Notational Velocity e nvALT, antigos apps de anotações do macOS, estão de volta
Quando usava Windows, há mais de dez anos, sentia uma grande invejinha do pessoal do Mac por causa do Notational Velocity, um aplicativo de anotações rápido.
O visual característico, com a lista de anotações no topo e o texto da selecionada embaixo, somava-se ao controle total pelo teclado e ao atalho global para iniciar um novo texto. Por baixo do capô, tudo era salvo em arquivos de texto comuns (*.txt ou similares). As pessoas adoravam-no!
Queria tanto aquele aplicativo que um dia o descrevi no meu blog pessoal, esperançoso de que um desenvolvedor adotasse o projeto. E deu certo! Alison Robson escreveu o Notation, uma transposição quase perfeita, e nativa, do Notational Velocity para Windows. Funcionou enquanto estive no Windows, ou seja, pouco mais de um ano.
O nosso não foi o único do tipo que caiu no esquecimento. A nossa inspiração e o nvALT, “fork” mais famoso do Notational Velocity com algumas alterações, também pararam de receber atualizações. O surgimento de alternativas modernas, como Obsidian e Joplin, poupou o luto de quem dependia deles.
Por isso, foi com alguma surpresa que descobri que ambos — Notational Velocity e nvALT — voltaram à vida nas últimas semanas, após um hiato de dez anos. As novas versões adaptaram os aplicativos aos chips M da própria Apple, modernizaram dependências e… bem, funcionam da mesma maneira que no passado.

Brett Terpstra, desenvolvedor do nvALT, promete um novo aplicativo do tipo, o nvUltra, há um punhado de anos. No anúncio da ressurreição do nvALT, ele justifica o trabalho como alto temporário até o nvUltra sair da fase de testes.
Já o repositório do Notational Velocity, cria de Zachary Schneirov, conta com apenas dois lançamentos, publicados há duas semanas.
Pergunto-me se ainda há espaço para esses editores da velha guarda na paisagem moderna. O Obsidian, com o seu ecossistema de plugins e a dinâmica dos “cofres”, capturou a atenção de muita gente que trabalha com textos simples e, no que é indispensável hoje, oferece um aplicativo para celulares e diversas maneiras de sincronizar as notas.
Mesmo eu, que me viro com o Editor de Texto (o Bloco de Notas do macOS), não me convenci de uma eventual mudança, ainda que consiga ver algumas vantagens, como desocupar a minha área de trabalho, hoje tomada por arquivos *.txt.
De qualquer maneira, os aplicativos estão aí, agora compatíveis com versões mais recentes do macOS. Para quem sentia falta ou gente nova curiosa com os hábitos das pessoas “produtivas” de décadas atrás, vale a curiosidade. Ambos são gratuitos e têm o código-fonte aberto.