Qual é a da obsessão com os grupos do WhatsApp?
Ultimamente tenho observado o comportamento de amigos e conhecidos no WhatsApp e, desse processo, uma dúvida emergiu: por que essa obsessão com grupos do WhatsApp?
Não é algo restrito aos meus círculos de amizades. Uma pesquisa no Google revela tutoriais e indicações de grupos. Em qualquer grupo no Facebook, não demora muito até alguém propôr a criação de um grupo do WhatsApp, tipo um grupo do grupo. No Twitter, uma pesquisa por “grupos whatsapp” revela as situações mais malucas, como o grupo de DJs que vão às apresentações uns dos outros para se apoiarem (?), e aquelas triviais, como os já tradicionais grupos familiares.
https://twitter.com/FatosDoTwiteiro/status/501505227099734017
https://twitter.com/surtossurreais/status/500828071369670657
https://twitter.com/grossa/status/500452823130447872
A prova irrefutável da penetração dos grupos do WhatsApp na nossa cultura vem do Google Trends, que mede a popularidade de termos consultados no maior buscador do mundo. É notável a supremacia dos grupos do WhatsApp:

Os grupos do WhatsApp atropelaram os do Facebook quando esses começavam a se estabelecer. Eles estão em um patamar que nem mesmo as comunidades do Orkut, que tinham a favor a falta de concorrência e contra a quantidade menor de usuários, conseguiram alcançar. Tenho a suspeita de que rapidez e o acesso mais difundido a smartphones, dos quais o WhatsApp virou item básico no Brasil, explicam a preferência por ele e a sua recente subida meteórica no gráfico acima.
Da minha experiência, há casos onde a reunião rápida entre algumas contatos faz sentido: em trabalhos acadêmicos, eventos ou para combinar saídas, às vezes é mais fácil fazer tudo por ali. Isso rola bastante, mas parece que só conta uma parte da história. A outra é que o WhatsApp virou uma espécie de fim em si mesmo, um ponto de encontro onde as pessoas estão sempre disponíveis e dispostas a compartilhar.
Isso leva o WhatsApp a extrapolar a sua função nuclear, o bate-papo em tempo real, e se transformar em uma espécie de rede social. As fotos da festa, que já foram maciçamente compartilhadas por e-mail, depois Orkut e Facebook, hoje são trocadas pelo WhatsApp. Vídeos, então… grupos de zoeira são um mini-YouTube, e ainda temos os de pornografia. Casos recentes e de grande repercussão de revenge porn tinham em comum o WhatsApp como canal de disseminação.
https://twitter.com/larissagaldi/status/472470251947716608
Na Ásia, concorrentes como o WeChat abraçaram essa “missão” maior. Eles não oferecem apenas bate-papo; lá, os chineses compram coisas, agendam compromissos, compartilham fotos em perfis e realizam uma série de outras ações através de apps que, originalmente, serviam apenas para conversar. Nesse sentido o WhatsApp é extremamente conservador e, ainda assim, as pessoas não desgrudam dele. Há, portanto, um potencial enorme para o Facebook desenvolvê-lo e aprimorá-lo, ainda que isso o coloque em disputa direta com o seu produto principal. Canibalizar o Facebook ou manter o WhatsApp simples, sob o risco de perder terreno para concorrentes mais completos e se dar por vencido em mercados emergentes, como os asiáticos?
Questões empresariais à parte, o que mais me fascina continua sendo a motivação para criar e continuar em grupos do WhatsApp. Quando surge o assunto grupos do WhatsApp não é difícil alguém citar a função silenciar grupos, ou soltar alguma reclamação sobre um deles ou todos. Mas é raro alguém bancar a crítica e sair dos grupos. O medo de perder alguma coisa fala mais alto, só não mais do que a nossa incapacidade de ficarmos sozinhos.
Talvez, apenas talvez, a vontade de estar neles seja apenas uma forma mais fácil, sem fricção de suprir a cota de pertencimento e contato de que todos precisamos.
https://twitter.com/_aSol/status/503445273847533568

O administrador de sistemas Linux Miguel Jacq descobriu que a extensão Awesome Screenshot, do Chrome, tem se comportado estranhamente.



