No evento da última quarta (21), a Apple anunciou reformulações em seu app e plataforma de podcasts. Além do novo visual do app, será possível, por ele, assinar podcasts pagos e exclusivos. Dada a baixa penetração do iOS no Brasil e as taxa exorbitante que a empresa cobrará (30%!), é pouco provável que isso cause uma revolução no setor.

Porém, um detalhe técnico pode, sim, causar estragos significativos: a Apple mexeu na configuração dos podcasts já cadastrados em seu diretório para torná-los “privados”, ou seja, visíveis só dentro do app de podcasts da Apple. Muitos aplicativos e serviços de terceiros recorrem à API pública do Apple Podcasts para descobrir podcasts e conectá-los aos ouvintes, daí o potencial estrago: sem avisar ninguém, a Apple passou a, por padrão, restringir a exposição dos podcasts em outros apps que não o dela mesma.

Se você tem um podcast, é recomendável alterar essa configuração o quanto antes. Para isso, entre no Podcasts Connect, selecione seu podcast e clique no link “editar” do feed RSS. Você notará, abaixo do endereço do feed RSS, um opção “Tornar meu feed público”. Ela estará desmarcada. Marque-a e clique no botão Salvar.

Print da tela de configuração do feed RSS do Podcasts Connect, da Apple, com a opção de torná-lo público desmarcada.
Que coisa feia, Apple… Imagem: Apple/Reprodução.

A própria Apple explica para que serve essa opção ao passar o mouse sobre a “?”. Diz a empresa que “Esta opção expõe o URL do seu feed RSS à nossa API, permitindo que seu programa possa ser descoberto por um público maior”.

Por que, depois de quase duas décadas, a Apple resolveu desmarcar essa opção? Algo me diz que tem a ver com a disputa feroz que a Apple pretende travar com o Spotify e outros players de música que pularam de cabeça nos podcasts. Ao virar uma chave do seu lado, a Apple ganhou, da noite para o dia, muitos podcasts “exclusivos”, ou inacessíveis na maioria das plataformas. Não dá para confiar em grandes empresas mesmo. Via @marcoarment/Twitter (em inglês).

A Canonical liberou nesta quinta (22) o Ubuntu 21.04. A nova versão da distro Linux traz poucas mudanças. As principais são a adoção do servidor gráfico Wayland como padrão e uma nova extensão do Gnome Shell que permite arrastar e soltar ícones na área de trabalho — por padrão, o Gnome não permite ícones na área de trabalho. O download é gratuito. Via OMG! Ubuntu (em inglês).

Puro suco de Brazil

Na última quarta (20), dia em que a Apple anunciou seus primeiros produtos para 2021 em um bem produzido comercial de uma hora, no Brasil soubemos que a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça, prepara um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), para Apple e Samsung, referente à remoção do carregador de parede das caixas do iPhone e do Galaxy S21.

(mais…)

Post livre #265

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Ele fecha no domingo por volta das 16h.

O árduo caminho entre o meu dinheiro e os músicos em um mundo dominado pelo streaming

Em uma passagem do Big Brother Brasil 21, o participante Caio apresentou a Rodolffo, que fora da casa é cantor, membro da dupla sertaneja Israel & Rodolffo, um aplicativo de celular “foda” que permitiria baixar músicas do YouTube. Sem entender a vantagem, Rodolffo questionou-o: “Mas pra quê? Baixa no Spotify, no próprio YouTube…”, no que Caio retrucou: “Uai, mas aí eu tenho que pagar. Esse é de graça.”1

A vida do músico nunca foi fácil. A equação que envolve arte e retorno financeiro raramente fecha e, quando sim, é só para uns poucos, aqueles com enormes audiências e que faturam na casa dos milhões. Entre esses e o hobbista assumido, que não faz questão de receber dinheiro pelo seu som, há uma farta “classe média” musical que não consegue sobreviver da arte que produz.

(mais…)

Com a chegada iminente do iOS 14.5, a Apple avisou os desenvolvedores de apps que, a partir da próxima segunda-feira (26), o App Tracking Transparency (ATT) passa a ser obrigatório. O recurso exige que apps para iOS que coletam dados do usuário em sites e outros apps (veja como funciona) obtenham autorização expressa para continuarem com tal prática. Via Apple (em inglês).

Parece uma cena de The Office: na última quinta (15), Susan Wojcicki, CEO do YouTube, foi agraciada com um prêmio de “liberdade de expressão” pelo Freedom Forum Institute. Até aí, tudo bem, mas tem um detalhe: o prêmio era patrocinado pelo YouTube. Via Newsweek (em inglês).

E tem mais: Esther Wojcicki faz parte do conselho do Freedom Fórum Institute. É a mãe da Susan.

Moxie Marlinspike, fundador do Signal e notório hacker, teve acesso aos softwares da Cellebrite, empresa israelense especializada em desbloquear celulares, incluindo iPhones — eles foram usados, por exemplo, para recuperar as conversas apagadas dos celulares da mãe e da empregada doméstica no caso do assassinato do menino Henry, no Rio, em março.

No relato, Moxie comenta que o software da Cellebrite está recheado de vulnerabilidades, e que uma delas, se explorada, é capaz de comprometer a integridade de todas as extrações, já feitas e futuras, a partir do software. Além disso, usa pedaços de código da Apple, provavelmente sem autorização. Em nota “totalmente não relacionada”, ele avisou que o Signal gerará arquivos periodicamente cuja função não tem a ver nem interfere no uso do app, mas que são bonitos, “e estética é importante em software”. Via Signal (em inglês).

A Apple anunciou um punhado de novos produtos nesta terça (20), vários deles já esperados graças à máquina de rumores que existe em torno da empresa. Vimos as AirTags, o único produto realmente novo, e atualizações do iMac, iPad Pro e Apple TV 4K. Alguns destaques no calor do momento, ou o que me chamou a atenção:

  • O chip M1 se espalhou pela linha de produtos: está no reformulado iMac e (surpresa!) no iPad Pro.
  • O iMac chega em sete cores. A versão prata/sem cor foi pouco citada e esteve ausente em várias fotos e tomadas dos vídeos de divulgação.
  • O iMac perdeu muitas portas. A versão de entrada só tem duas USB-C 4/Thunderbolt e a conexão Ethernet na fonte é opcional. (Isso não foi citado no evento, que focou na intermediária, que traz duas USB-C 3 extras.) É a “macbookização” dos desktops da Apple.
  • O iMac traz “a melhor webcam que já colocamos em um Mac”, segundo a Apple. Convenhamos, não era muito difícil.
  • Touch ID no teclado, que a exemplo dos outros acessórios, também ficou multicolorido.
  • O iPad Pro de 12,9 polegadas vem com a aguardada tela de Mini-LED. Isso, sim, é um avanço interessante.
  • O Apple TV 4K agora usa o chip A12 e ganhou um controle remoto reformulado, que traz de volta a clickwheel (sem vidro que quebra fácil) e joga o botão da Siri para a lateral, igual nos celulares.
  • Tudo muito dentro do esperado e, ainda assim, muito bacana, mas estamos falando de objetos para poucos, pois caríssimos. Uma AirTag, acessório para “localizar” objetos perdidos, custa R$ 369. O iPad Pro começa em R$ 10,8 mil. O iMac, perto dos R$ 20 mil. Veja os preços.

Terminou há pouco o primeiro comercial de 1h da Apple de 2021. Os produtos anunciados e seus respectivos preços no Brasil, coletados da Apple Store online, são os seguintes:

  • Novo iMac: a partir de R$ 17.599
  • Novo iPad Pro (11″): R$ 10.799
  • Novo iPad Pro (12,9″): R$ 14.799
  • Novo Apple TV 4K (32 GB): R$ 2.399
  • Novo Apple TV 4K (64 GB): R$ 2.599
  • AirTag: R$ 369
  • AirTags (kit com 4): R$ 1.249

No último dia 16, o YouTube atualizou sua política de informações médicas incorretas relacionadas à COVID-19 e passou a prever a exclusão de vídeos que defendam o chamado “tratamento precoce”. (Via Época.) O documento cita diretamente medicamentos populares, ainda que ineficazes e potencialmente danosos à saúde de infectados com a COVID-19, e exige que os usuários da plataforma não publiquem vídeos, entre outras coisas, que sejam:

  • Conteúdo que recomenda o uso de Ivermectina ou Hidroxicloroquina para o tratamento da COVID-19.
  • Afirmações de que Ivermectina ou Hidroxicloroquina são tratamentos eficazes contra a COVID-19.

A nova política levou à primeira exclusão de um vídeo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), segundo o levantamento da Novelo: uma live de 14 de janeiro de 2021, em que Bolsonaro aparece junto ao ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e ambos desatam a propagar mentiras sobre o “tratamento precoce”.

Foi dia foi marcante: era o ápice da crise em Manaus (AM) e, finalmente, os grandes jornais adotaram o verbo “mentir” para se referir às mentiras letais que o presidente conta. Confira a checagem da Agência Lupa do vídeo agora indisponível.

O Chrome 90 traz um recurso que parece bem útil à primeira vista: links diretos para trechos específicos de uma página. Basta selecionar o trecho, clicar com o botão direito do mouse e clicar em “Copiar link para o destaque”. O recurso está sendo ativado no Android e computadores, e chegará ao iOS “em breve”. Via Google (em inglês).

O Facebook agora permite exportar posts e notas para o Blogger, Google Docs ou WordPress. Via Facebook.

Os desenvolvedores do WordPress estão debatendo como o software, que está por trás de 41% dos sites da web (incluindo este Manual do Usuário), tratará o FLoC como uma questão de segurança. (FLoC é o projeto do Google para continuar segmentando publicidade sem o auxílio de cookies. Falamos dele no último Guia Prático.) A proposta é que o WordPress saia de fábrica configurado para bloquear a atuação do FLoC. Se um administrador quiser alterar essa configuração, ele poderá. A configuração padrão, como sabemos, é o que importa. Via WordPress (em inglês).

Em paralelo, Microsoft (navegador Edge) e Apple (Safari), embora não tenham se manifestado explicitamente sobre o assunto, já deram sinais de que devem rejeitar o FLoC. Via Bleeping Computer (em inglês).

O Facebook copia tanto a concorrência que agora anuncia seus clones em grupos. Confirmando vários rumores, nesta segunda (19) a rede social anunciou, numa tacada só, um clone do Clubhouse (para grupos e figuras públicas), suporte a podcasts (em parceria com o Spotify) e mensagens curtas, tipo áudios do WhatsApp, mas na timeline, que chamou de “Soundbites”. Via Facebook (em inglês), CNBC (em inglês).