviada a dor. Hoje, o digital dá uma grande força e faz, às vezes, parecer que quem se foi continua entre nós. (mais…)