por Shūmiàn 书面

A inteligência artificial só é tão boa quanto os dados em que é treinada. Quais as consequências do grande firewall chinês sobre a sintetização dos resultados? E como censurá-los? Essas questões foram levantadas pelo pesquisador e jornalista Michael Schuman em um texto para a revista The Atlantic.

Embora a China seja responsável por um terço dos artigos e citações acadêmicos na área de IA e o governo tenha metas ambiciosas para o setor, a política pode desacelerar o desenvolvimento da tecnologia.

Um caso emblemático é o robô Ernie, do Baidu, cuja apresentação para acionistas em meados de março foi pré-gravada, o que imediatamente derrubou as ações da companhia. Elas se recuperaram uma vez que o público foi capaz de testar o produto, mas ficou claro que o robô impõe limites a questões políticas.

E isso não deve mudar. O primeiro rascunho da nova lei de Inteligência Artificial generativa, lançado este mês, indicou que os conteúdos gerados devem estar de acordo com o pensamento socialista e não devem subverter o poder do estado, a ordem social ou econômica.

O Telegram está bloqueado no Brasil. Acordei sem acesso ao aplicativo. O bloqueio foi determinado pela Justiça após o Telegram não colaborar com a investigação do ataque em Aracruz (ES), de novembro de 2022, que deixou quatro mortos. Havia um pedido, não cumprido, para que o Telegram entregasse os dados completos de neonazistas que agiam na plataforma à Polícia Federal. O assassino, com 16 anos à época, participava de grupos antissemitas no Telegram. Via G1.

O poder que a Meta, com seus aplicativos sociais, tem no ambiente digital é algo difícil de dimensionar. As apostas de Zuckerberg, como os reels e o conteúdo recomendado por inteligência artificial, estão se pagando lindamente, segundo o balanço do primeiro trimestre divulgado nesta quarta (26). O trio de aplicativos sociais da empresa — Facebook, Instagram e WhatsApp — bateu a média de 3,02 bilhões de usuários ativos diários (DAUs). De alguma forma, o Facebook ganhou 37 milhões de novos usuários em relação ao mesmo período de 2022.

O metaverso, por outro lado, segue sem dar sinais de estar próximo de estancar a hemorragia de dinheiro. Nesses três meses, o prejuízo foi de US$ 3,99 bilhões. Ainda assim, Zuck disse que os rumores de que estaria desiludido com a tecnologia eram só isso, rumores. Via Meta, New York Times, CNBC (todos em inglês).

Google Authenticator com sincronia na nuvem pode não ser boa ideia

O Google Authenticator, aplicativo de senhas temporárias (OTP, na sigla em inglês) usado para autenticação em dois fatores (2FA), foi atualizado. Agora, os códigos temporários podem ser sincronizados via Conta Google.

Segundo Christiaan Brand, gerente de produtos do Google, era um pedido antigo dos usuários que, ignorando os códigos de backup gerados durante a configuração da 2FA, se viam sem saída quando perdiam o celular, ficando trancados para fora das suas contas digitais.

Não há dúvida de que a sincronia via Conta Google é mais conveniente. Por outro lado, essa solução fragiliza um pouco a proteção que a 2FA oferece. Alguém que invada sua Conta Google, por exemplo, teria a faca e o queijo na mão.

Piora. Aparentemente, os dados do Google Authenticator não são criptografados de ponta a ponta, o que significa que o Google ou autoridades com um mandado de busca e apreensão da Justiça poderiam apossar-se dos códigos.

O que fazer, então? O Google ainda permite o uso do Authenticator sem fazer a sincronia. É o ideal. Caso perca seu celular, existe uma saída segura que são os códigos de backup gerados durante a configuração da 2FA. É importante guardá-los em local seguro e acessível.

Quem procura conveniência pode tentar aplicativos do tipo que fazem o backup online/sincronia com criptografia de ponta a ponta, como o Authy. Via Blog de segurança do Google, @mysk@defcon.social/Mastodon (ambos em inglês).

A Câmara aprovou o requerimento de urgência para a votação do PL 2.630/20, o PL das fake news, nesta terça (25). Apesar do tumulto causado pela oposição (PL, Novo e Frente Parlamentar Evangélica) e da pressão das big techs por mais tempo para debates, a votação ficou em 238 a favor e 192 contra. Com isso, dispensa-se a análise pelas comissões da Câmara e o texto passa direto à votação em plenário, já na próxima terça (2/5). Via Câmara dos Deputados.

A figura jurídica e o papel de Jack Dorsey no Bluesky

A CEO do Bluesky, Jay Graber, comentou a estrutura corporativa da startup em conversa no Bluesky com alguns usuários.

Esse é um ponto sensível de todo o arranjo dado o envolvimento (e o investimento inicial) de Jack Dorsey, o ex-CEO do Twitter, famoso por brilhar os olhos para uns lances meio questionáveis como criptomoedas e aquela outra rede esquisita, a Nostr (no momento, sua plataforma preferida). Muita gente descarta de imediato o Bluesky por essa raiz comum com o pior da cultura do Vale do Silício.

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Duas ideias novas propostas pelo Bluesky

O Bluesky, rede social descentralizada iniciada por Jack Dorsey, ex-Twitter, está passando por uma surto de interesse de gente decepcionada com o Twitter.

O interesse pode ser medido por esta tentativa (fracassada; nem perca seu tempo) de distribuir convites no Órbita, o quarto conteúdo mais acessado do Manual nos últimos sete dias.

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A Mullvad VPN, da Suécia, avisou ter recebido em seu escritório “pelo menos seis policiais” do Departamento de Operações Nacional, da polícia sueca, com um mandado de busca e apreensão. O objetivo era apreender computadores com dados dos usuários.

A investida das autoridades foi frustrada, segundo a empresa. A Mullvad VPN diz não guardar dados dos seus clientes.

Argumentamos que eles não tinham motivos para esperar encontrar o que estavam procurando e, portanto, quaisquer apreensões seriam ilegais sob a lei sueca. Depois de demonstrar que é realmente assim que nosso serviço funciona e de terem consultado o promotor, eles saíram sem pegar nada e sem nenhuma informação dos clientes.

Segundo a empresa, foi a primeira vez em 14 anos que eles receberam a visita de autoridades no escritório, que fica em Gotemburgo, na costa oeste da Suécia. Via Mullvad VPN (em inglês).

O mapa-múndi de Marte, jogo de navinha que usa o mouse e outros links legais

Minha conta do Twitter diz que eu assinei o Twitter Blue. Eu não assinei. Minha conta do Twitter diz que eu cedi meu número de telefone. Eu não cedi.

— Stephen King, escritor.

Em uma rara promessa cumprida, nesta quinta (20) o Twitter de Elon Musk removeu os selos azuis de verificação legados, leia-se não atrelados à assinatura do Twitter Blue.

O escritor Stephen King, o jogador de basquete Lebron James e ator William Shatner continuaram com o selo mesmo sem serem assinantes do Twitter Blue. Segundo o The Verge, Musk está pagando pessoalmente para essas pessoas.

Não me recordo de uma deterioração de marca tão rápida e espetacular como a do selo azul do Twitter.

O que antes era motivo de certo orgulho, no mínimo um atestado de veracidade e/ou autoridade, virou uma marca radioativa que, no fim, cada vez mais ganha o status de sinalização de alpinistas sociais e picaretas em potencial. Algo de que pessoas legítimas, como King, querem distância.

Para gente como Musk, dinheiro é sinônimo de autoridade. Quando se deparam com coisas como o selo azul, cuja autoridade deriva exatamente do fato de que não podia ser comprado, se surpreendem. Por consequência, testemunhamos esse festival de pobreza de espírito e constrangimento. A decadência do Twitter segue firme e forte. Via @stephenking/Twitter, The Verge (ambos em inglês).

O Google ainda parece estar atordoado com o atropelo da OpenAI e seu ChatGPT. Duas reportagens nos últimos dias mostram desavenças internas e dificuldades em lidar com as novas e sérias ameaças que rondam a empresa nesses tempos de inteligências artificiais.

Em uma, da Bloomberg, a reportagem conversou com alguns funcionários e ex-funcionários do Google para mostrar como o lançamento desastrado do Google Bard ignorou diversos alertas e pedidos por um adiamento, do setor de ética a funcionários comuns.

O Google jogou no lixo anos de trabalho em salvaguardas e cuidados no uso de IA frente a uma ameaça corporativa. Não que seja surpresa, mas o episódio dá uma dimensão do que realmente importa dentro dessas empresas.

A outra, do New York Times, revela o “pânico” que se instalou dentro do Google em março diante da notícia de que a Samsung estaria cogitando trocar o Google pelo Bing, da Microsoft, como motor de busca padrão em seus celulares. Estima-se que essa parceria renda US$ 3 bilhões por ano ao Google.

Bônus: uma música viral, com vocais de Drake e The Weekdn criados por uma inteligência artificial, colocou o YouTube (que é do Google) em um dilema existencial: ao tirar do ar a canção, a pedido da Universal (gravadora que representa Drake), o Google diz implicitamente que trabalhos derivativos de IAs ferem direitos autorais, abrindo um precedente que coloca em risco as suas próprias IAs. Se não fizer nada, compra briga com a indústria fonográfica. No The Vergeum ótimo artigo acerca desse assunto.

por Shūmiàn 书面

Denúncias anônimas sobre material ilegal na internet são a nova aposta da agência chinesa reguladora do ciberespaço para coibir postagens e sites que tenham conteúdo político ilegal.

O instrumento já é utilizado em diversos sites e redes sociais baseadas na China, mas a Administração Ciberespacial da China (CAC, em inglês) quer fortalecê-lo, tornando o processo de denúncia e averiguação mais consistente.

Nos últimos meses, oficiais chineses vêm estimulando a população a denunciar conteúdo que não siga as normas políticas e ideológicas do governo.

Substack é a maior ameaça às newsletters que já existiu

O Substack é para newsletters o que o Spotify está sendo para podcasts, o Medium foi para blogs e o que o Google Reader foi para o RSS: um player agressivo, que domina e subjuga todo um segmento com vantagens artificiais e insustentáveis, numa aposta arriscada. É uma espécie de bomba relógio corporativa que, quando explodir, destruirá incontáveis pequenos negócios baseados em newsletters.

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O Reddit vai cobrar o acesso à sua API de empresas que treinam grandes modelos de linguagem (LLMs) usados em inteligências artificiais como o ChatGPT. “Achamos justo”, disse Steve Huffman, cofundador e CEO do Reddit.

Desenvolvedores de aplicativos e robôs e pesquisadores continuarão tendo acesso gratuito à API do Reddit.

Atualização (10h39): Ao contrário do que noticiou o New York Times, a API também passará a ser cobrada de desenvolvedores. Pelo menos é o que diz Christian Selig, criador do Apollo: “O uso gratuito da API para aplicativos como o Apollo não é algo que eles [Reddit] vão oferecer, logo, eu oferecer o uso gratuito do app provavelmente será muito difícil. É quase certo que o Apollo terá que mudar para um modelo [em que exista] apenas Apollo Ultra (leia-se: assinatura paga).”

Huffman parece entender uma ou outra coisa melhor do negócio do que seu colega do Twitter, que quebrou a API gratuita e afugentou meio que todo mundo da plataforma.

Cabe aqui um exercício que extrapole a situação do Reddit a toda a web.

O Google e outros buscadores desde sempre vasculham e processam o conteúdo de sites, mas até então havia uma relação de troca: o Google e outros buscadores “pagavam” esse acesso mandando pessoas que buscam por coisas que os sites oferecem. É algo que funciona bem. No Manual, por exemplo, a maior parte dos acessos é originada no Google.

Com as IAs, como o ChatGPT, Google Bard e Bing Chat, essa troca deixa de existir porque elas devolvem a resposta na própria página do buscador, sem que a pessoa interessada precise visitar outro site — no caso, a fonte da informação. Os buscadores viram parasitas, e… bem, no fundo, os chatbots explicitam um problema que já vinha se desenhando, conforme estes dados de 2019.

Mesmo um site pequeno, como o Manual, pode oferecer um corpus de dados significativo. (Em quase dez anos, publicamos 4,3 mil posts e 111,1 mil comentários.) Se interfaces como a do ChatGPT realmente se firmarem na rotina das pessoas, ocupando o espaço antes dedicado às pesquisas na web, prevejo dias difíceis pela frente. Via New York Times (em inglês).

Não tem game falando de amor. Não tem game falando de educação. É game ensinando a molecada a matar. Eu duvido que tenha um moleque de 8, 9, 10, 12 anos que não esteja habituado a passar grande parte do tempo jogando essas porcarias.

— Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil.

Já tem gente associando a fala de Lula ao arroubo do deputado Zé Trovão, que dia desses sugeriu suspender a venda de todos os jogos violentos por 30 dias.

O recorte que Lula faz é correto. Jogos destinados a maiores de idade por retratarem mortes e violência, como os das franquias Call of Duty e Free Fire, são acessados livremente por crianças. Via GE, Veja.