Implantação de moeda digital aumentaria potência da política monetária, diz BC

O Banco Central (BC) anunciou que estuda a criação de uma moeda digital para o Brasil. Diferentemente do bitcoin e outras do tipo, ela seria emitida pelo próprio BC, teria paridade com o real (ou seja, não se valorizaria livremente) e seu uso seria mediado pelos bancos.

Fabio Araujo, que coordena esse trabalho, disse que se trata de um “novo mecanismo de provisão de liquidez”, mas estou tendo alguma dificuldade para entender o que essa moeda digital traria de novidade prática à mesa. Para muita gente, o real já é, de certa forma, digitalizado, não? Via Valor Investe.

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11 comentários

  1. A gente tem que entender a diferença entre transações digitais e moedas digitais. Quando fazemos transações digitais com o Real atualmente precisamos, necessariamente fazer parte do sistema bancário, ou seja, é necessário ter algum valor em posse de alguma das instituições privadas que fazem parte desse sistema (e ter um contrato tbm), quando o seu dinheiro está dentro do sistema ele é da instituição e é a instituição tem uma dívida com você. E a grande maioria dessas transações, como são geridas por um sistema privado pagam algum tipo de taxa.
    Com transações em dinheiro vivo nada disso acontece, todas as transações são p2p e não precisam da participação de nenhum ente do sistema bancário para de fato acontecer e não há nenhum tipo de taxa embutida na transação. A ideia de uma moeda digital (CBDC) é que a mesma funcione como o dinheiro vivo, só que em meio digital, que seja possível ter posse e fazer transações com a moeda sem participar necessariamente do sistema bancário/financeiro.

    1. Sem taxas tipo… o Pix? E tudo bem que bitcoin e outras criptomoedas têm esse componente anárquico de estar fora do sistema, mas não é o caso do real virtual/CBDC do Banco Central. O Banco Central será o único emissor e vai controlar controlar a oferta e as transações, tal qual já faz com as transações digitais do real de papel/analógico/esse que temos aí.

      Sei lá, ainda não consigo ver vantagem.

      1. Justamente o Pix poderia ser visto como o embrião para o real digital, se o BC criar um carteira digital própria, onde se possa fazer pagamentos usando o Pix, o Real digital está praticamente criado, pois você poderá fazer transações digitais, sem ter nenhum tipo de contrato com instituições financeiras e sem onerosidade de taxas, tal qual o dinheiro vivo. Você usou o Pix como um exemplo do tipo de transação sem taxas, mas a grande maioria das transações digitais atualmente tem algum tipo de taxa embutida (Boletos, Cartão de Crédito/Débito, a maioria das transferências fora do Pix, etc.) e a maioria dos bancos ainda cobra algum tipo de taxa de manutenção na conta corrente.
        Em nenhum momento falei de comportamento anárquico, nem me referi a moedas criptográficas, o paralelo que usei foi justamente do real em espécie, que também é emitido e controlado pelo Banco Central.
        Do ponto de vista do BC, a moeda digital teria inúmeras vantagens em relação ao papel moeda, além da obviedade da facilidade de aplicar politicas, e do maior controle sobre a posse da moeda, posso citar trazer para o mundo digital pessoas que ainda estão atreladas ao dinheiro vivo justamente devido a esse fato que citei das taxas embutidas nas transações digitais atualmente ou por essas pessoas não gostarem de bancos e não quererem entrar no sistema bancário. Do ponto de vista da pessoa, a vantagem do real digital para o papel moeda seria a comodidade da transações digitais p2p, e o ponto negativo seria a perda da anonimato dessas mesmas transações. Novamente, não deve ser confundido transações digitais dentro do sistema bancário (que é privado mais controlado pelo BC) e uma CBDC, para entender como uma CBDC deve funcionar temos que olhar para o papel moeda e imaginar uma versão digital.

        1. […] você poderá fazer transações digitais, sem ter nenhum tipo de contrato com instituições financeiras e sem onerosidade de taxas, tal qual o dinheiro vivo

          Olha, pelo que li, as instituições financeiras continuarão participando — até porque a CBDC brasileira estaria ligada ao Sistema Financeiro Nacional (SFN) e pelo Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). A única diferença é que, caso um banco em que você tem conta quebre, seu dinheiro não iria para o buraco junto com ele, ou seja, bem parecido com o sistema de corretoras e ações. E nesse arranjo, poderia sim haver taxas de manutenção e outras.

          Quanto às taxas das contas atuais, os bancos digitais estão reduzindo ou removendo elas. Dá para abrir uma conta no Inter, Nubank e em outros sem gastar um centavo. No mais, por que alguém desbancarizado por desconfiar do sistema/ser apegado ao papel moeda toparia ter uma conta de dinheiro digital? Essa proposta não confronta o problema, ou seja, não tranquiliza quem tem medo de banco e/ou da digitalização.

          Até agora, a única vantagem que compreendi é que isso nos levaria a um cenário de menos dinheiro em espécie (cédulas e moedas) circulando. O que, para mim, não parece ser exatamente uma vantagem…

    1. Penso algo nessa linha, também. O real como moeda digital facilitaria a compra por estrangeiros. O paralelo mais próximo seria com a USD Coin, que é lastreada no Dólar e muito mais fácil de comprar com taxas menores que uma casa de câmbio, por exemplo.

  2. Acredito que essa iniciativa entra no “bolo” de que estão “antenados”.
    Sinceramente, perda de tempo e dinheiro se for dessa forma

    1. Também acho. Não vejo diferença para o Real como é atualmente. É semelhante a campanha do Haddad em 2018 envolvendo blockchain. Só para parecer “antenado”, pois, na prática…

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