Não é de hoje que muita gente pede ao Twitter para que identifique robôs na plataforma a fim de melhorar o nível do debate. Infelizmente, existem fortes incentivos para que o Twitter não faça isso. Explicitar que grande parte da sua base de usuários é, na realidade, formada por robôs, não cairia bem junto aos anunciantes — pelo menos enquanto robôs não puderem consumir.

Ainda assim, nesta quinta (9) o Twitter deu mais um pequeno passo nessa direção. Cumprindo uma promessa feita em dezembro de 2020, robôs identificados como tais exibirão um selo público em seus perfis. É “opt-in”, ou seja, identifica o robô e coloca o rótulo quem quiser. O Twitter alega que a medida visa identificar os “bons robôs”, seja lá o que isso signifique.

Na prática, a novidade não atinge aquele tipo de robô que realmente precisa ser exposto: o que se passa por humano para tentar legitimar pautas e pontos de vista por vezes absurdos ou impopulares entre os usuários de carne e osso. Via @TwitterSupport/Twitter (em inglês).

Há semanas, clientes da companhia aérea Gol têm enfrentado problemas sistêmicos com a empresa: sumiço de passagens, aplicativo fora do ar, checkin inacessível (o que levou alguns a terem que fazê-lo no balcão do aeroporto), atendimento fora do ar. Uma rápida consulta em redes sociais revela pessoas iradas com o caos que parece ter se instaurado na Gol.

Perguntei à empresa, via assessoria, o que está acontecendo. A resposta (íntegra abaixo) foi uma “não resposta”. Em nota, a Gol informou que “a manutenção em seu sistema de vendas e atendimento foi concluída”, que ainda enfrenta instabilidades pontuais, mas que as coisas estão voltando ao normal.

Insisti, porque o posicionamento não respondeu à dúvida inicial — qual foi, afinal, o problema. Em resposta, a assessoria disse que “por enquanto só temos este posicionamento” e que “em breve a Gol vai comunicar as mudanças”. Que mudanças?

Não sei até que ponto é interessante a uma empresa de capital aberto fazer tanto mistério em torno de um problema, aparentemente, grave. Nenhum fato relevante ou comunicado ao mercado foi publicado pela GOl nesse período. Seja lá qual for o motivo, o jeito é esperar a “comunicação das mudanças”.

A íntegra da resposta da Gol:

A GOL Linhas Aéreas informa que a manutenção em seu sistema de vendas e atendimento foi concluída. A Companhia ainda enfrenta instabilidades pontuais, que estão sendo prontamente reparadas. O processo de vendas de passagens já está 95% restabelecido em todos os canais – site GOL, aplicativo mobile e agências de viagem – e as operações de voos são realizadas dentro da normalidade. A implementação de diversas melhorias nos processos dos canais digitais e totens em aeroportos, além de uma nova versão do aplicativo mobile, vão contribuir ainda mais para a experiência do Cliente.

Uma decisão corporativa da 3M quase me fez jogar no lixo dezenas de ganchos plásticos em perfeito estado

por Jacqueline Lafloufa

Na cobertura de tecnologia, fala-se há anos sobre os desafios da melhoria do impacto social dos equipamentos que usamos. Telas, resistores, conectores e placas, além dos muitos plásticos que embalam os equipamentos, são difíceis de reciclar e boa parte deles acaba poluindo o meio ambiente. O descarte, quando precisa acontecer, deve ser cuidadoso e feito em locais específicos, que ao menos cuidam para tentar reaproveitar algumas partes ao desmontar os aparelhos.

A dificuldade em lidar com o descarte de gadgets obsoletos é um tema frequente no Guia Prático, podcast semanal que apresento com o Rodrigo Ghedin. Ele tem o hábito de usar os aparelhos até onde for possível e além, reaproveitando-os para outros fins.

Motivada por essa conscientização acerca do impacto ambiental (e, cá entre nós, financeiro também!) das coisas que compro, quando mudei de apartamento, algumas semanas atrás, decidi reaproveitar todos os ganchos plásticos removíveis que tinha no antigo lar.

(mais…)

O Facebook anunciou, em parceria com a Luxxotica, dona da marca Ray-Ban (e de praticamente todas as outras de óculos), um par de óculos inteligentes chamado Ray-Ban Stories. Notou a falta de algo? Pois é, nenhuma menção a Facebook ou Instagram ou qualquer coisa do tipo. Também tiveram o cuidado de criar um app específico para receber as fotos e vídeos feitos com os óculos do Faceb… digo, Ray-Ban Stories, chamado View. Apesar disso, é preciso logar com o Facebook.

Mark Zuckerberg, homem branco de cabelo curto claro, usando óculos escuros, de frente para a câmera.
Estilera ?. Foto: Ray-Ban Films/YouTube.

Se a ideia de um óculos com câmera do Facebook já soa surreal demais a você, continue comigo. Os Ray-Ban Stories têm um indicador luminoso, próximo à câmera, para alertar as pessoas de que o esquisitão usuário está filmando. Essa luz não pode ser apagada de jeito nenhum, mas a repórter Katie Notopoulos, do BuzzFeed News, recorreu ao bom e velho dedão para tapá-la. Resolve, certo? Calma aí! Alex Himel, vice-presidente de realidade aumentada do Facebook Reality Labs, disse a ela que esconder o LED é uma violação dos termos de uso dos óculos, que proíbem adulterações.

Termos de uso dos óculos.

Óculos com câmera do Facebook.

Em que realidade paralela esse povo vive? Via BuzzFeed News (em inglês), @internetofshit/Twitter (em inglês).

Print de uma das interfaces do Simplify, com a lista de e-mails centralizada e um campo de busca no topo.
Imagem: Simplify/Divulgação.

Àqueles que realmente não simpatizam com o novo direcionamento do Gmail, mas precisam ou preferem continuar no e-mail do Google, o Simplify é uma interface mais calma, focada em e-mail, que lembra o que o Gmail já foi um dia — com algumas opções de layout à disposição.

O Simplify foi criado pelo ex-googler Michael Leggett. Ele liderou a equipe de design do Gmail de 2008 a 2012 e cofundou e liderou o design do Google Inbox, uma interface alternativa e inteligente para o Gmail, descontinuada pelo Google em 2019. São credenciais de peso. Vale dizer, o Simplify não tem qualquer ligação com o Google.

O Simplify é pago, custa US$ 2/mês (no plano anual). Uma conta comporta até 10 contas do Gmail. E é isso: não há anúncios, rastreadores, cookies ou qualquer outra interferência. É apenas uma “casca” mais agradável para acessar o Gmail. Para alguns, soa estranho pagar para acessar um serviço que é, em essência, gratuito; para mim, é a mesma lógica de pagar pelo Tweetbot ou qualquer app alternativo do Twitter: a experiência de usuário interfere muito no modo como usamos (e somos usados) por serviços digitais e, sendo assim, não me importo em pagar uns trocados para usufruir de uma mais saudável. Dica do Pedro Venturini.

Print de uma tela do Gmail/Workspace, com um “espaço” selecionado e duas colunas de conversas em destaque.
Imagem: Google/Divulgação.

O Google liberou os “espaços” no Workspace nesta quarta (8) e algumas outras novidades para a sua suíte de produtividade, como chamadas de voz a partir do app do Gmail. Não sem razão, tem muita gente dizendo por aí que o Gmail está ficando parecido com o Outlook da Microsoft.

O que chama a atenção nessa investida (por vezes confusa) do Google é que ela está sendo toda feita em cima do Gmail, talvez o (único?) produto de comunicação mais bem sucedido do Google. Há uma demanda real, motivada primeiro pela pandemia, agora e ao menos no futuro próximo por arranjos de trabalho híbrido, por soluções mais robustas de produtividade em ambiente corporativo, mas vale questionar se essa investida não alienará a fatia de usuários que só quer ver seu e-mail — e qual o tamanho dela. Via Google (em inglês).

Post livre #285

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Ele fecha no domingo à noite.

Raoni Lazaro Rocha Barbosa, 34 anos, cientista de dados da IBM, foi preso no último dia 17 acusado de ser integrante de uma milícia em Duque de Caxias (RJ). Segundo Ancelmo Góes, a prisão de Raoni foi decretada com base em reconhecimento facial, a partir de uma foto que, segundo seus advogados, não é dele. Outro detalhe que chama a atenção é que, também de acordo com os advogados, Raoni jamais morou em Duque de Caxias — ele reside em Campo Grande, a ~35 km. O caso está nas mãos da desembargadora Denise Vaccari, da 1ª Câmara Criminal do Rio. Via O Globo.

O processo de “facebookzação” do Twitter segue firme. A rede social lançou as comunidades, áreas temáticas onde apenas membros convidados podem tuitar e responder, mas que podem ser lidas por qualquer pessoa. É como se fossem grupos abertos do Facebook. Por ora, apenas usuários do iOS e da web podem interagir (postar/respoder) e somente contas em inglês podem criar comunidades. Via Twitter.

Toda quinta, na newsletter do Manual (cadastre-se gratuitamente), indico leituras longas/de fôlego (artigos, reportagens, ensaios) publicadas em outros sites.

Seria o máximo se esse trabalho fosse colaborativo, feito com a sua ajuda.

Indique nos comentários uma leitura longa da última semana, relacionada aos temas que costumam aparecer aqui no site, que você acha que deveria ser lida por mais gente. Vale em português ou inglês.

Enquanto a União Europeia se prepara para obrigar fabricantes de celulares a oferecerem atualizações de software por pelo menos cinco anos, o governo da Alemanha quer estender esse prazo para sete anos. No mesmo período, as fabricantes deverão disponibilizar peças de reposição para os aparelhos, e ficarão proibidas de aumentar o preço delas. Via XDA-Developers (em inglês), Heise Online (em alemão).

Hoje, o celular mais antigo que ainda recebe atualizações da fabricante é o iPhone 6S, da Apple, lançado em setembro de 2015 (há seis anos, pois). Nas próximas semanas, ele receberá o iOS 15. No mundo Android, a referência é a Samsung. Em agosto de 2020, a empresa sul-coreana anunciou uma lista de celulares e tablets elegíveis para três grandes atualizações de versão do Android, e em fevereiro de 2021, outra lista, maior, de produtos lançados a partir de 2019 que terão quatro anos de atualizações de segurança. Via Samsung (2) (em inglês).

Dois prints do Twitter no iOS, mostrando o “antes e depois” no visual borda a borda da timeline.
Imagem: Twitter/Divulgação.

O Twitter segue lançando novos recursos e testes públicos em ritmo acelerado. Nesta terça, dois novos testes foram apresentados: o novo visual “borda a borda” da timeline, que estende o conteúdo dos tuítes a toda a tela do celular (no iOS), e a remoção manual de seguidores, um tipo de “soft block” (web). Não há prazo nem certeza de que esses recursos serão oficializados e estendidos a outras platformas. Via @TwitterSupport/Twitter (2) (em inglês).

Ainda estou esperando alguém que me convença de que criptomoedas só servem para ilicitudes e especulação. Enquanto isso, os exemplos que reforçam essa opinião seguem se acumulando.

A história do ex-garçom Glaidson Acácio dos Santos, da GAS Consultoria Bitcoin, do Rio de Janeiro (RJ), é inacreditável. Em seis anos, ele movimentou R$ 38 bilhões em um esquema de pirâmide que prometia retornos surreais aos “investidores”. Metade desse valor, R$ 16,7 bilhões, foi movimentada em apenas 12 meses. Via O Globo.

Para colocar isso em perspectiva, se esse montante fosse classificado como receita (são coisas diferentes, eu sei), a GAS Consultoria Bitcoin estaria entre as 50 maiores empresas do Brasil em 2020, segundo o ranking Valor 1000.

Apesar do uso do bitcoin como fachada para enganar os “investidores”, Glaidson era, pessoa física, investidor da criptomoeda: ele chegou a colocar R$ 1,2 bilhão na Binance em troca de 4,6 mil bitcoins. Via O Globo.

Na véspera das manifestações pró-governo e golpistas de 7 de setembro, marcadas para Brasília e São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) assinou a medida provisória (MP) nº 1.068 que altera o Marco Civil da Internet a fim de proibir a “remoção arbitrária e imotivada” de perfis e conteúdos em redes sociais. A MP foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União e tem efeitos imediatos. O próprio Bolsonaro e apoiadores já tiveram vários conteúdos removidos e perfis excluídos de plataformas como Twitter, Facebook e YouTube, em alguns casos por iniciativa própria delas. Especialistas afirmam que o texto da MP é inconstitucional. Via Metrópoles, Folha de S. Paulo.

O escritório em casa do estudante Pedro Henrique

Durante a pandemia de COVID-19, a seção de mochilas será convertida em escritórios domésticos. Faz mais sentido, certo? Vale para os recém-chegados ao home office e para quem já está nessa há tempos. Mande o seu seguindo estas instruções. Todo o texto abaixo é de autoria do Pedro.

(mais…)