Windows Phone perdeu espaço no último trimestre; Android lidera com folga

O IDC divulgou o relatório de vendas de smartphones no segundo trimestre de 20141. Pela primeira vez na história as fabricantes, juntas, ultrapassaram a barreira do 300 milhões de aparelhos.

Android e iPhone venderam mais do que no mesmo período do ano passado, mas o volume de vendas do Android foi tão intenso (255,3 milhões de smartphones) que o market share da Apple diminuiu, de 13% em 2013 para 11,7%. A explicação da IDC para esse cenário é a explosão do segmento de entrada/intermediário, com smartphones de até US$ 200. E a tendência é de que com o Android One essa hegemonia em vendas globais do Google se acentue ainda mais.

Quem se deu mal nessa história toda foi a Microsoft. O volume de vendas do Windows Phone caiu, de 8,2 milhões em 2013 para 7,4 mi, e o market share encolheu de 3,4% para 2,5%. O IDC lembra que novas fabricantes como Blu, Micromax e Yezz adotando ou prestes a adotar o sistema em mercados-chave pode melhorar a situação do sistema.

O problema é que toda essa ajuda ainda deve ser insuficiente para alcançar as entusiasmadas previsões do início da década. Em 2011, Gartner e IDC disseram que o Windows Phone superaria o iOS em 2015 e, quase na mesma época, como lembrou John Moltz, a Pyramid Reserach garantia que o sistema da Microsoft estaria à frente do Android já em 2013. A primeira previsão ainda pode se concretizar. Vai que… né?

  1. Lembrando que esse número refere-se a smartphones entregues às lojas, não de vendas diretas ao consumidor final.

Smartphones enormes são a nova preferência nacional?

Eu não conhecia a Jana e mesmo depois de ver o seu site fiquei sem entendê-la direito. O que absorvi dali é que se trata de uma empresa de publicidade especializada no mercado mobile de mercados emergentes.

Brasileiro gosta de smartphone grandão.
Gráfico: Jana.

Enfim. A Jana divulgou uma pesquisa que apontou que nos países emergentes o povo quer saber de smartphone grande, com no mínimo 5 polegadas. No Brasil, esse público é de 61%, sendo que 26% prefere coisas enormes com mais de 5,5 polegadas. (Gráfico ao lado -> )

A pesquisa é questionável. A amostragem é baixíssima (1386 pessoas consultadas em nove países) e o fato da Jana ter como produto a veiculação de vídeos curtos pode ter influenciado de alguma maneira o resultado — além do tamanho preferido, a pesquisa também averiguou qual a porcentagem de usuários que consomem vídeos em smartphones.

De qualquer forma, se ainda não é uma preferência nacional, o interesse por samrtphones grandalhões já é palpável pelos reviews mais populares aqui (oi, Xperia C!) e pelo que leio e ouço por aí.

A explicação óbvia e única que me ocorre é a superutilização do smartphone por um público que prioriza convergência por preferi-la, mas também por necessidade — sai mais barato pegar um phablet mid-range do que um smartphone mais um tablet. E como quem determina market share e, para muitas fabricantes, aquele lucro suado no fim do trimestre são os segmentos de entrada e intermediários, a inundação de smartphones gigantes com configurações medianas atende a uma demanda aparentemente real.

Tenho curiosidade em saber o que a galera que cai de cabeça num smartphone grande acha da experiência. A minha é sempre um tanto frustrante, especialmente com os modelos enormes de 6 polegadas — passaram vários desses aqui recentemente e me senti muito incomodado com todos eles. Pode ser só uma fase, mas pode ser também que um novo padrão esteja se estabelecendo. Só espero que, nessa, os iPhone, Moto X e Galaxy Alpha não sumam a médio ou longo prazo…

Maior fabricante de PCs do mundo, Lenovo agora vende mais smartphones do que PCs

Tom Warren, no The Verge:

A maior fabricante de PCs do mundo, a Lenovo, agora vende mais smartphones do que PCs. Em um relatório de ganhos publicado hoje, a Lenovo revelou que inversão [de posição] dos smartphones ocorreu porque as vendas dobraram entre abril e junho. A Lenovo vendeu 15,8 milhões de smartphones no último trimestre, comparada a 14,5 milhões de PCs. A Lenovo disse que o aumento nas vendas de smartphones pode ser atribuída à mudança de foco, de aparelhos premium para modelos mainstream, e ao aumento da demanda em mercados  emergentes.

O salto dos smartphones no gráfico de vendas é expressivo e ainda não contabiliza as vendas de dispositivos da Motorola Mobility — a compra dessa ainda não foi finalizada.

Apesar do bom desempenho, na última quinta-feira Yang Yuanqing, CEO da Lenovo, disse que não quer depender apenas do mercado chinês e que não entrará no jogo “tóxico” de outras fabricantes chinesas, que custeiam um crescimento super rápido vendendo smartphone a preço de custo para atrair investidores. Como exemplos, citou os 300% e 500% de aumento em vendas no sudeste da Ásia e Europa oriental, respectivamente.

Em fevereiro, a Lenovo disse num evento realizado em sua fábrica em Itu que lançaria smartphones premium da marca no Brasil até o fim de 2014. A empresa já tem um portifólio local de aparelhos de entrada, mas usando a marca da CCE, adquirida há quase dois anos por R$ 300 milhões.

A Wikipédia é confiável?

Recentemente IPs do Planalto foram flagrados nos registros da Wikipédia alterando os perfis dos jornalistas Míriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg. A mídia deu bastante ênfase ao caso e, na última segunda, Sardenberg questionou na CBN o modelo de funcionamento do site:

“(…) e acho que tem que ter uma outra forma de controle, porque esse da Wikipédia está fracassando. Você veja: se eu quiser entrar lá e escrever no meu perfil que eu sou o maior jornalista de todos os tempos, pode. (Risos) Se eu quiser entrar no verbete ‘Teoria da Relatividade’, mexer lá e dizer que Einstein estava errado, também pode. Pode até ser que eles troquem, mas por alguns dias fica lá, né? Então a governança da Wikipédia está errada, e está muito fraca, porque senão você vai ficar obrigado a todo dia ir lá verificar o seu perfil e tal. Então… acho que isso aí é um efeito secundário dessa história que é… ela fica um pouco desmoralizada, a Wikipédia… porque se mostrou que há uma vulnerabilidade muito grande. Ok, você vai atrás depois, mas já está feito, né?”

O modelo de funcionamento da Wikipédia sempre levanta sobrancelhas e suspeitas. Uma página consultada por milhões de pessoas todos os dias e que qualquer um pode editar? Tem quem questione sua credibilidade, a veracidade das informações e até a solidez do projeto.

Mas é preciso conhecê-la melhor antes de criticá-la tão duramente. O projeto, que existe desde 2001, já passou por outras turbulências do tipo e recorreu à sua grande força criativa, a colaboração de gente interessada, para identificar e neutralizar esses contratempos. Tudo fica registrado, tudo é verificável, qualquer alteração pode ser desfeita e geralmente as aberrações são revertidas muito rapidamente.

O ônus de tanta liberdade é pago com transparência e agilidade. Pesquisas científicas (PDF) e testes independentes mostraram rapidez na correção de erros crassos e a prevalência de pontos de vista neutros em verbetes polêmicos. A comunidade faz e decide na Wikipédia, e esse sistema funciona.

No LabMídia, Rafael Coimbra sintetizou essa ideia:

Portanto, não se trata de um território livre, onde que qualquer um escreve o que bem entende. Na Wikipédia existe um controle editorial coletivo. Isso garante certa credibilidade e faz com que a enciclopédia seja respeitada mundialmente.

Mas é preciso estar consciente de que ela não é 100% infalível. A “verdade” da Wikipédia não é absoluta.

E, claro, eventualmente alguém mal intencionado vai usá-la para escrever opiniões próprias. Por isso, por mais que seja útil e importante, deve ser vista sempre com um olhar crítico. O ideal é usá-la apenas como ponto de partida nas consultas. Quem quer informação precisa tem que pesquisar outras fontes. Quanto mais, melhor.

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A Universidade de Harvard tem uma postura similar sobre a relação entre seus alunos e a Wikipédia. A instituição disponibiliza uma página dedicada à enciclopédia no seu Guia para Uso de Fontes, onde expõe suas ressalvas quanto ao uso dela na pesquisa acadêmica, mas lhe concede carta branca para fins introdutórios:

O fato da Wikipédia não ser uma fonte confiável para a pesquisa acadêmica não significa que seja errado usar materiais de referência básicos quando você está tentando se familiarizar com um tópico. (…) Essas fontes podem ser especialmente úteis quando você precisa de informações de base ou contexto de um tópico sobre o qual estiver escrevendo.

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No primeiro semestre gravei, num projeto de extensão do curso de Comunicação da UEM, um programa de rádio cujo primeiro bloco se dedica a desmitificar a Wikipédia. Ouça aqui.

Cabos USB Tipo C, que encaixam dos dois lados, estão prontos para produção em massa

Nunca mais você errará o encaixe do cabo USB.

O Grupo de Promoção do USB anunciou que a especificação USB Tipo C está finalizada e pronta para entrar em produção.

USB Tipo C? O nome não diz muito, mas em breve você deverá vê-lo por aí e agradecer aos deuses da tecnologia pela sua invenção. Tratam-se de cabos encaixáveis dos dois lados. Até hoje, não se sabe bem o motivo, era preciso muita concentração ou sorte para plugar de primeira um cabo USB. O novo padrão acaba com isso, já que funciona de qualquer lado.

A velocidade de transmissão dos cabos USB Tipo C pode chegar a 10 Gb/s. Ele também carrega até 100 watts, suficiente para alimentar um notebook e até monitores, e tem dimensões similares às do micro-USB. Além de mais prático, ajudará a deixar os nossos gadgets mais finos.

O USB Tipo C é similar ao Lightning, cabo proprietário da Apple apresentado junto com o iPhone 5. As dores de cabeça que a transição trará também devem lembrar a migração do cabo de 30 pinos para o Lightning, há dois anos. No caso do USB, em escala maior já que mais fabricantes dependem dele e organizações e governos estabeleceram o micro-USB como padrão para recarregadores de smartphones, tablets e outros gadgets. Não há retrocompatibilidade entre o USB Tipo C e as versões anteriores sem o auxílio de adaptadores (boo!).

Os primeiros gadgets compatíveis com USB Tipo C devem chegar até o fim do ano, mas a transição completa demorará pelos motivos descritos acima. Apesar dos transtornos, tudo indica que no fim terá valido a pena.

Galaxy Alpha é o novo smartphone de metal da Samsung

Galaxy Alpha, novo da Samsung.
Foto: Samsung.

A Samsung havia prometido um smartphonfe feito com “novos materiais” na última vez que conversou com seus investidores. Após algumas semanas de rumores, o Galaxy Alpha foi enfim anunciado oficialmente.

O smartphone é, para a Samsung, “a evolução do design Galaxy”. O tal novo material é o metal, usado nas bordas chanfradas que lembram muito as dos últimos iPhones. De resto, o Galaxy Alpha não nega a raça: estão lá o botão físico central característico da Samsung, bem como o acabamento de pontinhos na parte traseira.

Apesar de recursos avançados, como o SoC Snapdragon 805 com suporte a redes LTE Advanced em alguns mercados (em outros, virá com um Exynos octa-core) e câmera de 12 mega pixels com suporte a gravação em 4K/UltraHD e HDR em tempo real, em outras áreas o Galaxy Alpha é mais mundano. Coerente, eu diria.

A tela, por exemplo, tem resolução de 720p. Pouco? Se considerarmos seu tamanho físico, 4,7 polegadas, não — a densidade de pixels fica em 320 PPI, bem próxima dos 326 PPI do iPhone 5/5c/5s. A bateria tem 1860 mAh e se isso afeta o uso, só testando para saber. Outra coisa incomum nos últimos topos de linha da Samsung podem ser notadas: não há slot para cartão microSD e ele usa nano SIM — não me lembro de outro Galaxy que faça uso desse padrão. Do ponto de vista ergonômico, chamam a atenção a leveza (115 g) e a espessura (6,7 mm).

Tem quem esteja criticando a Samsung pela resolução da tela e capacidade da bateria; a mim, parece um conjunto bastante equilibrado e melhor pensado que outros smartphones recentes da linha Galaxy. O comercial (abaixo) e as características em destaque transmitem a ideia de um aparelho estiloso, mais preocupado em ser visto e usado do que reverenciado por adoradores de specs. Uma abordagem bem conveniente em tempos de comoditização e que funciona muito bem com o iPhone e o Moto X. A corrida armamentista dos smartphones acabou; todos os premium são rápidos e cheios de recursos. É hora de focar em design de interação e experiência de uso. (E isso nos leva à TouchWiz, onde ainda há muito trabalho a ser feito. Mas divago.)

https://www.youtube.com/watch?v=u8OZoyHvX78

Disponível em cinco cores, o Galaxy Alpha será lançado no começo de setembro. Ainda pairam no ar dúvidas como preço e em quais mercados ele estará disponível. Mais informações no blog oficial da Samsung.

O primeiro site brasileiro no Yo

Mande um Yo para “manualdousuario” (sem aspas) no Yo e seja notificado toda vez que um post for publicado aqui.

(Este post é, também, um teste. Já atualizo para dizer se funcionou.)

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Atualizando. Eu tinha apenas adicionado manualdousuario, aí não fui notificado do post. É preciso mandar um Yo para manualdousuario para validar sua inscrição. Fiz isso posteriormente e disparei um Yo do dashboard para desenvolvedores, apenas para testar. Funciona:

Receba os posts do site via Yo.
É só adicionar manualdousuario e mandar um Yo para cá!

Enfim, manda um Yo aí e vamos ver se isso vinga.

O Yo ganhou uma atualização grandiosa para iPhone, com perfis, hashtags, uma “app store” (?) e a capacidade de carregar links. É com base nessa última que consegui integrar o Manual do Usuário ao app. Ao receber o Yo de post publicado ele já vai com o link, daí é só tocar na notificação e ler o post. Mais prático impossível, né?

10 anos do OpenStreetMap

Quase passou batido, mas o Gizmodo lembrou: no último sábado o OpenStreetMap completou 10 anos de vida.

O projeto tem a ambiciosa meta de mapear o mundo e oferecer essas informações gratuitamente a quem quiser usá-las. Empresas como Foursquare e Apple, e ONGs como Médicos Sem Fronteiras e a Cruz Vermelha estão na lista de beneficiários desse trabalho que não costuma ganhar manchetes, mas funciona muito bem e é um belo exemplo de colaboração na Internet.

O vídeo abaixo mostra a evolução dos mapas do OpenStreetMap nos últimos sete anos:

E neste endereço dá para fazer comparações entre os mapas de 2007 e os atuais.

Todo mundo odeia o Facebook Messenger

A Rillary não gostou do Facebook Messenger.

Na App Store o Facebook Messenger é o app gratuito mais baixado (o segundo, na brasileira) e sua versão atual tem mais de 1500 avaliações que lhe conferem uma estrela de cinco possíveis. O Google Play agrega todas as versões, logo não existe uma nota que reflita esse período conturbado, mas uma olhada nas últimas avaliações revela avaliações negativas acompanhadas de reclamações inflamadas. Qual o problema do Facebook Messenger?

De minha parte, nenhum. Desconfio que essa onda de críticas decorra puramente da obrigatoriedade em instalá-lo. Porque, de outro modo, é um bom app: tem um design mais elaborado (bonito e funcional), é rápido e faz tudo e mais um pouco que o antigo sistema de conversas embutido no app principal do Facebook, descontinuado em prol desse, fazia. (mais…)

[Review] Moto E: a Motorola repete o milagre no segmento de entrada

É quase inacreditável que a mesma Motorola do Motoblur e implementações desastrosas do Android de três, quatro anos atrás seja essa mesma que tem nos brindado com smartphones excepcionais e relativamente baratos. Demorou para uma fabricante entender que menos é mais, que o Android puro e hardware de qualidade são coisas que todo consumidor aprecia.

Depois de se destacar com RAZR i, D1 e D3, e de lançar os elogiados e bem sucedidos Moto X e Moto G, a prova de fogo é este Moto E que hoje passa pelo crivo do Manual do Usuário. O desafio era manter a experiência de uso consistente dos irmãos mais caros em um conjunto ainda mais barato que o do Moto G. Já adianto que, no geral, a Motorola conseguiu, mas há detalhes que merecem explicações detalhadas. Vamos a elas, pois. (mais…)

Hyperlapse suaviza time lapses filmados em primeira pessoa

https://www.youtube.com/watch?v=6Mugq0CF0tg

Apresentamos um método para converter vídeos em primeira pessoa capturados, por exemplo, com uma câmera no capacete durante atividades como escalada e ciclismo, em vídeos hyper lapse, ou seja, vídeos em time lapse com um movimento de câmera suavizado.

Algumas similaridades com o Photosynth são gritantes e não é por acaso: dois do trio de pesquisadores responsável pelo Hyperlapse, Richard Szeliski e Johannes Kopf, trabalharam na tecnologia. O outro, Michael Cohen, também tem experiência na área — entre outras coisas, criou o Photo Fuse, do (finado?) Windows Live Galeria de Imagens.

Mais informações (vídeos, papers e explicações) na página da Microsoft Research. E, importante: “Estamos trabalhando duro para tornar o algoritmo do Hyperlapse disponível na forma de um app para Windows. Fique ligado!”

Converta seus arquivos PDF para lê-los com mais conforto no Kindle ou Kobo

E-readers modernos funcionam com formatos de arquivo específicos — AZW ou MOBI no Kindle, ePub no Kobo, Lev, Nook e outros. Eles têm inúmeras vantagens sobre o PDF, mas esse ganha em disponibilidade. A oferta de livros, teses, dissertações, monografias e documentos em geral no formato da Adobe é bem grande.

Com telas de 6 polegadas e outras limitações, os e-readers nem sempre recebem bem arquivos PDF. Uma das características do formato, a fidelidade da sua formatação não importa em qual dispositivo seja exibido, acaba jogando contra. Nisso, é comum abrirmos arquivos PDF em e-readers e nos depararmos com letras miúdas e páginas maiores que a tela, o que obriga a movimentações e uso intensivo do zoom, ações desengonçadas em e-readers que acabam tornando a leitura cansativa.

O Lev, da Saraiva, tem um recurso que visa amenizar esses contratempos, o PDF Reflow. A promessa é de que o sistema adapte a exibição de arquivos PDF à tela do dispositivo em tempo real. É um diferencial bacana e exclusivo, mas com um pouco de trabalho dá para ter resultados similares com qualquer e-reader convertendo ou otimizando o PDF antes da leitura. (mais…)

Difamados, brasileiros tentarão tirar app Secret do ar no país

Yuri Gonzaga, na Folha:

Um grupo de dez pessoas entrará nos próximos dias com pedidos extrajudiciais para que Apple e Google removam de suas lojas virtuais no Brasil o aplicativo Secret, uma rede social que mantém todo usuário anônimo e que vem ganhando popularidade no país nesta semana.

Segundo o responsável pela iniciativa, o consultor de marketing Bruno de Freitas Machado, 25, cada membro do grupo foi objeto de calúnia ou teve informações privadas divulgadas sem autorização.

Alguém tinha dúvida de que isso aconteceria?

Note-se que é um pedido extrajudicial, ou seja, esse pessoal apenas pedirá diretamente a Google e Apple para que remova o Secret das suas respectivas lojas de apps, sem o envolvimento do judiciário. Pelo histórico de ambas, porém, é bem provável que simplesmente ignorem o pedido.

O próximo passo é a via judicial e lá o caso deve se arrastar. Como o Secret não tem representação no Brasil, regras de Direito internacional deverão ser aplicadas e para que a startup se manifeste em juízo será preciso expedir cartas rogatórias, como explica o advogado Leandro Bissoli à reportagem da Folha.

Atualização (19h): Outro encontrado pela Folha. Este fez um boletim de ocorrência e quer que o Secret revele a identidade dos difamadores.

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Sobre a desvinculação dos posts que citei hoje mais cedo, ainda paira a dúvida se ela alcança as situações previstas na política de privacidade em que o Secret pode revelar a identidade de um usuário. Para dirimi-la, entrei em contato com a assessoria do serviço e o setor legal. O e-mail foi enviado hoje de manhã e até a data da publicação deste post não tive resposta.

O Secret pode ser secreto, afinal

Ontem escrevi aqui que, sob certas circunstâncias, o Secret pode revelar a identidade do autor de posts no serviço. É uma garantia legal e perfeitamente compreensível, por mais que a premissa do app dê a entender o contrário. Existe, porém, uma saída para dizer qualquer bobagem e não ser responsabilizado: desvincular todos os posts.

O botão de desespero do Secret.

Essa opção consta no app e é meio como se fosse um “botão do desespero”: ao acioná-la, o vínculo com posts já publicados some. Eles passam a não ter autoria e o responsável original deixa de receber notificações, além de não conseguir mais apagá-lo. Isso só vale para posts já publicados e seu uso não pode ser frequente. A opção de desvincular publicações não alcança curtidas e comentários em outros posts.

Na política de privacidade, o Secret diz (tradução livre):

A única maneira de tornar seus posts indetectáveis é usando nosso recurso “desvincular”, descrito em mais detalhes abaixo no [tópico] Suas Escolhas, o que elimina qualquer ligação entre seu post e sua conta.

A desvinculação de posts foi implementada no Secret em fevereiro, junto com uma série de outros recursos básicos, como marcar posts como impróprios, apagá-los do sistema (!) e os movimentos laterais de interação. A descrição oficial não dá conta da ação de desvínculo como uma saída para se livrar da responsabilidade por comentários maldosos ou até criminosos, mas como uma forma de aliviar a consciência:

É preciso muita coragem para compartilhar seus pensamentos e sentimentos mais íntimos. Se você se preocupa com algo que já publicou, agora existe um “grande botão vermelho” que removerá qualquer associação entre você e todos os seus posts antigos nos nossos servidores.

A grande questão é que independentemente da atribuição de culpa ou do modo como o Secret funciona, não ser babaca é uma boa opção de vida. Caso você seja um, considere mudar. Não use o app para difamar, injuriar ou expôr, de qualquer forma, quem quer que seja.

***

Atualização (15/8, 12h50): Jared, o funcionário do Secret que responde pelas questões legais, respondeu minha pergunta:

Desvincular posts é uma ação que um usuário pode tomar para desassociar sua conta de posts ou comentários antigos e recomeçar. Por exemplo, ele poderá voltar a um post publicado anteriormente e comentar como se fosse outro usuário. Atente ao fato de que isso não muda a infraestrutura de como o app funciona. Embora envolva algum trabalho no nosso lado, há momentos em que somos obrigados por lei a cumprir intimações e ordens judiciais e fornecer informações adicionais sobre um post. Note-se que as “informações pessoais” que podemos fornecer são limitadas com base no que o usuário escolhe compartilhar com o app e no que o app exige para funcionar.

Não é uma resposta muito clara e meu pedido por um esclarecimento acerca dela foi ignorado, mas a sensação é de que, afinal, o Secret não garante sigilo absoluto sobre os autores mesmo após esses desvincularem seus posts, desde que, claro, haja uma ordem judicial no meio.

Galaxy S5 Duos: finalmente um topo de linha dual SIM no Brasil

Paulo Higa, no Tecnoblog:

Há alguns anos, celulares com suporte a dois chips eram vendidos no Brasil somente por fabricantes chinesas desconhecidas. Depois, essa característica chegou aos aparelhos mais simples das principais fabricantes. Agora, nós também temos um smartphone topo de linha com entrada para dois SIM cards: é o Galaxy S5 Duos, que começou a ser vendido recentemente no varejo brasileiro por 2.599 reais.

Com exceção do slot extra para mais um SIM card e da inscrição “Duos” na tampa traseira, de resto é exatamente o mesmo Galaxy S5 lançado em abril. Até o preço sugerido é idêntico, e ele já pode ser comprado com desconto em algumas lojas — está R$ 2.339 no Shoptime, por exemplo.

Na China, a Samsung lança variantes dual SIM dos seus grandes smartphones faz algum tempo — os primeiros, até onde sei, foram o S3 e o Note II. A impressão que tenho é de que há público para essa combinação no Brasil; mais de uma vez ouvi lamentações de gente ansiosa por um dual SIM com configurações de ponta.

Agora só falta um topo de linha com dois chips e TV digital. O Xperia Z2 tem essa última característica, mas só está disponível em versão com um SIM card. Quem dará o próximo passo?