Mitigar o risco de extinção causado pela IA deve ser uma prioridade global ao lado de outros riscos em escala social, como pandemias e guerra nuclear.

+350 executivos, pesquisadores e engenheiros envolvidos com inteligência artificial.

A carta aberta acima (inteiro teor) foi publicada pelo Centro de Segurança da IA. A brevidade é intencional, tem por objetivo reunir no mesmo coro vozes preocupadas que talvez discordem em detalhes, mas encaram a emergência da IA como uma ameaça.

Há nomes de peso ali, como os de Sam Altman (CEO da OpenAI), Demis Hassabis (CEO do Google DeepMind) e Geoffrey Hinton e Yoshua Bengio, pioneiros em redes neurais e tidos como “pais” da IA moderna. Via New York Times (em inglês).

Na próxima segunda (5/6), tudo indica que a Apple revelará ao mundo seu headset de realidade aumentada e/ou virtual.

Há grandes expectativas em torno desse possível lançamento.

Nas últimas décadas, a Apple fez fama como uma espécie de Midas corporativo, capaz de transformar em ouro tudo o que toca, mesmo em categorias de produtos que outras empresas não conseguem emplacar sucessos, como tablets e relógios inteligentes.

Não será tarefa fácil. Grandes empresas, como Meta e Microsoft, há anos investem pesado no setor, sem grandes retornos até aqui.

Quando se fala em software, o grande (único?) sucesso de realidade aumentada de que se tem notícia é Pokémon Go, joguinho de celular de 2016.

Ainda assim, há quem argumente que a grande sacada da Niantic não foi a realidade aumentada, mas sim a geolocalização. Não era raro, no auge da febre, ver celulares com o jogo aberto, mas a câmera fechada, porque a experiência era mais ou menos a mesma, com o bônus de preservar bateria.

O fato de a Niantic nunca mais ter emplacado outro jogo, mesmo com franquias do mesmo nível de Pokémon — NBA, Harry Potter —, é um sinal de alerta.

No início de maio, a Niantic lançou Peridot, seu primeiro jogo de realidade aumentada original, uma espécie de bichinho virtual moderno, no celular. Embora porta-vozes da empresa afirmem que o jogo teve boa receptividade, na frieza dos números Peridot não empolgou — as avaliações de parte dos jogadores é negativa e os downloads, poucos.

Talvez uma versão para o vindouro headset da Apple — caso o toque de Midas ainda esteja funcionando — possa reverter esse cenário.

As ações da Nvidia deram um salto de quase 25% semana passada, fazendo com que seu valor de mercado encostasse no US$ 1 trilhão. Se chegar lá, será a primeira do setor de semicondutores a valer tanto.

A empresa encarna o espírito de “vendedor de pás” na corrida do ouro do momento — a das inteligências artificiais. O chip H100, lançado em 2022 e vendido por US$ 40 mil a unidade, é um avanço significativo no processamento de grandes volumes de dados e está por trás de mega-sucessos recentes, como o ChatGPT.

A posição da Nvidia permite que a empresa dê declarações menos protocolares, mais interessantes que as de outras companhias mais próximas do usuário final, como Microsoft e Google. Jensen Huang, CEO da Nvidia, critica abertamente as sanções que os Estados Unidos impuseram à China e que impedem a sua empresa de vender para o gigante oriental. “Se [a China] não puder comprar dos EUA, eles mesmos vão fazer. Os EUA devem ter cuidado”, disse ele em entrevista ao Financial Times.

Nesta segunda (29), a Nvidia anunciou novidades em um evento de 2h na Computex, em Taiwan, incluindo uma plataforma de computação específica para aplicações de IA, batizada DGX GH200. Via Financial Times, Tom’s Hardware (ambos em inglês), Folha de S.Paulo.

Falando em Bluesky, criaram uma ponte para permitir o uso de aplicativos feitos para Mastodon na outra rede social descentralizada. (Dá até para usar o Ivory, que acabou de ser lançado no macOS.) O projeto, chamado Sky Bridge, tem o código-fonte aberto. Use por sua conta e risco e, se for usar mesmo, crie uma senha de aplicativo no Bluesky em vez de usar a senha principal.

O fim de semana foi agitado na instância/servidor oficial do Bluesky. Uma decisão da moderação acerca de uma possível ameaça de morte causou revolta em muitos usuários e mudanças nas diretrizes da comunidade.

A moderação decidiu remover o post, mas não banir a pessoa que o postou. Muitas horas depois, a pessoa foi banida.

O problema, como explicou a CEO do Bluesky, Jay Graber, é distinguir uma ameaça de violência de uma metáfora infeliz em um debate acalorado. Dito isso, a diretriz atualizada opta por não fazer distinção alguma:

Qualquer post ou imagem que ameace violência ou dano físico, independentemente de a declaração ser metafórica ou literal, resultará em pelo menos uma suspensão temporária da conta e, para várias violações, removeremos a conta de ser hospedada em nosso servidor.

Muitos usuários do Bluesky não ficaram satisfeitos com a decisão, com a demora na tomada da decisão ou com ambos, como se nota nas respostas ao fio publicado por Jay.

Trata-se de mais uma dor do crescimento que o Bluesky enfrenta, exacerbada pela centralidade ainda presente lá. (Até agora, a opção de múltiplos servidores que conversam entre si ainda não foi ativada e só existe uma instância/servidor de Bluesky, a oficial/dos desenvolvedores.)

Em qualquer etapa da jornada, porém, decisões do tipo jamais serão unânimes. De questões mais mundanas, como assediar usuários incautos para descreverem imagens, até as que parecem óbvias, como uma possível ameaça de morte, há nuances suficientes no discurso para gerar debates acalorados. Atritos são e sempre serão inevitáveis.

(Se o inglês estiver em dia, o joguinho de navegador Moderation Mayhen, do pessoal do TechDirt, é muito didático nesse sentido.)

Netflix inaugura a nova era do streaming

Fim de senhas compartilhadas na Netflix marca nova era do streaming

Em 2007, a Netflix teve uma ideia revolucionária: disponibilizar filmes e séries por streaming.

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Não foi uma boa semana para a Play Store, loja de aplicativos para Android do Google.

Na terça (23), o pesquisador Lukas Stefanko, da ESET, revelou que um aplicativo a princípio legítimo, chamado iRecorder Screen Recorder, foi atualizado no segundo semestre de 2022 e passou a gravar e enviar áudios a servidores externos, sem o conhecimento do usuário, a cada 15 minutos.

O iRecorder Screen Recorder tinha mais de 50 mil downloads. O Google removeu o aplicativo da loja.

Caso mais grave ganhou destaque no Brasil. Um jogo chamado Simulador de Escravidão estava sendo distribuído na Play Store. O título descreve bem o conteúdo do jogo, que, após a repercussão, também foi removido pelo Google.

O mais bizarro (e triste) nesse caso é que Simulador de Escravidão tinha nota 4,0 (de 5,0 possível), resultado de 66 avaliações na Play Store. Via ESET (em inglês) e O Globo.

WordPress, 20 anos

Nos primórdios, a web teve muitas fases bonitas, românticas, em que as coisas eram mais simples e as pessoas online, menos propensas à agressividade, mais inocentes e/ou propensas às coisas boas da vida.

No início dos anos 2000, o aspecto técnico da web também passava por uma fase interessante. De repente, sites deixavam de ser estáticos para se tornarem dinâmicos.

Entre os muitos sistemas daquele período, surgiu, no dia 27 de maio de 2003, um pequeno CMS para blogs chamado WordPress. Era o início de — acho seguro dizer — uma revolução.

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por Shūmiàn 书面

As sanções sofridas pela China estão impulsionando um jeitinho para resolver problemas. A matéria de Karen Hao e Raffaelle Huang para o The Wall Street Journal conta como as empresas chinesas estão mitigando o efeito das sanções impostas pelo governo dos EUA na exportação de semicondutores para o país.

Desde o segundo semestre de 2022, diversas companhias, como Huawei e Alibaba, não podem importar os chips de ponta produzidos nos Estados Unidos e usados principalmente para o desenvolvimento de inteligência artificial.

Hao explica que a solução tem sido treinar a IA com diferentes chips (chamada de computação heterogênea) e testar outras técnicas para obter resultados similares. Não vai ser fácil, mas o Alibaba já tem experiência nessa lógica na construção do seu sistema de nuvem, como apontou Zac Haluza.

A questão dos chips também foi discutida pela pesquisadora Megha Shrivastava em texto para o The Diplomat. Ela analisa a estratégia chinesa nessa nova circunstância de disputa com os EUA e as possíveis medidas retaliatórias — algumas já implementadas, como a recém-anunciada proibição do uso de chips da empresa estadunidense Micron por parte de operadores de infraestrutura crítica.

Vivek Murthy, cirurgião-geral dos Estados Unidos — uma espécie de porta-voz de saúde pública do governo federal —, publicou na terça (23) um documento alertando dos perigos do uso de redes sociais por menores de idade. Leia na íntegra (PDF, em inglês).

O texto analisa as evidências científicas já disponíveis acerca do uso de redes sociais por crianças e adolescentes, e é bem transparente ao afirmar que essas evidências ainda são insuficientes e que mais pesquisa se faz necessária. De qualquer forma, não dá para esperar evidências mais robustas para agir.

“Nossos filhos se tornaram participantes sem saberem de um experimento de décadas”, diz o cirurgião-geral em um dos trechos mais duros.

O documento reconhece alguns benefícios no uso por menores de idade, em especial para crianças de grupos minorizados. “[As redes sociais] podem fornecer acesso a informações importantes e criar um espaço para autoexpressão. A capacidade de criar e manter amizades online e desenvolver conexões sociais está entre os efeitos positivos do uso das mídias sociais para os jovens.”

Por outro lado, há farta evidência de que o uso dessas mesmas redes pode afetar o desenvolvimento cognitivo de menores de idade e ocasionar ou potencializar o desenvolvimento de condições psicológicas, em especial depressão e ansiedade.

“O uso frequente de redes sociais pode estar associado a mudanças distintas no cérebro em desenvolvimento na amígdala (importante para a aprendizagem e o comportamento emocional) e no córtex pré-frontal (importante para o controle de impulsos, regulação emocional e moderação do comportamento social), e pode aumentar a sensibilidade às recompensas e punições sociais.”

No geral, o alerta é bastante equilibrado e duro com as empresas de tecnologia. Logo no começo, chama à atenção o fato de que, mesmo proibidas para menores de 13 anos nos Estados Unidos, quase 40% das crianças de 8 a 12 anos dizem usar redes sociais.

Apesar das distinções entre as realidades norte-americana e brasileira, os achados talvez sejam universais e as recomendações a pais, legisladores e às próprias crianças e adolescentes, no final do documento, são valiosas. Via Platformer, New York Times (ambos em inglês).

Atualizações recentes dos aplicativos AntennaPod e Pocket me chamaram a atenção por redesenharem a tela inicial. No lugar da antiga lista comprida de coisas salvas (podcasts e artigos da web), apareceu uma tela dinâmica, com vários filtros e até sugestões de conteúdos.

Lembrei-me da máxima de que todo índice cresce até que seja necessária um mecanismo de pesquisa para encontrar o que se deseja, e toda pesquisa cresce até que seja necessária uma curadoria para encontrar o que se deseja.

Não sei ao certo onde as novas telas iniciais do AntennaPod e Pocket se encaixam. Parecem ser respostas a uma espécie de fadiga de conteúdo, um remédio para evitar que os usuários declarem falência das suas listas intermináveis e crescentes de coisas para ouvir/ler “um dia”.

Ainda que eu prefira uma lista ordenada por padrão (gosto dos filtros como opções), artifícios do tipo devem funcionar com muita gente. Afinal, há uma década a maioria trocou o controle absoluto dos feeds RSS pelo caos e incerteza das redes sociais para acompanhar o noticiário. (A expectativa de que chatbots substituirão os buscadores web reforça essa impressão.) Via AntennaPod, Pocket (ambos em inglês).

A Netflix vai começar a cortar o compartilhamento de senhas no Brasil nesta terça, segundo comunicado à imprensa.

As pessoas afetadas receberão um e-mail para “para assinantes que compartilham a conta Netflix fora da própria residência no Brasil”.

O custo do assinante extra, ou seja, para continuar o compartilhamento com pessoas que não residam no mesmo endereço, será de R$ 12,90 por mês, por assinante extra. Via Netflix.

Enterrado no anúncio do Bing Chat (ChatGPT) dentro do Windows 11, a Microsoft revelou que seu sistema operacional ganhará suporte nativo a outros formatos de compactação além do *.zip, como *.7z, *.rar e *.gz — todos os suportados pela biblioteca libarchive. Será que as pessoas continuarão instalando (ou comprando) o WinRAR e similares? Via Microsoft (em inglês).

A Microsoft anunciou (mais) um punhado de coisas envolvendo inteligência artificial, em parceria com a OpenAI, na abertura do evento Build nesta terça (23):

  • O Windows Copilot (vídeo) lembra muito as promessas da Cortana, porém sem uma interface de áudio, tudo por texto escrito/bate-papo. O lance de resumir PDFs e interagir com aplicativos de terceiros (Spotify, no exemplo) são bem legais.
  • A Loja da Microsoft ganhou uma central de inteligência artificial (vídeo) destacando aplicativos do tipo.
  • Já o Dev Home (vídeo) conecta o Windows 11 ao GitHub e reaproveita alguns recursos já existentes para facilitar e acelerar a criação de um ambiente de desenvolvimento.
  • O mais interessante, do ponto de vista dos negócios, é que a parceria com a OpenAI virou uma relação de mão dupla com a chegada do Bing ao ChatGPT.

Impressiona o volume e a rapidez com que a Microsoft tem explorado a parceria com a OpenAI e colocado na praça produtos baseadas em IA. Via Microsoft (2) (3) (em inglês).