Pavel Durov, o falastrão CEO do Telegram, compartilhou com seus 650 mil seguidores no aplicativo seu apreço pelos leilões de domínios com terminação *.ton, realizado pela Open Network, grupo independente que assumiu o espólio da frustrada iniciativa de criptomoeda do aplicativo e conseguiu lançá-la em 2021.

“Se o ton foi capaz de alcançar esses resultados, imagine quão bem-sucedido seria o Telegram com seus 700 milhões de usuários se pudéssemos reservar @ nomes de usuários, grupos e canais para serem leiloados”, escreveu Durov.

Na sequência, ele soltou a imaginação e disse que esses nomes de usuários leiloados poderiam ser “tipo NFTs”, e que a lógica poderia ser estendida a outros elementos do aplicativo, como emojis e reações. “Vamos ver se conseguimos colocar um pouco de Web3 no Telegram nas próximas semanas”, finalizou.

Só faltou combinar com os usuários mais assíduos do Telegram, aqueles que acompanham o canal de Durov no aplicativo: o post recebeu uma enxurrada de reações negativas — segundo testemunhas, foram 24 mil joinhas para baixo (👎) contra apenas 4 mil curtidas (👍). O fiasco ficou ainda pior depois que Durov desativou as reações no seu canal, em óbvia retaliação à reação negativa da maioria.

Não é a primeira vez que uma comunidade de usuários manifesta desaprovação a empresas que flertam com NFT, Web3 e outras picaretagens do tipo. Gamers, por exemplo, são bem avessos a essas ideias. Via @durov/Telegram (em inglês)

(Obrigado pela dica, Henrique!)

O desenvolvedor e “leaker” (gente que vaza segredos de empresas de tecnologia) Alessandro Paluzzi publicou o print de um recurso do Instagram ainda em testes bastante familiar: uma cópia perfeita (logo, descarada) do BeReal, rede social francesa que vem ganhando tração junto ao público jovem.

Chamado “IG Candid Challenges”, algo como “desafios sinceros do Instagram”, o recurso convoca usuários a postarem uma foto dupla (recurso que o Instagram já copiou do BeReal em julho) em um intervalo de dois minutos.

O site norte-americano Engadget entrou em contato com a assessoria da Meta para obter mais detalhes dos “desafios sinceros”. Um porta-voz confirmou a existência do recurso, mas disse que, no momento, ele é apenas um “protótipo interno”, sem dar mais detalhes. Via @alex193a/Twitter, Engadget (ambos em inglês).

Uma fã perguntou a Neil Gaiman se espaçar os epidósios de Sandman, a nova série da Netflix baseada no quadrinho homônimo do autor, ajudaria a “torná-la mais popular”.

Gaiman respondeu que, pelo contrário, “maratonar” (assistir a todos os episódios de uma vez) é melhor “porque eles [a Netflix] estão olhando para a ‘taxa de conclusão’, então pessoas assistindo em seu próprio ritmo não aparecem”. Via @neilhimself/Twitter (em inglês).

Relacionado, do nosso arquivo: O que se perde quando “vemos Netflix” em vez de filmes (e, pelo visto, séries também).

por Shūmiàn 书面

Na última sexta-feira (19), o órgão responsável pelo ciberespaço chinês publicou em seu site resumos dos algoritmos utilizados por 30 aplicativos de algumas das maiores empresas de tecnologia da China.

Gigantes como Alibaba, Tencent e ByteDance foram as primeiras empresas a revelar para o governo as regras de seus algoritmos de acordo com a lei que está em vigor desde março.

Embora a informação oferecida publicamente pelo órgão não seja muito esclarecedora, acredita-se que a versão entregue ao governo seja mais detalhada. Se você perdeu as discussões que rolaram sobre o assunto lá em março, pode passar um cafezinho que o tema é denso.

Adeus, incerteza. Diante do cenário ruim nas vendas e de um temor regulatório, a Tencent, detentora do WeChat, decidiu abandonar o mercado de NFTs. Como conta o SCMP, isso acontece apenas um ano depois de a gigante de tecnologia ter entrado neste setor, que começou com uma promessa de ser grande no futuro. Já tínhamos falado há algumas edições sobre a relação complicada da China com o mercado de NFTs.


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O New York Times publicou as histórias de dois usuários do Google, pais de crianças e norte-americanos, que tiveram suas contas suspensas e histórico e atividades em serviços da empresa investigados pela polícia por terem tirado fotos de partes íntimas dos filhos. As fotos foram enviadas a médicos porque as crianças estavam com dores e inchaço na região.

Os sistemas automatizados do Google detectaram as fotos e suspenderam as contas para averiguação. Mesmo depois de a polícia concluir que os casos não eram de exploração sexual infantil, o Google não restabeleceu as contas dos pais.

Ambos os casos evidenciam a dificuldade em encontrar o equilíbrio entre vigilância contra crimes cruéis e a garantia de privacidade dos usuários. É difícil, porém, encontrar justificativa do lado do Google para não restabelecer as contas afetadas. Via New York Times (em inglês).

Semana passada o Shazam completou 20 anos. Se você fizer as contas, o serviço que reconhece músicas e que hoje pertence à Apple precede os celulares modernos — o iPhone, “marco inicial” dessa fase, foi lançado há 15 anos.

Para celebrar a data, a Apple publicou um punhado de dados interessantes do Shazam, incluindo o seu formato original:

Agosto de 2002: O Shazam é lançado como um serviço de mensagens de texto (SMS) baseado no Reino Unido. Na época, os usuários podiam identificar músicas ligando para “2580” em seus celulares e segurando-os enquanto uma música tocava. Depois eles recebiam uma mensagem SMS dizendo o título e o(a) intérprete da canção.

Relacionado: uma entrevista da Folha de S.Paulo com Chris Barton, fundador do Shazam, que diz que não ficou rico com o aplicativo e agora está trabalhando em um sistema anti-afogamentos para piscinas. Via Apple (em inglês).

por Cesar Cardoso

Os leitores mais fiéis da Pinguins Móveis já sabem, mas é sempre bom relembrar: o JingPad A1 surgiu ano passado como a esperança de um tablet/2-em-1 Linux para o mercado consumidor (ou pelo menos para um público menos interessado em flashar distros para ver se alguma coisa nova funciona), foi um grande sucesso no Indiegogo, distribuiu vários aparelhos para diversos youtubers Linux… começou a entregar os tablets para os apoiadores, todo mundo começou a ver que o software era nem-nem (nem amigável para os hackers nem amigável para usuários Linux)… o dinheiro começou a faltar… a Jingling Tech foi se desfazendo… se desfazendo… e se desfez.

O TechHut, que foi um dos mais prolíficos youtubers a falar de JingPad A1 (aqui e aqui), fez um vídeo sobre todo o drama do JingPad, da Jingling, de quem investiu tempo e dinheiro no tablet, do que poderia ter sido e não foi.

No final, tudo o que aconteceu com o JingPad A1 e a própria Jingling deixa uma lição: software é bem complicado e o caminho que a Jingling tentou com o JingPad A1 só funcionou com a Raspberry Pi porque a framboesa de Cambridge teve escala e condições para aprender como customizar um Debian até o Raspberry Pi OS chegar no estado atual; por isso novos/pequenos fabricantes acabam usando um sistema operacional de terceiros e se dedicando aos drivers (todo mundo que lança alguma coisa com Android), ou abrem o hardware para que a comunidade faça o software funcionar (PINE64).


Pinguins Móveis é uma newsletter semanal documentando e analisando a marcha do Linux por todos os cantos da eletrônica de consumo — e, portanto, das nossas vidas. Inscreva-se aqui.

Às vezes sinto como se estivesse reescrevendo a mesma nota todo mês, mas é sempre algo novo: a Apple liberou atualizações de segurança para o macOS (12.5.1) e iOS/iPadOS (15.6.1) que corrigem duas falhas graves, do tipo “dia zero” — uma no motor WebKit, usado no Safari, outra no kernel do sistema.

Diferentemente de grandes versões, como os vindouros macOS 13 “Ventura” e o iOS/iPadOS 16, para essas de segurança a recomendação é que sejam instaladas o quanto antes. Via TechCrunch (em inglês).

O CGI.br divulgou, na terça-feira (16), a edição 2021 da TIC Kids Online Brasil, que faz um raio-x do modo como crianças e adolescentes brasileiros (9 a 17 anos) usam a internet.

No comunicado à imprensa, o CGI.br destacou alguns achados:

  • 78% das crianças e adolescentes conectados têm perfil em pelo menos uma rede social.
  • Pela primeira vez o TikTok foi considerado na consulta — e 58% dos entrevistados disseram estar na rede da ByteDance.
  • O Instagram ainda lidera, mas a diferença é pequena: é usado por 62% dos entrevistados. Em 2018, o Instagram era usado por 45%.
  • Facebook está em queda livre: a posse de perfis caiu de 66% para 51%, e a relevância entre aqueles que estão na rede da Meta junto aos menores de idade despencou de 41% para 11%.
  • Por outro lado, o WhatsApp reina: 80% dos entrevistados conectados usam o aplicativo de mensagens da Meta, que lidera o ranking em todos os estratos sociais.

A pesquisa ouviu 2.651 crianças e adolescentes com idades entre 9 e 17 anos, assim como seus pais ou responsáveis, entre outubro de 2021 e março de 2022.

Há outros recortes e consultas interessantes, como atividades online, distribuição por faixa de renda e região. Todos os dados, em diversos formatos, podem ser acessados nesta página. Via Cetic.br.

O LibreOffice 7.4, lançado nesta quinta (18), traz melhorias pontuais nos três principais aplicativos da suíte, como suporte a imagens no formato WebP, opções de hifenização no Writer e extensão do limite de colunas para 16.384 no Calc. Aqui tem as notas da versão.

Nas melhorias e correções gerais, o foco da Document Foundation continua sendo a compatibilidade com arquivos do Microsoft Office. Segundo a fundação:

Os arquivos da Microsoft ainda são baseados no formato proprietário descontinuado pela ISO em 2008, e não no padrão ISO aprovado, de modo que eles escondem uma grande quantidade de complexidade artificial. Isso gera problemas com o LibreOffice, que adota um formato verdadeiramente padronizado (o OpenDocument).

Baixe aqui o LibreOffice 7.4 para Linux, macOS e Windows. Via Document Foundation (em inglês).

O WhatsApp para Windows agora é um aplicativo nativo, o que, segundo a Meta/WhatsApp, proporciona uma “nova experiência para computador” porque aplicativos nativos são “mais confiáveis e mais rápidos” e “projetados e otimizados para o sistema operacional do seu computador”.

Obrigado WhatsApp por nos deixar anos usando um aplicativo (baseado em Electron) não confiável e lento 👍

Baixe o novo WhatsApp na lojinha de apps do Windows. Alguém aí já testou? Via WhatsApp.

Mais de 90 pesquisadores brasileiros assinaram uma carta endereça ao candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em defesa da soberania digital. A carta critica a dependência do Brasil de soluções prontas estrangeiras fornecidas pela Big Tech e oferece uma lista de sugestões para reverter esse cenário. Via The Intercept Brasil.

O Google liberou a versão final do Android 13 para celulares Pixel elegíveis nesta segunda (15), um pouco cedo que o habitual.

O comunicado oficial lista 13 novidades, muitas delas reconhecíveis por quem usa iPhone, como permissão seletiva no acesso a fotos por aplicativos, pedido dos apps para exibirem notificações e eventos de “Continuidade” envolvendo o Chrome OS, como receber e responder mensagens de texto e copiar e colar coisas entre o celular e um tablet/Chromebook.

Celulares de outras marcas podem levar alguns meses para serem atualizados — até outro dia ainda tinha aparelho recebendo o Android 12, lançado há quase um ano. Via Google (em inglês).

por Shūmiàn 书面

Quem acompanha as edições da Shūmiàn já está careca de saber das regulamentações no setor de tecnologia na China, especialmente afetando as gigantes. Por exemplo, em 2021, os robotáxis chegaram a Shenzhen para serem testados. Desde 1º de agosto, veículos autônomos privados ou comerciais podem circular em certas vias da cidade — como contamos aqui, testes vinham acontecendo desde o ano passado. A regulação sobre o uso dos veículos é um passo importante para assegurar o bom funcionamento da tecnologia, especialmente no caso de acidentes.

(mais…)

A Andreessen Horowitz (a16z), uma das empresas de capital de risco mais badaladas do Vale do Silício, assinou o seu maior cheque da história, de US$ 350 milhões, e deu para Adam Neumann levantar sua nova startup, a Flow, que promete revolucionar o mercado de aluguéis residenciais.

Caso não tenha ligado o nome à pessoa, Neumann é o infame fundador da WeWork, o megalomaníaco que consumiu bilhões de dólares investidos pelo SoftBank para “revolucionar o mercado de aluguéis corporativos” e foi escorraçado após causar um prejuízo de US$ 8,9 bilhões — ou de US$ 18,9 bilhões, se considerar a injeção extra de US$ 10 bilhões feita para salvar o negócio.

Em maio, Neumann havia levantado US$ 70 milhões de alguns investidores, a a16z entre eles, para a Flowcarbon, “uma plataforma de comércio de créditos de carbono baseada em blockchain”. Em julho, o negócio foi “suspenso por tempo indeterminado”.

Marc Andreessen, um dos cofundadores da a16z, tem um assento no conselho da Meta, é um dos grandes entusiastas da web3 e de startups baseadas em criptoativos e gosta de postar tiradas no Twitter que ecoam entre extremistas, tipo Elon Musk.

No início da pandemia, Andreessen publicou um popular ensaio clamando que os Estados Unidos deveriam voltar a construir coisas, incluindo prédios residenciais, mas se opôs enfaticamente contra um plano municipal para aumentar as zonas residenciais no entorno da sua casa porque isso desvalorizaria as propriedades do local.

Nem alguém muito criativo costuraria uma trama tão surreal e repleta de hipocrisia quanto a desses dois sujeitos. Via a16z, ForbesFortune, BusinessCloud (todos em inglês).