Após turistar no Apple Park, o ministro Fabio Faria e o presidente da Anatel, Carlos Manuel Baigorri, fizeram uma reunião no “metaverso” com o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Constrangimentos à parte (cada passo do passeio do ministro pela Califórnia, basicamente), chamou-me a atenção o logo estampado nos óculos de realidade virtual usados pelo trio: Dual 360, uma empresa da qual nunca tinha ouvido falar.

A Dual 360, sem surpresa, é uma empresa de realidade virtual. Em seu site, cujo domínio está registrado em nome de Alan Augusto Morais, ela destaca “treinamentos corporativos” em duas áreas: simulações de vendas e atendimento, e de segurança. Há também uma menção à plataforma Seniors, que oferece soluções em realidade virtual a idosos.

A empresa dona da marca Dual 360, Folk Promoções Ltda, foi registrada em 2018, usa o CNPJ 17.325.293/0002-60 e está sediada na Bela Vista, em São Paulo.

Por que “a primeira reunião de um presidente da República no metaverso” teve a marca de uma empresa privada estampada? Isso, infelizmente, uma pesquisa rápida como a que eu fiz não é capaz de responder.

Na chamada, Bolsonaro voltou a acenar aos jovens e às mulheres, duas demografias que mais o rejeitam nas pesquisas eleitorais, e a espalhar mentiras, como a de que o Brasil está na vanguarda do 5G — outros países já têm a tecnologia há dois anos. Via @fabiofaria/Twitter.

Os ~sinais no Instagram de Jeff Bezos se fizeram entender nesta sexta (5): a Amazon anunciou a compra da iRobot, fabricante dos robôs aspiradores de pó Roomba, por US$ 1,7 bilhão em dinheiro. Ótima maneira da Amazon “conhecer” as casas dos consumidores e ainda mais dos seus hábitos. O negócio ainda depende da aprovação dos acionistas da iRobot e de órgãos reguladores. Via iRobot, CNBC, The Verge (todos em inglês).

O Winamp 5.9 RC1 Build 9999 já pode ser baixado aqui (apenas para Windows).

É a primeira versão do player de música em quatro anos, um trabalho que envolveu “duas equipes de desenvolvimento e um hiato motivado pela pandemia”, escreveu Eddy Richman no anúncio oficial.

E… bem, apesar da demora, não espere ver muitas novidades. “Ao usuário final”, explica Eddy, “pode não parecer que há uma grande leva de mudanças, mas a maior e mais difícil parte do trabalho foi migrar o projeto inteiro do VisualStudio 2008 para o 2019 e fazê-lo compilar corretamente.”

Ele diz que, feito esse trabalho de base, “agora podemos nos concentrar mais nos recursos, seja corrigindo/trocando antigos ou adicionando novos”.

A nova versão do Winamp — ainda uma “release candidate”, ou seja, não é a versão final/estável — traz pelo menos duas melhorias mais notáveis: suporte ao Windows 11 e à reprodução de streams via https. Há, ainda, um punhado de atualizações e correções de CODECs.

Esta atualização não parece ter relação com o prometido “relançamento” do Winamp envolvendo streaming e NFTs, anunciado em 2021. Alívio para o pessoal prestes a tomar a quarta dose da vacina da covid-19 e que, por qualquer motivo, ainda ouve música por arquivos MP3 — como nos bons tempos. Via Winamp (em inglês).

O GitLab, serviço que oferece ferramentas e espaço para o desenvolvimento colaborativo de software, planejava excluir automaticamente projetos hospedados na plataforma em contas gratuitas após um ano de inatividade.

A medida, descoberta via fontes pelo The Register, pegou muita gente de surpresa. Segundo essas mesmas fontes, a motivação do GitLab era financeira: a exclusão poderia gerar uma economia de até US$ 1 milhão por ano.

A notícia, porém, desceu quadrada entre desenvolvedores. O GitLab sempre se posicionou como uma alternativa mais aberta ao GitHub, o titã do setor que a Microsoft comprou em 2018 por US$ 7,5 bilhões. O GitHub nunca excluiu repositórios inativos.

O GitLab se pronunciou dizendo que projetos inativos serão movidos para um armazenamento mais lento, ou seja, não serão excluídos. O The Register afirma ter provas de que esse desfecho resultou da repercussão negativa e que o plano original era excluir em definitivo esses projetos. Via The Register (2), @GitLab/Twitter (todos em inglês).

O ministro-turista das Comunicações, Fabio Faria, anunciou pelo Instagram que a atualização que ativa o 5G standalone brasileiro nos modelos de iPhone compatíveis “chega em setembro”. Essa era a maior preocupação do ministro.

“Em setembro” chega o iOS 16 e não seria surpresa — na real, era algo esperado — que a compatibilidade com o 5G standalone brasileiro viesse no pacote de novidades da versão.

No vídeo, Fabio aparece na área externa do Apple Park, sede da Apple, ao lado do presidente da Anatel, Carlos Baigorri. Tudo indica que não rolou um encontro com Tim Cook, CEO da Apple, ou qualquer outro executivo da empresa. Nada de fotos para biscoitar nas redes.

Com quem será que Fabio obteve essa importantíssima e exclusivíssima informação que mudará a vida de milhões centenas de brasileiros e que demandou uma viagem oficial aos Estados Unidos? Meu palpite é de que foi com algum atendente da loja souvenires da Apple.

Ah sim: ainda segundo a dupla dinâmica, a Apple estaria interessada “em fazer uma parceria em relação à proteção da Amazônia”. Agora sim, a Amazônia, aquela que segundo o chefe dele não precisa ser salva porque “não pega fogo”, será salva! Será tipo a “ajuda” do Elon Musk? Tipo… ah, nem sei mais o que comentar. Via @fabiofaria.br/Instagram.

Achei que a estratégia de lançar aplicativos “lite” para celulares lentos era coisa do passado, mas a Microsoft acabou de soltar o Outlook Lite com 5 MB e a promessa de funcionar bem até em redes 2G. Apenas para Android e em alguns países, Brasil entre eles. Via TechCrunch (em inglês).

O Discord para Android passou a ser desenvolvido em React Native, um framework para desenvolver aplicativos multiplataforma criado pela Meta (sim, a do Facebook e Instagram).

Até aí, tudo bem. O problema é que os usuários detestaram a nova versão. No subreddit do Discord o carinho da torcida está intenso.

A ideia desses frameworks multiplataforma é otimizar o trabalho. Em vez de criar dois apps, um para Android, outro para iOS, com eles é possível escrever apenas um código e, com modificações mínimas, compilar aplicativos para dois ou mais sistemas.

O aplicativo do Discord para iOS já era feito em React Native. O do Android, com ferramentas nativas, usadas para criar apps somente para Android. Isso tornava o desenvolvimento do app para iOS mais ágil e gerava retrabalho — tudo o que era feito em um não podia ser reaproveitado no outro.
A adoção do React Native resolve esse problema dos engenheiros e programadores, mas cria outro para os usuários: o novo aplicativo parece bem pior.

Quando algo assim acontece, é raríssimo que a empresa volte atrás — há muito investimento de tempo e trabalho nessas transições.

No comunicado oficial, que o Discord intitulou “uma empolgante atualização para o Discord no Android”, a empresa afirma que “continuará trabalhando para tornar o app do Android o melhor que ele pode ser”. Via Discord, @sandofsky/Twitter (ambos em inglês).

por Shūmiàn 书面

Segundo reportagem da jornalista Dannie Peng  para o South China Morning Post, o mercado chinês de tecnologia quântica, considerada uma das novas fronteiras tecnológicas, valerá cerca de ¥ 80 bilhões (aproximadamente R$ 60 bilhões) em 2023. Em 2018, o mercado valia apenas ¥ 32 bi (~R$ 24 bi).

Antes o setor era limitado ao governo, mas a iniciativa privada vem demonstrando gradualmente mais interesse na tecnologia, sobretudo empresas de telecomunicação, energia elétrica e transporte.

Durante o lockdown de Shanghai, por exemplo, a Acadêmia Chinesa de Ciências Ferroviárias entrou em contato com uma empresa especializada no setor para levar a comunicação quântica ao gerenciamento da malha ferroviária de trens de alta velocidade.

Apesar das dificuldades, como altos custos e baixa familiaridade, o futuro parece ser promissor para as jovens empresas que fornecem esse tipo de tecnologia.


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Os papéis da Roku na Nasdaq deram um novo mergulho na última sexta-feira (29/7), desvalorizando ~23% após a empresa apresentar números ruins referentes ao segundo trimestre de 2022. O prejuízo operacional foi 260% pior que no ano anterior, chegando a US$ 110,5 milhões, e a empresa alertou os acionistas de que o próximo também não será nada bom.

Um dado curioso da operação da Roku: a empresa fatura muito mais com publicidade do que com a venda dos aparelhos em si. É por isso que seus controles remotos contam com aqueles quatro botões de serviços de streaming. As empresas que aparecem ali pagam pelo privilégio, como lembra o The Verge.

Nesse último trimestre, a Roku faturou US$ 91,2 milhões com a venda das suas caixinhas e outros produtos físicos.

Já com a “plataforma”, que engloba publicidade, taxas de parceiros do streaming, acordos de licenciamento e, explícito na documentação da empresa, “a venda de botões patrocinados de canais nos controles remotos”, a receita foi de US$ 673,2 milhões, um valor 638,1% maior. Via The Verge, CNBC, Roku (todos em inglês).

O Ministério Público Federal (MPF) de São Paulo recomendou ao WhatsApp que adie a liberação das Comunidades no Brasil para 2023. No compromisso firmado com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o WhatsApp/Meta disse que seguraria essa e outras atualizações, como a expansão do limite de usuários em grupos, para depois do segundo turno das eleições, ou seja, final de outubro.

A recomendação do MPF tem 30 páginas de considerações. Embora o pedido faça sentido considerando a patifaria que ocorreu nos Estados Unidos em janeiro de 2021, quando o candidato derrotado e golpista Donald Trump tentou melar o resultado das eleições de lá, e considerando (estou parecendo o MPF nas considerações) a retórica golpista explícita do nosso postulante à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), é quase como se os procuradores estivessem mirando no mensageiro (literalmente) e não no problema em si.

Afinal, não é como se o WhatsApp só pudesse ser usado para arquitetar golpes de estado, nem seja o único aplicativo do tipo. A um toque de distância está o Telegram, por exemplo, com capacidade para 200 mil pessoas por grupo e cada vez mais popular no Brasil.

Um caminho alternativa seria incluir salvaguardas e restrições ao funcionamento dos aplicativos na legislação — algo complexo e não sei se o melhor caminho. Outro, que em tempos de normalidade institucional seria óbvio, é enquadrar quem usa o WhatsApp ou qualquer outro meio digital para causar arruaça nos crimes já previstos em lei. Via Núcleo, MPF-SP.

O Brasil aparece em 54º lugar, com um preço médio de US$ 0,74 por 1 GB baseado em 45 planos, no ranking de planos de internet móvel da Cable.co.uk, empresa especializada em comparação de preços de planos de internet.

Ficamos atrás de alguns vizinhos sul-americanos — Uruguai (9º, US$ 0,27/GB), Colômbia (31º, US$ 49/GB) e Chile (32º, US$ 0,51) —, mas bem melhor que a média da região (US$ 4,09/GB). Note-se, porém, que essa média é puxada bastante para cima pelas Ilhas Malvinas, que têm o segundo gigabyte mais caro do mundo, por US$ 38,45.

O território com o gigabyte mais caro do mundo é Santa Helena, outra ilha britânica ao Sul do Atlântico, com pouco mais de 4 mil habitantes. Por lá, 1 GB custa US$ 41,06. O gigabyte mais barato é o de Israel, onde custa US$ 0,04.

O levantamento da Cable.co.uk considerou 5 mil planos de dados móveis de 233 países e territórios, com dados coletados entre 16 de março e 2 de junho. Gráficos, planilhas com os dados brutos e comentários da empresa estão no link ao lado. Via Cable.co.uk (em inglês).

O Mint 21, codinome “Vanessa”, chegou à versão final. Ele é baseado no  Ubuntu 22.04 LTS e vem com o kernel Linux 5.15. Links para uma apresentação das novidades (sabor Cinnamon) e de download.

Mint é uma distribuição Linux que entrega uma experiência mais “clássica”, com uma interface WIMP (para ser usada com mouse), e que acaba sendo bastante aproveitada em computadores antigos. O ambiente gráfico principal é o Cinnamon; há outros dois sabores com Xfce e MATE. Via Mint (em inglês).

por Cesar Cardoso

A expansão latino-americana das marcas da BBK Electronics segue um roteiro bem previsível: chega pelo Chile ou pelo México, se expande para países do Pacífico com mercados grandes (Peru ou Colômbia) e, a partir daí, atravessa os Andes para chegar no Brasil. Foi assim com a Realme, está sendo assim com a Oppo, conforme previmos há cinco newsletters atrás (e será assim com a OnePlus e a vivo).

(mais…)

O ministro das Comunicações, Fabio Faria, disse que vai aos Estados Unidos na próxima terça-feira (2/8) pedir à Apple para atualizar o iPhone para a rede 5G brasileira. A suposta falta dessa atualização seria o impeditivo para que os modelos compatíveis (linha iPhone 13 e iPhone SE de 3ª geração) acessem a rede 5G standalone (o 5G “puro”, na faixa de 3,5 GHz).

O presidente da Anatel, Carlos Baigorri, deve acompanhar Faria nesta importantíssima ~missão crítica. Como os 1% de brasileiros com iPhone 13 nas capitais podem ficar sem 5G?? Ainda bem que o governo está atento a esse absurdo.

Pedi posicionamentos às três envolvidas na história — Anatel, Ministério das Comunicações e Apple.

A Apple não respondeu.

A Anatel disse apenas que eu deveria “entrar em contato com o Ministério das Comunicações”. Reforcei o questionamento, afinal esses modelos de iPhone constam na lista de aparelhos compatíveis com 5G da própria Anatel. Se não são compatíveis, não deveriam ser removidos de lá?

Por qualquer motivo estranho, essa segunda mensagem foi barrada porque “violou as políticas de segurança por ser classificada como SPAM/Phishing”.

O Ministério das Comunicações enviou o seguinte posicionamento:

Os aparelhos homologados pela Anatel para funcionamento com a quinta geração de redes móveis já estão habilitados a operar as duas versões de 5G: o non-Standalone (em rede compartilhada com as outras gerações) e o Standalone (puro). Porém, smartphones da marca Apple necessitam de uma atualização de software para o funcionamento específico do 5G Standalone.

A visita do ministro das Comunicações, Fábio Faria, e do presidente da Anatel, Carlos Baigorri, à sede da empresa nos EUA pretende agilizar a disponibilização dessa atualização para que os usuários brasileiros possam desfrutar do “5G puro” nas próximas semanas.

Por que o estado deveria se envolver nisso, sem falar no envolvimento pessoal do ministro das Comunicações, são perguntas que seguem em aberto. Afinal, não é como se não houvesse modelos já compatíveis com 5G — Samsung e Motorola têm vários à venda. É do interesse exclusivo da Apple, das operadoras e dos seus clientes que essa lacuna seja resolvida. O que o Estado tem a ver com isso? Via Telesíntese.

O Google anunciou um novo adiamento à aposentadoria dos cookies de terceiros no Chrome. A princípio, isso aconteceria agora, em 2022. Em junho de 2021, o prazo foi estendido para 2023 e, agora, estendido de novo, para 2024.

O adiamento é uma resposta ao “pedido mais consistente” que o Google tem recebido da indústria.

Embora não tenham sido concebidos para esse fim, cookies de terceiros são usados largamente por empresas de publicidade para monitorar o comportamento do usuário e formar perfis de consumo para direcionar publicidade.

Não é de se estranhar a demora do Google em aposentar um recurso tão valioso à publicidade invasiva — área que responde pela maior fatia do seu faturamento.

Felizmente, não é preciso esperar pela boa vontade do Google: praticamente todos os rivais do Chrome — Firefox, Safari, Edge — já desativaram o suporte a cookies de terceiros por padrão há anos, garantindo mais privacidade a seus usuários, e não têm planos de incluir uma tecnologia invasiva no lugar deles, como é o caso do Google com o leque de ferramentas chamado Privacy Sandbox, ainda em testes.

Os três navegadores são gratuitos e funcionam tão bem quanto o Chrome. Via Google, 9to5Google (ambos em inglês).