A Meta não aguentou a pressão e anunciou, nesta quinta (28), algumas reversões — tímidas e temporárias, é verdade — no processo de destruição a que submete o Instagram.

O teste com vídeos que ocupam a tela toda foram suspensos e o “conteúdo recomendado”, eufemismo para vídeos virais ruins de perfis que o usuário não segue, “reduzido” — seja lá o que isso signifique na prática; na quarta (27), Mark Zuckerberg disse que 15% do conteúdo mostrado no Facebook é desse tipo, e que no Instagram o volume é maior.

Adam Mosseri, em entrevista a Casey Newton, disse que essas mudanças são temporárias. Afinal, enquanto o Instagram apaga incêndios que ele próprio criou e tenta não perder estrelas da plataforma, o TikTok cresce no reproduzir e morde fatias cada vez maiores da receita de publicidade digital.

Sabe o que seria legal? Se o Instagram fosse um serviço aberto e descentralizado, nos moldes do que a Europa quer impor às plataformas de mensagens. Aí poderia surgir outro aplicativo que se conecta à rede do Instagram, mas que prioriza a linha do tempo cronológica e sem “conteúdo recomendado”. É pedir muito? Via Platformer (em inglês).

A queda em receita da Meta no segundo trimestre de 2022 foi de 1% em relação ao mesmo período do ano passado, o que se traduziu em US$ 28,8 bilhões. Para o terceiro trimestre, alerta a empresa, a expectativa é de nova queda, e maior.

O lucro também desacelerou, em 36%, chegando a US$ 6,7 bilhões.

O Reality Labs, divisão da Meta responsável por materializar o metaverso, que Mark Zuckerberg, CEO e manda-chuva da empresa, encara como a próxima grande plataforma digital, causou prejuízo de US$ 2,8 bilhões no trimestre.

Lembrando que, de acordo com Zuckerberg, o metaverso só comecará a dar lucro perto de 2030. Via The Verge (2) (em inglês).

A Agência Pública, primeira agência de notícias sem fins lucrativos do Brasil, lançou nesta segunda (25) o Projeto Sentinela, uma aliança entre jornalistas e acadêmicos para investigar as campanhas de manipulação do debate público e a desinformação online nas eleições de 2022, com especial foco naquelas que ameaçam a estabilidade democrática.

O Projeto Sentinela é fruto de uma parceria da Pública com o pesquisador David Nemer e o Berkman Klein Center for Internet & Society da Universidade de Harvard.

O Manual do Usuário entra nessa como veículo parceiro do projeto, ao lado de outras três redações — Núcleo Jornalismo, Galileu e MobileTime.

Daqui até as eleições de outubro, republicaremos os conteúdos do Projeto Sentinela. A primeira já está no ar.

A Oppo, da China, está desembarcando no Brasil. É a quarta maior fabricante de celulares do mundo, de acordo com a consultoria IDC, atrás de Samsung, Apple e Xiaomi.

Para a estreia por aqui, a Oppo escolheu o celular Reno7, um modelo intermediário com suporte a redes 4G. Ainda não foram divulgados outros detalhes, como preço e data de lançamento.

A Oppo chega ao Brasil num momento de baixa, com projeções indicando uma retração de 12,7% nas vendas de celulares em relação a 2021. Via Valor Econômico.

A organização do Codecon fez um mapeamento dos profissionais de tecnologia brasileiros. Os números são baseados em 1.293 entrevistas, feitas via formulário online, respondidas por desenvolvedores do Brasil inteiro.

Há muitos dados interessantes e surpreendentes ali, como a quantidade de celetistas (51,9%) e salários (média nacional de R$ 7.489,50).

Outros revelam que a pecha de pouco diverso do setor de tecnologia não é à toa: 86% dos respondentes são homens, 85,8% se dizem heterossexuais e 61,6%, brancos.

Todos os resultados podem ser vistos no link ao lado. Via Codecon.

Apesar da conclusão contrariar o argumento, este artigo do Tecnoblog assinado por Josué de Oliveira condena a pirataria fazendo uso de uma série de terrorismos e imprecisões legais.

“É difícil convencer as pessoas sobre os impactos negativos da pirataria”, escreve o autor. Acho eu que é mais difícil convencer dos supostos prejuízos. As estimativas de perda de receita da indústria, por exemplo, partem da premissa (equivocada) de que quem consumiu um filme ou uma música pirata compraria o original se não tivesse outra opção.

O maior problema do texto, porém, é a caracterização estreita que ele tenta fazer da pirataria — um tema delicado, complexo, cheio de nuances.

O artigo do Tecnoblog coloca no mesmo balaio a venda de DVDs piratas na rua, a venda de produtos físicos falsificados em lojas virtuais e a pirataria digital, em grande parte feita por hobbistas e consumida por pessoas comuns, sem intuito de lucro (o que configuraria o tal crime previsto no nosso Código Penal). Também nivela a produção das grandes empresas à das pequenas, como se as circunstâncias e consequências fossem as mesmas nos dois cenários.

Esse artigo replica o discurso da grande indústria, aquela que, a despeito dos bilhões de “prejuízo” causados pela pirataria, nunca deixou de lucrar. Ele toma uma posição sem assumi-la de fato. É, em resumo, um desserviço ao debate, aos consumidores e aos próprios leitores do Tecnoblog.

Do nosso arquivo:

por Cesar Cardoso

O Steam Deck é, antes de tudo, um computador; um computador feito para jogos, rodando um Linux consumer-friendly e em um formato de console, mas é um computador, com Modo Desktop e tudo. Já o Tailscale é uma das queridinhas do momento, reinventando a venerável VPN corporativa (mas nada impede de você usar na sua rede doméstica) usando o modelo Zero trust networking e o protocolo WireGuard. Parece simples juntar os dois, já que o Steam Deck é um computador que roda Linux.

Parece. Mas não foi simples instalar o Tailscale no SteamOS, e ainda bem que não foi.

(mais…)

A Mojang, estúdio da Microsoft responsável por Minecraft, publicou uma enfática negativa ao uso de NFTs e de blockchains dentro do universo do jogo.

Segundo o comunicado, que é assinado por toda a equipe do estúdio, “NFTs criam modelos de escassez e exclusão que conflitam com as nossas diretrizes e o espírito de Minecraft”, em especial com o objetivo de manter uma comunidade onde todos tenham acesso ao mesmo conteúdo.

Transcrevo abaixo um trecho especialmente feliz do comunicado:

Cada um desses usos de NFTs e outras tecnologias de blockchain cria propriedades digitais baseadas em escassez e exclusão, o que não se alinha com os valores de Minecraft de inclusão criativa e de jogar juntos. NFTs não são inclusivas para toda a nossa comunidade e criam um cenário dos que têm e dos que não têm. A mentalidade de especulação e investimento em torno dos NFTs afasta o foco do jogo e incentiva o lucro, o que nos parece inconsistente com o prazer e o sucesso de longo prazo dos nossos jogadores.

Também nos preocupa o fato de que alguns NFTs de terceiros possam não ser confiáveis e acabar causando prejuízo aos jogadores que os compram. Algumas implementações de NFTs de terceiros também dependem inteiramente da tecnologia blockchain e podem exigir um gerenciador de ativos que pode desaparecer sem aviso prévio. Também houve casos em que NFTs foram vendidos a preços artificialmente ou fraudulentamente inflados. Reconhecemos que criações dentro do nosso jogo têm valor intrínseco e nos esforçamos para oferecer um mercado onde esse valor possa ser reconhecido.

Com destaque, a Mojang finaliza dizendo que “tecnologias de blockchain são proibidas de serem integradas às aplicações cliente e servidor de Minecraft e que não podem ser usadas para criar NFTs associados a qualquer conteúdo dentro do jogo, incluindo mundos, ‘skins’, itens ou outras modificações”. Via Minecraft (em inglês).

O homem de negócios Elon Musk vendeu 75% das reservas em bitcoin da Tesla entre março e junho, totalizando US$ 936 milhões. A revelação consta no balanço financeiro do segundo trimestre da Tesla, divulgado nesta quarta (20). Comprar na alta e vender na baixa: é isso o que os grandes traders fazem?

Coincidência ou não, o movimento interrompeu a tímida recuperação do bitcoin, cujo valor vem se deteriorando desde novembro de 2021, quando a máxima chegou próximo a US$ 69 mil. Nas últimas 24 horas, a criptomoeda desvaloriza ~4,4% e é negociada a US$ 22,6 mil, de acordo com o CoinMarketCap. Via Watchers News, Tesla (ambos em inglês).

A Netflix esperava perder 2 milhões de assinantes no segundo trimestre de 2022. Perdeu 970 mil, e o mercado gostou — as ações dispararam ~8% no “after-market”. A previsão dada para o próximo trimestre, de ganhar 1 milhão de assinantes, ajudou a animar os investidores.

Na conversa com acionistas, a Netflix confirmou que lançará o novo plano mais barato e com publicidade no início de 2023 e que já está negociando com estúdios a manutenção dos filmes e séries nele. Via CNBC, Variety (ambos em inglês),

Antecipando-se ao Digital Markets Act (DMA), o Google anunciou que permitirá o uso de sistemas de pagamento alternativos a aplicativos (e só, não vale para jogos) na região da União Europeia. Nesse arranjo, os aplicativos terão que pagar uma taxa apenas três pontos percentuais abaixo da cobrada pelo Google em seu sistema de pagamento próprio.

O percentual é similar ao que a Apple descontando nos locais e circunstâncias em que tem sido obrigada a abrir a App Store para sistemas de pagamento alternativos, como para os apps de namoro na Holanda (de 30% para 27%) e para todos na Coreia do Sul (de 30% para 26%). Nesses termos, não parece uma saída vantajosa… Via Google, Apple (2) (todos em inglês).

Um dos últimos vestígios dos problemáticos teclados borboleta que a Apple usou em seus notebooks entre 2015 e 2019, o processo judicial que consumidores norte-americanos moveram contra a empresa, chegou ao fim.

A Apple concordou em pagar US$ 50 milhões, a serem distribuídos aos consumidores de acordo com o nível de chateação experimentado (até US$ 395, para quem teve que trocar o teclado várias vezes).

O teclado borboleta equipou modelos de MacBook, MacBook Air e MacBook Pro e era mais suscetível a falhas que o normal. Algumas teclas davam problema quando pequenos corpos estranhos minúsculos, como farelo e poeira, entravam no mecanismo, e a única solução para o problema era trocar todo o teclado e, por consequência, toda a carcaça do notebook.

A Apple, apesar do acordo e de ter abolido o teclado borboleta de todos os seus notebooks a partir de 2019, segue sustentando que não havia nada errado com ele. Via Reuters (em inglês).

Alguns sites e aplicativos usam parâmetros na URL para rastrear de onde seus visitantes vêm. Em geral, é tudo o que aparece depois de uma interrogação, algo assim: manualdousuario.net?utm_source=google&utm_medium=app.

Esses parâmetros não são necessários (você pode acessar o endereço sem eles), não trazem nenhuma vantagem ao usuário e podem representar uma brecha de privacidade, motivo que levou os navegadores Brave e Firefox a removê-los por padrão. (A mudança no Firefox é recente, veio na versão 102, lançada no final de junho.)

Em um movimento reativo, o Facebook alterou a estrutura dos links compartilhados dentro da rede para dificultar a remoção dos parâmetros. Agora, parte do que antes era parâmetro está embutido na URL, o que impede a remoção do rastreamento.

O GHacks, que detectou a alteração, oferece um exemplo:

https://www.facebook.com/ghacksnet/posts/pfbid0RjTS7KpBAGt9FHp5vCNmRJsnmBudyqRsPC7ovp8sh2EWFxve1Mk2HaGTKoRSuVKpl?__cft__[0]=AZXT7WeYMEs7icO80N5ynjE2WpFuQK61pIv4kMN-dnAz27-UrYqrkv52_hQlS_TuPd8dGUNLawATILFs55sMUJvH7SFRqb_WcD6CCOX_zYdsebOW0TWyJ9gT2vxBJPZiAaEaac_zQBShE-UEJfatT-JMQT5-bvmrLz7NlgwSeL6fGKH9oY9uepTio0BHyCmoY1A&__tn__=%2CO%2CP-R

Note que, antes do parâmetro, há um punhado de letras sem sentido e uma menção explícita ao domínio (ghacksnet). Ao remover o parâmetro, o link é alterado; em vez de cair em um post específico, ele leva à capa do site GHacks.

É mais um sinal da obsessão da Meta em rastrear e monitorar tudo o que for possível a fim de coletar dados e devolver anúncios segmentados aos usuários. Via GHacks (em inglês).

O Instagram deu mais um passo para deixar de ser um aplicativo de fotos, como prometeu seu diretor, Adam Mosseri.

Mark Zuckerberg, CEO da Meta, anunciou um novo sistema de pagamentos para pequenos negócios nos Estados Unidos a partir das mensagens diretas (DMs) do Instagram. Por lá, será possível personalizar o pedido, fazer pagamentos e acompanhar a entrega pelas DMs. O pagamento será processado pelo Meta Pay. Via @zuck/Instagram, Meta (ambos em inglês).

Sem especificar um motivo, a Crunchyroll, streaming especializado em desenhos japoneses, anunciou uma redução de preço em 95 países. O Brasil está entre eles; por aqui, a mensalidade caiu de R$ 32 para R$ 19,99, redução de 37,5%. Talvez seja um reflexo da superpopulação de serviços de streaming pagos? Via Crunchyroll (em inglês).