As renderizações 3D no catálogo da Ikea

O site CGSociety bateu um papo com Martin Enthed, gerente de TI da agência interna da Ikea, e descobriu que 75% dos produtos no catálogo da fabricante é representado por renderizações 3D em vez de fotos tradicionais. Entre a primeira imagem do tipo, em 2006, e o número expressivo de hoje, passaram-se oito anos. Há dois, em 2012, as renderizações correspondiam a 25% do catálogo segundo apresentação do próprio Enthed na SIGGRAPH. A computação gráfica não é promessa, é realidade na publicidade — e a imagem acima, feita em computadores, prova isso.
O que parece ineditismo é, na prática, bem mais comum do que se imagina. Não é de hoje que várias indústrias recorrem ao poder dos computadores para retocar ou mesmo criar, do nada, o material publicitário dos seus produtos. Ou vai me dizer que você acreditava que esses Ashas dançando e se multiplicando na tela eram apenas aparelhos bem adestrados ou obra de alguma engenhoca?
https://www.youtube.com/watch?v=4Bda2oGmCHs
Diversas empresas se especializaram na produção desses vídeos, como a DMAX e o estúdio Midcoast, que atua em Detroit e atende fabricantes automotivos. A proporção de fotos e renderizações já era bem distante em 2012: “Dez anos atrás [em 2002], cerca de 20% da publicidade automotiva era criada digitalmente e 80%, produzida via fotografia tradicional. Agora esses números se inverteram”.
Mesmo empresas relativamente tradicionais nesse campo, como a Apple, usam ajustes de pós-produção e partes renderizadas ao anunciar iPhones e outros gadgets. Neste vídeo do ano passado, o fotógrafo Peter Belanger mostra o processo de criação de uma peça:
Se os ajustes na pós-produção são de grande ajuda, a renderização 3D pura traz ainda mais vantagens: não está sujeita a limitações geográficas, mudanças climáticas, nem depende da presença do produto em si. E, claro, é mais barata e não raro resulta em imagens mais bonitas. É muito difícil conseguir fotos livres de imperfeições, como comenta Belanger, o fotógrafo de gadgets da Apple, ao The Verge:
Mesmo fotos feitas na câmera precisam de alguma pós-produção. Porque não importa quão bem feito um produto seja, quando você o aumenta em 100%, consegue enxergar mais do que o olho humano é capaz. Algo que parece perfeito ao ser segurado pode ter riscos, marcas e outras imperfeições quando ampliado.
Além de evitar esses pequenos obstáculos e dos benefícios já citados, o objeto tridimensional ainda é totalmente manipulável: pode ser girado, multiplicado, receber luz de todas as direções e em diversos níveis de intensidade. O limite é a imaginação do diretor do comercial.
Os avanços na área chegaram a tal nível que é impossível distinguir renderizações de fotografias. Uns usam o bom e velho Photoshop para fazer retoques, como no caso de Belanger. Outros, como a Ikea, fazem um trabalho monumental, fruto da colaboração entre designers e fotógrafos. As imagens são trabalhadas nos softwares 3DStudio Max e V-Ray, e o nível de exigência é alto. O processo, nas palavras de Martin Enthed, é o seguinte:
Elas [as imagens] são criadas em uma resolução ridiculamente alta. Renderizamos elas em 4K x 4K e elas precisam manter essa resolução. Precisamos da flexibilidade para fazer o que quisermos com os renders — imprimi-las em paredes enormes nas lojas se for necessário. Mesmo que a maioria seja apenas usada no site, todas preservam a possibilidade de serem impressas em alta resolução.
Veja, por exemplo, esta foto:

Ou seria uma renderização? Ou melhor: isso importa? Em áreas distintas, como cinema e design de produtos, o parecer muitas vezes basta. A reprodução é tão fiel que, à maioria, passa despercebida. Não sei ainda se isso é resultado direto do bom trabalho feito pela indústria, ou se um sinal de uma crescente insensibilidade nossa ou perda de critérios.
Estava tentando achar no Youtube, mas tenho que pesquisar com calma. Acho que no Brasil tem disto também – basta ver as propagandas das Casas Bahia e Magazine Luiza que rodam nos intervalos comerciais.
Estou começando a implicar com isso. Como eu disse em um comentário no Papo de Homem sobre excesso de uso de CGI – o excesso de tratamento e de uso de computação gráfica nada mais é que uma caricatura.
4K x 4K dá 16 megapixels. É uma excelente resolução, mas nada extraordinário, nem muito menos “riducularmente alta” como afirma o tal Martin Enthed.
Como ele diz, “Mesmo que a maioria seja apenas usada no site”, ou seja, é ridiculamente alta para a Internet, onde uma imagem de produto não precisaria ser maior que HD ou FullHD, o que tamparia a tela toda de 99% dos computadores.
Mas sim, pensando em fotografia, 16 MP não são tanta coisa.
Uma fotografia de 16 megapixels é tranquilo. Renderizar um milhar de objetos em 16 MP é outra coisa…
É verdade. Mas o que isso tem relação com a afirmação de que a imagem FINAL gerada, que é de 4K x 4K, é de uma resolução “ridicularmente alta”?