Charles “Chuck” Geschke, co-fundador da Adobe e um dos criadores do formato PDF, morreu aos 81 anos, vítima de um câncer. Na Adobe, foi diretor de operações e presidente; aposentou-se em 2000. Em 1992, foi vítima de um sequestro no estacionamento da empresa; quatro dias depois, foi resgatado pelo FBI. Natural de Cleveland, Ohio, Charles vivia com a família em Los Altos, Califórnia. Ele deixa a esposa, três filhos e sete netos. Na Wikipédia (em inglês). Via AP (em inglês), Folha de S.Paulo.
O Google, famoso por “matar” produtos e serviços sem cerimônia, anunciou que está “reformulando” o FeedBurner, um serviço que antes de ler esta notícia eu podia jurar que já tinha uma cova no cemitério do Google.
O FeedBurner, caso você não se recorde (e tudo bem se não), foi criado em 2004 e comprado pelo Google em 2007. Ele é uma central de utilidades para feeds RSS — gerava estatísticas de uso de um feed, que leitores recebessem novos posts por e-mail e permitia o encapsulamento de arquivos MP3, criando assim podcasts.
Em julho, o Google migrará o FeedBurner para “uma infraestrutura mais estável e moderna”, o que garantirá que ele continue funcionando, mas eliminará alguns recursos, como o envio de novos posts por e-mail. Via Google.
De curioso, abri a minha conta no FeedBurner. Um dos meus feeds lá, o mais antigo, com 15 anos (!), sempre aponta para o site onde estou escrevendo — atualmente, ele entrega os posts do Manual do Usuário. Surpreendi-me: quase 700 (!!!) endereços de e-mail marcados como “ativos”, registrados entre 2008 e 2012.
Achados e perdidos #12
Todo sábado, pego uns links que acumulei ao longo da semana e que, embora curiosos e/ou interessantes, não renderam nem notinhas, e os publico num compilado que chamo de “achados e perdidos”. É um conteúdo mais leve, curto, quase lúdico — a cara do fim de semana.
Cuide bem do seu celular
A menos que você seja rico ou jornalista/blogueiro/youtuber de tecnologia, celular é um custo considerável e, preferencialmente, esporádico em sua vida. Por ser um objeto útil, até essencial, e ao mesmo tempo caro, a gente economiza, compra e cuida, faz ele durar. No Brasil de 2021, os “incentivos” para cuidar do celular ou de qualquer outro equipamento eletrônico se multiplicaram.
Post livre #264
Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Ele fecha no domingo por volta das 16h.
Novidades na investida em pagamentos com criptomoeda do Signal. Em um post no blog oficial, a fundação falou, falou e não disse muita coisa. Sobre as críticas, argumentou que a maioria não testou a solução e “está imaginando o pior”, e que não será um recurso obrigatório, mas sim opt-in, ou seja, “usa quem quiser”. Via Signal (em inglês).
Não é só o DuckDuckGo que bloqueará o FLoC, novo método de rastreamento de usuários do Google. Nos últimos dias, os navegadores Brave e Vivaldi (ambos baseados no Chromium) e as extensões AdGuard e uBlock Origin também já anunciaram que bloquearão o FLoC.
Por ora, o Google está testando o FLoC em um pequeno grupo de usuários (0,5%) em alguns países, Brasil entre eles. A Electronic Frontier Foundation (EFF) publicou um site que verifica se o FLoC está ativo no seu navegador. Clique aqui para conferir.
Não sabe o que é FLoC? Leia isto.
Toda quinta, na newsletter do Manual (cadastre-se gratuitamente), indico leituras longas/de fôlego (artigos, reportagens, ensaios) publicadas em outros sites.
Seria o máximo se esse trabalho fosse colaborativo, feito com a sua ajuda.
Indique nos comentários uma leitura longa da última semana, relacionada aos temas que costumam aparecer aqui no site, que você acha que deveria ser lida por mais gente. Vale em português ou inglês.
O site Quando vou ser vacinado?, criado por um grupo de voluntários que coleta e acompanha os dados do coronavírus no Brasil, viralizou. Ele se baseia no histórico recente do ritmo de vacinação de cada estado e na idade do usuário para fazer uma estimativa de quando chegará a sua vez de alguém de tomar a aguardada injeção no braço.
Algumas pessoas próximas comentaram comigo seus resultados, e também vi muita repercussão nas redes sociais. Quase sempre, o comentário veio em tom de desalento porque, para os mais jovens, os prazos estimados são de meses, chegando até a 2022. (Até para os não tão jovens; a minha estimativa, neste momento, é de 1 ano e 2 meses de espera.)
A vacinação segue a passos lentos no Brasil, mas há motivos para ser um pouquinho otimista. Conversei com o Renan Altendorf, um dos voluntários do projeto, para entender a lógica da ferramenta. Um detalhe que me chamou a atenção, por exemplo, é que ela se baseia em dados retroativos, dos últimos sete dias de vacinação em cada estado, ou seja, desconsidera futuras remessas de vacinas já contratadas pelo governo federal, como as 138 milhões de doses da Pfizer e da Jansen que devem chegar ao Brasil até dezembro. (Ou assim esperamos.)
Renan confirma essa lacuna: “A gente até queria levar em consideração o que irá chegar, mas tanto em março quanto em abril os cronogramas [de entrega das vacinas] não foram cumpridos pelo governo. Tem um déficit de 20 milhões de doses até momento. E, para piorar, o governo não irá mais divulgar cronogramas, então ficamos no escuro e estamos tentando coletar essas informações diretamente com os laboratórios.”
Ele prossegue: “A gente sempre coloca a fórmula e os dados que foram utilizadas no cálculo. Sabemos que não é a melhor previsão possível, mas estamos acompanhando sempre com os estados e municípios.”
O Instagram Lite chegou ao Brasil nesta quarta (14). Com apenas 2 MB e disponível apenas para Android, o aplicativo é uma versão mais leve e que consome menos dados do Instagram. E traz outro benefício, sacado pelo Canaltech: não tem anúncios. Via Canaltech.
O Pix está em risco porque o orçamento federal para 2021, que ainda não foi aprovado e está recheado de erros e absurdos, zera o orçamento da área de tecnologia do Banco Central, responsável por operar o sistema de pagamentos instantâneos. Via O Globo (com paywall).
Para gravar o último vídeo do site, sobre organização de newsletters, criei uma conta descartável no Gmail. Fazia alguns anos que não usava o serviço, e assustei-me com a lentidão. Mesmo atividades triviais, como listar mensagens de um marcador ou mover uma mensagem de lugar, demoram — literalmente — mais de dez segundos.
O Google Docs, que usamos para editar o Tecnocracia, também me impressiona pela lerdeza. Estava editando o episódio desta semana e lembrei-me do Gmail. Minha digitação é normal (~80 ppm), mas nem se fosse duas vezes mais rápido que isso justificaria ver palavras se formando segundos depois de digitá-las em um editor de texto.
O YouTube é outra lerdeza, em tudo — de renderizar as páginas de vídeos a listar comentários e estatísticas no Studio, o painel de controle dos canais.
Uso um notebook de 2015 equipado com um Core i5 e 8 GB de RAM — nada super rápido, mas longe de ser lento —, e o navegador Safari. Talvez seja algo dessa combinação, mas suspeito que os serviços do Google sejam realmente lentos e quem os use assiduamente acabe não percebendo, como naquela história dos caranguejos que não notam a fervura gradual da água em que são cozidos.
Os pesquisadores Luis Márquez Carpintero e Ernesto Canales Pereña encontraram algumas falhas no WhatsApp que, exploradas em conjunto, podem levar ao bloqueio permanente de uma conta no serviço, mesmo com a confirmação em duas etapas ativada.
Resumidamente, eles tentam ativar um número em outro celular repetidas vezes, errando de propósito o código de ativação, até bloquear a geração de novos códigos por 12 horas. Depois, enviam um e-mail para support@whatsapp.com pedindo para que a conta da vítima seja desativada (e, surpreendentemente, ela é; é um sistema automatizado que não verifica a titularidade da conta requisitada). Ao repetir o processo pela terceira vez, em vez de 12 horas, o bloqueio à ativação passa a ser de -1, ou seja, infinito.
O ataque não concede acesso à conta da vítima, mas pode inutilizar sua conta no WhatsApp. À Forbes, que relatou o esquema, o WhatsApp informou que, por precaução, recomenda aos usuários registrarem um e-mail junto à confirmação em duas etapas, porque isso “ajuda a nossa equipe de serviço ao usuário auxiliar pessoas que se depararem com esse problema improvável”. Via Forbes.
Cuidado com a multa de cancelamento da Adobe
Em um tuíte que viralizou e acabou excluído pelo seu autor, alguém reclamava da multa de cancelamento da assinatura da Creative Cloud, aquele pacotão de aplicativos da Adobe, como Photoshop, Illustrator e Premiere, entre outros. (O @internetofshit repercutiu.) Para muitos, foi uma surpresa, mas é o “modus operandi” da Adobe, válido também no Brasil, e por isso você deveria ficar atento antes de fechar negócio com ela.
A confusão é compreensível. No site da Adobe, a assinatura do pacote completo da Creative Cloud é exibida como se fosse uma assinatura mensal — para pessoas físicas, custa R$ 224 por mês:

Até aí, tudo bem. Mas ao clicar no botão “Compre agora”, a página seguinte conta uma história diferente. Lê-se, no resumo do pedido: “Plano anual, cobranças mensais”, seguido do valor de R$ 224/mês. Nessa parte, há um menu de seleção que, ao ser expandido, revela outras três opções, sendo uma delas “Plano mensal”. O problema é que o “plano mensal” custa R$ 340/mês, ou 51,8% mais caro que o anual parcelado em 12 vezes:

(Está sobrando dinheiro aí? Outra opção é pagar a anuidade numa tacada só, de R$ 2.580, e economizar 4% em relação à anuidade parcelada.)
Se você contratar a Creative Cloud pelo plano anual parcelado em 12 vezes — que, reforçando, é o padrão — e se arrepender no meio do caminho, de quanto é a mordida da Adobe? Até 14 dias, nada, zero, sem custo. Depois… bem, prepare o bolso. Esta página explica:
Se você cancelar mais de 14 dias após a compra inicial, seu pagamento não será reembolsável e poderá estar sujeito a uma taxa de cancelamento.
- Plano anual pago mensalmente: após 14 dias, uma taxa de cancelamento de 50% do saldo restante de seu contrato pode ser aplicável. O serviço continuará em vigor até o final do período de faturamento do mês vigente.
Não sei se isso se enquadra em “dark pattern”, ou seja, um truque de interface e linguagem para direcionar os usuários a certo comportamento (no caso, assinar o plano anual), mas não é difícil imaginar alguém sendo pego de surpresa com a taxa de cancelamento, que dependendo de quando é aplicada, pode ser bem salgada — o cancelamento no segundo mês, por exemplo, geraria uma dívida de R$ 1.397, pelo cálculo (11 * 254) / 2.
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