Post livre #296

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Ele fecha na segunda-feira ao meio-dia.

Mencionei o retorno do Winamp na última Achados e perdidos, e acho que vale retomar o assunto antes da ~revelação para comentar o site institucional do app.

O site é a antítese do que o Winamp era e o motivo da sua adoração. O app clássico era rápido, ágil, direto ao ponto. Esse site é lento e sequestra a rolagem do mouse. A primeira impressão é péssima. Pelo menos ainda dá para baixar a última versão do Winamp clássico (5.8).

Toda quinta, na newsletter do Manual (cadastre-se gratuitamente), indico leituras longas/de fôlego (artigos, reportagens, ensaios) publicadas em outros sites.

Seria o máximo se esse trabalho fosse colaborativo, feito com a sua ajuda.

Indique nos comentários uma leitura longa da última semana, relacionada aos temas que costumam aparecer aqui no site, que você acha que deveria ser lida por mais gente. Vale em português ou inglês.

As autoridades máximas de regulação financeira e ambiental da Suécia pediram, em carta aberta, para que a União Europeia proíba a mineração de criptomoedas que operam na lógica de “proof of work”, como bitcoin e ether, a fim de que as metas do Acordo de Paris sejam atingidas pelo bloco continental.

Entre abril e agosto deste ano, o aumento no consumo energético na Suécia para minerar criptomoedas foi de “várias centenas de por cento” e já equivale ao consumo energético de 200 mil casas, escreveram na carta Erik Thedéen, diretor da Autoridade Supervisora Financeira da Suécia, e Björn Risinger, diretor da Agência de Proteção Ambiental do país.

O aumento se explica por dois fatores. Primeiro, o banimento da mineração na China, que era um polo de “produção” de cripmoedas. Segundo, pela farta oferta de energia renovável a preço baixo dos países nórdicos.

A reclamação da Suécia põe em xeque um argumento comum dos pró-criptomoedas, de que não há problema no consumo excessivo de energia desde que ela venha de fontes renováveis. Erik e Björn explicam que a mineração representa um “custo de oportunidade”, pois a energia que poderia ter usos na indústria, em transportes ou doméstico é desviada para o bitcoin e outros criptoativos. Via Euronews (em inglês).

O Firefox Lockwise, gerenciador de senhas da Mozilla para Android e iOS, será encerrado no próximo dia 13 de dezembro. Na real, só o aplicativo próprio sairá de cena. O recurso de salvamento e gerenciamento de senhas continuará existindo, mas dentro do Firefox, em computadores e celulares. Via Mozilla.

Um comitê do Parlamento Europeu aprovou na manhã desta terça (23) o rascunho de uma série de novas regras, o chamado Digital Market Act (DMA), a fim de regular a atuação das grandes empresas de tecnologia classificadas como “porteiras” (“gatekeepers”). O objetivo é oxigenar a competitividade no setor e impedir que as grandes empresas esmaguem rivais — como têm feito até agora.

Há várias coisas boas ali. A Electronic Frontier Foundation, com poucas ressalvas que devem ser resolvidas durante o processo legislativo, gostou do que leu. Destaques:

  • Proibição de segmentar anúncios com base em dados pessoais salvo com o consentimento explícito do usuário. Para menores de idade, a proibição é total.
  • Mecanismo que proíbe empresas “porteiras” de fazer aquisições de empresas nascentes que podem se transformar em rivais no futuro.
  • Interoperabilidade de dados entre aplicativos de mensagens e redes sociais. (Aquilo que comentei nesta coluna.)
  • Multas que podem chegar a 20% da receita global da empresa em caso de descumprimento do DMA.

A definição de empresa “porteira” consiste em faturar pelo menos € 8 bilhões por ano na Área Econômica Europeia e ter valor de mercado de € 80 bilhões ou mais; oferecer um serviço de plataforma em pelo menos três países europeus e ter no mínimo 45 milhões de usuários; e ter mais de 10 mil negócios como clientes. O texto diz que os critérios não são exaustivos, e que a Comissão Europeia poderá classificar outras empresas como “porteiras” quando elas “atenderem certas condições”.

Todas as culpadas habituais se encaixam aí: Alphabet (do Google), Facebook, Apple, Amazon, Microsoft. Também deve sobrar para plataformas de varejo, como Zalando e Alibaba, e marketplaces como o Booking.com, segundo a Bloomberg.

Com o consenso alcançado, agora o DMA será redigido em forma de lei e levado ao plenário, em dezembro. Correndo tudo bem, já no início de 2022 começará a negociação com os estados membros da União Europeia e com a Comissão Europeia. Via Parlamento Europeu (em inglês), EFF (em inglês), Bloomberg (em inglês).

Em 2019, o Facebook anunciou que levaria a criptografia de ponta a ponta, até hoje presente apenas no WhatsApp, a seus outros mensageiros — Instagram e Messenger — em 2022. Nesta segunda (22), a empresa avisou que a mudança levará mais tempo e só será implementada em 2023. Motivo? Para “fazer a coisa direito”, segundo Antigone Davis, diretor global de segurança do Facebook. Grupos de defesa da criança alegam que a mudança dificultará o combate ao assédio e outros abusos contra menores que ocorrem nessas plataformas. Via BBC News (em inglês).

No Twitter, David Thiel, ex-engenheiro de segurança do Facebook (trabalhou lá entre setembro de 2015 e março de 2020), deu uma (agora não tão rara) visão de dentro. “A direção decidiu mover todas as mensagens dentro das propriedades do Facebook em um sistema E2EE [criptografado de ponta a ponta] em um cronograma absurdamente acelerado. […] O esforço foi anunciado sem qualquer ‘roadmap’ de como alcançá-lo”, escreveu.

Nessa época, disse David, os sistemas automatizados do Facebook para coibir assédio e abusos contra menores “estavam operando com efetividade menor que 10%”. “Estava claro que a maior parte dos estragos escapava da detecção”, disse Thiel. A direção do Facebook sabia disso e mesmo assim avançou, o que levou a demissões na equipe de segurança infantil. “É um trabalho inimaginavelmente difícil e a perspectiva de piorar 90% nele é super desmoralizante”, disse.

David demonstra o caráter apressado do anúncio com a falta de direcionamento (qual sistema/tecnologia usar?) e a indiferença aos desafios peculiares de cada plataforma. O WhatsApp, que tem criptografia de ponta a ponta desde 2016, é um serviço muito diferente do Messenger e do Instagram. Vale uma citação completa aqui:

O WhatsApp não recomenda pessoas para fazer amizade e interagir. Ele não hospeda grupos secretos de tamanho infinito. Ele não oferece uma pesquisa global de cada usuário. Ele não agrupa pessoas por localização ou instituições como escolas.

Enquanto isso, o Facebook tenta pegar redes sociais existentes, fundi-las e criar novas. Isso levou a situações absurdamente inapropriadas (incluindo, literalmente, recomendar vítimas a seus abusadores), em particular quando combinado à sincronia de contatos [do celular] e ao rastreamento de pixels “offsite” [em outras propriedades que não são do Facebook].

Colocar a criptografia de ponta a ponta sem mudar o modelo sempre foi uma ideia ruim. Então é óbvio que ela foi adiada, e continuará sendo. Ninguém — defensores da privacidade ou da segurança infantil — deveria se contentar com as coisas como elas estão.

David se diz favorável à criptografia de ponta a ponta, mas quando o objeto muda de uma plataforma de conversas privadas entre pessoas conhecidas para um modelo de rede social, seu entusiasmo se enfraquece. “Esses sistemas [criptografados de ponta a ponta] são mais seguros e funcionam melhor quando separados da descoberta, dos algoritmos de recomendação e dos incentivos do marketing.” Via @elegant_wallaby/Twitter (em inglês).

(Algumas d)As melhores ofertas da Black Friday

Última atualização: 26/11, às 19h12.

A Black Friday virou “Black November” e o Manual do Usuário resolveu se adaptar aos novos tempos: em vez daquele compiladão colaborativo que montamos quase todo ano na quinta, resolvi antecipá-lo. A nossa “Black Week”.

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O DuckDuckGo anunciou, ainda em testes, um sistema de proteção contra rastreamento em apps no Android. O recurso lembra ou foi inspirado pela Transparência no Rastreamento em Apps (ATT, na sigla em inglês) da Apple, mas o funcionamento é diferente: o app cria uma VPN local e por ela filtra os rastreadores. É o mesmo sistema de outros bloqueadores consolidados para Android, como Blokada e AdAway.

É preciso inscrever-se em uma lista de espera para usufruir do recurso do DuckDuckGo em seu app: entre nas configurações, depois em Privacy e, no campo App Tracking Protection, toque em Join the Private Waitlist. Via DuckDuckGo (em inglês).

O corretor ortográfico do teclado do iPhone que transforma “e” em “é” é um problema comum e amplamente difundido, mas precisamos falar do Android que transforma qualquer “ok” em “OK” e te faz mandar, quase sempre sem querer, uma energia total passivo-agressiva aos interlocutores.

O menor preço da NordVPN está de volta: 72% de desconto na Black Friday

por Manual do Usuário

Apesar do início turbulento, a Black Friday está consolidada no Brasil. Muita gente espera a data não para comprar supérfluos, mas para aproveitar as promoções de itens essenciais do dia a dia. Uma boa VPN, como a da NordVPN, por exemplo.

Nesta Black Friday, a NordVPN está dando 72% de desconto no plano de dois anos. Fazendo as contas, isso dá apenas US$ 3,29 por mês (~R$ 17), uma pechincha para usufruir dos servidores e da privacidade que a NordVPN oferece.

VPN, você já deve saber, é a sigla em inglês de “rede privada virtual”. Trata-se de uma aplicação que cria uma espécie de túnel na internet entre o seu dispositivo e um servidor remoto, blindando a conexão contra bisbilhoteiros e permitindo que você acesse sites e aplicativos a partir de outras localidades — em outras palavras, dá para acessar os catálogos estrangeiros de serviços como Netflix e até serviços indisponíveis no Brasil, como o Hulu.

A NordVPN tem milhares de servidores espalhados pelo mundo e aplicativos para todas as principais plataformas, do Android ao macOS, passando por Windows, Linux, iOS, além de extensões para Firefox e Chrome. Uma assinatura dá direito de uso em até seis dispositivos ao mesmo tempo.

A promoção de Black Friday da NordVPN vai até 1º de dezembro, mas não deixe para depois: aproveite já o descontão de 72% e tenha a seu dispor uma das melhores VPNs do mercado.

Achados e perdidos #43

Todo sábado, pego uns links que acumulei ao longo da semana e que, embora curiosos e/ou interessantes, não renderam nem notinhas, e os publico num compilado que chamo de “achados e perdidos”. É um conteúdo mais leve, curto, quase lúdico — a cara do fim de semana.

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Depois do Google, agora é a vez do Twitter abandonar o AMP, formato de sites leves que carregam rapidamente. Donos de sites já perceberam uma queda no tráfego AMP vindo do Twitter, mesmo com a documentação oficial informando que o suporte à tecnologia na rede social será descontinuado “no quarto trimestre”.

Não acompanho de perto as idas e vindas do desenvolvimento web, então minha surpresa pode ser infundada. Dito isso, estou um pouco surpreso com o desmantelamento acelerado (risos) do AMP. O que só reforça que a única utilidade prática do AMP foi aquilo que os críticos sempre afirmaram e evidências recentes comprovaram: que o AMP era um cavalo de Troia criado apenas para consolidar o domínio do Google sobre a web. Via Search Engine Island (em inglês).

A cidade do Rio de Janeiro começou a testar o Entrega.Rio, serviço de delivery via aplicativo que não cobra taxa dos restaurantes e promete maior rentabilidade aos entregadores. Nesta fase, que vai até 4 de janeiro de 2022, apenas servidores da prefeitura poderão fazer pedidos. Que ideia maluca, essa: oferecer um serviço a preço de custo para beneficiar restaurantes, entregadores e, no fim, o próprio cliente, que deverá pagar menos pelas refeições. Via Diário do Rio.

Pavel Durov, CEO do Telegram, aproveitou o anúncio do serviço de publicidade da plataforma em inglês (ele já havia dado o recado em russo) para disparar contra o WhatsApp.

“Com o Telegram, você está mais livre de anúncios [‘ad-free’] do que com o WhatsApp”, escreveu Durov. “O WhatsApp já compartilha dados dos usuários com anunciantes — mesmo que o app em si não exiba anúncios. No Telegram, por outro lado, os anunciantes jamais obtêm seus dados privados.”

O CEO do Telegram cita dois links, do The Guardian e da Reuters, para embasar a alegação de que o WhatsApp compartilha dados com terceiros. É verdade, mas, convenientemente, ele não diz que o conteúdo das conversas está mais protegido no WhatsApp, onde a criptografia de ponta a ponta é o default. (No Telegram o recurso existe, mas é opcional e pouco usado.)

Apesar das promessas e do modelo de publicidade projetado para preservar a privacidade dos usuários, ele não é à prova de falhas. Segundo o Russia Beyond, os primeiros anúncios veiculados foram de baixa qualidade, com cursos de investimento e esquemas de criptomoedas.

(Considere, porém, que o Russia Beyond é ligado ao governo russo e o Kremlin não morre de amores pelo Telegram.) Via @durov/Telegram (em inglês) e Russia Beyond (em inglês).