Achados e perdidos #18

Todo sábado, pego uns links que acumulei ao longo da semana e que, embora curiosos e/ou interessantes, não renderam nem notinhas, e os publico num compilado que chamo de “achados e perdidos”. É um conteúdo mais leve, curto, quase lúdico — a cara do fim de semana.

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Nós meio que destruímos a cadeia de suprimentos [de HDs e SSDs] a curto prazo.

— Gene Hoffman, presidente da Chia Network.

A confissão acima é do presidente da Chia Network, uma criptomoeda criada por Bram Cohen (que criou o BitTorrent) que promete ser mais “verde” que o bitcoin por trocar o sistema “proof-of-work” (PoW), que depende de cálculos computacionais complexos (e sem outra utilidade) para validar transações, por um de “proof-of-space”, que usa o espaço ocioso em disco de computadores para o mesmo fim — quanto mais espaço disponível, maiores as chances de ser recompensado com moedas.

A Chia causou uma corrida por HDs e SSDs. Estima-se que 12 milhões de terabytes estejam sendo usados apenas para isso, o que tem esgotado estoques e elevado os preços, um fenômeno similar ao que as criptomoedas de PoW têm causado no mercado de placas de vídeo. Via New Scientist (em inglês).

O dia em que “clonaram” meu WhatsApp

Terça-feira, 11 de maio, início da tarde. Estava no computador, trabalhando, quando notei uma notificação no celular. Era uma mensagem de um primo com quem pouco falo. Estranhei, mas deixei para lê-la depois. Passaram-se alguns minutos e o celular tocou. Era minha mãe. Atendi e ela me disse algo do tipo: “Já te avisaram que clonaram seu celular?”

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Post livre #270

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Ele fecha no domingo à noite.

Países processando a big tech é algo corriqueiro, mas o contrário não é todo dia que acontece. Na Índia, o WhatsApp foi à suprema corte para pedir que uma nova lei seja declarada inconstitucional. A lei exige que aplicativos identifiquem os remetentes de mensagens relacionadas a crimes a pedido das autoridades. Para cumpri-la, seria preciso quebrar a criptografia de ponta a ponta do aplicativo. Via Reuters (em inglês).

O WhatsApp está certo nessa. Não se abre exceção em criptografia — se sim, deixa de ser criptografia. Imagine algo assim no Brasil de 2021, cujo governo persegue colunistas de jornais e, no caso de um deles, parentes recebem ligações anônimas (!) “sugerindo” um pedido de desculpas público.

Na Índia, o governo de Narendra Modi está em choque com a big tech. Dias atrás, a polícia fez uma batida no escritório local do Twitter depois que a rede social rotulou posts do porta-voz do partido governista como “mídia manipulada”. Via Gizmodo Brasil.

O Facebook removeu a proibição de postar conteúdo sugerindo que o SARS-CoV-2, o coronavírus causador da COVID-19, tenha sido criado pelo homem. (O tópico ainda consta na versão em português do Brasil, porém; veja um comparativo.) Em nota enviada ao site Politico, um porta-voz da empresa justificou a mudança “à luz das investigações em andamento da origem da COVID-19 e em consulta a especialistas em saúde pública”. Via Politico (em inglês).

De fato, nesta quinta (26), o presidente norte-americano Joe Biden pediu à inteligência do país para que “redobre os esforços” a fim de determinar a origem do coronavírus. Só que, ao contrário do que a regra agora derrubada do Facebook sugere, nenhuma das hipóteses consideradas é a de que o vírus foi criado pelo homem. A nova suspeita é de que ele teria vazado de um laboratório chinês, e não pulado de um animal selvagem para os seres humanos, teoria mais aceita até o momento. O New York Times tem um bom “explainer” (em inglês).

Conforme explica o Politico, “estudos genéticos do vírus encontraram falhas na proteína que ele usa para se conectar a células humanas”, característica que certamente seria evitada por alguém que estivesse criando uma arma biológica.

A vasta lista de tópicos proibidos sobre a pandemia, o vai-e-vem das regras e, agora, este erro conceitual grave do Facebook, demonstram a complexidade que existe na moderação de conteúdo pelas grandes plataformas. Lá vem (mais) uma onda de teorias da conspiração.

Agora sim: o HBO Max tem data de estreia e preços para o Brasil. O serviço chega ao país em 29 de junho custando R$ 19,97 (1 tela “mobile”) ou R$ 28 (3 telas simultâneas, até 5 perfis) por mês. É possível fazer assinaturas trimestrais ou anuais, com descontos de até 30%, e em qualquer caso haverá um período de 7 dias de degustação.

O acervo tem títulos da HBO, Warner Bros, Max Originals, DC e Cartoon Network; traz lançamentos da Warner Bros com uma janela de 35 dias para o cinema; e jogos da Champions League ao vivo. Haverá atrações locais também. Via HBO Max.

Toda quinta, na newsletter do Manual (cadastre-se gratuitamente), indico leituras longas/de fôlego (artigos, reportagens, ensaios) publicadas em outros sites.

Seria o máximo se esse trabalho fosse colaborativo, feito com a sua ajuda.

Indique nos comentários uma leitura longa da última semana, relacionada aos temas que costumam aparecer aqui no site, que você acha que deveria ser lida por mais gente. Vale em português ou inglês.

Um “problema” de aplicativos do tipo que você configura e esquece é que, numa dessas, novidades acabam passando batidas. Tomei um susto ao abrir o 1Blocker no iOS, um dos favoritos da casa, e deparar-me com uma interface reformulada e um novo recurso de firewall.

A novidade apareceu no final de abril, no 1Blocker 4. Ao ativar o firewall, o aplicativo passa a bloquear mais de 9,2 mil rastreadores em aplicativos, e o faz localmente, sem contatar servidores externos. É um passo empolgante para o 1Blocker, que antes disso só agia dentro do Safari/navegador web, e que o equipara a outras soluções do mercado como o AdGuard — no iOS, pelo menos.

O firewall do 1Blocker está disponível sem custo adicional aos usuários premium — assinantes ou quem comprou a licença vitalícia do app. Via 1Blocker (em inglês).

Acompanhe esta linha do tempo:

  • 5 de abril de 2000. Uma pessoa reportou um problema nos menus de contexto do Firefox para o então MacOS: eles não usavam menus nativos do sistema, o que gerava inconsistências visuais e vetores para o surgimento de outras falhas — uma comparação entre os menus de contexto no Firefox e no Safari. Houve algum debate, mas o assunto morreu.
  • 4 de dezembro de 2020. Markus Stange escreveu: “Comecei a dar uma olhada nisto” seguido de um texto enorme detalhando o bug, o que reiniciou as discussões.
  • 27 de abril de 2021. Markus anuncia que a correção do problema foi incorporada ao Firefox Nightly, a versão de testes mais experimental do navegador, e deverá estar na versão 89 estável, que deve sair logo.

É isso: uma falha de 21 anos, anterior ao próprio macOS, foi corrigida no Firefox do macOS. Via Bugzilla (em inglês).

O Banco Central (BC) anunciou que estuda a criação de uma moeda digital para o Brasil. Diferentemente do bitcoin e outras do tipo, ela seria emitida pelo próprio BC, teria paridade com o real (ou seja, não se valorizaria livremente) e seu uso seria mediado pelos bancos.

Fabio Araujo, que coordena esse trabalho, disse que se trata de um “novo mecanismo de provisão de liquidez”, mas estou tendo alguma dificuldade para entender o que essa moeda digital traria de novidade prática à mesa. Para muita gente, o real já é, de certa forma, digitalizado, não? Via Valor Investe.

A System76, fabricante norte-americana de computadores lindões com Linux e responsável pelo Pop!_OS, agora envia para o Brasil. Duro que é em dólar. E o frete não deve ser barato. E ainda tem os impostos. Esta talvez seja a pior hora para dar esta notícia, mas, de qualquer forma, uma boa notícia. Via @system76_com/Instagram (em inglês), @pinguinsmoveis/Telegram.

A Anatel enviou um ofício a grandes varejistas brasileiros que operam marketplaces pedindo a eles adotem medidas preventivas e repressivas contra a venda de produtos de telecomunicações não homologados. Via TeleTime.

Em março de 2019, o Manual do Usuário denunciou youtubers brasileiros que indicavam celulares não homologados a troco de comissões das lojas. A maioria das lojas era de fora, mas a Amazon aparecia nas descrições de vídeos. Questionei à Amazon se a empresa estava ciente da comercialização de produtos irregulares por lojistas do seu marketplace. A resposta foi: “As vendas desses dispositivos na Amazon.com.br são feitas pelo sistema de marketplace. Para questões mais específicas, sugerimos contatar diretamente o(s) vendedor(es) do produto.”